A injustiça do Inferno
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Tags: amor cristão, falácias, inferno
Muitos de nós somos familiarizados com o inferno. Este faz parte de nossa perfurante herança judeu-cristã, e tem se tornado uma parte tão aceitável de nosso entendimento de Deus e Justiça, que alguns param para analisar quão horrenda é essa idéia de fato. É como crescer perto de um abatedouro, o cheiro e os sons que revoltam os outros são dificilmente notados por nós que vivemos lá por toda a vida. Ao invés de olharmos com nojo das práticas das culturas pagãs primitivas, adoradores de Satã e Comunistas, enquanto ignorando o grande ultraje moral do inferno de nossa religião. Até o mais sanguinário e cruel dentre nós não poderia aspirar o que o Deus Cristão tem esperando para seus Filhos.
Para aqueles pouco familiarizados com o entendimento de Inferno do evangelho cristão, dê uma olhada nessa descrição de Southern Baptist. Mesmo aqueles de nós para os quais o inferno é uma concepção, esta narrativa decidida com morais simplórias, destrói nossa sensibilidade. Ou deveria. Mas para milhões de cristãos, está tudo bem. Eles oram a Deus todo domingo de manhã por seu amor e misericórdia, todos estes alguns convencidos que a punição para os descrentes no inferno soa completamente ético e moral. Para estes não existe holocausto humano, nada injusto nisso. É uma conseqüência merecida criada por seu “bom” e “justo” Deus.
Uma punição injusta
Um Deus justo, eles dizem, precisa punir aqueles que pecam. Por causa de nosso pecado, merecemos ser punidos, evidentemente em qualquer horrível forma que Deus vê como cabível. Assim como os pais precisam punir seus filhos desobedientes, Deus precisa nos punir. Então vamos tomar a analogia deles e examiná-la mais a fundo.
Punições podem ser quebradas em dois tipos: Passiva e Ativa. Punições Ativas são punições infligidas pelos pais, como espancamento. Punições passivas, em outra mão, têm mais a ver com conseqüência, como se queimar em um forno quente depois de ser dito para não tocá-lo. Aqui, a punição ocorre, mas os pais não a causam ativamente. Vamos dar uma olhada em punições ativas a princípio.
Se uma criança desobedece a seus pais, é normalmente próprio ao pai disciplinar esta criança. Transgressões mais severas requerem punições mais severas. De qualquer forma, existe um limite – Uma criança merecedora de punição não merece qualquer forma de violência causada por isso. Pôr fogo na sua criança, por exemplo, é uma punição inaceitável. Porquê? Porquê é desumano fazê-lo. Não é mais uma questão de PUNIÇÃO, mas de tratamento ético a outro ser humano. Não apenas pôr fogo em alguém seria posto como crime. Existem punições que não seriam um crime.
Que queimar alguém até a morte é desumano, é óbvio. O que aparentemente não é, de qualquer forma, é que o comportamento antiético ou o abuso não se tornam menos errados, só porquê um Ser Supremo o faz. Se de alguma forma, isso se torna mais “antiético”, por mais inteligente e sábio que seja este ser, mais a ética devia ser contraditada quando exercida pelo mesmo. Punir pessoas ativamente nos fogos do inferno é abuso da ordem maior. O diabo mesmo não poderia causar nenhum mal.
Mas se o inferno é a conseqüência natural do pecado, seria o mesmo que ser queimado como resultado de por suas mãos no fogo? E se Deus não nos manda para lá mas nos avisa sobre o mesmo? Por acaso o inferno se torna mais justo nesse caso? Alguns Cristãos pensam que sim. Usando um argumento de punição passiva, eles proclamam que Deus é como um pai que diz aos filhos para não tocarem no forno, porquê eles se queimarão. Mas se os filhos tocam de qualquer forma, o resultado é culpa das crianças e não dos pais. Ou é? Aqueles com filhos pequenos ponham um forno no quarto da criança, e veja quão responsável você se sentirá quando uma criança se queimar. Novamente, deveria ser muito óbvio, mas baseado na quantidade de email que recebemos usando estes argumentos sobre o inferno, aparentemente não é. Então vamos decompô-lo.
O ponto crucial da punição passiva é que o inferno é uma conseqüência natural do inferno, e não uma punição infligida em nós por Deus. Este, de alguma forma, remove qualquer responsabilidade moral da parte de Deus para o sofrimento que teremos de aturar. Além disso, ele nos avisou sobre isto, não avisou? Algum argumento pode funcionar, com exceção de uma coisa: Deus criou tudo, incluindo o inferno, e o cenário para o qual a maioria da humanidade deve ir. O que os cristãos esquecem é que, Deus, criando o inferno e então o mecanismo para chegar lá, nos põe na direção do inferno, então nos tentam salvar de um perigo criado por Ele mesmo.
Uma breve visão sobre a história de Adão e Eva ilustra isto. Sabendo que eles não poderiam se conter de comer a fruta “mágica”, o que Deus faz? Ele planta a árvore BEM NO MEIO do jardim. Melhor do que por uma cerca ao redor desta, ou colocando em algumas áreas (como nosso governo faz com materiais nocivos), ele não apenas a coloca explicitamente para que Adão e Eva olhem, mas também os atiça por fazê-lo (O fruto) “agradável ao paladar” ou “bom para os olhos”.
O que aconteceria se os humanos fizessem algo similar? O que aconteceria à loja de rosquinhas que vendesse donuts de chocolate envenenado junto dos donuts regulares? Eles seriam absolvidos de irregularidade só por que colocaram uma plaquinha que dizia que os donuts eram venenosos? E eles seriam os heróis por terem ambulâncias esperando logo na esquina para “resgatar” aqueles que foram envenenados?
Sem piedade ou valor remediável.
O inferno e sua finalidade eliminam qualquer noção de piedade divina que Deus pode possuir. O fato de que o inferno espera pela sua morte limita a piedade de Deus para um mero espaço de tempo da vida humana, mesmo sendo a vida for encurtada por algumas razões. Isso significa que um Deus eterno só pode estender sua piedade até as criaturas por alguns poucos anos no mínimo, e algumas décadas no máximo. Mesmo um humano pode ter piedade para este tempo, muitos pais humanos o fazem por um filho incorrigível. Um pai deve estender sua piedade ao filho indefinidamente, enquanto viver. O inferno, de qualquer forma, elimina qualquer possibilidade de um Deus supostamente onipotente.
E desde que não existe valor remediável para o inferno, nenhuma lição a ser aprendida para ser libertado, serve como propósito além de afligir sofrimento. Nenhum pai responsável faria isso a um filho. Sem nenhuma forma de reverter a situação, a punição do inferno é meramente sádica.
Um holocausto aceitável.
Queimar criminosos até a morte é uma punição cruel antiética, mesmo se feito pelo pior dos ditadores déspotas. Cristãos sabem disso também, por isso é tão intrigante que a maioria deles acha que a prospectiva de queimar uma pessoa viva para sempre é justo e aceitável quando é uma punição advinda de um Deus supostamente amoroso e bondoso. É irônico pensar que aqueles que ouvem com horror aos holocaustos de Hitler, podem sentar-se bem imperturbados sob a descrição do holocausto divino no inferno. Talvez é porque eles não têm fotos de lá.
Quando olhamos para as fotos do holocausto, ficamos enfurecidos. Ficamos enfurecidos nos crematórios, as câmaras de gás, os corpos emagrecidos e os terríveis dispositivos para infligir sofrimento. E ao mesmo tempo, nós nos enfurecemos por alguém que tenha criado este lugar, e cometido tais atos. Nenhuma quantidade de ódio por algum outro ser humano poderia justificar o que foi feito lá. Ainda assim os cristãos nos levam a acreditar que o inferno é um lugar infinitamente pior do que os campos de concentração nazistas. De fato, eles querem que acreditemos que todos os judeus que não se tornaram cristãos antes de morrer, estão agora queimando no inferno, querem voltar aos campos de concentração se tivessem como escapar por um minuto do sofrimento do inferno. Pode ser verdade? Então porque é que os nazistas estão condenados, enquanto o Deus cristão é adorado, quando ele trata as pessoas INFINITAMENTE pior?
Os cristãos fariam bem em se lembrar disto, da próxima vez que virem um memorial ao holocausto. Eles deviam manter em mente que sua religião diz que “Está tudo bem para pessoas serem tratadas desta forma, ou até pior, contanto que Deus o faça.” Mas mesmo se houvesse fotos deste terror, eu temo que muitos cristãos ainda achariam o inferno aceitável. Provavelmente por alguma razão tantos alemães puderam justificar suas ações – eles são apenas judeus, no final. Apenas para marginalizar pessoas, e não realmente considerando-as como humanos, nós podemos aceitar que tal coisa ocorra. Talvez a maior injustiça no inferno do cristianismo é que este nos requer que consideremos as pessoas desta forma. Eles são apenas “pecadores”, no final. E merecem o que terão.
É um dia triste quando consideramos o abuso de um humano ao outro. É também um dia triste quando nos conformamos com tal abuso de Deus.
Ensaio escrito por Emery, traduzido por Leo Rangel, publicado originalmente em Losing My Religion
Para saber mais: O Inferno Desmascarado
5 respostas para "A injustiça do Inferno"
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dezembro 2nd, 2009 em 23:35
Plim
dezembro 3rd, 2009 em 07:29
Jedi Abbadon arrebentando de novo nos trazendo um excelente artigo.
Fico frustado por saber que artigo com esse grau intelectual só servirá para nós mesmos. Nunca, jamais, algum crente entenderá o texto, ou nem mesmo irá lê-lo todo.
Nisso, me veio a cabeça uma questão pior ainda sobre a biblia, e talvez André me ajude nessa:
Segundo a bíblia, Deus disse que Maldito o homem que acredita no homem. E até agora desde o “Dilúvio”, a história de Deus veio passando de homem para homem, pois Deus nunca mais deu as caras. E nenhum homem pode falar que viu/ouviu Deus ordenando algo pois em algum versículo (agora que entra a sua ajuda André) ele diz que ninguém nunca viu nem irá vê-lo.
Então, para acreditarmos nele, o próprio teria que aparecer para nós e provar que existe. E como ele não apareceu e ninguém será capaz de vê-lo, por tanto, todos cometeram pecado acreditando na crença passada de homem para homem, assim, condenando todos ao inferno!
O inferno deve ser como o maracanã em uma final entre Flamengo e Vasco. Por enquanto que o céu se parece com um amistoso de Sport e Ibes, onde no do Ibes, o gandula é o artilheiro do time.
Fabricio_R.S respondeu:
dezembro 3rd, 2009 às 14:09
Encontrei o versículo em 1 Timóteo 6:16:
“Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.”
Será de novo uma referência ao Sol, dizendo a luz inacessível ?
1 João 4:12
Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor.
Nesse nem preciso dizer muita coisa. É por isso que eles vêem paz em meio a guerras. sic sic
dezembro 3rd, 2009 às 16:13
Será de novo uma referência ao Sol, dizendo a luz inacessível ?
Não.
dezembro 3rd, 2009 em 12:58
É assim mesmo só para assustar os outros e punir, mostra que Deus não é ético, mas o religiosos diz que ele nos ama.
saindo assunto:
http://ocapacitor.uol.com.br/quadrinhos/nota-hq_brasileira_conta_a_historia_de_jesus-950.html
Um HQ para o filhos de Ned Flanders.