abr 21

O estranho formato da Terra

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Astronomia, Ciência, Comunicações, Engenharia, Exploração espacial, Fí­sica, Geologia, Livro dos Por quês, Matemática, Mitos Desmascarados, Tecnologia
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Estamos acostumados com várias ideias, normalmente difundidas no Ensino Fundamental, com as “tias” do CA à 4ª série (ou 1º ao 5º ano; dá no mesmo). Cabral estudou na Escola Náutica de Sagres e descobriu o Brasil, Colombo foi quem descobriu a América e “homenageou” Américo Vespúcio, Gagarin disse que a Terra é azul, plantas respiram pelas folhas, o Universo é infinito, Deodoro da Fonseca proclamou a República, orcas são baleias, Mercúrio é o planeta mais quente e a Terra é redonda. Nada disso é verdade, mas o que talvez cause maior estranheza é o fato da Terra não ser redondinha como uma bola de futebol, já que todas as representações a mostram como esférica. Tentando fugir disso, muitas referências mencionam que ela é “geoide”, ou seja, não é esférica e sim um elipsoide ou, melhor ainda, “oval”.

Ainda assim, isso não é bem verdade. Mas, afinal, como é o formato da Terra?

O termo “geoide” nunca teve a pretensão de relacionar a Terra com algum formato geométrico tridimensional regular. Em forma leiga, isso significa dizer que a Terra não é certinha como vemos nos mapas e modelos tridimensionais (os famosos “Globos Terrestres”). Os modelos são exatamente o que o nome diz: modelos. Um modelo não visa ser a representação REAL de algo e sim dar uma ideia. Quando falamos de Modelo Atômico, não tencionamos dizer que o átomo é exatamente como o Sistema Solar, pois nem mesmo o Sistema Solar é aquilo que os modelos mostram. A Natureza não só não é certinha como gostaríamos que fosse, como não é certinha de modo algum. Sendo assim, a representação geográfica nos livros não passa de algo rasteiro e nem poderia ser diferente. Mas fica a pergunta: como é a Terra, então?

Em março deste ano foi lançado o Explorador de Campo de Gravidade e Circulação Oceânica em Órbita Estacionária (Gravity Field and Steady-State Ocean Circulation Explorer – GOCE), um satélite lançado pela Agência Espacial Europeia (ESA) a fim de medir… bem, medir o campo gravitacional e a circulação oceânica, estando em órbita geo-estacionária. O GOCE (foto na abertura do artigo) é a primeira missão exploratória terrestre da ESA, mapeando as variações globais no campo de gravidade com extremo detalhe e precisão. Isso resultará em um modelo único do geoide, que é a superfície de potencial gravitacional definido pelo campo de gravidade.

Da série: não entendemos nada, André. Somos muito burros!

Simples, mes enfants. Se, e somente se, a Terra fosse inteiramente redondinha e sem nenhuma elevação significativa (aka montanhas, cordilheiras etc.), o campo gravitacional, isto é, a força de atração que o centro da Terra exerce sobre você seria igual em todos os pontos. Como sabemos, temos enormes cordilheiras, como a do Himalaia e os Andes. A grande massa dessas elevações alteram o campo gravitacional, posto que ele é diretamente proporcional ao produto da massa entre os dois corpos que estão atraindo-se mutuamente. Você é atraído pelo centro da terra e TAMBÉM pelas montanhas ao redor. Qualquer um que estudou sistemas de composição de força no colégio sabe que quando temos duas forças concorrentes com direções e/ou sentidos diferentes, a trajetória e intensidade da Resultante será diferente. Maiores informações AQUI.

As forças gravitacionais mudam de região para região, não só por causa da topologia do terreno, mas também pelo movimento da grande massa de água em circulação. Assim, através do GOCE, temos um mapa de como são as forças gravitacionais em torno de nosso planeta. Abaixo, o vídeo mostra como tais forças seriam representadas. É uma representação e não significa que a Terra é uma grande massinha de modelar cósmica, apesar de não ser uma esfera sólida.

Nathanial Burton-Bradford não se contentou muito com as imagens trazidas pelo GOCE e fez anaglifos, isto é, imagens em que você pode usar aqueles famigerados “óculos 3D”, de forma a ter uma noção tridimensional no terreno, como a ilustração abaixo. Mais imagens podem ser vistas em seu Flickr.

O mundo não é certinho, apesar de nossa eterna busca por simetria e equilíbrio. Pode não ser algo como uma massa disforme, mas com certeza não é algo que pudesse ser aprovado pela Fifa para um torneio de futebol galáctico.


Fontes: Bad Astronomy , ESA

Um Ping to "O estranho formato da Terra"

  1. Bibliotecarios, estacas e um mundo ao seu alcance » Ceticismo.net disse:

    […] Terra, de fato, não é redonda feito melão, mas tem um formatinho esquisito. Entretanto, a medição ainda está acurada. Não importa que Eratóstenes não tenha sabido isso. […]


24 respostas para "O estranho formato da Terra"

  1. 1. GambitMaia disse:

    Bom… os modelos (elipsóides, os quais existem vários, sendo o WGS-84 o mais usado) servem basicamente pra ser possível fazer cálculos geodésicos. Latitude e longitude são determinadas pelo elipsóide, enquanto as altitudes, embora calculadas sobre o elipsóide, são convertidas nas altitudes ‘reais’ do geóide (altitudes essas chamadas de ortométricas) usando certos cálculos.

    Resumindo: os modelos não são meras mentiras contadas em escolinhas e pra se fazer globos – aliás, se a Terra fosse reduzida ao tamanho de um globo daqueles, ela seria mais lisa e quem sabe mais esférica do que os globos.

    E as representações dos livros são projeções cartográficas, que necessariamente distorcem a figura da Terra.

    Me interessei por esse GOCE.

  2. 2. Nihil disse:

    O formato da Terra é mesmo meio engraçado. Se tomarmos como referência o seu centro o ponto mais alto seria o monte Chimborazo e não o Everest, isso porque na linha do Equador a Terra é mais larga (eu sei que vocês sabem!).

    Me interesso muito por esses assuntos que envolvem geografia, geologia e afins. Nem sabia da existência do termo “geoide” :roll: Agora vou estudar mais, tenho muito o que aprender.

    Nihil respondeu:

    Cabral estudou na Escola Náutica de Sagres e descobriu o Brasil, Colombo foi quem descobriu a América e “homenageou” Américo Vespúcio, Gagarin disse que a Terra é azul, plantas respiram pelas folhas, o Universo é infinito, Deodoro da Fonseca proclamou a República, orcas são baleias, Mercúrio é o planeta mais quente e a Terra é redonda.

    Vou mostrar isso para parentes e amigos e berrar falar:

    Chupem!!! Eu não disse que vocês estavam errados?! Hahahahahahaha! :mrgreen: :lol:

  3. 3. Joseph K disse:

    Cabral estudou na Escola Náutica de Sagres e descobriu o Brasil,
    Coisa engraçada, também aprendi isso na escola, mas há quem diga que a Escola de Sagres não chegou a existir de verdade, sendo um mito.
    “A escola de navegação de Sagres jamais terá existido, sendo apenas um mito construído pelo fervor nacionalista da historiografia portuguesa do período romântico do século XIX.

    A tese é do historiador brasileiro Fábio Pestana Ramos, no seu mais recente livro “Por Mares Nunca Dante Navegados”, resultado de dois anos de investigação em diversas bibliotecas de Portugal e do Brasil.
    “Não há prova factual, como vestígios arqueológicos ou documentos originais, que possam comprovar a existência de uma escola em Sagres”, afirmou à agência Lusa o historiador, neto de portugueses da Ilha da Madeira.
    Pestana Ramos salientou que as citações sobre a escola de Sagres, supostamente criada pelo Infante D. Henrique para desenvolver tecnologias náuticas, são baseadas apenas numa fonte inglesa. ” (1)(2)

    Para não dizer que isso é coisa de brasileiro revisionista, tem historiador português que também afirma o mesmo:
    “Os historiadores portugueses José Manual Garcia e Rui Cunha, no entanto, suspeitam que a Escola de Sagres, que na realidade não existiu, começou a nascer com a crônica do príncipe Dom João, escrita em 1567, por Damião de Góis.
    Os historiadores consideram que “o mesmo autor e outros em Portugal e no estrangeiro” – caso de Ramúsio na Itália em 1550 – “começam divulgar a idéia de que o Infante era um grande sábio, o que levou progressivamente a um exagero que acabou por dar na criação do mito da Escola de Sagres”.
    Na avaliação dos historiadores, uma passagem particular na obra de Góis é responsável pelo equívoco, que ainda perdura, de que, na ponta de Sagres, em Algarve, existiu uma escola onde os navegadores aprendiam a arte, ensinados por mestres genoveses, judeus ou mesmo árabes. A passagem apontada por Garcia e Cunha refere-se a D. Henrique, que “era muito dado ao estudo das letras, principalmente da astrologia e da cosmografia, para melhor exercitar tão virtuosas artes, depois que retornou do cerco de Ceuta, escolheu sua morada e residência numa parte do reino de Algarve, no Cabo de São Vicente(…)”.
    A documentação quatrocentista examinada pelos historiadores, no entanto, não fornece nenhuma consistência à idéia de que em Sagres tenha funcionado uma Escola de Navegação.”(3)

    A Wikipedia, o Uol Escola e até a Aventuras na História trazem informações nessa linha.
    É como disse o artigo, não tiveram pena de nos ensinar tranqueiras, mas não foi só até a quarta série.
    Com a palavra o Sabino, para nos iluminar com a Verdade sobre a Escola de Sagres.

    (1) http://quiosque.aeiou.pt/gen.pl?mode=thread&fokey=ae.stories/15185&va=827231&p=stories&pid=0&op=view
    http://www.americanas.com.br/produto/6771871/livros/historiaegeografia/historiaegeogra(2) fia/livro-por-mares-nunca-dantes-navegados
    (3) http://www.libertaria.pro.br/brasil/capitulo01_index.htm#complementar

    Administrador André respondeu:

    Que tal a Escola Naval portuguesa?

    Foi esta aprendizagem, visível em objectivos saltos do saber náutico, que se entrevêem no meio de descrições despreocupadas feitas pelos cronistas ou nos relatos de personagens que andaram no mar, que levou a supor a existência de uma Escola Náutica organizada em Sagres ou em Lagos, onde mestres cosmógrafos e matemáticos, superiormente dirigidos pelo Infante, ensinavam pilotos e marinheiros. Hoje sabe-se que essa escola nunca existiu e conhecem-se os contornos em que foi gerado o mito.

    http://escolanaval.marinha.pt/PT/extra/Pages/Infante.aspx

    Aqui podemos ver um artigo do próprio Pestana Ramos.

    Nihil respondeu:

    @André, Como é que chegam a ensinar o nome de uma escola que nunca existiu? :shock:

    Joseph K respondeu:

    @Nihil,
    ” “começam divulgar a idéia de que o Infante era um grande sábio, o que levou progressivamente a um exagero que acabou por dar na criação do mito da Escola de Sagres”.”

    Joseph K respondeu:

    @Nihil,
    No mais, apesar de errados, os professores, durante o Regime, apenas trabalhavam com o que era conhecido por eles, eles (os professores) não criaram o mito de Sagres: era ponto pacífico do conhecimento da época, assim como as conseqüências disso, que nos foram ensinadas na escola: “os portugueses foram sábios que souberam aproveitar o conhecimento árabe e judeu, por isso foram capazes de se tornar a potência mundial e blá-blá-blá”.
    Alguns cidadãos portugueses se mostram ferrenhos contra esse “revisionismo” da história, por razões óbvias.

    Administrador André respondeu:

    Eu penso que a Escola de Sagres foi uma artimanha de desinformação. Afinal, espionagem não é algo que foi inventado com James Bond.

    Joseph K respondeu:

    @André,
    Dentro do contexto de Portugal dos séculos XV e XVI, faz muito sentido, uma vez que eles (portugueses) precisavam justificar as pretensões de posse de territórios americanos, ainda mais tendo os espanhóis chegado antes.

    Administrador André respondeu:

    Todas as cartas náuticas portuguesas eram cifradas. As distâncias eram marcadas de forma intencionalmente errada.

    Nihil respondeu:

    Obrigado, André e Joseph pelo esclarecimento ;)

  4. 4. Mari. disse:

    Nunca aprendi aonde Cabral estudou. Se bem, quando o assunto é história de Brasil e/ou Portugal, eu me recuso a aprender algo ‘-‘

    Esse GOCE é um satélite maravilhoso *-* adorei o resultado de pesquisa dele. Agora quaquer criança que saiba segurar um lápis de cera e rabiscar no papel poderá dizer o formato do planeta, não é? Que coisa torta 8D mas ainda sim tem seu charme.

    Alguém pode me explicar o que é aquele ponto profundo abaixo da Índia? o_o que medo. Que pavor, na verdade.

    E no site da ESA tem uma galeria incrível com as fotos de outros satélites: http://www.esa.int/esa-mmg/mmg.pl?type=I&collection=Observing%20the%20Earth

    Mari. respondeu:

    @Mari., Ainda no assunto Portgual/Cabral/Brasil, não esqueçam do dia de hoje! 511 anos de palhaçada \o/

    Administrador André respondeu:

    Nunca aprendi aonde Cabral estudou.

    Cabral não estudou em lugar nenhum. Pelo menos, nada de navegação, da qual ele não entendia lhufas. Naquela época o termo “descobrir” tinha outro significado. “Descobrir” significava “tomar posse”. Cabral veio como uma espécie de emissário do rei de Portugal para dizer quem realmente mandava aqui.

    Nihil respondeu:

    @André, Pois é. O mesmo serve na “descoberta” da América. Muita gente passou por lá antes de Colombo.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Norse_colonization_of_the_Americas

    Como é prático o tradutor do Google ;-) Assim poderei estudar legal :D

    Mari. respondeu:

    @Nihil, o tradutor do google é muito bom mesmo, até ajuda a pedir esfihas no Habib’s… Mas sempre peça uma verificação final de alguém que saiba o idioma :3 só para ter certeza.

    Nihil respondeu:

    @Mari., O meu inglês do ensino-médio ajuda muito na hora de revisar :mrgreen: Obrigado ;)

    Joseph K respondeu:

    @Mari.,
    Nunca aprendi aonde Cabral estudou. Se bem, quando o assunto é história de Brasil e/ou Portugal, eu me recuso a aprender algo ‘-’
    Tem coisa interessante, dentro do assunto história dos “descobrimentos” das Américas, dê uma chance ao livro “Cerimônias de Posse na Conquista Européia do Novo Mundo”, de Patrícia Seed, é uma leitura leve e MUITO instrutiva, não como aqueles livros do colegial.

    Mari. respondeu:

    @Joseph K, Acho muito interessante a ação dos espanhóis no “descobrimento” das américas central e sul. Tão interessante que a civilização Maia será uma eterna pesquisa para os historiadores atuais e futuros. Mas o foco não é esse u.u e desculpe se fui troll.

    Agradeço a indicação, será sim um livro que irei adquirir e ler. Mas formei minha opinião há muito tempo e nada quebra. É muito triste observar a ação de colonização que foi feita no Brasil :/ se bem que, nunca houve uma ação para colonizar. De qualquer modo, não consigo falar sobre o assunto sem me estressar. Era ótima aluna, tenho meus méritos estudantis, mesmo assim, jamais estudei a história do Brasil com vontade ou curiosidade :/ é muito tapa na cara e balde de água fria.

    Nihil respondeu:

    @Mari., Aquilo é apenas uma representação de como seria o planeta Terra na verdade. A Índia estaria um pouco afundada. Aliás, surreais as fotos :shock: Adorei :mrgreen:

  5. 5. Rouberval disse:

    Ironias a parte… Já tinha visto essa reportagem e penso que estamos nos descobrindo ainda. O mundo, a própria terra ainda não foi inteiramente “descoberta”. :arrow: Deixamos Cabral de lado, juntamente com o tratado de Tordesilhas que repartiu a terra em dois pedaços como se fosse uma laranja. Alias, assisti uma reportagem sobre esse lugarejo, Tordesilhas, que lugar…
    Enfim, desde o tempo em que Galileu observava as estrelas,e constatou que a terra não é o centro do universo, parece que não mudou muita coisa.

    Feliz páscoa a todos! :grin: :mrgreen:

  6. 6. Rafael-PE disse:

    e tem gente q ainda acha q a terra é redonda!!a terra não é redonda..ela também é redonda.. ;-)

  7. 7. bigu disse:

    bigu
    ferj2001@ig.com.br
    187.77.181.27

    O senhor é professor mesmo? Sério? Estudou onde? Devia voltar pra escolinha da vovó. A vovó estava correta quando dizia que a Terra é redonda, se a Terra fosse reduzida ao tamanho de uma bola de futebol, seria uma esfera mais perfeita que qualquer bola Penalty, Topper, Adidas, etc.

    —>Preciso dizer o que aconteceu com o troll?

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