Desvendando os segredos da Praga de Justiniano

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O sinistro poder está à espreita. O poder que não tem paixão alguma, amor ou simples complacência. Durante o reinado do imperador Justiniano, (entre 541 e 542 da Era Comum), uma verdadeira praga assolou todo o império romano oriental. O número de mortes, de acordo com o relato de Procópio de Cesareia, chegou a 10 mil pessoas e 10 mil pessoas já é muita gente hoje, ainda mais no século VI. Ela teria começado em Pelusium, perto de Suez, no Egito.

Hoje, cientistas tentam entender o que aconteceu, por que aconteceu e se pode acontecer de novo.

Basicamente, a Praga de Justiniano era a nossa conhecida Peste Bubônica, que voltaria a assolar a humanidade em outros episódios, e por causa de atacar gânglios linfáticos e escurecendo partes corpo, cunhando-lhe o termo carinhoso de Peste Negra durante o século XIV, mandando aproximadamente 75 milhões de pessoas pra vala. Literalmente, já que usavam valas comuns, o que virava um ninho de ratos, ajudando a disseminar mais a doença.

Na idade Média, os médicos (?) andavam verificando as pessoas que estavam doentes, que podiam estar doentes, que não estavam doentes e poderiam desenvolver a doença, e mandavam todos subir numa charrete para serem removidas. Destino? Ninguém sabia. Esses "médicos" usavam uma indumentária característica. Uma imensa máscara com uma espécie de bico curvo e lentes de vidro nos olhos. Era a "plague mask". O bico curvo era enchido com especiarias, menta, canfora, esponja com vinagre, pétalas de rosa ou uma mistura disso tudo, para protegê-los dos humores malignos exalados pela doença.

Não ria, até pouco tempo, contrair tuberculose era sinal de morte na certa. Ademais, o uso do vinagre e especiarias tinha um certo que de verdade: os ratos e as pulgas não gostavam do cheiro (principalmente do vinagre) e fugiam deles, Os médicos não sabiam o por que, mas funcionava,

Se com toda a "moderna" ciência médica da Idade Média já foi complicado, imaginem nos fins do Império Romano.

No livro Historia Secreta, Procópio diz que o índice de mortalidade estava na casa de 10 mil mortes em Constantinopla POR DIA, número que ele deve ter retirado de alguma cavidade corporal. O relato está na obra Historia Secreta (Historia Arcana, disponível AQUI em *. pdf).

O que aconteceu, afinal?

A verdade é que não se sabe o que aconteceu ou como aconteceu. O mais provável é que os ratos vindo do Egito se tornaram uma espécie invasora no reino de Justiniano, e sem predadores, os ratos se proliferaram.. bem, que nem ratos, mesmo. O problema é que estes ratos eram hospedeiros da bactéria Yersinia pestis, uma bactéria Gram-negativa, encapsulada e imóvel, aeróbia e anaeróbia facultativa. E sim, eu peguei isso da Wikipédia Me processe.

Esta tristeza de ser vivo, provavelmente vindo das profundezas do reino de Nosso Senhor Ctulhu. E o que tem de pequeniniha, tem de mortífera, já que cerca de 50-60% das pessoas contaminadas morrem. Mesmo nos dias de hoje.

O dr. Edward Holmes é biólogo evolucionário da Universidade de Sidney, Austrália. Sendo do lugar que é, Mr. Holmes está acostumado com coisas que fazem de tudo para mandar as pessoas pros doces braços de uma morte horrenda.

Ele estuda antigas cepas da Y. pestis, que foi o primeiro patógeno do mundo antigo a ter seu genoma sequenciado. Segundo análises dos dentes de alguns pobres coitados daquela época, enterrados no cemitério de  Aschheim-Bajuwarenring, na Alemanha, as cepas da praga de Justiniano não eram iguais às da Peste Negra, 800 depois. Mas isso significa o quê? Que as cepas mudam? Mas isso  só seria verdade se Evolução existisse! De qualquer forma, as cepas "Justinianas" parecem ter encontrado numa espécie de sinuca evolutiva. A pesquisa foi publicada no periódico Lancet Infectious Diseases

A pesquisa mostra como pandemias podem surgir, não só pelos poderes da Seleção Natural, como o Homem fazendo besteira e carregando consigo espécies para lugares em que elas não deveriam estar. No caso da Idade Média, ainda tinha o maravilhoso fator religioso, que decidiu que gatos, o único predador da ratarada, eram demoníacos e matava-se os bichanos se não por fanatismo, por diversão também. Deu no que deu, Darwin veio recolhendo os corpos com uma escavadeira e por um triz a Europa não virou uma terra devastada.

Hoje, somos mas eficientes. Por que matar uma espécie de cada vez se podemos ferrar com o meio-ambiente de uma vez só? Termina-se com o adágio que aquele que não conhece História corre o risco de repeti-la.

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Sobre André Carvalho

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