Grandes Nomes da Ciência: Hattie Alexander

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Um casal chega em desespero ao hospital. O corpo inerte da criança sai dos braços da mãe e vai para os braços de uma enfermeira que corre contra o tempo; a equipe médica está com pressa. Os pais choram e cada segundo é contado. O nariz da criança sangra e a infecção que começou no nariz e na garganta se espalha para outras partes do corpo, como a pele, ouvidos, pulmões, articulações e as membranas que revestem o coração, medula espinhal e o cérebro. O quadro parece ser de meningite C e isso por causa de bilhões de anos de evolução biológica que acarretou no aparecimento do terrível Haemophilus influenzae tipo B (HiB). A criança não tem esperança de sobreviver e aos pais só restará o luto e o pranto.

Mas isso é um quadro que não precisa acontecer, pois aqueles que andam pelos vales das trevas não precisam ter medo, enquanto a Ciência estiver ao seu lado. A Ciência do legado da drª Hattie Alexander.

Aos cindo dias de abril do ano que deu início ao século XX, 1901, quem passasse por um berçário numa maternidade de Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, veria muitos bebês dormindo sossegadamente. Entre elas, uma seria especial e seu nome era Hattie Elizabeth Alexander, a segunda de oito filhos do casal William Bain Alexander e Elsie May Alexander.

Hattie não era o que pode se chamar de "nascida em berço de ouro". Seus pais não eram pobres, mas também não eram ricaços. Eram apenas comerciantes, mas nada muito "ohhhhh, que máximo!". Ela entrou para Goucher College, em Baltimore com uma bolsa parcial. Ela se destacou nos esportes, mas era apenas uma aluna mediana em seu trabalho de curso, que incluiu bacteriologia e fisiologia. Ela se graduou em 1923, e nos três anos seguintes, ela trabalhou como bacteriologista no laboratório do Serviço de Saúde Pública dos EUA, com sede em Washington, DC. A Universidade Johns Hopkins se impressionou com a qualidade do trabalho de Hattie Alexander e a convidou para trabalhar lá, onde ela tirou seu doutorado em medicina. Era o ano de 1930.

A drª Hattie Alexander voltou sua atenção para a mortal meningite bacteriana, causada principalmente (mas não exclusivamente) pelo bacilo de Pfeiffer, o H. influenzae, cujo tipo B é o mais virulento, pérfido, mortal e sacana que os demais, que também não são algo que você queira perto de você.

Este amaldiçoado ser vivo é tão ridículo com seus ridículos 1.740 genes que foi o primeiro organismo a ter seu genoma completamente sequenciado. Mas o que ele tem de ridículo em simplicidade tem de mortal. O H. influenzae B fez a infelicidade de muita gente e muitos esforços foram gastos para combater esta praga. Se Evolução existisse, acabar de vez com o HiB seria complicado… como realmente é! Suas proteínas sofrem mudanças na hora de estabelecer ligações com a penicilina e é justamente por causa disso que o antibiótico em questão não tem ação contra esta porcaria de bactéria! Algumas celfalosporinas são mais efetivas, mas em termos de medicina, não basta remediar, é preciso vacinar!

Lá pelos idos de 1933, Hattie Alexander começou uma série de pesquisas no setor de pediatria, ensino e cargos de pesquisa no Hospital Infantil, na Clínica Vanderbilt, e no Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Columbia. Foi nomeada pediatra adjunta e pediatra em 1938 no Hospital Infantil, além de ocupar cargos paralelos na Clínica Vanderbilt. Na Universidade de Columbia, ela detinha uma bolsa de estudos em doenças infantis entre 1932 e 1934 e tornou-se assistente professora de doenças infantis em 1935. E, não. Ela não tinha tempo de ficar mostrando os peitos na rua nem ficar resmungando por causa de comerciais machistas na TV, rádio ou jornal.

As primeiras pesquisas da drª Alexander focaram um derivado do soro sanguíneo contaminados, de onde poderia obter anticorpos que lutassem contra a doença. Como ela não tinha frescuras de vegans, ela utilizou soros provenientes de animais que foram contaminados com a maledetta bactéria, apesar de saber que um soro anti-influenza obtido de cavalos fracassaram. O Rockefeller Institute de Nova York, no entanto, conseguiu para preparar um soro de coelho para o tratamento de pneumonia, outra doença bacteriana. Assim, Hattie Alexander começou a experimentar a produção de soros a partir de coelhos, e em 1939, quando certos megalomaníacos acharam que invadir a Polônia era uma boa ideia, a drª Hattie Alexander anunciou o desenvolvimento de um soro de coelho eficaz na cura de meningite bacteriana.

Em reconhecimento de seu trabalho, Hattie Alexander foi agraciada com o prêmio E. Mead Johnson, da Academia Americana de Pediatria, em 1942, o Prêmio Elizabeth Blackwell do New York Infirmary Nova em 1956, e em 1961 ela foi a primeira mulher a receber o Oscar B. Hunter Memorial Award da Sociedade Terapêutica americana.

Seus esforços em liquidar com a meningite bacteriana levou outros cientistas a estudar novos e melhores antibióticos, e ela fez um progresso considerável na compreensão da mutação genética de bactérias que insistem em achar que não foram divinamente planejadas e continuam a evoluir e criar resistência aos antibióticos. Ao longo de sua carreira, a drª Alexander permaneceu ativa na saúde pública, servindo na Influenza Comission sob ordens diretas do secretário de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, e como consultora para o Departamento de Saúde da cidade de Nova York City entre 1958 e 1960. Ela ainda presidiu o conselho de administração da Sociedade Americana de Pediatria de 1956 a 1957, atuando como vice-presidente da entidade entre 1959 e 1960, e finamente eleita presidente em 1964. Ela estava ativo em muitas outras associações pediátricas e profissional, e foi uma pesquisadora prolífica, publicando 150 trabalhos acadêmicos.

Hattie Alexander se aposentou oficialmente, como professora emérita na Universidade de Columbia, em 1966. Mas a Natureza não quis saber nada disso. O mesmo processo evolutivo que garantiu a vacinação e imunização de várias crianças contra o HiB é o mesmo processo que deu à Hattie Alexander um câncer, mas mesmo o caranguejo não deteve completamente a cientista, pois ela ainda permaneceu ativa até os 67 anos de idade, quando fechou seus olhos para mundo.

Hoje, em pleno século XXI, pais podem ficar tranquilos, vendo seus filhos brincando no tapete. Ele está a salvo, não por causa de inúteis que não têm nada melhor pra fazer do que ficar mostrando os peitos na rua. No Brasil, a vacina contra o Haemophilus influenzae é aplicada em três doses: a primeira aos dois meses, a segunda aos quatro e a terceira aos seis meses, e as crianças vacinadas estão salvas por causa do trabalho silencioso, num lugar fechado e cheio de reagentes, vidrarias e um microscópio. Não por causa de mulheres desnudas e desavergonhadas, mas por homens e mulheres abotoados até o pescoço com um guarda-pó branco, longe de holofotes.

Algumas mulheres são como Hattie Alexander, outras são como Tati Quebra-Barraco. Algumas pessoas fazem diferença no mundo e outras escrevem pseudoteses sobre gente rebolando de baile funk. Algumas pessoas fazem mimimi porque homem não se levantou para dar lugar a uma mulher no ônibus, apenas por ser mulher, e outras são como a drª Hattie Elizabeth Alexander, um dos Grandes Nomes da Ciência.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • É André, vc realmente tem algum problema com seios femininos, não? Já procurou algum tratamento, acompanhamento psicológico? 🙂 Mas tá, o blog é seu e eu no mínimo tenho que respeitar este espaço.

    No mais, gostei muito do texto e do seu entusiasmo ao fazer a pesquisa. O seu texto ficou mais completo até do que o verbete da Wikipedia em Inglês dedicada à renomada cientista! Parabéns! 🙂

    Administrador André respondeu:

    Eu deveria procurar tratamento e deixar vocês com os artigos idiotas da wikipédia. Só assim não ficaria obrigado a ler merda da parte de um monte de comentaristas com debilidade mental.

    leandrosansilva respondeu:

    @André, Bem, inicialmente eu fiz uma piadinha (que vc pelo jeito levou muito à sério, talvez confirmando o problema que vc tem com seios femininos, mas deixe pra lá, isto é problema seu e não meu). Como vc não aceitou de boa, não mais comentarei isso.

    Mas ok se vc acha que todo mundo que não tenha o mesmo ponto de vista que vc em certos assuntos, mesmo que o parabenizando pelo texto (fui sincero, adoro a série Grandes Nomes da Ciência e seu entusiasmo em escrevê-la), é um débil mental, então nada posso fazer a não ser desejar que fique feliz com leitores (e comentadores) melhores para a série vozes dos alienados.

    Administrador André respondeu:

    Uééééé, o “débil mental” foi uma piadinha que vc levou a sério. Então realmente deve ser um. Claro que isso é problema seu e não meu.

    Viu como dois podem jogar o mesmo jogo?

  • Luizrem

    Parabéns à doutora, mas infelizmente poucos dão crédito a gente como ela. O trabalho árduo, as pesquisas, o dinheiro gasto, nada disso conta. Preferem acreditar que a oração é que traz a cura; as vacinas e os remédios são só um complemento, o que importa são os “desígnios de Deus”.

    Administrador André respondeu:

    Nah. Isso é cientificismo. O importante é elucubrações sociológicas sobre quem sou eu e o que estou fazendo aqui.

    Pelo menos, é o que alguns “leitores” querem passar.

  • Diego Moreira

    Importante não é ciência de verdade, e sim um cálculo do real feminismo ligado à letras que fazem apologia a prostituição, e o valor social da bunda aplicada à evolução cultural na era contemporânea em um país com 40% de analfabetos funcionais no ensino superior.

  • My way or the highway

    Grande artigo!!!

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