Projeto prevê desconto nas ligações de gagos

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B-b-b-arbaridade! E-e-e-eu tenho boas novas a vocês, meus caros amigos gagos! Um deputado estadual do glorioso Rio Grande do Sul, compadecido de sua dor ao serem zuados por todos os lados e, pior, tendo problemas com as operadoras de telefonia celular, apresentou projeto de lei reduzindo em até 50% a conta telefônica para pessoas que sofrem de gagueira; mesmo porque, as operadoras cobram por minuto e não é legal pagar a mais só por você estar gaguejando. Não é l-l-legal?

Lealcy – que segundo me consta não é gago, mas tem sotaque mineiro, uai – me mostrou uma notícia do Minha Notícia, onde trazia que o deputado estadual Cassiá Carpes (PTB) propõe um desconto de 50% para pessoas que sofrem com gagueira. Tal notícia já tinha sido aventada pelo jornal Zero Hora, e foi tão interessante que ninguém se ligou até agora.

“Ficou constatado que é um problema hereditário”, disse o deputado à Rádio Assembleia, da Assembleia Legislativa do RS. De acordo com ele, cerca de 700 mil pessoas sofrem com o problema em todo o país. Se aprovada, a proposta alcançará apenas usuários de telefonia móvel do Estado. Para ter o desconto, a pessoa deverá apresentar atestado médico comprovando a sua condição. “Nós vimos outdoors onde dizem que a pessoa fala 30 minutos e paga apenas um (minuto). O gago é invertido, ao fazer uma comparação. Ele pode muitas vezes falar um e pagar 30″, compara.

Dando uma pesquisada, não consegui informação precisa que a gagueira seja exclusivamente hereditário. Segundo o site da Associação Brasileira da gagueira – o ABRA Gagueira (não riam) –, em resposta a um leitor, é dique que:

Já temos estatísticas sobre a hereditariedade na gagueira. Alguns estudos apontam para 60% dos casos e outros 40% dos casos como sendo hereditário. Existem estudos em gêmeos idênticos em que um irmão gagueja e o outro não. Diante destes fatos fica difícil concluir que a gagueira seja herdada e se for o caso, se é especificamente o seu caso e o da sua filha. (português corrigido, porque ninguém merece ler textos sem acentuação)

Fonte: ABRA Gagueira

Político adora maximizar as coisas e criar um cenário apocalíptico, não? Só faltou ele dizer que o gene-X causada por alguma mutação deu origem a X-Gagos.

A Associação Brasileira de Gagueira tem, em sua página na internet, dicas para quem tem o problema e fala ao telefone. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Fluência, 5% da população brasileira (9 milhões) apresenta problemas temporários de gagueira, sendo que quase 2 milhões são considerados crônicos.

A iniciativa do nobre Cassiá não é nova. Em Mato Grosso do Sul, o deputado Diogo Tata (PMDB) entrou com a mesma proposta na Assembleia Legislativa local. O texto do projeto é o mesmo utilizado no RS pelo Cassiá, numa autêntica Kibada Legislativa.

Conforme a diretora educacional do Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), a fonoaudióloga Anelise Junqueira Bohnen, os gagos têm mais dificuldade em falar no telefone do que falando cara a cara com outras pessoas.

“O telefone é o que mais apavora. É muito difícil para eles, pois a pessoa do outro lado da linha não sabe que eles têm essa dificuldade. As pessoas chegam a bater o telefone na cara, pensam que é trote”, relata a especialista no distúrbio.

Apesar de soar engraçado ou, pelo menos, inusitado, gagueira realmente é um problema sério. Pense numa entrevista de emprego. O candidato chega na frente do entrevistador e começa a ratear feito motor de carro velho. O entrevistador, por sua vez, acha que o cara é inseguro e não serve pro trabalho, como coisa que falar diretamente possa ser algum empecilho direto para que alguém trabalhe direito, mesmo sabendo que ele ficará calado a maior parte do tempo.

De minha parte, já pagamos caro demais nas contas de telefonia e acesso à internet (cego tem direito a desconto por não ver as páginas?), logo, as empresas podem muito bem absorver este percentual; no final das contas, elas reajustarão o valor para nós, mortais, com gagueira ou sem gagueira.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Leonardo

    Realmente, o projeto de lei não é tão disparatado quanto parece. A desinformação sobre gagueira é que o faz parecer assim.

    Talvez aqueles que criticam o projeto comecem a mudar de opinião depois de assistir a este curta-metragem:

    Ele ajuda a entender melhor os desafios enfrentados por quem possui a desordem.

  • Spy

    Imagina que eu pensaria que os brasileiros forjariam o atestado comprovando a desordem pra conseguir desconto.

    Leonardo respondeu:

    @Spy,

    Impossível se fazer de gago para conseguir desconto no celular. Gagueira tem assinatura neurológica:

    Pessoas que gaguejam processam os sons da linguagem de uma forma neurologicamente diferente, mesmo quando estão em silêncio

    Spy respondeu:

    @Leonardo,

    Certo, é por isso que escrevi forjariam atestados, e não se fariam de gagos nos exames.

  • Tati

    E para os míopes? Alguma possibilidade de desconto na venda de livros ou no cinema?… 😀

    Leonardo respondeu:

    @Tati,

    Não precisa. Óculos de grau resolve o problema a um custo infinitamente menor e de forma muito satisfatória.

  • Carol

    B-b-b-arbaridade! E-e-e-eu[…], l-l-legal?[…]
    Que senso de humor mais sem graça foi despertado em você hoje. 🙄 Decepção André!

    “(cego tem direito a desconto por não ver as páginas?), ” – Acho que não tem nada a ver, afinal que cego vai pagar Internet?!
    E a situação do gago é diferente, pois um telefone muitas vezes é uma questão de necessidade, ainda mais para quem trabalha. Internet não.

    Administrador André respondeu:

    Ah, claro. Óbvio que ler artigos, notícias, informações etc não é importante. Acho que vou dar uma machadada no meu micro. Enquanto isso vou comprar um jornal em braile ou comprar uma vastíssima coleção de audio-books em português.
    .
    Por um acaso, vc sabia que as inscrições pro ENEM eram feitas SOMENTE pela Internet? Ah, mas isso não é importante, já que cegos não precisam estudar, é claro.

  • Carol

    Internet é importante siiim, mas para eles não seria motivo para ter desconto, a questão foi o desrespeito em relação a uma necessidade deles.
    Claro que sabia, eu fiz. 😀 Fora o fato de seu uso ser ecológico.

    Administrador André respondeu:

    Obrigado por se contradizer. 😉
    .
    E eu não acho a Internet tão ecológica assim. 😛

    Carol respondeu:

    @André, Você gosta de se fazer de desentendido? Você sabe o que quis dizer. Gostaria que te gozassem se fosse um deles?

    Administrador André respondeu:

    Não sou uma pessoa com baixa auto-estima. Eu era sacaneado no colégio por usar óculos grossão. Nem por isso saí um coitadinho.

    Icarus respondeu:

    @André,

    Eu não tenho a menor duvida sobre os óculos hahahaha.

    Um “salve” para os NERDs de plantão, [eu tambem] :mrgreen:

  • Enquanto isso, o bullying contra gagos sinaliza o reinado da idiocracia nas escolas brasileiras, que conservam os velhos valores violentos que idiotizam nossa sociedade:


    Menino é agredido por colegas em escola no interior de SP e vai parar no hospital
    Ele é gago e pode ter sido vítima de “bullying”.
    Secretaria de Estado da Educação e Polícia Civil apuram o caso.

    Administrador André respondeu:

    Violência em colégios sempre existiu e não somente contra gagos.

    Robson Fernando respondeu:

    Isso eu sei. Mostrei uma notícia relacionada ao post, mostrando como o bullying vem vitimando crianças e adolescentes – nas escolas que não mudam os valores vigentes -, incluindo gagos.

    Leonardo respondeu:

    @André,

    Uma pesquisa recente mostrou que alunos com gagueira estão entre os mais prejudicados na escola. Os pesquisadores ficaram impressionados ao ouvir um grupo de adolescentes descrevendo as experiências que tiveram que enfrentar na escola por conta da dificuldade:

    Despreparo de professores e zombaria dos colegas prejudica gravemente alunos com dificuldade de fala.