Grandes Nomes da Ciência: Malba Tahan

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homemquecalculava.jpgPara quem tem mais de 40 anos, seu nome foi um paradigma no ensino. Para quem tem 30 anos, seu nome é conhecido. Para quem tem menos de 15… bem, só deve conhecer o Justin Bieber, mesmo. Suas histórias (não estou falando do Justin Bieber) maravilharam gerações, muito anos antes que o lixo editorial como a saga do Crepúsculo pulasse de alguma fossa e invadisse livrarias. Malba Tahan nos deu a fantasia de um mundo e época distantes, tão alienígena a nós como estas bandas emos de agora.

Devo lembrar que isso é de uma geração pré-internet e nossas viagens pelo conhecimento se davam pelos livros. Hoje, muito mal pegam o bondinho do emeesseene e do orcúte. Os únicos bondinhos seguidos por burros.

Para homenagear o fabuloso autor e mestre, peço uma licença poética para escrever no mesmo estilo (ou me contentando a uma cópia bem grosseira) de escrita que tanto nos maravilhou.

Ah, meu amigo, que bom que estás aqui. Deixai-me contar um pouco de minhas aventuras, pois longa e fria é esta noite, assim como longa e fria era a noite na qual eu vinha numa longa viagem pelas terras inóspitas do deserto, acompanhando uma caravana de camelos.

Sabei, meu amigo, que belas são aquelas terras desoladas e imagino por que os bons e humildes beduínos se recusam a deixar aquela vida. A noite no deserto não tem a poluição daqui, bem sabes. O céu é limpo e puro, iluminado por uma quantidade incontável de estrelas. A lua, em forma de foice, suspendia-se no horizonte e o velho beduíno, chefe da caravana, vinha de tenda em tenda para saber se estávamos bem. Eu estava na entrada da minha tenda e vi seu vulto esguio aproximar-se de mim. Não sei quantos anos ele tinha na época, pois a vida no deserto é inclemente e seu rosto era vincado pela força do tempo e dos caminhos arenosos. Mas seus negros olhos, brilhantes e vivazes, traziam toda a candura e bondade dos de sua tribo.

O bom beduíno chamava Aziz e perguntou-me se eu estava bem e se precisava de algo. Eu lhe disse que estava bem e agradeci. Perguntei se ele aceitava tomar um café comigo. Tu sabes, meu bom amigo, que o café vendido nos suks são muito mais aromáticos e saborosos que os daqui? Pois, é. Aziz aceitou e sentou-se de frente a mim.

– Percebo, meu bom viajante – disse-me Aziz – que não és daqui.

– Não, de fato não o sou. – Respondi.

– O senhor é um fiel?

– Temo que não seja considerado como sendo “fiel” à maioria dos que me fazem esta pergunta. Minha fidelidade, meu bom senhor, se resume a fazer o que posso em prol das pessoas, e nada mais.

Vi Aziz baixar a cabeça e falar de si para si. Muito provavelmente, ele pedia por minha alma a Alá,o Exaltado, cujo nome é referenciado por 99 epítetos pelos seguidores do Alcorão. Não o incomodei em dizer que não era o que se podia chamar de ateu. Mas aquele bom homem não praguejou ou me amaldiçoou. Era uma pessoa de bom coração.

– Diga-me, meu bom Aziz. Os outros me contaram que o senhor é um bom contador de histórias. Será que poderia contar-me uma história de vosso repertório?

Creio eu que Aziz gosta de contar histórias e ainda mais quando há um ouvinte interessado. Ele ergueu-se como se fosse impulsionado por uma mola e fincou sua vara de tocar camelos no chão, de forma que ficasse perfeitamente reta. E assim, ele começou a me contar…


Em nome de Alá, o Clemente e Misericordioso, enganam-se aqueles que dizem que o conhecimento só pode ser passado em centros e escolas. Podemos encontrar belas passagens edificantes em todos os lugares, ainda mais quando obras são escritas por bons homens, cuja cultura é passada de geração em geração. Assim se deu com o ilustre escritor El-hadj xerife Ali Yezid Izz-Eddin Ibn Salim Hank Malba Tahan. Sabemos que ocidentais preferem nomes mais curtos (mas não tão curtos como os chineses), por isso ele é conhecido apenas como Malba Tahan.

O ilustre Malba Tahan. Segundo contam, nasceu em 6 de maio de 1885, na aldeia de Muzalit, nas proximidades da antiga Meca. O título “el-hadj”, meu senhor, é dado àqueles que fizeram peregrinação à Meca, o que é uma obrigação a cada muçulmano. ‘Xerife” significa que ele era de família nobre, sendo talvez até mesmo descendente do Profeta (com ele a oração e a glória).

Malba Tahan era um homem culto, inteligente e bom amigo. Foi escritor, prefeito, diplomata, exerceu muitos cargos públicos, nunca deixando que as benesses da vida lhe maculassem a alma. Sempre foi bom companheiro, marido exemplar e político honesto, preocupando-se com as necessidades do povo da região que ele ajudava a governar. Entretanto, o que pouca gente sabe, meu bom viajante, é que Malba Tahan na verdade não era árabe e sequer era muçulmano. Malba Tahan não nasceu em Meca e muito difilmente teria exercido algum cargo político na região, posto que ele nunca pisara no Oriente Médio. Malba Tahan era o pseudônimo literário do ilustre professor brasileiro Júlio César de Mello e Souza.

juliocesarmeloesouza.jpgDe fato, o professor Mello e Souza nasceu em 6 de maio, mas do ano de 1895. Em 1913, ele entrou para o curso de engenharia civil, mas sua carreira de engenheiro daria lugar ao seu verdadeiro talento: o Ensino.

A época do prof. Mello e Souza, era a época mágica onde cursos de Pedagogia praticamente eram inexistentes, Paulo Freire ainda não tinha dado o ar de sua desgraça e as besteiras piagetianas não tinham virado moda. A época do prof. Mello e Souza era a época de ouro do Ensino, onde as escolas públicas gozavam da melhor qualidade possível. Ainda assim, o ilustre Júlio César, cujo nome imperial é bem apropriado, achava que o Ensino estava completamente errado. Segundo sua visão, os professores de matemática eram sádicos, pois complicavam coisas sem necessidade. E olhe, meu bom viajante, que ele não conhecera o que vocês chamam de PCN.

O professor Mello e Souza achava que as crianças tinham que pensar, mas se divertir pensando. Estimulava seus alunos com problemas reais, sem fugir de dificuldades, mas dando motivos para executarem as tarefas. Fazer de suas aulas agradáveis não significava entregar todo o conteúdo de mão beijada, rendendo-se às aprovações automáticas, Tais coisas modernas não existiam, o que existia era que o aluno tinha que sair da sala de aula sabendo o conteúdo e não com desculpas para não estudar.

O prof. Mello e Souza era um polímata. Deu aulas no Colégio Pedro II e na Escola Normal, lecionando diversas disciplinas; desde História, Geografia e Física, até se fixar no ensino de Matemática, sua paixão. Mas foi a carreira de escritor que seu nome ganhou a fama. Ele passou a adotar o pseudônimo de Malba Tahan e nos fez viajar na imaginação, com suks, odaliscas, príncipes, viajantes, aventureiros, caravanas, sultões etc. Não havia violência em suas histórias e mesmo vizires de moral pérfida sempre eram sobrepujados até mesmo por escravos de inteligência afiada. Adotou o pseudônimo de Malba Tahan, alegando ser uma obra traduzida pelo prof. Breno de Alencar branco, outro pseudônimo do prof. Júlio César.

Seu mais famoso livro é, com certeza, O Homem que Calculava, onde ele narra as aventuras do matemático persa Beremiz Samir, um homem notável que conseguia contar quantos pássaros havia numa revoada. Sendo instado a contar quantos camelos havia numa numerosa cáfila, ele achou que seria muito fácil contar um por um. Ele contou num volver d’olhos todas as orelhas somadas ao número de patas, somou uma unidade e dividiu por 6.

Oh, não me olhe com espanto, meu bom viajante. Queres saber o porquê de somar uma unidade? É que ele percebeu que um dos camelos tinha uma orelha a menos. Engenhoso, não? Mas, meu amigo, isso não é nada perto dos engenhos matemáticos que ele usou para resolver problemas que pareciam insolúveis. Permita-me ser um pouco prolixo e descrever com detalhes o caso dos 35 camelos.

Beremiz vinha com seu amigo Hank Tade-Maiá. Ambos dividiam um camelo e a certa altura ouviram uma discussão. Por entre pragas e impropérios gritavam, furiosos:

– Não pode ser!
– Isto é um roubo!
– Não aceito!

Beremiz procurou informar-se do que se tratava, afim de ajudar a resolver o problema.

– Somos irmão — esclareceu o mais velho — e recebemos como herança esses 35 camelos. Segundo vontade de nosso pai devo receber a metade, o meu irmão Hamed uma terça parte e o mais moço, Harin, deve receber apenas a nona parte do lote de camelos. Contudo, não sabemos como realizar a partilha, visto que a mesma não é exata.

– É muito simples – falou o Homem que Calculava. Encarrego-me de realizar, com justiça, a divisão se me permitirem que junte aos 35 camelos da herança este belo animal, pertencente a meu amigo de jornada, que nos trouxe até aqui.

Hank Tade-Maiá protesta, mas Beremiz o tranqüiliza dizendo que está tudo sob controle e que ele verá aonde ele queria chegar.

– Agora – disse Beremiz aos irmãos – de posse dos 36 camelos, farei a divisão justa e exata.

Voltando-se para o mais velho dos irmãos, assim falou:

– Deverias receber a metade de 35, ou seja, 17, 5. Receberás a metade de 36, portanto, 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saíste lucrando com esta divisão.

E, dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:

– E tu, deverias receber um terço de 35, isto é, 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, ou seja, 12. Não poderás protestar, pois tu também saíste com visível lucro na transação.

Por fim, disse ao mais novo:

– Tu, segundo a vontade de teu pai, deverias receber a nona parte de 35, isto é, 3 e tanto. Vais receber uma nona parte de 36, ou seja, 4. Teu lucro foi igualmente notável.

E, concluiu com segurança e serenidade:

– Pela vantajosa divisão realizada, couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo, e 4 ao terceiro, o que dá um resultado (18+12+4) de 34 camelos. Dos 36 camelos, sobraram, portanto, dois. Um pertence a meu amigo de jornada. O outro, cabe por direito a mim, por ter resolvido, a contento de todos, o complicado problema da herança!

Que mimo de problema, não é mesmo, meu bom viajante! E a solução? Fantástica! Simplesmente, Beremiz percebeu que o que ele tinha era apenas um problema de equação do primeiro grau. Assim, temos:

Número total de camelos =

trintaecinco.jpg

Camelos destinados ao irmão mais velho =

trintaecincomeios.jpg

Camelos destinados ao irmão do meio =

trintaecincotercos.jpg

Camelos destinados ao irmão mais novo =

trintaecincononos.jpg

Soma das partilhas = umdezessetedoizoito.jpg

Como podemos ver, a soma não é exata, pois há uma sobra de dezessete oitavos. Quando Beremiz adicionou mais um camelo à equação, ele fez com que a sobra fosse maior, apesar de atender folgadamente a distribuição da cáfila. Engenhoso, não? Assim, ele pôde ficar com dois camelos de sobra, onde um foi devolvido ao seu amigo e companheiro de viagem e o outro ficou para si, um lucro nada desprezível.

Assim era o mundo das histórias de Beremiz Samir, como de outros personagens. Em As Aventuras do rei Beribbê, o rei desmonta um enorme esquema de corrupção apenas adicionando uma única letra ao seu nome. Em Lendas do Oásis, vemos diversas situações, onde o bem sempre vence o mal, não por força, mas pela astúcia e o conhecimento. Suas obras venceram o tempo e se tornaram imortais, seus livros foram traduzidos em diversos idiomas, inclusive o árabe! Foi uma época onde as pessoas sonhavam, tinham amor pelas viagens e o aprendizado, coisa que não se vê mais, pois hoje há quem venere o mais violento, o de índole mais perversa, não temos mais heróis. Queira Alá, o Inescrutável, que o bem sempre vença o mal e que os de má índole sempre paguem por suas transgressões. Uassalã!


A lua já estava tão alta que a vara fincada no chão não tinha sombra. Dei uma moeda de ouro ao bom beduíno e este a recebeu com as duas mãos, simbolizando que o presente era por demais pesado e valioso e me disse shukram. Assim que ele virou-se e foi visitar outros viajantes, eu ponderei sobre como nosso ensino caiu de qualidade, quando a fantasia é vista com olhos tortos e as manias psicoeducacionais destruíram nosso aprendizado, engessando professores e alienando alunos. Quando mencionei o Homem que calculava para ajudar no ensino de matemática, m,e falaram que não, que ele não é construtivista (se bem que outros me disseram que ele era por demais construtivista e não sócio-interacionista). Não se faz mais professores nem mestres, apenas especialistas em pseudotécnicas que nunca funcionaram nem nunca funcionarão.

Olhei pro alto e vi a estrela Sirius, que os árabes chamam de Al-Schira, brilhando com sua luz indiferente e fria, e fiz um pedido para que este tempo volte, mesmo sabendo que não retornará. Há coisas que são únicas na vida e uma delas foi o ilustre professor Mello e Souza, cuja luz se apagou no dia 18 de junho de 1974, mas seu legado ainda vive no coração daqueles que ainda possuem imaginação e amor pelo que ensinam. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro decretou o dia 6 de maio como sendo Dia do Matemático, mostrando que até mesmo políticos de vez em quando têm algum reconhecimento pelo trabalho dos professores; pena que esse reconhecimento seja só para votar datas. Ainda assim, que sirva de lembrança que mesmo no calendário Júlio César de Mello e Souza, cognominado Malba Tahan, é um dos Grandes Nomes da Ciência.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Gutenberg

    Em minha opinião, os livros de Malba Tahan deveriam ser leitura obrigatória nas escolas, seriam um bom incentivo à leitura, além de fazer a matemática menos desprezada pelos alunos.

    Eu já era louco por livros aos dez anos de idade; nessa idade, já tinha lido todo o Sítio do Picapau Amarelo e os livros infantis de Érico Veríssimo, sem contar os inúmeros gibis da Turma da Mônica. No entanto, foi O Homem que Calculava (que ganhei de presente da minha avó) que me fez ver a matemática com outros olhos, e passar a admirá-la ao invés de a odiar.

    E, André, belo texto. Como estamos falando de uma narrativa no estilo árabe, faltaram exageros, mas o texto ainda é digno de nota.

    Administrador André respondeu:

    Livros do Sítio do Pica-Pau Amarelo não podem ser mais usados. Tem muito texto e quase nenhuma ilustração, fora a pedofilia velada do título. Malba Tahan é antipedagógico e politicamente incorreto (um dos personagens fuma!!) e gibis da Turma da Mônica estão sendo banidos das bibliotecas de colégios por serem anticulturais e estimular a violência.

    Gutenberg respondeu:

    @André, Trate de arranjar um sarc mark pros seus comentários. Tenho certeza que pelo menos uma dúzia de leitores vai levar seu comentário a sério.

    Administrador André respondeu:

    Mas não foi sarcasmo, eu falei sério! Infelizmente, esta “cultura” (agora, qq merda é “cultura”) do politicamente correto infestou o Ensino. Vá a algum colégio e dê uma olhada na Biblioteca. No máximo, vc encontrará aquelas coleções babacas bem resumidas. PORRA, eu li a Odisséia no texto (quase) integral (ok, era sob a narrativa de prosa, mas ainda era o texto sem muitos resumos). Li Tom Sawyer, li a Ilha do Tesouro. Veja só os lixos infanto-juvenis que vendem hoje. Um monte de MERDA!

    [EDIT] Take a look: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=578JDB009

    Bem-vindo ao mundo das Polianas Psico-pedarretardadas. Mas ainda há Jedis no mundo: http://blog-do-lucho.blogspot.com/2010/07/porque-o-politicamente-correto-e-maior.html

    Gutenberg respondeu:

    Estou sem palavras quanto a essa hagada… é simplesmente idiotice demais para uma só mente (perturbada, diga-se de passagem).

    Tiago Vieira respondeu:

    @André, Turma da Mônica tem até pornografia! Como o cebolinha pelado! :mrgreen:

    Administrador André respondeu:

    http://eupodiatamatando.com/2010/03/05/o-segredo-de-horacio/

    Assim como Godwin, nada escapa à Regra 34.

    Altius respondeu:

    @Gutenberg, Concordo deveria ser obrigatório em no currículo de matemática ,o livro O “Homem que Calculava” é clássico dos clássicos, pra ter idéia estou olhando agora a 43º edição, e ela é de 1990! É uma leitura pra todas idades, desperta raciocínio aritmético que é simplesmente ferrada no ensino formal, lembro de um japonês que trabalhei que dizia que no Japão a galerinha vai para o chão das fábricas para entender e ver a aplicação prática da matemática! Fazer isso aqui seria barato e faria um diferença disgramada para o aluno, pelo menos no segundo grau, aluno n é auto-motivado isso acontece com 0.1%, o resto só fica no que passam na lousa e decoreba, tem ser chicoteado pra se desenvolver, uma parceria com as empresas para aplicação prática de conhecimento em todas as escolas a partir do 2º grau seria uma bela chicoteada, é uma forma rápida e barata de melhorar nosso sistema de ensino, é por isso que estudar no SENAI por exemplo funciona!

    Administrador André respondeu:

    Fazer isso aqui seria barato e faria um diferença disgramada para o aluno, pelo menos no segundo grau

    Vc não é professor, né? DUVIDO que isso funcione no Ensino Médio. No Fundamental até pode funcionar, mas no Médio? Não mesmo!

    Altius respondeu:

    @André, É André imagino que sei o que esta falando, falta de educação, pais que n estão nem aí, capitalismo (to pagando então faço o que quero), escola pública que é um lixo, pior que minha época que era uma merda, mas imagina, vc tem 50 adolescente em uma sala, mal educados, mandões, violentos, desreipeitosos, resumindo, uns tremendo de uns filho da puta, é raro vc salvar 1 ou 2 que aproveita alguma coisa (é meu amigo , já dei aula sim) vc pegando essa explosão de hormônio com burrice e colocando pra pensar e desenvolver trabalho prático aumenta a expectativa, de repente esse número (1 ou 2) passe para 10.
    Te digo isso que meu primeiro grau tive a sorte de estudar 5º e 6º num colégio assim, a escola era muito incentivada pela empresas que sempre absorviam parte da mão de obra na época, e foi muito positivo sim, agente montava projeto e saia para as empresas desde a 5º série, faz diferença, até hoje sei como faz uma solda elétrica, com o tal carbureto, e também usar esquadros para criar desenhos técnicos,tudo isso no 1º? Funciona, por isso a escola era disputada no braço por que era pública, nego ja saia operando torno pequeno, abrindo e fechando motor etc!

  • Tati

    Na minha época já não havia tanto incentivo, mas no Ensino Médio, os professores pediam para ler alguns livros de literatura brasileira. O primeiro que realmente gostei foi A Moreninha, depois vieram outros, por conta própria, A Divina Comédia, O Príncipe, Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio. Lembro-me de ler quase todos de Alencar e Machado de Assis. Livros com a grossura de uma Barsa (e não, não havia ilustrações, ficava tudo por conta da imaginação). Tempos bons 🙂

    Tiago Vieira respondeu:

    @Tati, Adoro Barsa! Leio uns que tem na minha escola. Ah, vc bonita hein Tati, finalmente uma mulher aqui no cet.net! :mrgreen:

  • Altair5

    Aprendi álgebra lendo livros bem pesados,só li parte do livro do Malba depois e acho que realmente se fosse o contrário o aprendizado teria sido bem mais fácil.Realmente é um ótimo livro. 😉

  • Brisola

    Esse desinteresse não somente pela matemática, mas pelas outras ciências em geral se deve em parte a aprovação quase automática que existe hoje no ensino fundamental e médio (e em algumas universidades também). Ninguém precisa sair sabendo, basta ter 75% de presença.
    Outro fator que contribui para o desprezo pelo estudo por parte dos alunos é a incapacidade dos professores, pelo fato do salário de um professor de escola pública não ser atrativo.
    Semana passada meu primo de dez anos pediu para que eu o ajudasse a estudar para uma prova de geografia. Perguntei o que ele estava aprendendo. Ele simplesmente disse que não sabia porque nessas aulas a professora simplesmente o mandava copiar textos do livro (eu já deveria saber, porque passei da 5ª a 8ª série copiando textos e colorindo cadernos de mapas). Perguntei a ele se a professora conhecia máquina de xerox.
    Quando converso com pessoas de 40 anos ou mais sobre isso eles me falam: -ah, eu tive aula com bons professores, eles eram geralmente mestres e doutores. Não que titulação torne algum professor melhor que outro, mas vê-se que antigamente o professor dominava a matéria.
    Vocês já devem ter visto o método de ensino do professor Prandiano. Aquele parece ser um bom modelo para se aplicar no ensino, pelo fato do aluno já ver uma aplicação prática ao deparar-se, por exemplo, com raízes quadradas.
    Creio que um bom método de ensino, com bons professores, combinado com a leitura do livro O Homem que calculava e umas reprovas para os alunos que não querem saber de nada é a solução (fonte: Capitão Óbvio) para extinguir o homo burrus (não sei como os pedagogos não pensaram nisso ainda).
    De resto, o blog está de parabéns por trazer informações úteis aos seres racionais de nossa sociedade.

  • Só pra registro, tive um gato chamado Beremiz Samir.

  • Uma das coisas da qual eu sinto vergonha de mim mesmo é de não ter lido esse livro. Vou ver um dia aí de lê-lo.

    É que a escola em que eu estudava estava muito ocupada enfiando guela abaixo nos alunos livros como Senhora, Iracema, Dom Casmurro, A Moreninha, As pupilas do senhor reitor.

    Pryderi respondeu:

    Malba Tahan jamais poderia ser lido hoje

    http://ceticismo.net/2013/12/22/por-que-malba-tahan-jamais-seria-bem-visto-hoje/

    Lucho respondeu:

    Já tinha lido esse texto. Motivou-me ainda mais a querer lê-lo. Gosto de ser mal visto pelos outros. 😉