abr 26

Lagartos e sua reprodução assexuada

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Biologia, Ciência, Ecologia, Genética, História, Tecnologia

teiidae.jpgAlguns lagartos são mais “espertos” que você. Ou melhor, a fisiologia deles é melhor que a sua. No caso das fêmeas de lagartos da família Teiidae, não há necessidade de haver algum machos para se reproduzir. Elas mesmo cuidam disso. Não é que elas sejam lésbicas, exatamente. Partenogênese é um tipo de reprodução assexuada encontrada em muitos organismos multicelulares. Basicamente, o que ocorre é uma divisão celular através por mitoses sucessivas de um só gameta. Não admira que nesse tipo de linhagem só nasçam fêmeas, já que um cromossomo Y aparece do nada só em contos de fábulas e na Bíblia (desculpem a redundância). Talvez aí esteja o segredo do mistério porque Jesus nunca se casou: Ele era menininha!

Bem, voltando ao assunto, pesquisadores estavam atrás do que realmente causa esse tipo de reprodução, já que em Ciência não basta presenciar um fato, é preciso saber o por que desse fato acontecer.

A resposta está no fato de algumas espécies de lagartos estarem isolados geograficamente, isto é, num determinado nicho ecológico só tem fêmeas; logo, sem nenhum rapagão para fazer a côrte, a digníssima donzela situa-se assaz conturbada e procura mitigar os ímpetos biológicos e, outro recurso não tendo, quedam-se as fêmeas em reproduções pela sistemática partenogênese, como nos tempos de antanho (eu acho que ando lendo Machado de Assis de sobremaneira).

Segundo o dr. Peter Baumann, pesquisador-associado do Instituto Stowers para a pesquisa médica, nossas amigas (o feminino de lagarto não é lagarta, hein!) não podem trocar o material genético e essa perda da troca gênica lhes oferece grande desvantagem em um ambiente de constantes mudanças. A explicação disso é que se o ambiente muda, os descendentes terão problemas. Vejam: o que confere resistência a nós, seres de reprodução sexuada (reprodução sexuada não tem nada a ver com fazer sexo), é que a combinação de 2 DNAs diferentes fornecem maiores chances de anticorpos e maior resistência. Logo, os descendentes terão maior chance de sobreviverem, nem que seja um único serzinho em meio a 30 irmãos. Por meio de partenogênese, não há variabilidade genética, reduzindo assim sua capacidade de gear descendentes mais adaptados às mudanças de ambiente. Se o ambiente mudar bruscamente, já era, irmãozinho!

Sem, a variabilidade, há uma chance maior da prole ser acometida de alguma doença ou uma mutação mais danosa. E mutações danosas fazem com que o organismo acabe não estando apto a viver no ambiente. Game Over!

No caso dos lagartinhos supracitados (ou melhor, lagartinhos-fêmeas), possuem uma boa riqueza genética, começando o processo reprodutivo com duas vezes o número dos cromossomos, igual a uma reprodução sexual. Em pesquisa publicada na Nature, os cientistas demonstram como com a hibridização sexual da espécie pode ser diferente, conseguindo manter uma diversidade genética, sem nunca emparelhar seus cromossomos homólogos (como as espécies que são sexuais fazem somando os cromossomos diferentes dos pais).

Segundo Baumann, embora a reprodução assexuada possa parecer primitiva e resultante de processos genéticos questionáveis, ela tem seus benefícios. “Se observarmos apenas um indivíduo, esse tipo de reprodução aumentaria muito as chances de uma população em um novo habitat”, citando o exemplo da cobra-cega de brahminy (Ramphotyphlops braminus) uma outra espécie partenogênica. “Se existe alguma maneira de reprodução sem a ajuda de um macho, isso seria uma vantagem extrema”, tendo em vista que essa espécie de serpente está presente em seis continentes.

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3 respostas para "Lagartos e sua reprodução assexuada"

  1. 1. SandroCeara disse:

    “Talvez aí esteja o segredo do mistério porque Jesus nunca se casou: Ele era menininha!”

    Troll em 3…2…1…

    Acho que ler teus artigos está ativando velhas partes de minha memória.

    Por exemplo, ao ler ” (o feminino de lagarto não é lagarta, hein!)”, a primeira coisa que me veio á mente foi: Aliá (E não, não tem nada á ver com lagartos fêmeas).

    Demente respondeu:

    Aliá fêmea do elefante ou imigração sionista para Israel? :???:

    Ps: desculpe, não deu pra resistir. :mrgreen:

  2. 2. Demente disse:

    Este artigo me fez pensar sobre o futuro da reprodução assistida em humanos.

    Já foi desenvolvida uma técnica capaz de gerar espermatozóides apartir de células tronco adultas masculinas.

    Os próximos passos provavelmente seriam o desenvolvimento do “espermatozóide feminino”, do “óvulo masculino” e de uma técnica de “gravidez masculina”, mas sabem como é:

    Genesis 1:27 – ” E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

    Religiosos fazem bastante barulho por causa de seu livro mágico, que diz que a humanidade é de tal jeito e pronto, atravancando o avanço científico na área. Afinal, no dia que mulher puder fecundar mulher e homem puder fecundar homem, eles terão que rever todas as definições já idealizadas (digo, inventadas) sobre Deus e seus (supostos) propósitos para a humanidade.

    E sabemos o quanto religiosos são preguiçosos nesse quesito.

    Nota: devo ter viajado demais na maionese, mas isso é tudo o que pude pensar para contribuir com o artigo.

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