Corais caribenhos conseguem sobreviver com acidificação do oceano

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Ainda tem gente discutindo (de forma tola) por causa do aquecimento global, emissões de CO2 etc. O gás carbônico aumenta a acidez dos oceanos, porque esse gás é um óxido ácido, combinando-se com a água e formando o fraco ácido carbônico, mediante a reação: CO2 + H2O –> H2CO3. Eu já tinha mencionado anteriormente como a acidificação dos oceanos pode causar extinções em massa, bem como altera a morfologia de crustáceos.

Agora, pesquisadores descobriram que algumas espécies de corais caribenhos conseguem sobreviver nessas condições, já que Seleção Natural, apesar de não existir como dizem (da mesma maneira que Aquecimento Global é lenda, para certas pessoas), está sempre atuando, à espreita, esperando quem acabará numa sinuca evolutiva, indo pra vala da História.

O dr. Juan A. Sànchez é diretor do Laboratorio de Biología Molecular Marina da Universidade dos Andes, na Colômbia. Junto com os vários colaboradores, como o dr. Chris Langdon, da Universidade de Miami, Sanchez pesquisa a vida marinha (coisa que vocês jamais deduziriam, nem que olhassem as páginas pessoais deles).

Uma espécie que chamou a atenção dos pesquisadores e seus escrav… estagiários foram os corais da espécie Eunicea fusca, um cnidário (como todo coral é) que vive em colônias, quase sempre encontradas em águas rasas dos mare caribenhos – como nos locais próximos às Bahamas, Bermuda, sul da Flórida e no Golfo do México –, mas podem estar presentes em locais profundos. Como a maioria dos corais, pertencentes à ordem das gorgônias, a E. fusca apresenta esqueleto que pode ser flexíveis ou não. Geralmente com formato de plantas, coloridas, com aparência de candelabros e/ou plumas.

De acordo com a pesquisa, os biólogos constaram que a referida espécie foi capaz de calcificar e crescer sob concentrações de dióxido de carbono elevados, e são os mais resistentes corais. Mas, por que ele não deveria, à primeira vista, crescer? Simples: Química Inorgânica!

Eu disse acima que o gás carbônico reage com a água formando ácido carbônico. Como a água do mar NÃO TEM pH 7, mas acima (sim, o oceano tem pH básico!), ele neutraliza as hidroxilas alcalinas, formando carbonatos:

CO2 + 2 OH –> H2O + CO3=

Os carbonatos, na maioria das vezes, são insolúveis (exceção apenas para os carbonatos dos metais alcalinos e amônio). Mas não é só isso. Com excesso de gás carbônico, o carbonato passa a bicarbonato, cujo sal é solúvel com a maioria dos cátions.

CO2 + CO3= + H2O –> 2 HCO3

Ou, de outra forma:

Os pesquisadores coletaram espécimes da E. fusca Espécimes de Big Pine Shoals em Florida Keys para simular uma gama de condições de acidificação do oceano futuras. Com variações na concentração de CO2 variando entre 285 e 2.568 partes por milhão, há uma variação de pH entre 8,1 e 7,1. Parece pouco, mas a escala é logarítmica, isto é, a mudança de uma unidade de pH significa uma concentração aumentada em 10 vezes! Raciocine sobre o volume de água estimado e você verá a quantidade em toneladas de soluto dissolvido!

Nas simulações, os pesquisadores perceberam que as E. fusca têm uma grande resistência ao aumento de concentração de gás carbônico no oceano, mantendo a sua integridade estrutural. Dessa forma, os pesquisadores esperam que os resultados permitam prever melhor o futuro da composição das comunidades de recifes de coral, usando como métrica para entender o futuro dos seres vivos em ambiente marinho.

A pesquisa foi publicada no periódico Coral Reefs, e pelo que pude perceber, não foi escrito por nenhum membro da família Simpson, ou correlatos.

Os resultados mostraram que em outros seres vivos, a mesma sorte não ocorreu. A calcificação diminuiu drasticamente em ALgumas espécies, quando os níveis de CO2 estavam extremamente altos. Analisando a química envolvida, Sanchez e sua turma entenderam que algas calcárias incrustantes e equinodermos com esqueletos formados por calcita de alta concentração de magnésio podem ser mais suscetíveis aos impactos da acidificação dos oceanos do que os corais formados por aragonita, basicamente um carbonato de cálcio.

Assim, analisando a composição química dos seres, é possível prever qual deles terá uma melhor resistência à acidificação por meio de dióxido de carbono. Como evitar essa acidificação? Aí, deixou de ser área de estudo dos biólogos.


Para saber mais:

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Sobre André Carvalho

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