fev 06

Quantas diferenças existem entre um elefante e um rato? 24 milhões

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Bibliografias, Biologia, Ceticismo, Ciência, Ecologia, Evolução, Fí­sica, Genética, Geologia, História, Mídia, Saúde
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Isso se formos contar uma diferença pra cada geração, pois este é o período estimado em que o ancestral comum a elefantes e ratos separou-se em dois mamíferos tão parecidinhos. Olhando a imagem ao lado, mal posso perceber quem é quem.

Pesquisadores estudaram as taxas de crescimento de 28 diferentes grupos de mamíferos e chegaram à conclusão que diminuir é mais fácil que crescer. Sim, eu sei oque você está pensando e pode sossegar aí. Isso aqui é um blog família (eu me esforço, pelo menos).


Podemos ter uma recapitulada antes?

Mas é claro! Tudo começou quando na singularidade, o átomo primordial começou a expandir-se e…

Pode pular uns bilhões de anos? Assim vai demorar muito.

Povo apressado. Bem, há 65 milhões de anos, um pedregulho maior que a desfaçatez de muita gente caiu em Yucatán. O cataclismo bombástico deu de presente uma passagem só de ida para a larga maioria dos dinossauros existentes, bem como boa parte da fauna e flora do planeta. Este foi um ponto-chave na corrida pela sobrevivência, onde animais que não punham ovos e com sistema termorregulador ganhariam a dianteira. Por causa do projeto evolutivamente conseguido, as fêmeas desses animais dispõem de glândulas mamárias e como suas crias mamam, ficaram conhecidos como "mamíferos".

O mundo muda, e junto com ele as espécies acabam mudando também, selecionados pela pérfida garra da Seleção Natural. Eu já tinha apresentado o Time Tree a vocês, mas pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, abordaram a questão de forma diferente. Ao invés de tentarem estabelecer o tempo decorrido do processo evolutivo que separou duas espécies, o dr. Alistair Evans – que tem nome de agente secreto, mas jeitão de nerd que dominará o mundo – e seus colaboradores preferiram catalogar esta separação em termos de gerações.

Queriam saber porque até agora ninguém perguntou a Evans o que aconteceu. Assim que perguntaram, ele e seus colaboradores publicaram um artigo na PNAS explicando o ocorrido. Segundo eles, após a extinção K/T (Cretáceo/Terciário), houve um aumento exponencial do tamanho dos mamíferos levando-se em conta as gerações. Sem a competição com dinossauros, havia duas coisas que propiciaram esse aumento: 1) Inexistência de predadores ; 2) Mais comida disponível. Os mamíferos carnívoros se alimentaram dos dinos que viraram presunto. De acordo com pesquisas anteriores, um dos principais responsáveis pela alta taxa de aumento dos mamíferos foi a temperatura ambiental que não só foi responsável pelo espalhamento dos referidos bichos, como chegou um ponto em que seu crescimento foi restringido. Daí em diante, houve um decréscimo no tamanho deles. Esta pesquisa em específico foi publicada na Science.

Usando tanto fósseis e espécimes vivos, Evans e seus colaboradores calcularam as taxas de crescimento. O interessante, é que a curva de aumento de tamanho é longa, enquanto que a redução dele é mais abrupta. Enquanto animais evoluíram do tamanho de um rato para o de um mamute demorou 24 milhões de gerações, o tempo compreendido em que houve uma redução de tamanho até os modernos elefantes foi de apenas 500.000 gerações. Entre todos os mamíferos, os cetáceos – você sabe: Moby Dick, Flipper e aquela orca módafoca – experimentaram uma maior taxa de crescimento corporal, requerendo "apenas" cerca de três milhões de gerações para tamanho aumento de mil vezes. A possível explicação é que a competição por recursos no mar era muito menor do que em terra, e isso me leva a pensar se não influenciou os ancestrais do Flipper a sair da  terra seca e voltar pro mar. Mamíferos terrestres muito grandes precisam de uma área enorme para obter alimentos, sem falar que andar é muito mais lento que sair nadando por aí. Animais terrestres estão mais propensos a terem problemas com o clima, durante secas de longa duração, o que traz problemas em conseguir água e comida.

O estudo parece incompleto, pois só alguns espécimes foram estudados. Isso porque fossilização não é algo que acontece por mágica ou foi divinamente planejado. Os processos são longos, chatos e nem sempre dão certo. Muitas espécies sequer registraram seu passeio pelo mundo. Coube então aos pesquisadores trabalhar com fósseis que então estavam disponíveis e isso já elucidou muitas coisas, apesar de trazer mais dúvidas, o que satânicos cientistas adoram, pois assim conseguem mais verba de pesquisas impedindo que se dê bolsa-família para pessoas carentes, mostrando o poder dos Illuminati. (melhor eu parar com essas brincadeiras ou algum imbecil acabará levando a sério)

A pesquisa de Evans mostra um pouco de nossa História. Claro que ninguém aqui tem as orelhas de um elefante ou o cérebro de um camundongo (sim, eu sei. Não precisa me lembrar). Mas é nossa história enquanto mamíferos até o ponto que nossos primos bem mais antigos resolveram tomar outro rumo e por algum capricho nos genes, outras espécies surgiram. Alimentação, recursos, competição, adaptação e meio ambiente (não necessariamente nessa ordem). A receita clássica que faz um simples Mickey ser parente de um Dumbo.

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