Grandes Nomes da Ciência: Michel Siffre

Das opiniões do Datena num mundo pseudodemocrático
Conhecendo o Egito sem sair de casa

michelsiffre.jpgA maioria de nós tem medo da solidão, do isolamento, de ficar horas, dias, semanas sozinho, num lugar absolutamente isolado, praticamente encerrado num lugar fechado, sem nenhuma companhia. Hoje, com a Internet, muitos conseguem ficar assim, mas estabelecem contatos em redes sociais, brincam nos Facebooks ou conversam via MSN ou outro comunicador instantâneo. Mas tais pessoas dificilmente teriam coragem de enfrentar um abandono por vontade própria, isolando-se completamente da civilização. Aí está o que diferencia homens de meninos, e uma das pessoas que se expôs a este teste e venceu foi um francês, em plena década de 60, onde computadores ainda estavam longe das pessoas comuns e o total autoisolamento serviu de uma das mais importantes pesquisas do século XX. Michel Siffre ficou 2 meses no interior de uma caverna profunda, sem falar com ninguém, sem nem mesmo saber a hora, dia ou mesmo mês.

Michel Siffre nasceu em Nice, França, em 3 de janeiro de 1939. Ele se formou em Geologia pela Sorbonne e ajudou na criação do Instituto Francês de Espeleologia, em 1962. Espeleologia não é a ciência de expelir nada. Espeleologia é a ciência que estuda as cavernas e grutas, reunindo cientistas interessados na exploração, pesquisa e preservação de qualquer tipo de cavidade natural. Ao descer na caverna de Scarasson, formada por uma geleira localizada ao sul da França, Siffre decidiu permanecer lá e estabelecer uma série de experiências sobre nossa fisiologia. Em total isolamento, sem a menor pista da passagem do tempo, Michel Siffre comeu, bebeu, dormiu e fez exercícios, tendo como única orientação seu próprio corpo. Dormia quando sentia sono, comia quando estava com fome. A única comunicação que ele tinha com a equipe em cima era ligar para avisar se ele ia comer, dormir etc. A equipe anotava rigorosamente todos os dados fornecidos, mas não dava nenhuma informação ao nosso corajoso francês.

michelsiffre2.jpgNaquela época, não se sabia nada sobre os ritmos endógenos do corpo humano, o chamado Ciclo Circadiano. Assim, Siffre não podia se influenciar por dados que não existiam; era um verdadeiro tiro no escuro, um verdadeiro ensaio cego. Enquanto americanos e soviéticos mediam forças na estúpida Guerra Fria, o calmo dr. Siffre estava apenas comendo, dormindo, lendo e fazendo exercícios, como muitos de nossos antepassados teriam feito, com a diferença que ele estava conectado a diversos eletrodos que monitoravam suas funções cardíacas e cerebrais (foto ao lado). O mais interessante é saber que o corpo de Michel Siffre começou a seguir um padrão regular. Ele dormia e acordava praticamente na mesma hora e sentia fome em horários constantes. Fora isso, sua noção de tempo perdeu-se por completo!

Depois disso, Michel Siffre ainda realizou mais dois experimentos de longo isolamento. Em 1972, ele passou 205 dias na parte inferior na gruta Cave Del Rio, no Texas, EUA. Apesar de Siffre ter uma ideia do que lhe ia ocorrer durante o período, ao emergir da caverna, sua noção de tempo ainda estava totalmente distorcida. Siffre conduziu sua experiência de isolamento pela terceira vez 37 anos após a primeira. Até então, ele tinha 60 anos, e seu plano era estudar como seus ritmos circadianos haviam se alterado com a idade. Ele entrou na gruta Clamousse no sul da França em 30 de novembro de 1999 e saiu mais de dois meses depois, em 14 de fevereiro de 2000. Abaixo, um extraordinário vídeo gravado na ocasião.

Atualmente, muitos laboratórios estão equipados com quartos que estão completamente isolados de quaisquer tipos de variações luminosas, com som e temperaturas constantes. mas mesmo assim é incrível saber da coragem de um homem em praticamente se enterrar vivo nas profundezas de uma gruta, só para ver até onde vão os limites do corpo e como este reage sem a imposição de nossos relógios mecânicos e digitais, tendo como único guia o relógio interno, o chamado “relógio biológico”. AQUI vocês podem ler uma entrevista dada por Monsieur Siffre à revista Cabinet.

Michel Siffre, o homem que se isolou do mundo por várias vezes no decorrer da sua vida, procurando respostas em si mesmo, como muitos filósofos de outrora teriam recomendado, é um dos Grandes Nomes da Ciência.

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Sobre André Carvalho

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  • MXuinguel

    Alguém sem conteúdo jamais conseguiria esse feito.
    Aliás, para o ser humano vazio, isso seria o próprio inferno.

    “Nunca está só quem está acompanhado de nobres pensamentos.”
    😉

  • Fiquei sabendo sobre esse cientista ano passado, no documentário Tempo. Fazer o que ele fez, pra testar uma curiosidade, seria insano pra maioria das pessoas. Mas pra ciência, insanidades desse tipo traz grandes recompensas.

    Administrador André respondeu:

    Falando em documentários, quando é que vossa mercê colocará conteúdo no seu site?

    Fabricio_R.S respondeu:

    Também me pergunto isso todos os dias. Mas preguiça é uma coisa diabólica.
    Mas agora que você me perguntou, vou tomar vergonha na cara e começar a contar pontos pra ciencia.

    Docsbr, aí vou eu…

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