fev 20

Sapos venenosos apresentam sabor agridoce quando lambidos. MAS HEIN?

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Biologia, Ciência, Comportamento, Engenharia, Evolução, Fí­sica, Medicina, Quí­mica, Saúde, Tecnologia
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A Ciência, enquanto aventura humana, nos traz diariamente coisas maravilhosas. Mas, exatamente por ser humana, de vez em quando nos prega umas peças e nos traz umas notícias um tanto quanto bizarras, e veículos de divulgação científica acabamos trazendo coisas que parecem ter saído de uma ode ao mau gosto, ainda que com sabor temperadinho. Entre tais notícias temos as informações que sapos venenosos, se lambidos, apresentam sabores diferentes. Mas quem anda, em tempos de carnaval, disposto a lamber pererecas sapos?

Valerie Clark acabou de tirar seu doutorado (não, engraçadinhos, ela não o roubou de ninguém). Seu pai não é um Navy SEAL, não fingiu a própria morte num acidente de lancha e nem saiu por aí catando terroristas nucleares. No máximo é filha de um engenheiro eletricista. O que isso tem a ver com a notícia? Muito pouco, mas estou entediado, já que eu detesto carnaval e Momo que vá pro diabo!

Como boa herpetóloga que é, miss Clark (que ainda não atualizou seu site) adora saber mais sobre cobras, sapos e pererecas. Em especial os sapos do gênero Mantella, mais venenosos que comadres de igreja e prontos para estragar o seu dia de qualquer maneira. Os sapos de Satã não chegam a mais de 3 cm e vivem na ilha de Madagascar.


Mantella madagascariensis ou Sapo do Demonho

O que torna este ser das trevas tão venenoso são os alcaloides quinolizidínicos que ele secreta pela pele. Esta coisa feia, careca, baixinha e desdentada além de me lembrar do meu sogro (o qual acabou de ler o que escrevi, mas que ficou na dele pois ameacei dizer pra minha sogra que ele sai no bloco das piranhas) é realmente capaz de estragar seu dia (isso se parece mais com a minha sogra, a qual não leu esta linha pois eu tenho noção do perigo).

Informações sobre este tipo de alcaloides podem ser obtidas aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

De acordo com a notícia veiculada por uma reportagem metida a engraçadinha da National Geographic, os sapos do gênero Mantella podem ter sabor agridoce se forem lambidos, como coisa que qualquer um anda por aí lambendo tudo que é sapo que aparecer por aí. Não que eu seja preconceituoso; cada um mete a boca onde quiser ou o que quiser na boca. Só que o sujeito precisa estar variando das ideias ao meter o linguão em qualquer sapão que pintar na sua frente, ainda mais numa das espécies mais venenosas que salta por aí.

Com o auxílio de papai Clark, Valerie construiu um dispositivo de eletro-estimulação que faz com que os sapos secretem substâncias, as quais são recolhidas e enviadas para um laboratório de análises químicas. Em outras palavras, Vavá meio que eletrocutou a per… o sapo e depois mandou as substâncias pro laboratório mais perto. O PETA não se manifestou, já que sapos são feios, gosmentos e com cara de marcianos. Como ele não é peludinho, fofinho nem tem olhos semelhantes ao gato de botas do Shrek, ninguém se importa se enfiar uma estaca de prata no coração do bicho e noite de lua cheia e depois jogá-lo na fogueira em honra a Dagon.

Além das toxinas comumente  encontradas (e de grande aplicação em indústrias farmacêuticas) Vavá descobriu que algumas espécies secretaram também alguns açúcares e ácidos biliares. Lembrando que nem todo açúcar tem sabor doce e você pode comprovar isso comendo papel ou algodão. De qualquer forma, estes açúcares, num grande malabarismo químico, pode prover o sabor "doce" que é referido no título da matéria da NatGeo. Ácidos biliares continuam tendo aquele mesmo sabor agradável que sentimos no dia seguinte após aquela bebedeira homérica que você teve no dia anterior naquele retiro de moral questionável. A pesquisa de miss Valerie Clark foi publicada no periódico Journal of Natural Products.

Esta pesquisa pode ser um grande sinal de falta do que fazer, mas a questão é: por que os sapos secretam estas substâncias? Muito provavelmente por causa de alguma vantagem adaptativa. A verdade é que não se sabe ainda o porque disso acontecer. Segundo Vavázinha, os açúcares podem oferecer uma função protetora para locais úmidos e mofados, de forma a prevenir possíveis infecções. Isso, segundo meu modo de ver, alteraria a pressão osmótica dos fluidos circundantes, o que faria com que, em termos simples, os fungos murchassem, que nem se você colocar um tomate dentro de uma jarra com água com muito sal, pois o equilíbrio osmótico fará com que ambos os sistemas (a água da harra e a água dentro do tomate) tenham concentrações iguais.

Miss Clark lembrou que pesquisadores da Universidade de Boston descobriram no ano passado que o açúcar pode aumentar a eficácia dos antibióticos contra infecções bacterianas. Obviamente, um tratamento à base de lamber sapo não é o mais indicado. Arrumem açúcares em outro lugar, filhos.

No caso dos ácidos biliares, como eu falei, não são coisas que adoremos sentir na boca de manhã. O mesmo acontece com muitos predadores dos pobres sapinhos. O sabor acaba sendo indigesto para eles, meio que tirando o apetite e deixando os Mantella de lado. Assim, temos venenos (matando os inimigos naturais), açúcares (servindo de remédios) e um sabor bem desagradável (para afastar convidados do jantar). Vantagens adaptativas que ajudam a um simples e ridículo sapo coloridão – e que chama mais a atenção que destaque de escola-de-samba – a prosseguir na luta pela existência, pelo menos até uma cobra vir cheia de moral pra cima deles para dar uma abocanhada.


Obs. O Cet.net jura de pés juntos que este artigo foi escrito por uma pessoa sóbria e totalmente careta.

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5 respostas para "Sapos venenosos apresentam sabor agridoce quando lambidos. MAS HEIN?"

  1. 1. Nihil Lemos disse:

    O PETA não se manifestou, já que sapos são feios, gosmentos e com cara de marcianos. Como ele não é peludinho, fofinho nem tem olhos semelhantes ao gato de botas do Shrek, ninguém se importa se enfiar uma estaca de prata no coração do bicho e noite de lua cheia e depois jogá-lo na fogueira em honra a Dagon.

    Eu ri nessa parte. Mas aposto que muita gente deve pensar que realmente ela lambeu ou acha que isso não dá para saber ignorando todo o estante do texto.

    Agora eu fiquei com medo desse sapo. As cores dele já diz tudo: “não me toque.”

    ANUBIS1313 respondeu:

    @Nihil Lemos, :shock: Realmente ele é bem colorido… o mesmo acontece com os peixes… quanto mais coloridos, mais venenosos !!!

  2. 2. Mari. disse:

    Eu comecei a ler o artigo da National e logo no segundo parágrafo achei que o humor estava sádico demais, então vi este link http://news.nationalgeographic.com/news/2008/02/080229-frog-licker.html e desculpe, não consigo mais dar credibilidade a cientista.

    Talvez a pesquisa dela seja importante futuramente, ainda mais para indústrias farmacêuticas, mas no momento, só me resta poker face. Sério, questiono profundamente os métodos dessa pesquisa que ela fez. E continua.

    Administrador André respondeu:

    Pessoal faz qq coisa pra aparecer em revista.

  3. 3. Ari dark disse:

    O.o Humm então tem gente que gosta de lamber uma boa perereca, ahr, quer dizer sapo! Hehehe! Shuashuashua! Tem louco pra tudo! :D

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