Quando o próprio Batman para e faz um facepalm, nada pode ser pior (sim, sempre pode ser pior, mas deixe-me ficar me enganando-me a mim próprio). Se antes eu tinha que tomar como juramento que a Ignorância era Força, órgãos ligada à Secretaria Estadual da Educação de São Paulo ajudam nesse quesito, como é o caso da Fundação para o Desenvolvimento da Educação que contribuiu para o desenvolvimento educacional cortando, picotando e destruindo livros e apostilas.
Em homenagem à preocupação com a Educação neste país, eu vos dou a ÇESTA IMÇANA!
A Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) é responsável por viabilizar a execução das políticas educacionais definidas pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, implantando e gerindo programas, projetos e ações destinadas a garantir o bom funcionamento, o crescimento e o aprimoramento da rede pública estadual de ensino.
ZZZZZZZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Praticamente, a FDE é responsável pela logística da distribuição de materiais educacionais, além da gestão e construção de escolas, assim como a reforma, adequação de unidades escolares e abastecimento de materiais e equipamentos necessários. (fonte? A própria Secretaria da Educação). Em termos simples, a FDE é pau-mandado da Secretaria de Educação e responsável por fazer as coisas funcionarem. Pena que eles não entenderam isso direito.
A Fátima fez-me o favor de deixar minha viagem de férias bem felizes ao me mandar a notícia que várias apostilas viraram papel picado, simplesmente porque foram impressos a mais.
Vou explicar de forma que você possa entender, já que está coçando a cabeça e pensando cumequié?
Toneladas dos chamados "cadernos do aluno" foram pra um centro de reciclagem, onde viraram picadinho, mais próximo do confete. Estes cadernos são apostilas de apoio a serem trabalhadas em sala de aula, de forma a cumprir a proposta curricular estabelecida pela Secretaria de Educação. Esses cadernos estavam estocados em três galpões alugados pela própria (A)fundação e foram considerados como compra em excesso. Obviamente, livro demais é demais, então a saída é nos livrar daquilo tudo. Distribuir para outros alunos? Guardar pro ano que vem? Meh, você pensa pequeno. O lance é ser ecologicamente consciente e mandar aquilo tudo para as picotadoras. A notícia foi publicada pelo Diário de SP.
Então a parada é essa? Tem muito livro? Nah, passa o cerol naquilo tudo. Eu até que fiquei pasmo em saber que não foram mandados pro incinerador a uma temperatura de 232,778 ºC, mas a mão gelada de Ray Bradbury, vindo das profundezas, agarrou a canela do secretário Herman Jacobus Cornelis Voorwald (sim, eu sei o que você pensou ao ver a foto dele) e impediu.
Isso, no mínimo, era para ser considerado crime de lesa-pátria, pois atenta contra o bem maior de uma Nação: o Conhecimento. Pois por mais vagaba que um livro seja, ele ainda é um livro, não importa se é um livro de Mecânica Quântica ou uma apostila. É idiota, insano, irresponsável, deplorável e totalmente criminoso simplesmente dar de ombros porque tem livros a mais e mandar destruí-los de forma bárbara. O próximo passo será o quê? Incineração em praça pública?
O presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, deputado Simão Pedro (do PT), achou isso um absurdo. Já Carlos Giannazi (do PSOL) também é integrante da Comissão de Educação da Assembleia, e afirma ter em mãos inúmeras denúncias de irregularidades contra a FDE, conforme notícia também veiculada pelo Diário de SP.
É vergonhosa essa situação e não há imprecação na língua dos elfos, dos homens e dos anões para esta atrocidade. Não que alguém dará maior importância do que à vitória do Corinthians, já que a população lê uma notícia dessas, exclama algo como "Safados, FDP", vira a página e vê a foto da gostosa do dia.
Pouco importa que o material, alegadamente "inservível", custe 12 mil reais por mês. Se há este custo, o problema é de quem comprou e mensurou seu uso. Eu reluto em acreditar que este material não possa ser utilizado por outros professores ou simplesmente ser distribuído de graça a qualquer um que quisesse. Enquanto isso, a Promotoria do Patrimônio Público está analisando as denúncias para uma possível abertura de ação civil pública. Mas "possível" é algo que acaba sendo impossível de acontecer. Então, população paulista/paulistana, quando vocês se perguntarem para onde vai seu rico dinheirinho de impostos, olhem para o bloquinho feito com papel reciclado e vocês saberão.
Artigos relacionados:
- Secretaria de Educação do Rio de Janeiro entende de tudo, menos de Educação
- Conselho de Educação quer proibir uso de livro de Monteiro Lobato
- MEC quer deixar a Educação fundida e mal paga
- Fique avisado: livros não são bem-vindos em São Paulo
- Escola de Ribeirão Preto não aprende com o passado e destrói livros
3 Pings to "Livros em excesso leva Fundação para o Desenvolvimento da Educação de SP a destruí-los"
16 respostas para "Livros em excesso leva Fundação para o Desenvolvimento da Educação de SP a destruí-los"
-
1. reinaldo disse:
julho 20th, 2012 em 19:33Meus olhos espirraram sangue ao ler este artigo!!
-
2. Guilherme H disse:
julho 20th, 2012 em 20:35Na minha escola, por exemplo, depois de três anos de uso, os livros usados em sala de aula são doados para os alunos interessados. Nesse aspecto, sou totalmente favorável em manter a biblioteca sempre atualizada e doar os livros antigos para os alunos.
Sobre o excedente de livros e demais materiais didáticos, sou favorável em doar para outras escolas.
-
3. ANUBIS1313 disse:
julho 20th, 2012 em 21:51Olha, André… assim como você, também já tenho uma certa idade e vi muita coisa em minha vida… já vi pessoas jogando fora, LEITE pois não compensava vender para as empresas de laticínios, já vi gente jogar fora laranjas, cenouras, e tantas outras coisas pois alegavam que era preferível descartar, do que vender para os mesmos compradores de sempre, com um preço mais baixo. Mas esses f.d.p.s nunca pensaram em doar litros de leite, toneladas de verduras e comida para quem realmente necessita!! Por isso, meu amigo… não me assustou a sua informação!! Me deixou indignado mas isso só prova que ainda tem muito F.D.P nesse nosso brazil.
Ronaldo Gogoni respondeu:
julho 21st, 2012 às 09:09@ANUBIS1313, sabe por quê isso acontece? Simplesmente porque é mais barato destruir a produção excedente do que doar, já que estocagem e transporte implica custo adicional. Não duvido que o caso dos livros seja a mesma coisa.
ANUBIS1313 respondeu:
julho 21st, 2012 às 15:38@Ronaldo Gogoni, Pois é, Ronaldo… por isso mesmo certas atitudes não me assustam mais!! Daí fica a interrogação… cadê o Ministério Público numa situação dessas??? Esses nossos políticos valem menos do que aquilo que o gato enterra !!
André respondeu:
julho 21st, 2012 às 17:59Em quem vc votou, mesmo?
ANUBIS1313 respondeu:
julho 22nd, 2012 às 18:57@André, Olha, há uma minoria de políticos que “tentam” fazer algo em pró dos seus eleitores. Não serei hipócrita e dizer que “todos” em quem votei fizeram algo, mesmo porque, quando um desses políticos sérios “tentam” fazer algo dependem dos “outros” para aprovação! E, esses “outros” são maioria … e como querem somente fazer em benefício próprio ou de seus aliados, os verdadeiros políticos que pensam no povo, acabam ficando sem aprovação de seus projetos!!
ANUBIS1313 respondeu:
julho 22nd, 2012 às 19:26@ANUBIS1313, EM TEMPO….
http://tirasecolocas.blogspot.com.br/2012/07/185-responsabilize-se-pelo-seu-lixo.html
-
4. sylverfalls disse:
julho 21st, 2012 em 00:58@André, uma denúncia: Herman Voorwald é também reitor da Unesp também, ele ganha salário como MAS NEM ESTÁ AQUI para gerir os “negócios”, e é ganha também como secretário pois foi apontado pelo Alckmin… É dinheiro sendo jogado fora comum cara que não serve nem para gerir a própria universidade…
-
5. Ana disse:
julho 21st, 2012 em 19:40Estava justamente pensando nesse assunto hoje. Tenho muitos livros que não uso mais (livros de ensino médio) que ocupam muito espaço (são cerca de 40 livros, já que ainda guardo a coleção completa de apostilas). Vou dar um jeito de doar, só não sei pra onde já que a biblioteca municipal de onde moro é uma piada, as escolas particulares em geral não vão querer uma coleção de um método diferente, a própria escola onde estudei não precisa e as escolas públicas nem se quer possuem uma biblioteca decente. Vou guardá-los até encontrar uma solução.
Quanto ao caso explicitado aqui nessa postagem do André, eu acho um absurdo sem tamanho. Problema de espaço eles não tem, com certeza. E as escolas públicas (pelo menos as que eu conheço aqui do meu estado) geralmente sofrem com faltas de exemplares para alunos que sejam transferidos em outras épocas do ano. Enfim, é uma palhaçada. -
6. Shiroyasha disse:
julho 21st, 2012 em 20:16Quase me senti em Fahrenheit 451, isso é uma blasfêmia contra os deuses do conhecimento.
-
7. Karlos Junior disse:
julho 23rd, 2012 em 20:03Lembro que há muito tempo numa galáxia muito distante, digo quando fazia o antigo 1º grau num colégio militar da Ilha do Governador-RJ, os livros que recebíamos eram do tipo “Não-consumíveis”. Eles até vinham em bom estado e a gente tinha obrigação de usar e entregar em bom estado também, sabendo que o mesmo seria usado por alunos que vinham das sérias anteriores. Acho que isso também era assim nas escolas municipais, mas não me lembro quem eram os governantes naquele tempo (isso é quase bíblico..haha). É fato que a estrutura de ensino de lá pra cá foi sucateada, depredada e etc…mas nunca soube de nenhum caso assim. Queimar livros, apostilas, cadernos é o símbolo do fim, e pior ainda saber que a mando da própria FDE. O que mais falta acontecer?
ANUBIS1313 respondeu:
julho 23rd, 2012 às 22:54@Karlos Junior, Isso deve ter ocorrido então no Colégio Brig. Newton Braga, pois era o único militar na Ilha do Gov. Inclusive havia uma rixa ( bem bairrista ) entre esse colégio e o meu… Cap. Lemos Cunha !! Desculpe, André ter fugido do tema, mas isso é nostálgico. Sorry.
Karlos Junior respondeu:
julho 24th, 2012 às 09:52@ANUBIS1313, Sim. Eu estudei no Newton Braga. Você também é insulano? Coisa mais idiota essa briga entre os estudantes dos dois colégios, mas isso realmente é nostálgico..hehe
Mas diz aí pra não desviar do tema, o Lemos Cunha também tinha política de reaproveitamento de livros?
P.S. Nunca pensei que ia encontrar um conterrâneo por aqui. Acho que isso só acontece mesmo no Cet.Net.
-
8. Mari. disse:
julho 24th, 2012 em 09:50Facefloor para essa situação.
Mas talvez eles não pudessem reutilizar o material para futuros alunos porque a grafia poderia estar correta demais aos padrões futuros… Sabe como é, temos que eliminar esse preconceito lingüístico e tal.
-
9. ANUBIS1313 disse:
julho 24th, 2012 em 10:33Olha, Karlos, no Lemos Cunha não tinha essa política ( pelo menos no meu tempo ) comprávamos os livros na papelaria Debret ( ali no Cocotá ) ou na livraria Book ( ao lado do Lemos ). Sim, nasci na Ilha !! Somente o Cet.Net para aproximar “rivais” escolares… ah ah ah ah
Deixe um comentário
Mas, antes, leia a nossa Política de Comentários. Obrigado por sua participação.
Você precisa estar logado para deixar um comentário.
setembro 11th, 2012 em 17:31
[...] não sei, mas parece que o pessoal de São Paulo tem algum problema com livros. Já não bastava mandar incinerá-los, agora estão impedindo que se distribua livros em praça pública, já que daqui a pouco estaremos [...]
dezembro 5th, 2012 em 15:09
[...] num mundo em que a Fundação para o Desenvolvimento da Educação de SP passou a destruir livros. Pensamos que isso é apenas um fato isolado, devido à alguma imbecilidade estúpida de algum [...]
fevereiro 7th, 2013 em 18:24
[...] pros filhos estudarem? Não, isso é proibido. Ainda mais se você estiver em São Paulo. [1] [2] [...]