mar 19

BBB microscópico: carrapato é “varrido” por um microscópio eletrônico

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Bibliografias, Biologia, Ciência, Engenharia, Evolução, Fí­sica, Tecnologia
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O preço da liberdade é a eterna vigilância e nem mesmo carrapatos estão livres para fazerem o que quiserem em pleno anonimato. Enquanto paparazzis ficam tomando conta da vida alheia e saber quem atravessa a rua de modo pensativo, cientistas preferem saber o que criaturinhas pequenas (e com QI semelhante ao de algumas subcelebridades) andam fazendo por aí e como elas se comportam mediante a observação num microscópio eletrônico.

Como os animais utilizados não são peludinhos nem fofinhos,  e sim carrapatos fedorentos da espécie Haemaphysalis flava, o pessoal Vegan não está nem aí e o PETA não deu a menor bola, afinal até mesmo eles acham que carrapatos são algo que só existe para sentarmos o sapato em cima.

SEM é abreviatura de  Scanning Electron Microscope, ou Microscópio Eletrônico de Varredura (ou MEV). Longe de ter algo a ver com tarefas domésticas, um MEV faz com que elétrons sejam emitidos termionicamente a partir de um cátodo (filamento) de tungstênio ou hexaboreto de lantânio (LaB6) e acelerados através de um ânodo, sendo também possível obter elétrons por efeito de emissão de campo.

Obrigado, André, mas eu também sei ler a Wikipédia. O que isso significa?

Significa que o dispositivo obtém elétrons ao se aquecer um determinado filamento feito com uma substância de nome complicado e que você esquecerá antes do final da leitura. Este aquecimento retira os elétrons do filamento e tais elétrons são acelerados mediante um ponto específico. Estes elétrons então "varrem" o corpo a ser examinado para depois um sensor reconstruir a imagem obtida de forma tridimensional. Mal comparando é como direcionarmos um feixe de luz sobre um corpo e uma pessoa de lado desenha este corpo mediante a imagem obtida pela sombra na parede (sim, eu sei que é uma simplificação grosseira, obrigado).

Os MEV nos dão aumentos de cerca de 300 mil vezes e nos traz belíssimas imagens desde insetos até grãos de pólen. O problema com o MEV é que por mais que muitos organismos vivos tenham sito examinados com ele até agora, eles não continuaram tão vivos assim, se você me entende.

O dr.Yasuhito Ishigaki, da Universidade de Medicina de Kanazawa, abriu bem os olhos pra questão e, juntamente com seus colegas, examinaram lindos carrapatos felizes que não só sobreviveram ao exame como ainda saíram se mexendo depois dele. Só cantaram a música do Mágico de Oz pois o dr. Ishigaki é sério e se recusou a colocar um vestido azul. De qualquer forma, você poderá: 1) ver uma foto dos artrópodes na imagem ao lado (que você será esperto o suficiente para clicar em cima se quiser ver maior), 2) ler o trabalho publicado na PloS One e 3) verá um filminho com os alegres carrapatos de Viena do Japão.

O experimento mostra como estas coisas vindas das profundezas são resistente. Óbvio que se eu e você fôssemos submetidos a isso, dificilmente sobreviveríamos, ao contrário da fauna que infesta redes sociais e atendentes de telemarketing, mas ainda não estão fazendo testes em "humanos". A pesquisa, longe de ser algo relacionado com stalkers do mundo microscópico, mostra diretamente as estruturas de um ser vivo enquanto ainda está vivo e indiretamente como a criaturinha é resistente, apesar da sua simplicidade e é exatamente esta simplicidade que o fez resistir ao bombardeio de elétrons, mas não de um neocid da vida.

A vida é estranha, não é mesmo?


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