set 01

Blenídeos: Quando a Evolução salta aos olhos

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Bibliografias, Biologia, Ciência, Comportamento, Evolução, Genética, Geologia, História, Literatura, Livro dos Por quês, Paleontologia
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Sempre acabo ouvindo aquele blábláblá de idiotas que enchem o saco pedindo por provas da Evolução, como peixes pulando fora d’água e virando sapos. Infelizmente, não podemos mostrar um peixe virando sapos, já que não temos nenhuma bruxa disponível; entretanto, exemplos de peixes vivendo por algum tempo fora d’água não é novidade, a não ser para aqueles que não fazem ideia do que a palavra "escola" significa. Se bem que eu tenho que reconhecer que o Ensino anda tão ruim que tais informações não são passadas, pois não caem no vestibular e os livros didáticos são uma bela porcaria).

Como aqui o principal objetivo é informar, não posso me furtar em trazer até vocês, respeitável público, ele, o incrível, o inigualável, o fantástico… BLENÍDEO SALTADOR!

Sempre queremos que o mundo siga o que a nossa "realidade" dita. Pássaros voam, peixes nadam, cães não possuem síndrome de Down e o Ser Humano é um ser inteligente. Muitas vezes somos pegos de surpresa com exemplares que fogem dessas descrições. Pergunte a qualquer pinguim. Imaginamos os peixinhos ali, nadando nos aquários – um apetrecho que nem todo mundo possui; o meu vai bem, obrigado. Mas alguns desses sacanas se recusam a ser o que o bom, justo e misericordioso Javé quer que sejam. Resultado?Alguns desses filhos de Satã não aceitam o que a Vontade Divina quer que eles sejam. Daí, o que fazem? Resolvem caminhar pela Terra e arrumar encrenca!

Os blenídeos (Blenniidae) são uma família de peixes encontrados nas águas dos três principais oceanos, divididos em 53 gêneros e mais de 300 espécies. Ele é tão importante que o pessoal da Wikipédia praticamente esgotou o assunto sobre eles, restando pouca coisa para eu escrever.

Muitas espécies, como os do gênero Alticus, vivem em áreas rochosas, o que pode ser um problema durante o ciclo das marés. No entanto, Jesus a Seleção Natural deu um jeito… bem, na verdade, não deu jeito nenhum. Deu um ultimato na base do:

Aí, ó! Quem de vocês ‘tão aptos a viver por aqui, cambada de filho da peixa?

Alguns disseram "É nóis!", pois estavam capacitados a dar um jeito no problema. Evolução não faz ninguém adaptar-se. Depois que você está com determinadas características, você vai ficar com elas. Se estas características lhe deram alguma vantagem, beleza. Caso contrário, EMA, EMA, EMA. Seleção Natural só escolheu quem já tinha as características. Se não tinha, continuará sem ter e vai mór-rer!

Alguns de nossos amiguinhos do período Devoniano, que ficou compreendido entre 415 e 360 milhões de anos ASA (Antes da Sua Avózinha). Esta foi a época em que os peixes eram os manda-chuvas da situação, pena que eles não sabiam que isso não duraria para sempre, pois vários bombardeios por meteoritos — seguidos de anóxia (falta de oxigenação) dos oceanos entre outros fatores — acabaram com a festa da galerinha que aprontava mil confusões, acarretando numa extinção do barulho.

Com a baixa oxigenação, safou-se quem tinha alguma adaptação de sobreviver onde tinha mais oxigênio: o ar livre (não que fosse muito melhor, registre-se isso). Então veio o período Carbonífero, onde as plantas dominaram a paisagem e inundaram a atmosfera com o oxigênio e o resto é história. Entre os que estavam adaptados, alguns preferiram voltar pro mar, enquanto outros resolveram explorar o ambiente e criar a bomba atômica (sim, estou resumindo).

Algumas linhagens de peixes evoluíram, mas não sofreram mudança em termos de classe. Entretanto, houve especiação, claro, e temos hoje exemplares interessantíssimos, como os blenídeos, o grupinho que disse "É nóis!".

Estes safadinhos possuem a capacidade de saltar e respirar fora d’água através da uma pele densamente vascularizada, isto é, o oxigênio passa pela pele e se dilui no sangue. Isso confere a eles a capacidade de ficar muito tempo fora da água, mas não eternamente, pois eles ainda são peixes. De modo similar aos anfíbios, os blenídeos precisam estar com a pele sempre úmida, de forma que não morra sufocado. Para se movimentar, eles usam o artifício de ficar saltando distâncias relativamente longas, em comparação ao seu tamanho. Observem o vídeo abaixo.

Os blenídeos saltadores (ou leaping blenny, no idioma de Chaucer), como os da espécie Alticus arnoldorum, conseguem esta maravilha do alto de seus magníficos 8 centímetros de comprimento, ao curvarem seus corpos e tomar impulso com sua cauda.

Segundo o dr. Terry Ord, da Universidade New South Wales — localizada em Sydney, Austrália – "[os A. arnouldorum] são muito difíceis de apanhar e são extremamente ágeis em terra. Eles se movem rapidamente sobre superfícies rochosas complexas, usando um movimento de torção de cauda único, combinado com barbatanas peitorais maiores, que lhes permitem agarrar a quase qualquer superfície firme. Para chegar a uma terra mais elevada com pressa, eles também podem torcer seus corpos e suas caudas para saltar muitas vezes o comprimento de seu próprio corpo".

Ord publicou um artigo na revista Ethology, onde ele relata um estudo sobre o comportamento do A. arnouldorum e como ele lidou com a vida na terra, e analisando até mesmo o comportamento social dos lindos peixinhos. Para Ord, o gênero Blenniidae "é único entre os peixes que vivem em seu grau de terrestrialidade e serve como um modelo útil das limitações e adaptações que acompanham grandes transições ecológicas".


Fonte: Press Release da UNSW

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12 respostas para "Blenídeos: Quando a Evolução salta aos olhos"

  1. 1. Nihil Lemos disse:

    Parece que vejo uma imagem da pré-história no vídeo.

    Sobre o artigo da Wikipedia: que não sabe inglês mas tem um conhecimento básico de espanhol pode saber mais detalhe AQUI.

    Mas aviso que aqui o assunto está mais bem explicado. :cool:

  2. 2. Fabiano Teixeira disse:

    Depois só os crentes que são apelativos. =)

    Administrador André respondeu:

    Sinta-se à vontade para refutar o artigo no próximo comentário. Caso contrário, “alguém” será banido depois das 14h.

    Pode começar.

    Nihil Lemos respondeu:

    @André, contra fatos não há argumentos. Refutação muito menos.

    Nihil Lemos respondeu:

    @André, só por curiosidade. Ele já foi banido?

  3. 3. A. Percy disse:

    Interessante o pequeno peixe, mas não consigo definir bem um adjetivo para a aparência dele. Muito feio em morfologia mas agradavel nas cores. Incluí agora na minha todo-list procurar um lugar onde possa ve-los ao vivo.

    Administrador André respondeu:

    Micronésia, por exemplo.

    A. Percy respondeu:

    @André, Sim, é uma idéia, mas o pacífico não é tão atrativo pro meu bolso. Estava pensando na Lagoa dos Patos (RS).

  4. 4. Breno Bernardes disse:

    Sei que não tem nada a ver com o artigo, mas seria possível colocar oxigênio suficiênte para a sobrevivência humana na atmosfera da Lua ou Marte, por exemplo, através de algas?

    Abraço.

    Administrador André respondeu:

    Eu escrevi um artigo sobre oxigênio. Just saying.

    Já que estamos aqui, vai a resposta: não, pois eles não possuem atmosfera. O problema reside no fato da gravidade desses lugares ser muito inferiores às da Terra. Sem gravidade, o ar escapa para o Espaço, pois nada consegue prendê-lo. A única forma seria criar domos, com uma atmosfera própria. Mesmo que se colocasse algas ou plantas nesses locais, demoraria um certo tempo para produzir oxigênio, mas para isso seria necessário termos CO2 numa atmosfera primitiva e demoraria muito, muito tempo.

  5. 5. Breno Bernardes disse:

    Tem razão :oops: , achei que fosse APENAS sobre evolução mesmo, tinha me esquecido o que esse peixe “respira”. É a maldita interpretação de texto. Obrigado professor. Abraço.

    Bem que poderia ter mais de “Livro dos por quês”.

  6. 6. cardoso disse:

    Lindo. O vídeo me lembrou esta cena dos Simpsons: http://www.youtube.com/watch?v=qfy1XqfmL1Y

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