A religião que agride a inocência das crianças

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Este é mais um artigo para abrilhantar a semana com mais uma insanidade, que esta sendo prolífica de notícias do mundo crental (e não estou me referindo aos evangélicos, mas sim a todos aqueles que possuem religião no qual possuem crenças em seres imaginários).

Mas sei que a religião é a ferramenta perfeita para os seres humanos tentarem desenhar uma quadradura no círculo (para tomar emprestada uma das frases favoritas de Christopher Hitchens), e temos aqui mais um caso, no qual uma criança de apenas 11 anos de idade foi traumatizada por um padre (como se não bastassem as centenas de milhares, como podemos ver o que aconteceu na Irlanda – e há quem diga que a maioria da população irlandesa já foi molestada por religiosos).

Então, trago aqui na íntegra a notícia que foi publicada na Folha no dia 19 de agosto:

Os pais de uma menor de 11 anos acusaram um padre católico de ter agredido a menina por ela ter recebido a hóstia e, em vez de consumi-la, levou-a aos irmãos para mostrar a eles como era, em episódio registrado no norte da Colômbia.

Em entrevista a televisões locais, Samuel Martínez, o pai da menina, disse que a situação aconteceu na igreja Santíssimo Cristo, em La Loma, no departamento de Cesar, norte.

“A menina não consumiu a hóstia, mas foi mostrá-la a seus irmãos, e o padre a perseguiu, pegou-a e lhe deu um tapa”, afirmou Martínez, que lamentou a forma como o sacerdote Ramón Muñoz agiu.

A mamãe da menina disse que, assim como a filha, ficou paralisada pelo pânico e não pôde reagir.
Ela acrescentou que a menina foi incapacitada e que atualmente recebe tratamento psicológico pelo episódio e não quer retornar ao colégio nem falar com ninguém além das pessoas mais próximas.

Os pais da pré-adolescente levaram o caso às autoridades.

A imprensa local informou que embora tenham procurado o padre, não conseguiram encontrá-lo.

Como vocês todos podem ver, este caso ilustra o quanto Dawkins tinha razão em afirmar que as crianças não deveriam ser doutrinadas para assimilarem as religiões dos seus pais, pois elas não possuem consciência formada sobre o que estão aceitando exatamente, não possuem senso crítico para analisar a religião e os seus pressupostos, não possuem formação moral e ética totalmente definida para perceberem a roubada em que estão se metendo, não possuem o direito da escolha para que possam analisar a múltipla variedade de religiões que existem no mundo e então fazer a escolha por aquela que melhor lhe convier (apesar de eu achar que a esmagadora maioria não presta mesmo, tenho uma pequena predileção pelas religiões que adotam filosofias de vida, como é o caso do Budismo, Xintoísmo, Laoismo, Jainismo, etc).

Eu sei que as pessoas aceitam com muita naturalidade que uma criança seja apresentada como sendo uma cristã, uma evangélica, uma muçulmana, uma judia e assim por diante. A religião está tão entranhada na vida das pessoas no mundo de hoje, tanto quanto herdamos a língua paterna, o patriotismo pelo país em que vivemos, os costumes sociais que adotamos, e assim por diante. Ou seja, é uma bagagem cultural que carregamos.

Com a diferença de que já não tem mais o valor de antigamente. Não há mais rituais, não há mais significado, não há mais a mística de antigamente, não há mais a ligação com a comunidade, não há mais a consciência da integração com o mundo, não há mais o encantamento. com o sagrado e o profano. Simplesmente é recebida com indiferença, impessoalidade, uma etiqueta social.

Mas é claro que as pessoas ficariam chocadas se alguém lhes apresentasse crianças tucanas, crianças petistas, crianças nazistas, crianças comunistas, e assim por diante. E as pessoas diriam que são muito novas para terem essas filiações, que elas não sabem de nada, que deveriam ser concedidas as chances de escolher o que querem ser e com o que se identificam. Mas quando o assunto é religião, o silêncio é sepulcral…

Já tivemos uma amostra disso, quando publicamos um artigo com uma resenha do livro “Filhos sem deus”, no qual dezenas de pessoas escreveram comentários irados. Não conseguiam conceber a idéia de que é possível criar filhos sem que lhes seja incutida a idéia da existência de seres imaginários do qual não há absolutamente nenhuma prova que indique que são reais. Preferem a crença pela crença, em uma necessidade de crer. Oras bolas, se tais seres existissem, a fé e a crença seriam absolutamente dispensáveis…

Voltando à história, o comportamento do padre é absolutamente condenável. Não havia necessidade de traumatizar uma criança por causa de uma porcaria de uma hóstia!

O comportamento do padre em relação à criança, preferindo o ato gratuito de agressão contra uma inocente brincadeira, que com certeza não o fez por mal, representa uma antítese apoteótica da transmissão dos valores religiosos. Supõe-se que na cerimônia da hóstia dita “sagrada” em que ocorre o fenômeno imaginário da transubstanciação de Jesus (no qual um farelo vagabundo se transforma em “carne e sangue”), pudesse ocorrer ou até mesmo inspirar os melhores sentimentos humanos como o amor, a compaixão, misericórdia, tolerância, esse tipo de coisa toda. Mas não foi o que aconteceu, foi? Em vez disso, encontramos a incompreensão, intolerância, raiva, ódio, agressividade exacerbada.

Em minha opinião, é só mais uma prova de que a religião em si, não é a melhor maneira e nem mesmo serve como apoio para moralizar o ser humano (pois não podemos esquecer as inúmeras atrocidades em nome das religiões, com o altíssimo custo de centenas de milhões de vidas perdidas). Muitas vezes, a própria religião, com os seus dogmas e doutrinas, acaba fornecendo os subsídios para que sejam perpetrados atos atrozes e desumanos. E ainda dizem que o que estão fazendo ou cometendo é “moral e ético, pois é em nome de um deus”, por mais flagrante que seja a imoralidade. Quantos exemplos já não vimos narrados nas chamadas “Escrituras Sagradas”?

Lamento muito pela criança, que foi traumatizada de forma desnecessária, mas isso deveria nos servir de alerta para que deixemos de levar as nossas crianças às igrejas, batizados, locais de cultos, aulas de escolas dominicais, não arrastá-las a templos barulhentos e desperdiçar as infâncias delas, entupir-lhes as cabeças com idéias vagas e inverossímeis, ameaçá-las de castigos atrozes e terríveis se não acreditarem nos amigos imaginários dos adultos e ainda terem a hipocrisia que estão dizendo isso “para o bem delas, porque há um deus que as ama”.

Se a Humanidade quiser crescer e ter o seu valor como espécie neste Universo, ela deve deixar para trás a infância, que são as religiões “monoteístas” da Idade do Ferro pós-neolítica, criadas por um bando de sacerdotes de uma região desértica, com os seus costumes tribais e bárbaros, chauvinistas, machistas, provincianos e egocêntricos.

Daniel Dennet, em seu livro “Quebrando o Encanto”, deixou bem claro que a moral e a ética são independentes da religião.

Alguns leitores podem protestar, dizendo que não é bem assim, afirmando que as religiões fazem parte do caráter moral da pessoa, e freqüentemente recorrem a uma das famosas citações de Dostoievski – “Se deus não existe, tudo é permitido” – na obra Irmãos Karamazov. Ora bolas, a própria bíblia possui 613 mandamentos, no qual a esmagadora maioria os crentes fingem que não existem, e muitos deles não estão sendo seguidos à risca. Que crente, hoje em dia, poderia obedecê-los em sua totalidade e ainda assim se considerar uma pessoa ética e moral? Muitos dos mandamentos contidos nessa bíblia simplesmente são inaceitáveis em nossas sociedades nos dias de hoje. Posso citar o exemplo de ninguém mata os seus próprios filhos por eles serem rebeldes em suas adolescências, ninguém leva adúlteros para apedrejamento em praças públicas, ninguém em sã consciência venderia as suas filhas como escravas sexuais, e assim por diante.

A grosso modo, a simples decisão de não seguir esses “ensinamentos bíblicos de elevado valor, divinamente inspirados” mostra o quanto somos muito melhores em termos morais e éticos, em nosso próprio julgamento pessoal. Muitos não se dão conta desse fato. Infelizmente, os mais fanáticos não reconhecem que não estão errados quando seguem à risca. Todos nós sabemos dos tristes resultados desse fanatismo cego e exacerbado.

Nos realmente precisamos ensinar isso às crianças e legar-lhes as nossas misérias?

Os nossos leitores deveriam pensar seriamente neste assunto, e no bem-estar de seus filhos.

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  • Fabricio_R.S

    Execelente artigo J.A.
    Tinha encontrado essa notícia numa comunidade católica, e fiquei assustado com tamanha ignorancia por parte dos fíeis que apoiaram o ocorrido e disseram que aquilo foi pro bem da garota e que (os editores da notícia) estavam tentando generalizar a igreja.
    _______________

    Você poderia me indicar algum artigo sobre esses 613 mandamentos da bíblia ou algo parecido?

    Administrador André respondeu:

    São chamadas Mitsvot.
    .
    http://www.chabad.org.br/mitsvot/index.html

    Fabricio_R.S respondeu:

    @André, Thanks so much J.A :mrgreen:

  • Brinoh

    Basta dar às crianças educação e amor. PONTO!

  • Infelizmente, os mais fanáticos não reconhecem que não estão errados quando seguem à risca.

    É assim mesmo? “Não reconhecem que não estão errados”?

    Abbadon respondeu:

    Um islamico suicida sabe que esta errado quando vai se explodir no meio de um mercado em Bagda ?

    Robson Fernando respondeu:

    Eles “não reconhecem que NÃO estão errados” mesmo? Ou o “não estão errados” está errado?

    Joseph K respondeu:

    @Robson Fernando,
    Isso mesmo, ou seja:
    Infelizmente, os crentes mais fanáticos, não reconhecem que não estão errados, (ou seja, estão certos), ao não seguir (todos) os mandamentos à risca.
    A forma ficou meio confusa, mas está correta. :mrgreen:

    Robson Fernando respondeu:

    Mas ali diz que “não reconhecem” isso quando seguem à risca, e não quando não seguem.

    Muitos não se dão conta desse fato. Infelizmente, os mais fanáticos não reconhecem que não estão errados quando seguem à risca.

    Fabricio_R.S respondeu:

    @Joseph K, A bíblia diz que devemos ser contra os gays, e quando alguém segue à risca isso, não sabe que não está errado ao estar certo …

    Isso entra no mesmo entendimento que parafrasear chaves:
    Parece limão, tem gosto de tamarindo, mas é de laranja … ou

    eu sei que você não sabia que sabia o que eu sei que você não sabia …
    ai minha cabeça 😕

  • Refutado aqui: http://wp.me/p4l3w-4U
    .
    Passar bem no seu ostracismo. Aqui vc não posta mais.

    Fabricio_R.S respondeu:

    @André, Eu perdi tudo aquilo? OH FUCK!
    Lista de afazeres: Marcar o rss dos comentários. ➡ 👿

    krebys respondeu:

    @André, a algria retornou… uhuuuuuul!

    Joseph K respondeu:

    @André,
    Ufa, já estava em crise de abstinência, sem o Pérolas.
    No ritmo em que andam os xiitas, logo teremos um colar de elefante. 😀

  • Tati

    Mais uma prova de amor cristão… interessante foi meu sobrinho perguntar ao padre o que acontece se um celibatário pecar contra a castidade e o padre responder: “confessar ao bispo e não tornar a cometer este ato”. E meu sobrinho retrucou: “e se ele voltar a fazer?”… e o padre sem resposta… 😯

  • krebys

    Cara, qdo eu comecei a frequentar o site, o Pérolas tinha parado… e hoje a algria retornou… uhuuuuuul!

    Religiosos, venham até aqui…
    Deuses dos Religiosos, arrumem tempo pro André postar no Pérolas…

    AUSHuhsauhSAUHSuHSUHsuaHsAH

  • Rafael \m/Ò.Ó\m/

    amigos..essa historia do padreco é chocante, mas ficaram sabendo que está sendo discutido no congresso um acordo Brasil-Vaticano
    que está embalando calorosa discussão entre parlamentares evangélicos e a base governista, sobre o ensino religioso facultativo nas escolas……mas uma prova que o brasil que retroceder !!! vejam o link http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=29486

    hail,

    Tati respondeu:

    @Rafael m/Ò.Óm/,

    O deputado diz que católico significa universal… sei… como na música de um padre que afirma que ele é evangélico, da igreja universal, etc… se for assim também sou protestante…

    Ah, mas claro, depois de um acordo entre cristãos tudo ficará bem – dogmas cristãos pode, católicos não (só não mencionar a virgindade de Maria e tudo bem). Não sei o motivo de ensinar mitologia cristã, se ainda fosse a grega… 🙂

    Administrador André respondeu:

    Mas “católico” realmente significa “Universal” em grego (καθολικός)

    Tati respondeu:

    @André,

    Sim, eu sei, mas esse “universal” não inclui outros cristãos (nem vale a pena mencionar os budistas e outros credos). Aqui na comunidade católica de minha cidade sempre se fala em ecumenismo também – assim como em outros lugares – mas o preconceito com outras religiões é o que reina, sem dizer que os espíritas são os que mais sofrem. Sempre aquele ar de superioridade: eu sei a verdade, você não. Quem dera fosse verdade o que o deputado disse…

    Administrador André respondeu:

    Quando criaram o termo “Igreja Católica”, não haviam mais OUTROS cristãos, já que na batalha entre os diferentes tipos de cristianismo, somente os proto-ortodoxos foram vitoriosos.
    .
    Maiores informações: Evangelhos Perdidos, de Bart Ehrman (nele conta muitas outras referências bibliográficas).

    Rafael \m/Ò.Ó\m/ respondeu:

    @André, bem lembrado…edir maceo faz questão de lembrar isso em seus discursos……o ¨fala que eu te escuto ¨podia ser em pay per view kkkk e passar no UNIVERSAL CHANEL kkk
    hail

    Administrador André respondeu:

    Vocês não estão entendendo o que estou falando. 🙁

    Rafael \m/Ò.Ó\m/ respondeu:

    @André, entendi!!! a palavra catolico..significa universal…. desculpe o trocadilho…é que soa engraçado

    Rafael \m/Ò.Ó\m/ respondeu:

    @Tati, naum sei se seria mitologia cristã. estaria mais para mitologia romana/mitraica/fenicia egipcia…por que naum ensinamos as criançãs o cadomble? aulas sobre yemanjaá….ia ser legal, até que yemanja dá um caldo!! rsrsrsrs

    Tati respondeu:

    @Rafael m/Ò.Óm/,

    André, obrigada. Entendi sim. Sei que o termo se refere aos únicos cristãos que existiam; eu estava me referindo à “modéstia” do deputado quando disse que o acordo não estava “puxando a sardinha” para os católicos, com a desculpa dos termos do acordo serem benéficos para os protestantes também – pode até ser, mas isso eleva a crença cristã em detrimento das outras ou daqueles que não possuem nenhuma. A síndrome “oh somos todos iguais”, somos todos católicos (universais) – o que não é verdade, não em relação ao termo, mas ao sentido que ele deu.

    Rafael, se mudarem o nome de ensino religioso para mitologia cristã (assim como tratamos a grega, nórdica,…) já me sinto satisfeita, porém prefiro que não ensinem nada. Mas isso é outro assunto 🙂

    Que Zeus vos abençõe

    Administrador André respondeu:

    É aquele velho adágio do George Orwell:

    Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que os outros.

    Paula respondeu:

    @Rafael m/Ò.Óm/,

    Aulas de filosofia? Duvido que o governo queira alguém pensando, eles querem alguém acreditando mesmo, afinal religião tem um papel fundamental no estado, alienar cidadãos.
    Não demora muito deixaremos de ter uma democracia para ter uma teocracia, pois o que mais existe são políticos religiosos, sem falar das escolas, hospitais e a mídia ligados a essas facções religiosas.

  • brazuca

    Aleluia Senhor o pérolas voltou…..hauhaua

    Há tempos que não tinha diversão pela manhã.

    Tadinho da Ovelhinha da IURD, ainda saiu como se tivesse desbancado os argumentos!
    Primeira pérola do ano, que venham mais. \o/

  • Rafael \m/Ò.Ó\m/

    LEGAL…………………PEROLAS VOLTOU !!! minhas preces a horús foram respondidas

  • Pingback: O dia do evangélico, criado por um deputado evangélico, patrocinado por evangelicos » Ceticismo.net()

  • Estou repensando a idéia de permitir que minha esposa batize nosso filhão … 😕
    Se um idiota desses fizesse isso com um filho meu, iria precisar, a partir do momento que eu soubesse, de usar dentadura. Não que eu seja adepto da violência, mas em certos casos não consiguiria me conter …