nov 08

O kibe nosso de cada dia

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Bibliografias, Ceticismo, Comportamento, Comunicações, Cultura, Filosofia, Idiocracia, Informática, Internet, Linguí­stica, Literatura, Mídia, Mitos Desmascarados, Psicologia, Tecnologia
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morteaokibe.jpgCom a chegada da Internet, criou-se uma tola expectativa que muito conteúdo estaria na Grande Rede e que as pessoas contribuiriam com seus conhecimentos para compartilhá-los com o restante da humanidade, antes que algum ICBM caísse no nosso telhado ou que o Tiririca fosse eleito. Eu teria preferido o ICBM. O que vimos foi a criação de dois tipos espúrios: Os TDM e os KFDP. Se você tem um blog, já reconheceu e teve o desprazer de cruzar com as duas "distintas" figuras. Enquanto um fica enchendo o seu saco, falando besteiras, o outro age na encolha, roubando seu texto e colocando na maior cara-de-pau. Este último é conhecido como kibador, em homenagem ao máximo rei dos kibadores.

Começo este artigo dizendo isso porque é um saco, enervante, irritante e emputecedor, entre outras características da minha personalidade calma e tranquila, ver que se gasta um tempão para fazer um artigo e algum ixpertu resolveu angariar audiência pro blog dele copiando o seu texto. É algo diferente quando a Fabiane escreve um artigo, coloca no blog dela e posta aqui também. Sendo dela, ela pode reproduzir quantas vezes quiser (o texto, mas se ela quiser se dividir em duas, não me incomodo, mas o namorado dela é capaz de me partir em 3). Diferente de algum Zé Ruela que pega o que é SEU e coloca no que é dele (estou falando de textos, seus pervertidos). Não importa se ele colocou "Fonte: Ceticismo.net". Ele está atraindo audiência com um trabalho meu. Seria um caso diferente de ele se basear em meu texto, colocar mais algumas informações, dar a opinião particular dele e publicar. Aí sim, sou uma fonte de pesquisa.

Semana passada, um mané pega o meu texto e coloca no blog dele. Eu faço uma advertência que isso é violação de direitos autorais e o distinto me joga que eu não tinha escrito que era proibido copiar o texto. Sei. Imagino a cena…

– Rá! É um açauto!

– Ei, peraí! Você não pode me assaltar.

– Craro que posso, chefia. O çenhor não tá cum uma praca dizendo que não pode ser açautado!

Mimimimi… mas naum é assarto, pruque v6 continua com um testo.

Sim, meu caro TDM, da mesma forma que se eu pegar dinheiro e fazer cópias, não estarei roubando o governo, pois a nota original continuará em circulação, né?

Mimimimi… mas v6 cupiam notícia da Bebecê!

Não, TDM, eu pego a notícia e escrevo em cima. Coloco fonte, pois tem tanta notícia proverbialmente louca que ninguém acreditaria.

Eu num credito em v6.

Esadof.

Pessoas que copiam outros sites na íntegra estão num nível evolutivo abaixo de fungos, pois fungos pegam o material e o usam para extrair nutrientes, e não copiam as árvores. Essa raça é tão descarada (pronto, vão me chamar de racista por causa disso) que ainda ameaçam dizendo que não vão deixar de copiar enquanto eu não colocar um aviso dizendo que não pode fazer e que se eu quiser que… (nota, o miserável REALMENTE escreveu isso) que tire o MEU texto. Só soltando um imenso palavrão em klingon! E o pior é ver este pessoal cursando faculdades de Letras, Advocacia (estes nunca fazem nada direito), biblioteconomia etc.

Acham que só porque diz "Fonte: Um-site-que-roubei-descaradamente", acham que podem copiar qualquer coisa, pois suas notocordas de nematelmintos são incapazes de criar algo diferente de "LOL", "First" ou "Morri" (antes fosse, caro KFDP, antes fosse…). Se profiçionaus assim possuem a "decência" de copiar coisa alheia, imaginem em suas vidas o que não fazem. Porque ninguém tem botão liga/desliga de honestidade, tem? Pois, é. Será a eterna luta de quem produz conbteúdo de quem chupa (e nem é no sentido mais legal) de você, ainda se sentindo no direito de te dar um esporro, certo que as duas molas-mestra da sociedade brasileira o estará protegendo: a Lei de Gérson e a certeza da impunidade, mesmo levando em conta a lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Mas estamos em tempos onde o certo parece ser errado e o errado é visto como algo maneiro, que há muito, muito tempo atrás, onde eu nem sonhava manter blogs e mesmo blogs per se não existiam como vemos hoje, eu já disponibilizava artigos e material em gloriosas páginas HTML, feitos inteiramente em código-fonte ou com o ridículo frontpage express (sim, eram tempos difíceis e já naquele tempo havia trolls). Um certo Conselho Regional de Química copiou alguns artigos meus e sequer citaram a fonte. Descobri por acaso, via Google. Mandei um polido e-mail (eu ainda não sabia direito como as interwebs funcionavam e dos tipinhos à solta por elas) dizendo que não me incomodava se copiassem os textos, mas que citassem a fonte.

Aconteceu algo divinamente hilário e, talvez, isso seja a prova que Deus existe (ou não): Recebi dois e-mails.

O primeiro era do webmaster, dizendo de maneira muito cortês que, realmente, eles tinham roubado copiado meus textos, pois eles eram muito bons e isso era uma forma de eu ver que eu escrevia bem (resumindo, eu tinha que agradecer por eles copiarem meus textos). Mas que doravante iriam citar a fonte.

O segundo e-mail era do presidente do referido CRQ, que não posso citar de onde é por motivos que vocês entenderão em breve. Ele escreveu de forma enfática e arrogante que o CRQ (…) Região não copiava artigo de ninguém e que isso era uma acusação gravíssima. Dessa forma, eu deveria verificar tal coisa e voltar a entrar em contato, ou o distinto Conselho tomaria medidas drásticas (ou alguma coisa nesse sentido).

No mesmo instante eu entrei no site e, UAU!, os textos sumiram como por encanto. Só que eu já conhecia o cache do Google. Respondi ao e-mail do senhor-presidente-eminência-excelência-doutor-sei-lá-mais-o-que que era estranho esta resposta dele, pois o webmaster CONFIRMARA que tinha copiado o textos, conforme anexo do e-mail enviado. Outrossim, apesar das páginas não estarem mais no site do referido Conselho, o Google mantinha o cache sob o endereço tal-tal-tal, mas que eu tinha salvo uma cópia em PDF (no anexo). Assim, o CRQ deveria sim agir de forma drástica, a começar por um pedido formal de desculpas.

Vocês se desculparam? Nem eles. Tudo o que meu advogado AMOU de paixão e me garantiu algumas reservas monetárias e é assim que devemos tratar kibador. Não no caso de uma notícia vagabunda, que eu posso escrever em 20 minutos. Mas quando temos textos bem elaborados como os muitos estudos, análises e contextos históricos que colocamos aqui, e que muitas vezes demoram semanas pra ficar prontos (eu não vivo disso e preciso dar atenção ao meu trabalho e minha família), a coisa deve ser levada a sério. BEM a sério.

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37 respostas para "O kibe nosso de cada dia"

  1. 1. Renato Kistner disse:

    Tudo o que meu advogado AMOU de paixão e me garantiu algumas reservas monetárias e é assim que devemos tratar kibador.

    Propriedade intelectual é simplesmente propriedade como qualquer outra, pegou sem pedir, tem que “devolver”, e com juros… Sem querer kibar o trabalho do seu adv., vc teria uma cópia da sentença, só pra eu analisar? Gosto de ver como o magistrado se posiciona nestes casos.

    Em tempo, achei um site bem legal que consegue rastrear um arquivo jpg:
    http://www.tineye.com/

    Administrador André respondeu:

    Pior que não tenho. Isso tem coisa de10 anos. Só se eu falar com o parasita advogado (que nem sei por onde anda hoje). Se eu conseguir, mando por e-mail.

    Renato Kistner respondeu:

    Vixi… Blz!

    criscmaia respondeu:

    @André, André, manda um cópia pra mim também por favor, se/quando achar? :smile:

    NXL171d respondeu:

    @Renato Kistner,

    O site é bom. Mudei uma imagem (cores, tamanho etc) e ele ainda achou a imagem original. Fiz o upload de uma montagem que tinha feito a algum tempo com uma cantora e uma imagem do sistema solar (uma montagem bem grotesca, na verdade) e o programa achou a imagem original do sistema solar, mas não achou a imagem da cantora. Nunca coloquei esta imagem em nenhum lugar, embora me pareça que usar imagens para criar montagens, não é necessariamente violar direitos autorais.

    Renato Kistner respondeu:

    @NXL171d, Eu não entendo muito sobre informática, mas acredito que o site faz a pesquisa de imagens com base nos hash do arquivo principal.

  2. 2. Bill disse:

    Opa, vou copiar esse texto no meu blog e… :roll:

  3. 3. Demente disse:

    Pergunta direcionada para qualquer advogado de plantão ou semelhante:

    Traduzir uma matéria qualquer de um site estrangeiro sem pedir permissão, mas citando a fonte, é considerado “kibar”?

    Administrador André respondeu:

    Eu postei o link com a lei. Dá uma lida lá.

    Demente respondeu:

    @André:

    Art. 2º Os estrangeiros domiciliados no exterior gozarão da proteção assegurada nos acordos, convenções e tratados em vigor no Brasil.

    Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

    Valeu!

    Renato Kistner respondeu:

    @Demente,
    Lei 9.610/1998:
    Art. 2º Os estrangeiros domiciliados no exterior gozarão da proteção assegurada nos acordos, convenções e tratados em vigor no Brasil.

    Carta Magna:
    Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
    (…)
    § 2º – Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.

    Dec. 75699/75 (Convenção de Berna):
    Artigo 5º
    1) Os autores gozam, no que concerne às obras quanto às quais são protegidos por força da presente Convenção, nos países da União, exceto o de origem da obra, dos direitos que as respectivas leis concedem atualmente ou venham a conceder no futuro aos nacionais, assim como dos direitos especialmente concedidos pela presente Convenção.
    (…)
    3) A proteção no país de origem é regulada pela legislação nacional. Entretanto, quando o autor não pertence ao país de origem da obra quanto à qual é protegido pela presente Convenção, ele terá nesse país, os mesmos direitos que os autores nacionais.
    (…)
    Artigo 19:
    As disposições da presente Convenção não impedem que se reivindique a aplicação de disposições mais amplas que venham a ser promulgadas na legislação de qualquer país unionista.

    Renato Kistner respondeu:

    O item 3 do artigo 5º da convenção não encaixa muito na sua pergunta, mas foi o mais próximo que eu eu encontrei… Devem haver mais normas nesse sentido, é só procurar.

    Administrador André respondeu:


    Artigo 29 – Depende de AUTORIZAÇÃO PRÉVIA e expressa do AUTOR a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como:

    I – a reprodução parcial ou integral;
    II – a edição;
    III – a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras transformações;
    IV – a tradução para qualquer idioma;

    É aqui que vagabundo “esquece” que TEM que pedir autorização para reproduzir um número X de parágrafos, salvo se for uma curta citação.

    Renato Kistner respondeu:

    Art. 33. Ninguém pode reproduzir obra que não pertença ao domínio público, a pretexto de anotá-la, comentá-la ou melhorá-la, sem permissão do autor.

    iiiiiiiii…. Lembrei de vc! :wink:

    Administrador André respondeu:

    Parágrafo único do mesmo artigo: Os comentários ou anotações poderão ser publicados SEPARADAMENTE.

    A defesa encerra, Meritíssimo.

    Renato Kistner respondeu:

    :cry:

  4. 4. Fabrício disse:

    E não é que eu estava pensando em te perguntar sobre isso, André? Depois de perguntar a um monte de blogueiro, sabia que você teria a resposta.

    Eu queria saber se tinha uma lei que protegesse os artigos. Criei um blog não faz nem dois meses, e já copiaram (por completo) três artigos meus. Os caras de pau copiaram até o meu bordão no fim do artigo. :evil:

    Essa parada é muito injusta, pois é como você falou, a gente passa até uma semana criando um artigo pra ficar o melhor possível, e ao publicar, vem um espertinho parasita e copia sem nem dizer nada.

    Pegando também no caso do Blog não ser muito conhecido, mesmo assim você cria um bom artigo, aí vem um cara que já tem um Blog já antigo e muito visitado, copia os artigos e sai com todo o crédito, como foi o caso da copia de um dos meus artigos.

    Já até coloquei uma mensagem na barra lateral avisando que, caso copiem meus artigos, eu iria usar o peso da lei contra eles. O pior que até então eu não sabia nem se tinha uma lei a ser usada.

    Mas agora sei, e esses malandros estão todos ferrados. MWAHAHAHA :twisted:

    Morte ao Kibistas!…

    Caraca, acho que cometi uma infração. Serei preso e perderei o emprego por isso…

    Administrador André respondeu:

    Manda email pro sistema de hospedagem deles e reclame, citando a lei, ué.

  5. 5. Rama disse:

    “Este último é conhecido como kibador, em homenagem ao máximo rei dos kibadores.”

    quem é esse rei dos kibadores? Fiquei curioso.

  6. 6. Rama disse:

    Eu confesso que fiquei curioso de saber quem seria o “máximo rei dos kibadores”…

    Administrador André respondeu:

    Vc é novo neste lance de blogs, né? De onde vc acha que vem o termo “kibar”?

    Rama respondeu:

    @André, Eu desconfiava de onde poderia ter vindo, e seguindo a sugestão da Mari, eu confirmei que tem a ver com o Kibeloco, que supostamente é um dos maiores plagiadores da internet. Só não sei por que não disse isso antes, teria me poupado um bocado de tempo.

    De qualquer forma, obrigado.

    Administrador André respondeu:

    Se eu contar, vocês não pesquisam. ;)

    Mari. respondeu:

    @Rama, Existe o über-kibador, que é americano, mas temos cá, em terras tupiniquins, um excelente representante dessa classe kibadora. Só jogar no pai-dos-burros on-line e vai encontrá-lo.

  7. 7. Rodrigo Souza a.k.a. Sargento disse:

    Bons tempos que para se viver de kibe era necessário vender salgados.

  8. 8. hiltongil disse:

    “Advocacia (estes nunca fazem nada direito)” Porque sempre sobra para os advogado? =D
    Esse é um rótulo pré-concebido que já nem me incomoda mais… heheh Porque no final das contas quando vem os problemas, querendo ou não ainda vem recorrer aos advogado (em tempo sou ainda um reles bacharel…) Ah, aproveitando que minha monografia esta sendo justamente nessa área (propriedade intelectual), abordando a função social no que tange o direito constitucional à educação, informação e culturta, cumpre ressaltar que no que tange o art. 29 citado pelo André, é preciso observá-lo concomitantemente com as exceções do art. 46.
    PS: ultimamente tenho notado uma crescente nuance jurídica nos artigos, será que o André está se enveredando para essa área? :cool:

    Administrador André respondeu:

    Porque sempre sobra para os advogado? =D

    Só por causa daquela piadinha de 30 advogados dentro de um ônibus caindo de um precipício? A questão é que para muitas coisas simples é necessário prostituir constituir um advogado.

    abordando a função social no que tange o direito constitucional à educação, informação e culturta, cumpre ressaltar que no que tange o art. 29 citado pelo André, é preciso observá-lo concomitantemente com as exceções do art. 46.

    Agradecemos uma explanação melhor sobre o caso.

    PS: ultimamente tenho notado uma crescente nuance jurídica nos artigos, será que o André está se enveredando para essa área?

    Só depois de eu virar pastor evangélico.

    hiltongil respondeu:

    @André,
    “Agradecemos uma explanação melhor sobre o caso.”

    Então, de maneira um tanto quanto resumida seria o seguinte. A Constituição Federal de 1988, trouxe o instituto da Função Social que podem ser encontrados nos artigos abaixo citados.

    “Art.º 5º, XXIII – a propriedade atenderá a sua função social;

    Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:
    (…)
    III – função social da propriedade;”

    Em princípio o instituto da função social teve uma aplicação voltada principalmente para a propriedade (solo), o que implica em uma grande transformação de paradigma eis que a propriedade (solo) desde os primórdios do direito romano era tratada como um direito absoluto. Todavia, com o advento da função social que veio estabelecida pela CF/88 a propriedade passa a ser (não é a palavra correta) mas passa a ser flexibilizada por este instituto. Assim, aquele direito absoluto passa a ser relativizado. Saindo um pouco do aspecto doutrinário e apresentando exemplos, suponhamos que antes dessa mudança nada impedia que o proprietário de uma grande área de terra no centro de uma cidade, mantivesse essa propriedade “parada” esperando a especulação imobiliária valorizar seu imóvel. Não obstante, hodiernamente a CF/88 impõe que essa propriedade cumpra com a função social. Assim, com o advento da Lei 10.257, conhecido como Estatuto da Cidade, houve a regulação desse instituto (função social) no que tange a propriedade (solo). Essa lei criou “ferramentas” para coibir o uso da propriedade que não obedeça a função social.
    Do parcelamento, edificação ou utilização compulsórios (art. 5º)
    Do IPTU progressivo no tempo (art. 7º)
    Da desapropriação com pagamento em títulos (art. 8º)
    Da usucapião especial de imóvel urbano (art. 9º)

    Dessa forma o poder público municipal poderá instituir uma cobrança de IPTU que tenha seu gravame progressivo em relação ao proprietário de um imóvel que não o utilize.

    Como dito alhures, a função social foi originariamente aplicada a propriedade (solo). Entretanto, logo sua aplicação passou a ser ampliada, passando a incidir também sobre os contratos. Novamente houve um relativização sobre a capacidade das partes de firmarem acordo. Ou seja, o princípio do pacta sunt servanta (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pacta_sunt_servanda) sofreu uma mitigação em razão do instituto da Função Social. Assim, os contratos não podem ser realizados quando para sua realização há uma grande disparidade entre os ônus que incumbem as partes. O próprio CDC (Código de Defesa do Consumidor) é resultante disso. Para não me prolongar, essa mesma função social teve aplicação no Direito do Trabalho (CLT), vem exercendo grande influência no Direito Ambiental.

    Após essa brevíssima introdução chegamos ao ponto em que estou aprofundando os meus estudos, o qual trato da função social sobre o Direito Autoral. Cumpre destacar aqui que o Direito Autoral implica em um ramo que tutela várias áreas (Desenho Industrial, Patentes, Direitos sobre obras Literárias, Artísticas, etc), meu trabalho se limita a uma abordagem que foca mais a Propriedade Intelectual. Faz-se necessário destacar que o Direito do Autor é um direito sui generis, havendo uma subdivisão entre direitos morais e direitos patrimoniais. Explicando de maneira bem perfunctória os direitos morais seriam aqueles inerentes a pessoa do autor (direito de ter reconhecido o direito de autoria, etc..) esses direitos são inalienáveis, irrenunciáveis, etc… já os direitos patrimoniais sobre a obra são os proventos resultantes dela (cumpre aqui destacar também que não estou utilizando nenhum rigorismo conceitual, de maneira que busco passar um explicação simplificada). Dessa forma, quando um escritor assina um contrato com uma editora ele está cedendo seus direitos patrimoniais sobre a obra, mas seus direitos morais nunca poderiam ser cedidos, vendidos.

    Assim, o instituto da função social deve ser observado no que tange aos aspectos patrimoniais da obra. É de se destacar que não se trata de retirar o direito do autor de auferir lucros com sua obra, o que aliás é plenamente garantido pela CF/88, ou se acabaria criando um grande desestimulo para a atividade criativa. Todavia, o que se percebe hoje é que a relação entre o autor e o destinatário final da obra não se dá de forma direita, havendo, portanto, a presença de intermediários (as grandes industrias) que são as que mais se beneficiam nessa relação.

    Frente a isso, o princípio da função social busca uma harmonização entre esses três agentes (autor/intermediário/destinatário final). Um exemplo bem fácil de citar é o caso do artigo 46, II da Lei 9.610 que na redação anterior permitia a cópia integral para uso privado. Contudo, após a modificação só é permitido “pequenos trechos” isso implica em um primeiro problema no que tange definir: O que é pequeno trecho?

    Ademais, pense no seguinte, pela atual legislação, se você adquirir um CD de forma completamente legal, ao chegar em sua casa você copia uma música para seu computador. Com isso você acabou de cometer um ilícito penal (vejam que é diferente de pirataria/contrafação que é crime), se você ainda copiar outra vez para seu próprio celular, novamente você cometeu o mesmo ilícito.

    Levando isso para o campo literário, posso citar o exemplo de um grande autor que tenha suas obras reconhecidas e que após morrer os seus herdeiros por não entrarem em acordo quanto a forma que se dará a divisão dos lucros resolvem proibir a reprodução da obra. Assim, a população seria a maior prejudicada pois não teria como ter acesso a tais obras. Ou ainda, suponhamos um caso de outro físico famoso que tenha contribuído com grandes descobertas, produzindo insofismáveis obras, não obstante após esgotarem suas obras ele decide não produzir uma nova edição. Uma vez mais os maiores prejudicados seriam as pessoas que não teriam acesso a tais obras.

    Há ainda outros casos que não me recordo no momento. Todavia, são sob esses aspectos que cumpre observar a função social. Ou seja, o direito particular do autor não pode sobrepor-se ao direito coletivo das pessoas de terem acesso a educação, informação e cultura. Há ainda outras abordagens que podem ser feitas, como a levantada pela Professora Helenara Martins Braga Avancini – PUCRS (javascript:open_window(“http://verum.pucrs.br:80/F/LHJVXKGNX71LYXI5U3F7P27FJGF61PTPK28DBQGFKNMD4IHKVF-12909?func=service&doc_library=PUC01&doc_number=000418932&line_number=0001&func_code=WEB-FULL&service_type=MEDIA”);, que em sua tese de doutorado demonstra como o excesso de proteção autoral acaba implicando em prejuízo do direito de concorrência, e sucessivamente na própria livre iniciativa também garantida pela CF/88.

    Por fim, acredito que no caso do André o que tenha ocorrido é o delito de plágio. Não obstante, o site do Ceticismo.net (ao menos na sua página inicial) não define o modelo de proteção no que tange aos artigos. Dessa forma (não havendo menção expressa) se aplica o Copyrights (todos direitos reservados) ao contrários de outros sites que utilizam a Creative Commons (com alguns direitos reservados – muito interessante por sinal). Então no caso citado pelo André, é evidente o desrespeito daqueles que copiaram na íntegra o seu artigo sem observar os requisitos legais que lhe eram devidos.

    Já antecipo os pedidos de desculpa, pelos erros e imprecisões pois não revisei as informações já que estou deixando esse comentário aqui do trabalho :wink:
    Mas a Fátima (que nunca mais vi postar por aqui) talvez possa retificar os eventuais erros nas minhas afirmações.

    hiltongil respondeu:

    @André, “Só depois de eu virar pastor evangélico.” Tá de sacanagem né André? Imagina só o André como os leitores já o conhecem, após se “graduar” como pastor e vindo posteriormente a tornar-se advogado… Seria o próprio “anticristo” sob a face terrestre! :smile:

    Renato Kistner respondeu:

    @hiltongil, Vc ainda não terminou a monografia e já é um bacharel ou eu entendi errado?

    hiltongil respondeu:

    @Renato Kistner,
    “(em tempo sou ainda um reles bacharel…)” ainda bacharel, colo grau apenas no próximo semestre. Mas no domingo passado realizei a 2ª fase do exame da OAB, e apesar de o resultado sair apenas dia 08/12 acredito que eu tenha conseguido obter a média necessária. Assim, bastará eu colar grau no próximo semestre para ser um ADEVOGADO e sacanear as pessoas como diz o André hahaha

    Renato Kistner respondeu:

    @hiltongil, Eu também fiz essa prova. E o resultado sai dia 06 e não dia 08 (vide edital http://oab.fgv.br/home.aspx?key=112)

    hiltongil respondeu:

    @Renato Kistner, Pois é, nem verifiquei a data em que o resultado será divulgado, ainda tô correndo atrás da monografia e das outras disciplinas que tenho que ser aprovado. De qualquer maneira boa sorte para nós. Ou melhor, como dizia um professor meu da processo penal: “Para que estudou, boa prova. Para quem não estudou, boa sorte”.

    hiltongil respondeu:

    @Renato Kistner, :oops: ops… bacharelando… é meu espírito de advogado falando mais alto.. heheheh valeu pelo toc.

  9. 9. Nihil Lemos disse:

    O que é ICBM?

  10. 10. Nihil Lemos disse:

    AQUI temos um exemplo tirado DAQUI.

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