Isaac Asimov: O homem que previu o Ceticismo.net

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Antes que fiquem de palhaçada, começo dizendo uma coisa e de maneira clara: Eu sou FÃ de Isaac Asimov, tanto quanto sou fã de Carl Sagan. Aliás, Asimov admirava Carl Sagan pois, segundo suas próprias palavras, era uma das poucas pessoas tão inteligentes quanto ele mesmo. Tenho uma identificação com o bielorrusso, pois somos irmãos, na ficção científica e na pesquisa científica, já que Asimov era químico, como doutorado em Bioquímica. Respeito MUITO Arthur Clarke e tenho grande carinho por este e sua obra, mas segundo minha concepção, Asimov é DEUS!

De todos os seus livros, as duas fundamentais obras que saíram de sua caneta foram a série Robôs e a trilogia Fundação (Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação). Se você não faz ideia do que eu estou falando e acha que ficção é Matrix, MATE-SE! Matrix é um L-I-X-O perto de Fundação, Inception apanha que nem boi ladrão e o Exterminador do Futuro sai correndo sem dizer que vai voltar.

Nerd que é nerd sabe o nome do Primeiro-Orador da Segunda Fundação, sem precisar ir no Google. Geek que é geek anda tranquilo pelos vales escuros do Skynet, pois sabe de cór as 3 Leis da Robótica. CDF que é CDF sabe o nome da primeira obra de FC (SciFi is my ass) de Asimov e sabe onde ela foi publicada. Sim, eu sou nerd. Sim, eu sou geek. Sim, eu sou CDF e seu ED-209 não é nada comparado ao intelecto de Susan Calvin. Os irmãos Wachowski não têm seus nomes imortalizados num asteroide, mas o 5020 Asimov está lá, observando a todos nós.

As longas costeletas brancas e o antiquado óculos de armação pesada são uma característica marcante de Asimov. Seu intelecto era estupendo e seus livros deveriam ser obrigatórios, ao invés de mandarem ler coisas chatas como Senhora (desculpem, puristas da fraca literatura brasileira, mas José de Alencar era um pé-no-saco já na época dele e fica piora cada dia que passa). Sua mente fantástica — tão fantástica como uma viagem pelo corpo humano num submarino – nos brindou com ideias lúcidas sobre como seria o futuro de nossa sociedade (sim, estamos ferrados, mas parece haver algum tipo de salvação), principalmente em como seria o ideal do sistema de ensino/aprendizagem.

Em 1988, antes de tudo o que temos como “normal” e “corriqueiro” em termos de informática, Isaac Asimov deu uma entrevista ao jornalista Bill Moyers, que entrevistou figuras famosas como Joseph Campbell. O diferencial desta entrevista foi a descrição das ideias de Asimov sobre como poderia ser o processo de ensinar as crianças, à maneira dos antigos preceptores e mestres, somente acessíveis aos mais abastados.

É uma visão primorosa, onde aprenderíamos de tudo, bastava perguntar a uma espécie de oráculo da sabedoria. E de assunto em assunto, no que chamaríamos mais tarde de hiperlinks, de texto em texto, aprenderíamos e faríamos o mundo muito melhor. Isso tudo sem o aprendizado chato e repetitivo, mas obedecendo a velocidade de cada um de nós e adequando aos nossos interesses pessoais, que acabariam criando conexões com outras áreas de interesse.

Asimov sempre foi defensor do uso recreativo dos computadores e até posou de garoto-propaganda (pelo qual deve ter ganho um bom cachê):


JESUS! 16 kB de memória!!!

Entretanto, de acordo com a psicohistoria, eventos sociais só podem ser estandartizados de maneira global, mas não específica. Não se pode prever, mediante as rígidas admoestações da Teoria do Caos, como um evento irá se desenrolar ao se colocar um agente que surge devido a um ato aleatório. No caso da Fundação foi o Mulo. No caso da ideia de um saber globalizado, ampliado pelo interesse das pessoas no aprendizado, o fator aleatório que causou uma reviravolta no continuum foi o…

Mas Asimov não estava errado ao dizer que haveria locais onde você entraria em contato com uma imensa base de dados de saber, com professores prontos para te ensinar e elucidar as suas dúvidas, pois sempre é bom ter uma pessoa por perto, para sanar quaisquer dúvidas pendentes.

Isaac Asimov, um dos Grandes Nomes da Ciência, previu a existência do Ceticismo.net com décadas de antecedência. E, ao menos para mim, a concepção artística de Rowena Morrill é mais do que adequada e dispensa considerações:

O mundo ficou mais triste em 6 de abril de 1992, data em que os robôs fizeram um minuto de silêncio, pois seu pai havia morrido. Asimov ainda vive em cada um que ver um nanorrobô, pois até estes seguem as 3 Leis da Robótica e, valentemente defendidas pela Drª Susan Calvin, a quem Arthur Clarke prestou homenagem ao citá-la em seu romance 3001 – A Odisséia Final (sim, um asimoviano conhece as obras de Arthur Clarke, trolls). Talvez, nossa sociedade jamais fora tão bem descrita frente às máquinas como quando a Drª Calvin disse:

Houve uma época em que a humanidade encarava o universo sozinha, sem um amigo. Agora, o homem possui criaturas para ajudá-lo; criaturas mais fortes do que ele – mais fiéis, mais úteis e absolutamente devotadas a ele. A espécie humana já não está sozinha. Já encarou o assunto sob este prisma? (…) Para você, um robô é um robô. Engrenagens e metal; eletricidade e pósitrons. Mente e ferro! Feitos pelo homem! Caso necessário, destruídos pelo homem! Mas você não trabalhou com eles, de modo que não os conhece. São uma raça mais limpa e melhor do que a nossa.

E uma aula de sócio-economia:

Na realidade, a humanidade nunca teve tal direito [de decidir seu futuro]. Sempre esteve à mercê de forças econômicas e sociológicas que ela era incapaz de compreender — à mercê dos climas e das fortunas da guerra. Agora, as Máquinas compreendem essas forças; e ninguém poderá conter as Máquinas, porque elas cuidarão dessas forças do mesmo modo pelo qual estão cuidando da Sociedade em Prol da Humanidade — tendo à sua disposição a mais poderosa de todas ar armas: o controle absoluto de nossa economia.

A vocês, eu deixo uma questão: Qual é a resposta para a última pergunta?

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

Quer opinar? Ótimo! Mas leia primeiro a nossa Polí­tica de Comentários, para não reclamar depois. Todos os comentários necessitam aprovação para aparecerem. Não gostou? Só lamento!

  • Joseph K

    @hades,
    Matrix chupou a veia de Neuromancer até cair, tanto que se algum dia fizerem um filme baseado no Neuromancer, não vai faltar moleque repetindo “ah, mas depois de Matrix ficou fácil ter essas idéias”. 👿
    O que eu gostei na Trilogia do Sprawl é a própria raiz do cyberpunk: depois de ler Asimov e Clarke, foi um choque (no bom sentido).
    Além de uma participação em uma coletânea (Futuro Proibido, Ed. Conrad) não li outras coisas dele, mas está na (longa) fila.

    Quanto a adaptção para o cinema, já faz uns anos que está rolando essa história, até dizem que já tem um diretor (1), e o próprio Gibson disse que não tem nada a ver com o roteiro (ao contrário do que alguns diziam)(2).

    Tal como as adaptações de Fundação e Encontro com Rama, é algo a se esperar com ansiedade e medo, muito medo de cagadas.

    Do blog do Gibson:
    (1) http://williamgibsonboard.com/eve/forums/a/tpc/f/8606097971/m/284101966
    (2) http://blog.williamgibsonbooks.com/2003/01/16/14/

    slineu respondeu:

    @Joseph K,
    Além da trilogia do Sprawl , li Idoru e Reconhecimento de Padrões. Estou esperando Spook Country sair em português.
    Do Asimov, comprei o box com a Trilogia da Fundação (Ed Aleph) . E eles têm também o Fim da Eternidade e Os Próprios Deuses . Os outros livros dele só estou encontrando em Sebos. Fico na dúvida se devo baixar os livros ou esperar serrem (re)lançados

    Joseph K respondeu:

    @slineu,
    Como disse, estou devendo na leitura do Gibson; acabei a trilogia do Império das Formigas e tenho uns Sagan pra atualizar… mas a fila anda, um dia chega nele.
    Quanto a baixar ou comprar em sebo, sou mais comprar o papiro (não pelos direitos autorais, já que na revenda ele não recebe nada) pois, como muitos velhos, gosto de folhear o livro.
    Já Asimov, devo ter uns 20 livros, mas tem muita coisa na fila para comprar, também, uma boa parte comprada em sebo, pois esperar reimprimir é de dar raiva.

  • Carlos Guevara

    Ótimo artigo!
    Não li ainda nenhum livro de Asimov mas tenho um especial da SciAm sobre ele que me despertou o interesse nas suas obras.
    Já comprei uma(“o Fim da Eternidade”),se voce leu o que achou André?

  • gustavo dos anjos

    Como muitos aqui, eu ainda não li livros do Asimov. Mas confesso que fiquei tentado. André, isso me fez lembrar daquela sua “promessa” (não chegou a tanto 😀 ) de criar uma área aqui no site contendo livros recomendados. Sei que várias dessas recomendações estão espalhadas nos diversos artigos que o site já publicou. Quando tiver um tempo, essa área seria bem interessante.

    Administrador André respondeu:

    Junto com o artigo, coloco o número da minha conta bancária, para eu poder largar meus empregos de vez.

  • Icarus

    @Joseph K,

    Obrigado pela dica Joseph, talvez seja a solução 😉

    Mas eu não consigo entender o motivo de um livro desta importância ter sumido das livrarias :-(. Eu sou muito curioso, vou ter que ligar para a editora hehe.

    Joseph K respondeu:

    @Icarus,
    Se você ligar para eles e ter uma resposta que preste, compartilhe conosco, pois meus emais nunca foram sequer respondidos. 👿

  • hades

    nunca tinha visto ,nada mais absurdo…se tiver um tempo e estomago da uma olhada nisso…acho que esse cara pesquisou tanto a glandula pineal que ficou loco..
    agora estou pesquisando umpouco sobre o assunto pra ver até onde faz sentido…..http://www.youtube.com/watch?v=BRY41_pvIxI&NR=1

    Administrador André respondeu:

    Agora, o distinto vai me dizer o que isso tem a ver com o artigo.

    hades respondeu:

    nada!! :mrgreen:

    Administrador André respondeu:

    Bom saber. Então vc não vai se importar se eu banir seus comentários que sigam essa linha, né?

    hades respondeu:

    não ,não
    imaginei que aconteceria algo do genero 🙄
    nem irá se repetir,não é mesmo minha inteçao ficar bagunçando um dos sites mais instrutivos que tenho visitado …sory

  • fred.egito

    Ótimo post. Por causa do mesmo, comecei a ler FUNDAÇÃO. Simplesmente não estou conseguindo parar de lê-lo, a obra é incrível, tanto nos detalhes “ambientais”, como no decorrer da estória em si. Fugindo do assunto, gostaria de propor-lhe algo, André: Percebo, que, nos comentários dos artigos, posts e notícias, comentam diversas pessoas, que possuem conhecimentos sólidos em diversas áreas. Notei também que vários estudantes fazem pesquisas no artigos contidos aqui. O que proponho é: Por que você não “abre” um canal de comunicação para que possam ser publicados artigos sobre diversos temas (sob sua aprovação, é claro), artigos esses elaborados por alguns dos leitores?
    Por exemplo, no meu caso, sou graduando em engenharia eletrônica, e estou quase entrando de férias. Gostaria de escrever algo, e seu site, acredito eu, é um dos melhores que eu conheço no quesito interdisciplinaridade, e quantidade de textos REALMENTE bons. Aí, ficaríamos assim: enviaríamos os artigos para você, que os analisaria, e publicaria (ou não), conforme os moldes e exigências do site. Agradeço pela atenção, e uma resposta seria bem-vinda.

    Administrador André respondeu:

    : Por que você não “abre” um canal de comunicação para que possam ser publicados artigos sobre diversos temas (sob sua aprovação, é claro), artigos esses elaborados por alguns dos leitores?

    Por que eu já fiz e não deu certo. Pouquíssimos postaram e o restante foi só retardado escrevendo merda de como Jesus é o Senhor e Deus é maravilhosamente lindo, enquanto todos nós iremos pro Inferno.

    fred.egito respondeu:

    @André, Já tinha imaginado isso. Que pena.

  • Ótimo artigo, muito bem escrito como tudo nesse site, que conheci hoje e achei maravilindo.

    PS: a seção humorística “A voz dos alienados” é sensacional.

  • marcelo9700

    Oh Andre, acabei de descobrir este site. Voce escreve brilhantemente, ja publicaste livros?

    Administrador André respondeu:

    Não.

  • Começei a ler Fundação.

    Lí algumas dezenas de páginas e não fiquei intediado em nenhuma linha. O livro se mostra superando as minas expectatívas.

    Merece um filme.

    Administrador André respondeu:

    Já estão filmando, dá uma olhada no IMDB.

    Tanatos respondeu:

    @André,

    😎

    Espero que façam melhor do que fizeram com O Senhor do Anéis.

    Administrador André respondeu:

    Mas o SdA ficou muito bom. Se eles seguem igualzinho ao livro, ficaria um porre. Tolkien gasta muita tinta descrevendo as florestas. Não que literariamente fique ruim, pelo contrário. Mas pro cinema seria um saco.

    E, a propósito, será o Emmerich o diretor (sim, eu tb senti calafrios).

    Tanatos respondeu:

    @André,

    Sim, SdA ficou excelente em muitos aspéctos. Mas perdeu em coisas simples como em cenas em que Aragorn deslisa sua espada (ops) suavemente na groça armadura do ogrão, e este cai como se tivesse o intestino arrancado. Esse tipo de cena pra mim é broxante. 😐

    É interessante quando se sente o impácto dos golpes.

    Heartless_and_Soulless respondeu:

    @Tanatos,
    Você se esqueceu também de personagens limados, por exemplo, Tom Bombadil. ❗
    Quem seria, na realidade, esse sujeito? 😯

    Administrador André respondeu:

    Tom Bombadil, a bem da verdade, não exerce função nenhuma na história.

    Heartless_and_Soulless respondeu:

    É verdade, mas ele não deixa de ser um personagem muito interessante… 😀

    Heartless_and_Soulless respondeu:

    Mas já chega de sair do assunto do artigo. 😳
    Enfim, ainda não tinha conhecimento da ficção científica russa (ou bielorrussa, ou etc.), vou conferir. Até hoje meu tipo preferido de livro era terror e suspense, com Stephen King e Edgar Allan Poe.

  • Luan

    Mulo > Sheldon

  • Também sou fã do Asimov… Excelente tópico 🙂

  • Tiago Vieira

    @André, Mas quando ele nasceu, era
    União Soviética, ele nasceu onde hoje é Rússia! Só que fica perto da fronteira.

    Administrador André respondeu:

    Não, meu filho. Rússia é um país que COMPUNHA a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Antes de haver URSS, havia o Império Russo, que basicamente compreendia os mesmos países (e tinha um regime tão brutal quanto).

  • Tiago Vieira

    @Joseph K, Na época era União Soviética.

    Administrador André respondeu:

    Vai estudar, filho: http://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_das_Rep%C3%BAblicas_Socialistas_Sovi%C3%A9ticas

    Se vc dissesse um russo branco (nativo da Rússia MESMO) que ele era tão russo quanto um checheno, saía porrada.

  • jlcsauro

    Oi – sendo Asimoviano já há algumas décadas, eu me animei a apor algumas obs/amplificações do que foi exposto, vou itemizar pra não ser prolixo :

    a. chamar Asimov “um dos Grandes Nomes da Ciência” rigorosamente não condiz : ele mesmo, nas (sempre brilhantes) notas autobiográficas de suas coletâneas) reconhece que a sua atuação como Cientista foi mediana, pra sermos educados (ao contrário de Clark e de Sagan, que tiveram sim inegáveis triunfos em suas áreas) … O correto seria chamá-lo de “um dos Grandes Nomes da DIVULGAÇÃO da Ciência” , aí sim ele brilhou, atuando também como “Protetor” da Ciência , ie, evitando o avanço da anticiência como o criacionismo, a “antipatia” pela pesquisa científica, alertando sobre as graves implicações da queda da produção científica… A palavra “protetor” aqui pode ser entendida bem literalmente, já que divulgar ciência serve não só pra população geral mas também para as Autoridades constituídas : desconhecimento é o primeiro passo pra depreciação, pra não-reconhecimento da importância da ciência, pra posterior cortes de verbas e a situação vira uma bola de neve aonde o final é bem conhecido…
    Aliás, quando adolescente, eu nunca imaginava como que era possível um cenário cyberpunk/apocalíptico aonde a ciência (e a sua serva Tecnologia) ou desapareciam ou eram restritas á uma pequena porção da população, mas hoje vejo um caminho claro pra isso : hoje entra o criacionismo nas escolas, amanhã abandona-se o ensino de Matemática/Química/Lógica (já que não “práticos”, e/o contradizem o livro “sagrado” x, y ou z), uma geração mal-preparada se sucede à outra, e rapidinho a Ciência vai pro vinagre… Aí entra a enorme importância dos bons divulgadores científicos, de ao mesmo tempo mostrar como é importante a Ciência e estimular as mentes mais jovens a abraçarem carreiras científicas, ou pelo menos que compreendam e usem o método científico …

    b. além da imensa e capital importância na FC, admiro enormemente Asimov pelo seu conhecimento quase renascentista : não só o cara escreveu sobre o que conhecia profissionalmente/por formação, mas também escreveu sobre a Bíblia, sobre Matemática, sobre Enxadrismo, sobre Shakespeare, cinema, História, Biologia, literatura em inúmeras vertentes (por exemplo, alguns de seus ensaios sobre Tolkien foram consideradois seminais pelos especialistas, escreveu pracas e sempre muito bem sobre Poesia), política, sobre a língua inglesa, enfim, sobre quase tudo, e sempre com um senso de humor, e com uma clareza esplendorosa…
    Embora aqui na terra do macacão pagodeiro seja difícil, convido quem ainda não o fez a ler livros como o “Isaac Asimov’s Book of Facts”, a série “Asimov’s Guide to …” ou a série “Asimov on …” , que só comprovará o que estou afirmando…. É quase inacreditável um Autor tão prolífico (@600 livros, de acordo com algumas contagens) , que mantém a qualidade, escreve sobre qquer Assunto como se fosse especialista, e ainda consegue ser tão esclarecedor e divertido como o Bom Doutor foi..

    c. as Leis da Robótica foram uma criação genial porque, ao mesmo tempo que aparentemente são absolutas na proteção aos humanos, são também ambíguas, permitindo efeitos literários – afinal, se fossem rigorosamente perfeitas não haveria drama possível, quando na verdade nos mais diferentes escritos de FC Asimov explorou as inúmeras “falhas” … Por exemplo, a Primeira Lei diz que um robô não pode fazer mal a um ser humano : parece à primeira vista OK, mas e se (por exemplo) um robô fosse tão pequeno, ou tão imóvel, ou se situasse tão distante fisicamente, que nunca houvesse a chance dele ferir um humano ? Raciocinando assim o dito-cujo poderia suprimir a lei, e com alguma evolução futura tá lá aberto o caminho pra Skynet… Então não temerei o vale das sombras pero no mucho ….

    d. finalmente, sobre o post em si : no artigo “The New Teachers” Asimov expande mais o conceito, e o ponto focal da visão dele infelizmente não se realizou, qual seja : não somente o conhecimento estará disponível online e grattuitamente, que os próprios usuários contribuiriam com conhecimento, tarátatrá, q nem aqui, MAS ele via também a figura de um “professor automatizado”, ie, um Facilitador inteligente que guiaria o aprendiz – infelizmente hoje não temos isso, hoje há facilitadores (como o google, porque não) mas ainda não são dotados de inteligência mínima…
    Veremos o progresso da IA, quem sabe ainda no meu lifespan eu veja algo do tipo…

    []s

    jlcsauro

    Administrador André respondeu:

    Ai, meu saco… Vamos lá.

    a. chamar Asimov “um dos Grandes Nomes da Ciência” rigorosamente não condiz :

    Pra mim condiz. Se pra vc, ciência se baseia em artigos científicos, então Júlio Verne era outro que jamais deveria ser mencionado numa roda científica.

    além da imensa e capital importância na FC, admiro enormemente Asimov pelo seu conhecimento quase renascentista : não só o cara escreveu sobre o que conhecia profissionalmente/por formação, mas também escreveu sobre a Bíblia, sobre Matemática, sobre Enxadrismo, sobre Shakespeare, cinema, História, Biologia, literatura em inúmeras vertentes (por exemplo, alguns de seus ensaios sobre Tolkien foram consideradois seminais pelos especialistas, escreveu pracas e sempre muito bem sobre Poesia), política, sobre a língua inglesa, enfim, sobre quase tudo, e sempre com um senso de humor, e com uma clareza esplendorosa…

    Obrigado por ter se autorrefutado.

    as Leis da Robótica foram uma criação genial porque, ao mesmo tempo que aparentemente são absolutas na proteção aos humanos, são também ambíguas, permitindo efeitos literários – afinal, se fossem rigorosamente perfeitas não haveria drama possível, quando na verdade nos mais diferentes escritos de FC Asimov explorou as inúmeras “falhas” …

    Só tenho uma coisa a dizer: Ai minha deusa do Céu… e a culpa é minha por insistir.

    MAS ele via também a figura de um “professor automatizado”, ie, um Facilitador inteligente que guiaria o aprendiz – infelizmente hoje não temos isso

    Pois, é. Também não temos naves voando pelo hiperespaço. Sinceramente, não entendi o seu comentário.

  • jlcsauro

    Oi – então, pra mim produzir Ciência é obter resultados via análise (de qualquer questão, seja física/exata seja empírica, ou mesmo mental/especulativa) com a metodologia científica (ie, hipótese simples mas completa, experimentação, verificação, rinse , repeat, divulgar quando pronto) – não importa se é feita na Academia ou no laboratório duma empresa ou num local particular, ou o resultado é publicado num paper ou não, ou se a divulgação posterior é restrita (por segredo industrial, digamos) ou não… Nada disso importa, se o trabalho seguiu a metodologia , o resultado pra mim é ciência, e se o trabalho não pode ser rejeitado por falha na aplicação da metodologia, com certeza o autor colaborou no movimento coletivo que é a Ciência, após isso confirmado são os resultados que devem ser medidos, tanto em importância quanto em eficácia…
    No caso do Asimov, ele mesmo cita em prelúdios de contos e auto-apresentações que os seus resultados foram medianos, então segue que na Ciência em si ele foi mediano….

    Não há contradição NENHUMA, não estou me refutando de modo Algum porém, primeiro em apontar os enormes dons e méritos pessoais do cara : a sua (lá, dele) inteligência inegável, o talento com as palavras e como entertainer, a visão clara e as opiniões sempre embasadas são méritos de porte MAS nada disso o transforma num luminar da Ciência, ok ? O pedestal aonde ele obteve por méritos próprios uma altíssima colocação foi outro, o de DIVULGADOR emérito da ciência, ie : sem ele mesmo produzir grande coisa na Ciência, Asimov tinha o dom de ser capaz de divulgar/explicar a Ciência maravilhosamente para não-iniciados… Isso é Inquestionavelmente benéfico para a Ciência (até porque são não-cientistas que controlam as verbas de pesquisa, sejam públicas ou privadas 🙂 , mas não inclui a pessoa no rol de exponente da Ciência em si – non-sequitur aí eu diria, para ser luminar, grande figura da Ciência o sujeito TEM que fazer ciência em primeiro lugar, E obter resultados em segundo lugar… Asimov pode (e deve) , junto com Verne e tantos outros, ser listado como Benemérito da Ciência, como Divulgador excepcional, como inspirador de tantos novos cientistas, como fonte fértil de idéias (e até por isso tudo ambos são tão citados nas rodas científicas, e até em trabalhos científicos), mas o posicionar como figura de proa da Ciência em geral acho exagerado….

    []s

    jlcsauro

    Administrador André respondeu:

    MAS nada disso o transforma num luminar da Ciência, ok ?

    Vc está me dizendo que William Kamkwamba, Emily Rosa, Abby Wutzler e até mesmo o MacGyver não são grandes nomes da ciência? Poxa, desculpe.

    mas o posicionar como figura de proa da Ciência em geral acho exagerado….

    Vou apagar todos os artigos, ok? Desculpe tê-lo ofendido e aos seus ricos depósitos em dinheiro, usados para sustentar o Cet.net. Juro pela alma imortal do Abbadon, e querendo que o Pastor Saulo vire ateu mais ferrenho que o Dawkins, que eu não repetirei isso.

    Benemérito da Ciência… as pessoas realmente têm sérios problemas de escrita neste país e falta de noção.

  • jlcsauro

    Ah, sorry : no meu entusiasmo de Asimoviano, esqueci de completar sobre o ponto principal do artigo, 🙁 Lamento quebrar em dois comentários, mas agora já foi 🙂
    Seguinte : o objetivo do meu comentário, que pensei ter sido claro mas parece que não foi, era de apontar que a Internet (e o ceticismo.net, claro) atendem de maneira Parcial à idéia do Bom Doutor de máquinas de ensinar – falta aí a figura central do facilitador não-humano que busca as informações, as repassa ao humano em treinamento, sugere os próximos tópicos (sem direcionar, o humano é Absolutamente livre pra seguir como quiser pra onde quiser)…
    Como vc obviamente colocou, não temos isso como não temos hoje carros voadores, mas o meu ponto é simplesmente Indicar que a experiência que temos hoje ainda não é a mais completa de acordo com a idéia original de Asimov, só isso, nem mais nem menos … Quem sabe, se ele acertou até aqui, acerta um pouco mais e a gente ainda ganha a coisa completa : eu pelo menos sou um que não largaria da coisa completa, a Internet é fantástica mas não supre completamente ….

    []s

    jlcsauro

    Administrador André respondeu:

    Ah, sorry : no meu entusiasmo de Asimoviano, esqueci de completar sobre o ponto principal do artigo,

    Se vc não tivesse bancado o idiota, se apegando a um detalhe imbecil, isto não teria acontecido.

  • sylverfalls

    Virei fã dele! Meu pai tem um sebo, vou procurar seus livros imediatamente… Valeu, @André!