Grandes Nomes da Ciência: Nancy Roman

As belíssimas nuvens noctilucentes
Ciência Colaborativa: Artigo científico tem mais de mil autores

Olhos atentos estão observando a tela. Pessoas normais veriam números, letras, mais números, informações, uma algaravia sem-fim de dados. Mas dois olhos veem algo um tanto diferente. Veem o resultado de pesquisas, o canto desses olhos se franze, mostrando pequenas pregas que ilustrariam um sorriso, como quando vimos nosso bebê pela primeira vez.

Quando o bebê abriu os olhos pela primeira vez, ele tinha um problema de visão. Quando os "médicos" consertaram o problema, o esplendor que ele trouxe encheu sua mãe de orgulho. Esse bebê é o telescópio espacial Hubble e sua mãe é Nancy Roman.

Nancy Grace Roman nasceu em 16 de maio de 1925, sob o signo de Touro, se isso significasse alguma coisa, em Nashville, Tennessee. Aos onze anos, ela mostrou seu interesse em Astronomia através da formação de um Clube de Astronomia, mas isso porque ela não estava no regime braso-pedagogueano de Ensino, ou estaria cantando musiquinha da Bia Bedran e brincando com forninho de plástico.

Ao cursar o equivalente ao nosso Ensino Médio (apenas na forma, não no conteúdo), Nancy Roman participou de um programa acelerado e graduou-se em três anos.

Pausa. Temos que explicar uma coisinha.

Depois da Segunda Guerra, os EUA tiveram que "importar" cientistas de tudo o que foi lugar. Fui uma briga com os filhos de Stálin para meter a mão em todas as pesquisas alemãs. Não, a verdade é que muito pouco estavam se importando se alguém tomou a porcaria da Polônia na mão grande, já que a Polônia e que nem português de piada. Aliás, a Polônia é personagem de piadas bem semelhantes às nossas piadas de português. A questão da guerra é financeira e, sobretudo, tomar a tecnologia do outro.

Os EUA viram que o lance era desenvolver seus próprios cientistas. por isso, na década de 1950, revistas para adolescentes estimulavam as meninas a seguirem carreiras científicas e tecnológicas (v. Sejam engenheiras, meninas!). Quando viam alguém brilhante nas áreas de ciência, matemática e engenharia, tratavam de investir nessa pessoa.

No caso de Nancy, ela se graduou como Bacharel em Artes em Astronomia, e foi trabalhar no Observatório Sproul, para, em 1949, ela ganhar seu PhD em Astronomia pela Universidade de Chicago, se dividindo entre trabalhar no Observatório Yerkes e no Observatório McDonald, no Texas.

Claro, estamos falando dos EUA da década de 1950, e por mais que quisessem mais mulheres enveredado para pesquisa, arrumar trabalho era complicado. Roman se tornou professora, mas o que ela queria mesmo era vasculhar o Espaço interestelar. Como ninguém a deixava fazer pesquisas, ela começou a se irritar, então, outros perceberam isso e a convidaram para trabalhar. Nesse caso, estamos falando do U.S. Naval Research Laboratory, o Laboratório de Pesquisas Navais, pois se tem uma coisa que sempre ganhou uma graninha extra são as forças armadas, e lá não tinha essa de mimimi você não pode.

Nancy Roman sempre quis entender a natureza das estrelas. Em seu esforço para entender o ciclo de vida das estrelas, ela usou, telescópios de rádio e de raios-X. Com o tempo, outros astrônomos também se tornou mais interessado na formação e evolução de estrelas. Mas Nancy foi a primeira a querer entender as estrelas para entender o próprio mundo.

Durante a coleta de dados sobre as estrelas de alta velocidade, Nancy Roman notou que uma estrela não estava correspondendo aos dados publicados sobre o assunto. As informações descritas dessa estrela registravam-na como sendo muito parecida com o nosso Sol, mas Roman viu que era, de fato, muito diferente. Ela publicou sua observação em um curto artigo no The Astrophysical Journal, e não deu mais bola para essa estrela, já que ninguém também dava… Exceto um russo.

Enquanto tio Sam estava de pinimba com os filhos de Stalin, cientistas não tinham essa palhaçada, pois só a Ciência é unificadora de povos. Nancy e mais 3 outros pesquisadores norte-americanos foram convidados para um evento, em que Nancy foi a oradora principal na inauguração do novo observatório russo.

Se antes a NASA tinha alguma curiosidade sobre ela, agora estava prestando atenção. Perguntaram a ela se ela conhecia alguém que gostaria de estabelecer um programa de Astronomia. Claro, ela seria menos que humana se não dissesse "Eu! Eu!". Por quase 20 anos, Nancy Roman desenhou os instrumentos orbitais que detectam e medem raios gama, ondas de rádio, Raios-X, e a luz visível. Entre observatórios de satélite de Nancy Roman eram três observatórios solares que usam a luz ultravioleta e raios-X para estudar o Sol, nosso amigo Sol, lá bem longe daqui.

Ela também foi responsável pelo lançamento de três pequenos satélites astronômicos que usam raios-X e raios gama para estudar o céu e quatro observatórios astronômicos que fazem medições ópticas e ultravioletas. Isso iria acarretar na criação do telescópio espacial Hubble.

A idealização do Hubble foi antes do nascimento de Nancy. Hermann Oberth, um dos pais dos foguetes modernos, publicou a dissertação Die Rakete umzu den Planetenräumen (O Foguete no Espaço Planetário),em que previa que seria necessário um telescópio em órbita da Terra. Isso é muita coisa, mas é pouco para pesquisas.

A questão é que observação de estrelas, galáxias etc é legal, mas a danada da atmosfera tem o péssimo hábito de interferir nas imagens,mesmo à noite, que apesar de não ter a luz do sol atrapalhando, ainda temos a imensa camada de gases, formando um meio de refringência diferente do vácuo (ok, não é vácuo total, já que isso não existe), oque faz com que as emanações eletromagnéticas sofram distorções ao mudar a frequência e comprimento de onda. Você entende melhor isso com aquela já batida experiência de colocar um lápis num copo com água pela metade. E se você colocar óleo, dá essa coisa esquisita aqui:

Sendo assim, era necessário um telescópio que estivesse flutuando (eu sei!) no frio do Espaço, captando imagens nunca antes imaginadas. Basicamente, porque aqui, na Terra, não podemos tirar fotos nem fazer observações em outros comprimentos de onda…. Quer dizer, podemos, mas com a atmosfera tudo fica mais difícil, essa safadinha da qual não podemos viver sem.

A mais importante contribuição de Nancy Roman para telescópios em órbita foi no projeto do telescópio espacial Hubble. Os incansáveis ??esforços de Nancy Roman, enchendo o saco da NASA e do Congresso frutificaram na liberação de verba para o primeiro. telescópio espacial e ainda hoje é um dos principais, faltando pouco para ser aposentado, mas ainda capaz de belíssimas imagens.

O Hubble mudou totalmente a Astronomia. Mudou a nós mesmos frente a vastidão do Universo. Trouxe, para nós, os Pilares da Criação. Trouxe tudo o que há lá fora para nossas casas. Vemos que somos muito pequenos para nos achar que algo foi feito para nós. Vemos que somos muito grandes, pois tudo o que está a milhares de anos-luz é feito dos mesmos átomos que nos compõem.

O Hubble subiu para o alto e avante em 24 de abril de 1990. Mas quando foi posto para operar pela primeira vez, o Hubble tinha um problema em um de seus espelhos e isso gerou uma celeuma, frente a imensa quantidades de dólares investidos, mas que uma diferença de ridículos 10 nanômetros a partir da curva prevista no espelho deu imagens turvas. Quando uma missão especial foi até lá em cima em dezembro de 1993, astronautas passaram 10 dias instalando novos equipamentos e uma espécie de ‘lente de contato" para corrigir as aberrações ópticas do Hubble. Para se tr uma ideia da mudança nas imagens, vejam:


Tá pequeno? Quer ver maior? Clica AQUI.

Esta é uma das maravilhas do Universo que vieram de uma maneira estupenda, coroando o trabalho de uma vida inteira de Nancy Roman.

Hoje, Nancy Grace Roman, um dos Grandes Nomes da Ciência e Mãe do Hubble, está aposentada e tem uma vida tranquila, prestando consultoria para a NASA, no alto dos seus 90 anos, ainda com a mente afiada como uma navalha e lúcida como as mais bels imagens de todos os telescópios que vêm até a Terra para que pesquisadores do mundo inteiro estudem, analisem e entendam como é o Universo.

Pensem nisso quando vocês forem reclamar da participação feminina, postando textão no Facebook. Mulheres como Nancy Roman estão muito ocupadas para isso, mudando o mundo com a criação de novas tecnologias e ampliando os nossos horizontes, para além de usar mini-saia.

Feliz aniversário, Nancy. Enquanto nós demos às nossas mães desenhinhos, você tem esta foto na sua geladeira:

As belíssimas nuvens noctilucentes
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Sobre André Carvalho

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  • NestorBendo

    Caramba…

    Única e exclusivamente… Caramba…

  • Kawê A.

    Fantástica mulher.

  • EiligKatze

    E pensar que, mesmo com o Hubble, nós conseguimos “ver” apenas uma fração insignificante do Universo…………….