dez 29

A quantas andam as cirurgias robóticas?

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Bibliografias, Ceticismo, Ciência, Comunicações, Engenharia, Informática, Medicina, Mídia, Robótica, Saúde, Tecnologia
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O mundo está cada vez mais tecnológico, desde que o primeiro macacão badass resolveu usar ossos como armas para caçar ou mandar seus desafetos pra vala. Automatizamos carros, aviões, navios, celulares, computadores, video-games etc. Seria justo pensar em, quem sabe um dia, termos máquinas que pudessem fazer intervenções cirúrgicas; verdadeiros robôs a serviço da causa médica. Mas será que estamos preparados? E os riscos?

A cirurgia robótica pode ser uma tendência crescente entre os hospitais em todo o mundo, salvo no Brasil, onde mal conseguimos combater doenças oriundas de mosquitos, facilmente aniquilados por um baygon da vida. Isso sem falar que a população média fica meses só para marcar consultas nos postos de saúde e nos planos de saúde particulares, a coisa não é tão maravilhosa assim. De qualquer forma, a ciência médica precisa evoluir e a chegada de tratamentos e técnicas dependem de muitos outros fatores além da vontade de salvar vidas. Não é porque muitas pessoas andam a pé que iremos dizer que carros são inúteis.

Quando falamos de cirurgias robóticas não estamos pensando aquele robô humanoide que coloca uma mão biônica no Luke Skywalker. O robô estaria mais parecido com o ED-209, mas por algum motivo que eu não sei qual é, algo parece meio errado nessa analogia.

Uma cirurgia robótica seria o caso de intervenções cirúrgicas delicadas, onde traços mecanizados seriam mais certeiros e menos sujeitos a erros que mãos humanas. Não que não haja um ser humano por detrás. O robô não iria operar sozinho. Seria algo como telepresença com o cirurgião a poucos centímetros de seu paciente, mas bem longe do seu interior… pelo menos, fisicamente. O infográfico abaixo ilustra o que isso quer dizer.

Um dos empecilhos, é o custo da técnica, mas ora bolas!, há coisa de 10 anos, um monitor de LCD de 13 polegadas custava uns 2000 reais. Hoje, compra-se um de 22 polegadas, fullHD por menos de 500! Muitos remédios e técnicas eram caríssimos, como análises de DNA e até mesmo um celular pode funcionar como um aparelho de ultrassom portátil. Então, preço pode ser um problema hoje. Vamos desinventar a técnica? Quanto custava um cruzeiro marítimo até a Espanha, por exemplo, há alguns anos?

E sobre resultados? Bem, de acordo com o The Verge, pesquisadores da Johns Hopkins analisaram dados de 244.129 colectomias (procedimentos para remover parte ou a totalidade do cólon ), que podem ser realizadas através de laparoscopia ou usando um robô. Na laparoscopia, o cirurgião faz uma pequena incisão no umbigo e introduz um dispositivo fino chamado “laparoscópio”, que nada mais é que um dispositivo de fibra óptica que permite realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos, podendo-se visualizar os órgãos internos dentro do abdômen e pelve, observando se há inchaço e inflamação das trompas e ovários, e com o médico operando sondas que fazem a cirurgia, como a retirada da vesícula biliar, por exemplo.

O estudo constatou que ambas as abordagens tinham índices de complicações e mortalidade semelhantes, e que os pacientes passaram quantidades similares de tempo no hospital após os procedimentos. Ao que parece, a única diferença sensível foi no bolso, com a cirurgia robótica custando cerca de 3 mil dólares a mais do que a cirurgia convencional. Isso me lembra o caso de algumas clínicas que induzem as pacientes de fazerem cesarianas no trabalho de parto, ao invés do perto comum, por ser mais caro.

No caso da cirurgia robótica, é de se esperar que seja mais preciso, indolor e com um tempo de recuperação mais rápido, ou não haverá o menor sentido de se gastar muito mais por causa dela. Ao meu modo de ver, a técnica ainda está no alvorecer e são necessários mais testes. A mão de um cirurgião bem treinado e experiente ainda é algo milagroso e não será facilmente substituível. A cirurgia robótica, portanto, ainda se mostra mais necessária quando o cirurgião não pode estar na mesma sala de operações que o paciente, mas aí entram muitos outros fatores técnicos, como velocidade de transmissão de sinais, informações em tempo real e se o link não é patrocinado por operadora de telefonia brasileira, ou a única que teremos é um modo bem caro de matar pacientes.

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Uma resposta para "A quantas andam as cirurgias robóticas?"

  1. 1. observer disse:

    Esse conceito todo de tecnologia aplicada é o que move os espertalhões e oportunistas de plantão. Nenhum desses instrumentos robotizados, usados na medicina, precisam custar mais caro que um automovel, e custam milhares de vezes mais e não me venham com o papo de escala de produção. Um exemplo bom são os scanners industriais, de alta precisão, para cópia de protótipos e futura produção de peças milimétricas, custam em torno de R$ 25.000,00. O mesmo scanner, para uso odontológico, mínimas variações de cores da carcaça ou modelo do laser (no fundo é tudo a mesma coisa) custa perto de R$ 200.000.
    Algo justifica esta diferença? Sim, a ganância, a idiotice e a burrice humana. Imagine nos hospitais, onde um diretor mal sabe quanto custa um bisturi? As empresas de “tecnologia médica” fazem a festa, deitam e rolam nos preços, ou alguèm acha que esse povo ai está preocupado com algum paciente?
    Os médicos e cirurgiões acham lindo usar um robô de seis braços para arrancar uma espinha na testa do “doente”, para eles não importa quanto custou o dispositivo, não importa se custou mais caro que um CNC completo para uma indústria aeronáutica. Que se lixem os pacientes do SUS.

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