jul 26

Desregulamentar profissões. Todas!

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Ceticismo, Comportamento, Cultura, Economia, Idiocracia, Mídia, Mitos Desmascarados, Polí­tica
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Por Alexandre Barros

Cientista político (Ph.D. pela University of Chicago), é diretor-gerente da Early Warning: Análise de Oportunidade e Risco Político

O governo anunciará em breve a proibição de carros pequenos com motores de menos de 2.0 e serão obrigatórios transmissão automática, computadores de bordo e airbags sêxtuplos. Que tal lhe pareceria essa notícia? Fords Ka, Fiats Palio, Fords Fiesta sumiriam do mercado. Todos os carros custariam muito mais caro. Adeus ao sonho do carro 1.0, sem imposto. Seria uma crise nacional.

Mas não causa crise sermos obrigados a pagar a um médico formado numa faculdade, que estudou seis anos, para girar lentes na frente do nosso rosto e nos dizer que temos 2,5 graus de miopia. Ou pagar a um médico a taxa de carta de motorista, para nos mandar ler algumas letras na parede. Nem causa espanto que precisemos pagar a advogados, formados por cinco anos, para nos tirarem da cadeia, coisa que um estudante de Direito do primeiro ano sabe fazer, ou até mesmo quem nunca estudou Direito.

Escrevi, nos anos 70, um artigo chamado Em defesa dos advogados, publicado no Jornal da Tarde. Dias depois chegou pelo correio (a vida era assim antes daquele menino maluquinho e irresponsável, William Gates III, que abandonou a faculdade) cópia de carta do presidente da OAB de São Paulo protestando e explicando detalhadamente por que a regulamentação exercida pela OAB era fundamental para a defesa dos interesses dos possíveis clientes. Mas a carta não falava nada sobre a obrigação de pagar mais caro por advogados que estudaram cinco anos para prestar serviços corriqueiros sem complexidades ou consequências jurídicas maiores. A resposta: custa muito caro porque, quando pagamos a um advogado, temos de ressarci-lo pelos anos de estudos de Direito e pagar um naco das mensalidades da OAB, que é um sindicato que defende mais os interesses dos advogados que o dos clientes.

Desregulamentar a medicina? Certamente. Faço palestras em que proponho a desregulamentação da medicina. A reação das plateias é de horror. Mas como? É a nossa saúde que está em jogo!

Imediatamente depois da reação, mas ainda durante o pânico, peço que levantem a mão todas as pessoas que utilizaram (ou seus parentes próximos) tratamentos alternativos, como cromoterapia, florais de Bach, aromaterapia, cinesiologia, hidroterapia, iridologia, quiropracticia, etc. Sempre mais de metade das audiências levantou as mãos. Ou seja, as pessoas acreditam em terapias alternativas, usam-nas em substituição à medicina e muitas depositam a continuidade de sua vida nelas (como quem se trata de câncer com extratos de sementes de pêssegos). Mas, quando perguntadas, a maioria diz-se a favor da regulamentação da medicina.

Bem-vindos ao mundo das profissões regulamentadas. O Cialis, o maior concorrente do Viagra para disfunção erétil, custou ao laboratório que o inventou, desenvolveu e comercializa entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões antes da venda do primeiro comprimido. Foram centenas de cientistas, pesquisadores, bioquímicos e milhares de testes exigidos pela FDA (a Anvisa americana). Cada vez que compra uma caixa de Cialis, você paga por todos esses custos. Mas há um, inútil, que você paga e não se dá conta: o salário da farmacêutica responsável da filial da empresa que produz o Cialis no Brasil. Ela entra na produção do Cialis como Pilatos no Credo, sem ter nada que ver com os benefícios do remédio. Ela só está lá porque os farmacêuticos (como todos os outros profissionais regulamentados) conseguiram que o Congresso Nacional votasse uma lei obrigando todos os laboratórios a terem um(a) farmacêutico(a) responsável, e também cada farmácia a ter um(a) farmacêutico(a) para lhe vender a caixinha dos comprimidos mágicos (ou de qualquer outro remédio que você queira comprar).

José Zanine Caldas, famosíssimo arquiteto autodidata, desenhou e construiu algumas das mais caras e belas casas do Joá e da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Quem as comprava pagava por sua competência e seu bom gosto, mas um naco era para o engenheiro formado, cuja única função era assinar a planta. Zanine foi professor na Universidade de Brasília. Hoje não poderia, porque não tinha diploma.

Em resumo, não ganhamos nada com profissões regulamentadas. Só ganham os profissionais que fazem parte delas.

Sou contra as faculdades? Não (vivo, em parte, de ser professor). Mas acho que todos devem poder contratar, para qualquer serviço, o profissional em quem confiam, independentemente de ter ou não um diploma e/ou um registro profissional.

Quando regulamentam profissões, parlamentares caem na esparrela de acreditar que estão defendendo o público. Potoca. Estão apenas defendendo um mercado cativo para grupos politicamente organizados que buzinaram nos seus ouvidos que eles deviam regulamentar alguma profissão.

O problema não é só brasileiro. Todos os prédios que você vê ao vivo em Las Vegas, ou no seriado CSI, foram construídos por pessoas de bom caráter. Pedreiros, no Estado de Nevada, precisam apresentar um atestado de bom caráter, além de saber empilhar tijolos.

Uma lei de 1952 proibia comunistas de serem farmacêuticos no Texas e, no Estado de Washington, veterinários eram proibidos de tratar de vacas enfermas se não assinassem um juramento anticomunista.

Há no Congresso brasileiro 169 projetos de regulamentação de profissões. A cada um que for aprovado você pagará mais caro por aquele serviço, em troca de proteção zero. Regulamentações profissionais só protegem os prestadores de serviços e excluem concorrentes que poderiam prestar os mesmos serviços, só que mais barato.

Acabou de ler o artigo? Não tem nada que fazer? Entre no YouTube e ouça o hino do farmacêutico.

Parabéns! A conta é toda sua, inclusive a do hino.

Fonte: Estado de São Paulo

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11 respostas para "Desregulamentar profissões. Todas!"

  1. 1. Altair5 disse:

    Belíssimo texto,concordo plenamente e acho que essas máfias legais só atrapalham o povo e até o Brasil no quesito competitividade.

  2. 2. tchaikovsky disse:

    Não podemos perder de vista que a intenção original de regulamentar as profissões é para garantir a nós (usuários dos serviços) a garantia do Estado de que estamos tratando com profissionais competentes (nem sempre isso é verdade). Não sou a favor de desregulamentar todas as profissões, mas sim que deveria haver um bom senso, por exemplo responsável farmaceutico no Brasil, se já existe um nos EUA para Cialis, para que? Aumentar custos? Exigência de exame para bacharel em direito advogar, ele se formou no que mesmo? Enfim, um minimo de regulamentação é aceitável, mas muito não, se não logo estaremos regulamentando a profissão de flanelinha (aquele que cuida do carro em alguns lugares).!!!

    imatahan respondeu:

    Engraçado, qual a utilidade de um cientista político? Quantas vidas ele salva? O que ele faz de útil para a sociedade além de ficar sentado num bureau, escrevendo um monte de abobrinhas intelectualóides? E ainda deve ter feito seu PhD com bolsa do governo brasileiro paga com nosso suado dindim… É uma piada vir querer denegrir os outros profissionais! O farmacêutico que é responsável pelo controle da matéria prima recebida, pelos processos produtivos, pela dose correta, pela embalagem perfeita de um medicamento, que garanta a sua qualidade e que ninguém vá morrer de overdose ou que o medicamento não faça efeito, com certeza é muito útil e deveria ser bem melhor remunerado do que é, e muito mais de que um cidadão que faria melhor se estudasse mais antes de falar asneiras e difamar os outros profissionais colocando-lhes a pecha de vagabundos recebendo o favor de uma remuneração ilícita segundo ele! Preimeiro se informe do quanto o profissional trabalha lá dentro e tudo que ele faz antes de vomitar conceitos fúteis e difamadores.

    Administrador André respondeu:

    Vc PRIMEIRO deveria ler quem foi o autor do artigo, para depois mandar um email para ele, rapazinho.

    Pelo visto, vc é daqueles “profiçionais” que têm “diproma”, mas não possui grande capacidade de interpretação de texto nem reconhecer a origem de um texto.

    Em suma: o artigo provou que profissão não dá inteligência.

    A propósito: farmacêuticos são pessoas frustradas que não tiveram capacidade de cursar medicina e nem inteligência para serem químicos (sim, é flame :) )

  3. 3. imatahan disse:

    Em primeiro lugar, não sou um rapazinho. Eu li perfeitamente quem foi que escreveu o artigo. Um cara que não tem profissão. Porque que eu saiba, cientista político não é uma profissão. Pra ele tanto faz que acabem as profissões.

    Quanto ao vocábulo escrito com “ç” fica por sua conta, pois não deve mesmo nem saber escrever.

    Frustrado deve ser você em relação a algum farmacêutico ou alguma farmacêutica, meu bem. Um pouco de análise para acabar com o distúrbio emocional deve lhe fazer bem.

    Entendi perfeitamente o artigo e todas as conotações e implicações que as assertivas que o autor faz trazem de nocivo à nossa profissão. E às demais citadas.

    Profissão não dá inteligência. A inteligência nos dá uma profissão. Passamos por um curso dificílimo para nos formarmos e a nossa atividade profissional é complexa e digna, todas as nossas atividades exigem habilidades variadas e quem não conhece a profissão não poderia estar metendo o bedelho e falando do que não conhece, como você, que para se empenhar tanto em defesa da criatura deve, no mínimo ser íntimo do autor…

    Qual a revolta dele? Não conseguiu passar de um teórico? Não consegue trabalhar num laboratório, numa indústria, ou em coisa que o valha? Não entende de matemática, química, física, biologia? É problema dele… Está defendendo o que chamamos de charlatães. E a nossa legislação é bem clara em relação a isso. Ah, mas eu esqueci. Ele desconhece. Estudou nos Statesssssss, esqueceu que é brasileiro. Só não esqueceu na hora em que nosso governo lhe pagou a conta.

    Administrador André respondeu:

    Desculpe te fazer chorar, mas tenho doutorado em Química. Segundo, seu ataque foi a nós, não ao artigo. Terceiro, você tem problemas, mas posso indicar um bom profissional para cuidar do seu caso…. até mesmo com diploma, se for necessário.

  4. 4. imatahan disse:

    SE você realmente tivesse um doutorado em química, teria noção do trabalho do farmacêutico numa indústria farmacêutica…

    Lamento que a profissão tão honrada do meu pai, que era químico e professor universitário, esteja hoje eivada de pessoas como você, sem ética e despeitados com a profissão alheia!

    Não tenho problemas com a minha profissão. Vocês, pobres despeitados, têm problemas com ela.

    E outra coisa, o artigo causou espécie não apeans a mim, mas a toda a classe farmacêutica. A FENAFAR exigiu uma retratação que vocês não publicaram e não responderam. Isso está publicado na internet para quem quiser ler.

    As entidades de classe não irão engolir tamanho desrespeito!

    Que tal se os farmacêuticos dissessem que as indústrias de transformações químicas não precisam de químico e que qualquer mequetrefe pode exercer-lhes as funções???? O Conselho de Química é um dos mais cri-cris em relação a mercado de trabalho. Aqui no estado já chegaram a exigir químicos nas farmácias de manipulação, é mole?

    Administrador André respondeu:

    É, filhota, realmente você tem “pobremas”.

    1) Eu nunca disse que concordava com o artigo. Disse qeu vc dirigiu seu piti aos caras errados.

    2) Seu blábláblá ao meu respeito é totalmente sem efeito comigo, e essa historinha do coração mencionando seu pobre pai não me comove.

    3) Farmacêuticos são subordinados a químicos. A verdade é dura, né?

    4) Tenha uma boa semana e não esqueça de ingressar num curso de interpretação de textos. Té.

    Joseph K respondeu:

    @imatahan,
    Apesar de sua abordagem de atrapalhada, vou citar o link para a “resposta” que a supracitada entidade deu, à reportagem de “O Estado de São Paulo”; não por refletir minha opinião, mas por considerar que adiciona subsídios à presente discussão.
    Considere uma crítica construtiva: quando se referir a algo que embase sua argumentação, por favor, cite a fonte.
    .
    http://www.fenafar.org.br/portal/index.php?view=article&catid=1%3Aultimas-noticias&id=290%3Aregulamentacao&format=pdf&option=com_content&Itemid=55

  5. 5. imatahan disse:

    André,

    Vc é zureta mesmo! Em primeiro lugar, porque nunca me dirigi a você. Nem havia qualquer comentário seu aqui. Só haviam os comentários de Altair e Tchaikovski. E, assim como eles, eu comentei O ARTIGO, exatamente no espaço reservado para isso.

    Em segundo lugar, você me atacou , chamou de rapazinho, agora de filhota… Realmente vc não tem princípios, educação doméstica, para começar. É certos “dipromas” não dão educação a ninguém.

    Em terceiro lugar, destratou os farmacêuticos e agora chega ao absurdo de dizer que farmacêuticos são subordinados aos químicos! Nem nunca! Em nenhum lugar do mundo! Somos profissionais liberais e pra seu goveno, nas indústrias farmacêuticas, eles são subordinados a nós.

    Sua megalomania “profiçional” é um exagero! Que pena que eu tenho de você! A sua verdade é completamente dissociada da realidade.

    Em quarto lugar, se isso não foi defender o autor do texto, acho qeu você é que não consegue entender o que escreve…

    Administrador André respondeu:

    [Bocejo]

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