mar 17

Game Show francês simula o experimento de Milgram: O ser humano não muda

8 Comentários
Escrito por André.
Ceticismo, Ciência, Comportamento, Comunicações, Cultura, Filosofia, Idiocracia, Internet, Mídia, Mitos Desmascarados, Psicologia
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Um documentário a ser exibido hoje na televisão na França trará uma reformulação de um teste ético. Nele, os participantes de um game show foram colocados numa situação tal que deveriam torturar seus rivais no programa, por meio de alavancas que “eletroculariam” os oponentes em cadeiras elétricas falsas. Os “oponentes”, na verdade, eram atores. O resultado? Mais do que previsível: o ser humano é tão ético quanto a minha estante da sala.

O game show foi criado especialmente para o documentário “Jusqu’où va la télé?” (“Até onde vai a TV?”, em português), e será exibido pelo canal estatal France 2. Segundo os produtores do documentário, o objetivo do game show é mostrar como as pessoas podem se comportar de forma inaceitável em “reality shows”. Ele recria um experimento da década de 1960 que propunha testar os limites do senso ético das pessoas e ficou conhecido como Experimento de Stanley Milgram.

Similar ao experimento criado pelo psicólogo Stanley Milgram, o falso game show induz os participantes a puxar alavancas para aplicar choques elétricos – e aumentar a voltagem continuamente – em seus rivais, que ficam amarrados em cadeiras elétricas. Este tipo de experimento é chamado “Mono-Cego”, pois os participantes não são informados de que seus oponentes, que estão amarrados nas cadeiras elétricas, são na verdade atores, e que não há choque nenhum sendo aplicado.

O objetivo do teste é avaliar quantos participantes em um ambiente de TV concordam em agir contra seus próprios códigos e princípios morais quando orientados a fazer algo extremo. Obviamente, partindo do pressuposto que os participantes tenham algum senso de ética e princípios morais, é claro.

O resultado foi bem de acordo com o que Milgram fizera, pois 82% dos participantes concordaram em puxar a alavanca, acreditando que estavam aumentando a dor nos seus rivais. Como toda a atmosfera tem que ser o mais real possível para os débeis mentais, digo, as cobaias não perceberem que eles estavam sendo estudados, criaram um pano de fundo bem semelhante a um game show real, com uma plateia berrando “punição!” e uma apresentadora, com atributos físicos bem adequados à situação (aka, gostosa), encorajando os participantes a aumentarem a voltagem, de modo a ganhar os prêmios.

Como pode-se ver, o ser humano continua o mesmo sádico de sempre, e completamente de acordo em fazer qualquer coisa para meter a mão numa grana. O resultado impressionou os produtores do documentário por ver que os psicóticos participantes obedeciam cegamente às ordens sádicas da apresentadora, embora que eu não veja como pode se impressionar com tão pouco.

Pouco? Sim, pouco. Muito pouco. Vamos lembrar que muitos se matam, explodindo um bairro inteiro em atentados, a troco de que? Dinheiro? Não, só para ser considerado “grande” perante um deus qualquer, a título de Guerra Santa.

Guerras não fazem ninguém ser grande!
- Mestre Yoda

Vemos em experimentos assim que o ser humano não tem ética, pois Ética é apenas um conceito, e conceitos não existem no mundo real. Nós apenas o idealizamos, mas ele não aparece quando a pessoa precisa (ou acha que precisa) passar por certos detalhes (como o sofrimento alheio) para conseguir o que quer. Isso mostra o porque das atrocidades em nome da Fé ou até mesmo de débeis mentais que ficam se digladiando por causa de time de futebol.

O Guz perguntou se o que ocorre no Oriente Médio é culpa das religiões. Não necessariamente DAS religiões. As religiões foram criadas por pessoas como os idiotas como os que eletrocutam (de verdade ou mentira, não importa). Estão baseados no mesmo senso ético que inexiste neles. Fazem o que autoridades mandam, só isso. As mesmas autoridades que criaram livros loucos e sanguinários, que mandam odiar os pais e exterminar quem não se submeter à sua religião (infelizmente, não é só a Bíblia que ordena isso). Então, quem somos nós? Como pudemos sobreviver enquanto sociedade todos esses milhares de anos? Não sei, não há resposta. Estamos aqui ainda por mero acaso, mas em muitas oportunidades estivemos de nos aniquilar mutuamente.

Se um deus projetou o ser humano assim, este deus tem sérios problemas com definições sobre o que é certo e errado.


Fonte: BBC Brasil

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8 respostas para "Game Show francês simula o experimento de Milgram: O ser humano não muda"

  1. 1. Demente disse:

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    “O resultado? Mais do que previsível: o ser humano é tão ético quanto a minha estante da sala”.

    :lol:

    “Como pudemos sobreviver enquanto sociedade todos esses milhares de anos?”

    Também não tenho uma resposta, mas tenho minhas teorias:

    1) Desde o início dos tempos, pessoas de bom senso apenas escondem que pensam diferente, enquanto os malucos se matam e matam aqueles que pensam diferente (mesmo aqueles que não conseguem esconder que não são malucos);

    2) Quando as pessoas sensatas atingem posições nas quais se tornam capazes de direcionar uma grande quantidade de malucos, ocorrem grandes avanços em termos comunitários, como leis eficientes e novas tecnologias, o que acaba levando para…

    3) O fato de que as novas gerações tendem a gerar uma enorme quantidade de malucos e algumas poucas pessoas sensatas, recomeçando o ciclo.

    Apesar do sarcasmo inerente das besteiras que escrevi, acredito que uma sociedade só começa a avançar no momento em que deixa de ignorar, expulsar ou mesmo matar seus gênios (se alguém lembrar quem disse isso antes de mim, eu agradeço).

  2. 2. leandrosansilva disse:

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    Permitam-me discordar da conclusão do autor. Para mim experiências como esta não mostram como o ser humano é um ser antiético, mas sim como a natureza humana não nos tira a possibilidade de sermos antiéticos.

    Há muita diferença, por incrível que pareça. Geralmente pessoas que gostam de afirmações do tipo “o serumano isso ou aquilo” se esquece que também é um homo sapiens. Não é algo realmente sério e trata-se de uma generalização ofensiva, mas imagino que se vc perguntar para 99% das pessoas do Brasil: “Você acredita que 99% da população brasileira é composta por débeis mentais”, é bem provável que 99% responda que sim, sendo os 99% tentando se encaixar nos 1% de inteligentes restante.

    Frases como “O ser humano é resistente à mudança” normalmente são ditas por pessoas que acreditam serem flexíveis à mudanças, tentando se caracterizar num patamar superior ao de mero humano.

    Em minha opinião – sim, opinião, sem bases científicas nem muita ponderação – somos culturalmente a agir segundo comportamentos animalescos. E concordo que isto não difere muito com a conclusão do autor, mas a forma como isto é exposto é que não concordo muito.

    Dizer “o serumano é” é tentar justificar uma ação culpando algo anterior à ela, algo que não está no controle dela. “É a natureza humana”, dizem, o que tem o mesmo efeito que dizer “deus quis assim”, não havendo possibilidade, dentro deste raciocínio, de se fazer uma crítica ao objeto da discussão, aquilo que é consequência deste “querer de deus” ou “natureza humana”.

    Não estou dizendo que não temos uma natureza, um comportamento animal. Só que acredito que sejam os comportamentos culturais e sociais os que mais interferem em nossas ações e julgamentos. Mesmo nestas situações pseudo-extremas ,pois que extremismo real há em reality shows, por ser tudo uma farsa (desafios fictícios com único objetivo de entreter)?, creio que a bagarem cultural de cada um dos testados tenha disso determinante para o comportamento sádico percebido.

    Mas quem quiser me passar mais artigos e estudos provando ou reforçando o contrário, aceito na maior paz :-)

    Abraços.

    Demente respondeu:

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    @leandrosansilva,

    Quando perceber, estará arremessando tijolos.

  3. 3. Sorete disse:

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    Vou opinar desconhecendo os parâmetros do game show em questão.

    Se ficar estabelecido que o sujeito a ser eletrocutado não trata-se de uma criança, escravo, deficiente mental ou um animal irracional, e que em sã consciência esse sujeito escolheu e aceitou fazer aquilo, mediante contrato legal com testemunhas e sem qualquer coação, não vejo razões para não puxar a alavanca, afinal o sujeito está se submetendo àquilo porque quer e sabe das consequências.

    Claro que a maioria das pessoas ignora toda essa confirmação e assume que, ambos estando em um país democrata, o sujeito na cadeira elétrica concordou com aquilo. Ainda mais achando que “podem” ser atores e não ter corrente elétrica na cadeira.

    Administrador André respondeu:

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    E nas condições do experimento de Milgram?

    Sorete respondeu:

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    @André, a mesma coisa. Opinei pensando no experimento.

    O ruim é que em vez de lógica eles usam intuição e empatia pra decidir se procedem com o choque ou não, e como o retorno é incerto ou falso, só pode dar merda.

  4. 4. Tanatos disse:

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    Penso que deve ser considerado que, nessa situação, com um apresentadora dizendo “aperte o botão”, a plateia gritando “punição!” e, ainda, uma promessa de recompensa em dinheiro trasem uma sensação de impunidade e isenção.

  5. 5. Daniel Sugui disse:

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    Primeiro, não creio que esse experimento tenha o mesmo esmero científico que o experimento de Milgram, por um motivo simples: pessoas que participam de um game show são predispostas a fazer qualquer coisa para obter o prêmio.

    Dito isto, acho que os seres humanos são, por natureza, egoístas. As pessoas têm que parar de achar que são superiores aos outros animais. Somos animais como os outros, apenas temos traços evolutivos diferentes: nosso raciocínio, nossa moralidade, nossa linguagem são características que auxiliaram nossa sobrevivência. Mas ainda somos animais, ou melhor, formas de vida, em plena competição pela seleção natural. Somos compelidos a passar nossos genes adiante, e para isso tomamos atitudes em nosso benefício.

    Não acho o resultado desse teste impressionante ou fora do normal, nem acho que a sobrevivência da humanidade seja um mistério insolúvel. A seleção natural explica ambos.

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