abr 29

Cientistas fazem vasos sanguíneos humanos em laboratório

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Ciência, Engenharia, Medicina, Saúde, Tecnologia
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Algumas pessoas sofrem de sérios problemas cardíacos. Um deles é quando as artérias coronárias, responsáveis por irrigar o coração com sangue, estão entupidas, normalmente por acúmulo de gordura, provinda da Nossa Senhora Feijoada. As artérias coronárias não são as cavidades e pouco têm a ver com eles. São artérias que alimentam o tecido muscular do coração de sangue, levando nutrientes e oxigênio. Sem isso, o tecido morre, você ganha um enfarto de presente e ganhará uma passagem só de ida para o outro lado.

Existem técnicas para impedir isso, que é a Ponte de Safena, que usa uma das suas veias, transplantadas de um lugar pro outro, o que continua sendo algo de risco. Não seria melhor ter vasos sanguíneos. Não seria melhor se pudessem ter um modo de levar sangue pro coração sem ter que tirar nada do paciente? Bem, é nisso que alguns cientistas têm trabalhado, e parece que conseguiram.

A Cytograft Tissue Engineering Inc. é uma empresa privada. Não que isso seja algum demérito, claro. Carothers pesquisou o nylon para a Du Pont e descobriu as maravilhas dessa fibra que mudou todo um conceito na indústria têxtil. A especialidade da Cytograph é medicina regenerativa, principalmente em âmbito cardiovascular, e é ela quem pesquisa um modo de prover maneiras de produzir vasos sanguíneos artificiais, ou não tão artificiais assim.

Recapitulando, quando o paciente tem um problema coronariano (vai, desgraçado, continua se enchendo de gordura, fume bastante e encha a cara de cerveja), o tecido do coração recebe pouco sangue. Como nenhum tecido vivo permanece vivo sem alimento e oxigênio, ele simplesmente morre. O coração para de bater e você bate… as botas.

Então, os médicos promovem uma espécie de bypass, também chamado de "pontagem coronária", onde os médicos fazem uso de séculos de estudo de medicina para colocar você de pé novamente. Assim, em muitos dos casos, eles retiram a veia safena (que fica na perna) e a usam para desviar o sangue da artéria aorta (a principal artéria do corpo, que sai do coração e que você conhece muito bem, caso tenha prestado atenção nas aulas do colégio) para as artérias coronárias. Isso é a chamada Ponte de Safena. Em outros casos, usa-se as artérias mamárias que ficam próximo à suas glândulas mamárias, que você, leitor do Cet.net, não é bobo e pôde deduzir onde ficava.

Essa operação é até corriqueira, mas não é simples. Primeiro, a equipe médica tem que avaliar se o paciente está em condições de suportar esta operação. Segundo, ela é feita com risco já calculado; mesmo porque, os primeiros 3 dias são os mais críticos. A intervenção é feita serrando o esterno, o osso que une as costelas. Para poder ter acesso ao coração. Este é parado com um choque elétrico, para então o corpo ficar ligado a um coração artificial. Nisso, a veia safena é retirada da perna, o que não é algo simples (bem, deve ser se você for um cardiologista com centenas de horas de mesa de operação, mas pra mim é magia negra… ou vermelha). A veia é ligada à artéria aorta e às coronárias. Simples, até meu sobrinho de 3 anos faria isso (daqui a uns 30 anos, imagino). Depois de várias horas na mesa de operação, o coração é colocado pra funcionar de novo (aqui todo mundo fica com o fi-o-fó na mão, lógico) e o esterno é fechado de novo e suturado com fios de aço, deixando a Natureza seguir seu curso. Depois do pós-operatório, as chances de sobrevida aumentam, e seus familiares poderão ir se encontrar na primeira igreja para agradecer a Deus pelo milagre, ignorando totalmente todos os profissionais que lhe colocaram de pé novamente. Se o paciente morrer, a culpa é do médico, claro.

O dr. Nicolas L’Heureux é co-fundador e diretor científico da Cytograft. Ele lidera a pesquisa que usa células epiteliais de um paciente própria, as quais são cultivadas para formar vasos sanguíneos, como se estivessem "tricotando" em nível celular, usando fibras sintéticas conjuntamente. Antes, as pontagens eram feitas com um vaso do próprio paciente, como dito acima, ou através de fibras sintéticas como o poliéster, nem sempre com resultados perfeitos. A técnica é um híbrido, onde se usa uuma fibvra sintética e tecido vivo.

Os pesquisadores usam os fios sintéticos para servirem de padrões, que depois serão "impregnados", digamos assim, com o tecido vivo, diminuindo o impacto invasivo no paciente, pois nada será retirado de dentro dele. Abaixo, um vídeo explicativo:

A pesquisa não visa apenas recriar vasos sanguíneos, mas até mesmo para a correção de hérnias. Entretanto, ela talvez demore um pouco para chegar às salas de cirurgia, já que a pesquisa ainda está sendo testada em animais; mesmo porque, cientistas dão pouca importância à vida e dignidade dos pobres bichinhos, sendo a desculpa que isso salvará vidas humanas têm pouquíssima validade.

Para saber mais: Revascularização cirúrgica do miocárdio


Fonte: Scientific American

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5 respostas para "Cientistas fazem vasos sanguíneos humanos em laboratório"

  1. 1. leandrosansilva disse:

    Neste vídeo [1] o Beakman explica de forma bem didática esta questão cardíaca :-)
    (a partir dos 2:20)

    E, após horas de trabalho duro dos médicos “Thanks LORD!”… Adoro essa parte :-)

    Se o paciente morre (quase sempre por irresponsabilidade própria, como dito), lá vai processo nos médicos que não fizeram seu trabalho corretamente. Me pergunto se já não estava nos planos de Deus a pessoa morrer e os médicos estivessem pecando por tentarem ir contra os planos d’Ele.

    Pena que no Brasil é difícil uma empresa privada fazer avanços do tipo. Em terra brasilis todo investimento em ciência é feito pelo governo e qualquer tentativa privada é barrada por taxas e as mais variadas restrições comuns à empresas brasileiras que inviabilizam estes tipos de estudos. Iniciativa privada no Brasil serve basicamente para pagar impostos e ser mal-vista como burguesa desumana. Só Jesus o governo salva!

    [1] http://www.youtube.com/watch?v=2Mt5m6QeuSo

  2. 2. leandrosansilva disse:

    ops, sem tag html :-)

  3. 3. ANUBIS1313 disse:

    André… se esperte com o excesso de Big Mac..!!. Mesmo tirando a cebola eles ainda matam ( kkkkk).

  4. 4. sylverfalls disse:

    Lembro de um documentário que falava sobre fazer órgãos com descelularização de órgãos mortos que não fossem aqueles doados, e uma das alternativas mencionadas, por exemplo, era fazer capilares com algodão-doce, sério; pondo depois em um polímero e disolvendo o açucar, se criava vãos que poderiam ser preenchidos com células da pessoa que precisava do órgão… Achei fantástico, apesar de ter entendido, André, você poderia fazer um artigo sobre ou se você já falou sobre isso antes, tem algum link? Adorei a postagem!

  5. 5. Mari. disse:

    Pelo vídeo a técnica é sensacional, parabéns aos cientistas pela idéia!

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