Um dos (vários) problemas do Design Inteligente
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Tags: Evolução, falácias, processo evolutivo
Em meu Knol sobre o argumento do relojoeiro de Paley, apresento parte da extensa argumentação de Thomas E. Hart sobre o tema, e aqui, abordarei uma derivação desta parte.
Os defensores do D.I. apontam que a perfeição mecânica e complexidade “irredutível” dos sistemas bioquímicos não poderia se originar de processos naturais progressivos, logo evolutivos, e como demonstro o design inteligente implica não só numa divindade criadora como igualmente no processo evolutivo (e as demonstrações nem mesmo são originais minhas, mas na verdade, amplamente conhecidas pela comunidade científica e filosófica dedicada ao tema).
Mas se implica numa divindade atuante sobre os seres vivos e sua bioquímica, não necessariamente implica em uma única, exatamente a linha de argumentação apresentada por Thomas Hart – de que a existência de um relógio não implica em ser projetado/construído por um único designer/artesão. Logo, por este raciocínio similar e simples, podemos também afirmar que se há a atuação de uma divindade num filo biológico qualquer, não necessariamente esta atuação de dá por uma mesma divindade neste filo ao longo de sua história evolutiva.
Exemplificando, se o olho e seus mecanismos bioquímicos de um amniota foi desenhado e modificado no processo evolutivo por uma divindade, a modificação para um olho superior oticamente como o das aves de rapina pode ter sido ação de outra divindade, talvez com maior simpatia por aves que por mamíferos.
Poderíamos também deduzir (mesmo numa monstruosa construção lógica destas) que os predadores seriam fruto de uma divindade mais poderosa, ou mesmo os parasitas de uma mais malévola, ou os vegetais de uma mais preguiçosa, as bactérias de uma mais simplória, os insetos de uma mais imaginativa, e assim ad infinitum.
Igualmente em grande volume, poderíamos, pela linha de nossa argumentação, afirmar que a partir do grande trabalho do designer que produziu os diversos designs do Cambriano, sobreviveram apenas os pouco imaginativos posteriores, limitados aos poucos designs básicos que hoje temos, ou que o laborioso trabalho que conduziu aos magníficos ungulados carnívoros, foi destruído por alguma divindade invejosa, perturbando uma o trabalho da outra, aliás, tema de mitologia que à exaustão foi explorado pelos gregos.
Em suma, afirmar que há a ação de uma divindade não implica em sustentar uma metafísica já destruída, na expressão de Heidegger, brilhantemente difundida pelo professor de filosofia Cirne Lima, que conduza à aceitação inequívoca de uma divindade judaico-cristã, aos moldes de Aquino, e sim, à uma progressão de dúvidas, mais que certezas, pois além de teleologia alguma ser evidente na natureza, menos ainda nos seres vivos, não está na existência dos processos e sistemas biológicos a sustentação para a existência inequívoca de uma divindade, pois como vimos acima, se antes a primeira argumentação simplória poderíamos tender a Jeová, agora podemos ter Zeus, ou Brahma, ou Odin, etc, entre milhares frente aos milhares de filos dos seres vivos, a terem evidência nos designs que julgamos divinos e irredutíveis pelo pífio argumento de Paley.
Concluindo, pelo que vimos, uma argumentação pelo design inteligente mais pulveriza a fé do que a unifica. Não é a marcha para as certezas, mas para uma confusão inimaginável mesmo ao compilador Ovídio em Metamorfoses.

Zeus e Hera
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26 respostas para "Um dos (vários) problemas do Design Inteligente"
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julho 1st, 2009 em 09:29
Jah que os crentes agora querem pagar de cientistas, por que não bolam uma explicação para o surgimento do designer?
Eu queria só ver.
julho 5th, 2009 em 15:24
Uma das minhas críticas ao Design é o fato de seus defensores efetuarem uma espécie de inversão naquilo que dá vida à ciência: a descoberta. Ao invés de os “cientistas” advogados do Design promoverem o real método científico, em que a descoberta – em meio a outras ponderações – revela uma verdade, eles capitulam as descobertas e conhecimentos científicos a seus dogmas – que podem até parecer inexistirem, mas que estão lá. No Design não há ciência, pois a verdade não é aceita, é moldada ao “gosto do freguês”.
setembro 27th, 2009 em 16:00
Porque a teleologia não é evidente na natureza, eu acho o argumento bastante razoável, estou procurando a razão pela qual não se aceita o D.I. como ciência,:
Procuro em críticas a teleologia, mas são fracas. Não a invalidam. procurei na revista scientific american, achei muita zombaria e poucos argumentos, eu quero conhecer os argumentos que vos parecem óbvios.
setembro 27th, 2009 às 16:09
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_cient%C3%ADfico
.
Leia e depois volte.
Arthgar respondeu:
setembro 28th, 2009 às 13:38
@André, obrigado pela indicação, mas repito a pergunta, para o outro cara, eu não concluí nada apenas, segui o raciocínio da pressuposição do argumento ontológico.
Eu quero conhecer as críticas ao argumento teleológico, que é uma conclusão baseada na observação da natureza. A questão é se a conclusão é errada, e Prque é errada.
um abraço.
setembro 28th, 2009 às 14:13
Você leu o texto sobre Método Científico? Sem Falseabilidade, nada feito. Leia Popper e Khun antes de qualquer coisa.
setembro 27th, 2009 em 16:02
O surgimento do designer? isto não faz sentido já que Ele não é experimentável, a causalidade deveria se aplicar a coisas naturais. O que significa que a primeira causa deve ser sobrenatural, (ontológico)
setembro 27th, 2009 às 16:08
Sua opinião, pelo menos.
Joseph K respondeu:
setembro 27th, 2009 às 17:47
@Arthgar,
Hum….
Você chegou à conclusão que a causa primeira é sobrenatural, assim, sem mais nem menos, mesmo depois de ler sobre o método científico?
O que te levou a isso? Com certeza, não pode ter sido aquela piada, conhecida como “argumento ontológico”, ou “jardim da infância”.
estou procurando a razão pela qual não se aceita o D.I. como ciência,:
Fala a verdade, você a) não leu sobre o método científico ou b) não entendeu nada?
Procuro em críticas a teleologia
Estais procurando no lugar errado, comece com o método científico, depois dê uma olhada na Evolução, geologia e astronomia, para começar.
eu quero conhecer os argumentos que vos parecem óbvios.
Não, não quer, isso é cinismo; afinal você já chegou mandando a “conclusão” sobrenatural.
Para finalizar, sua conclusão que Shiva não é “experimental”, logo é a causa primeira, carece de desenvolvimento.
Você poderia explicar como Shiva é a causa de tudo, e não Buda?
Arthgar respondeu:
setembro 28th, 2009 às 13:39
@Joseph K</a
Você não me disse nada.
Arthgar respondeu:
setembro 28th, 2009 às 13:41
@Joseph K, antes que alguém fique animado, aviso que respeito a sua opinião, procuro apenas um dialogo saudável assim como o iniciado pelo outro camarada.
setembro 28th, 2009 em 13:50
Quanto a D.I ser uma crença, de fato é, mas muitas coisas implicam em crença, para se acetar uma conclusão ou explicação é necessário que seja plausível e acreditar, mas me mostrem a implausibilidade do D.I., porque não existe teleologia na biologia, e porque esta aceitação compromete o caráter científico da biologia e mais.
setembro 28th, 2009 às 14:14
Façamos o seguinte: Tente demonstrar a falseabilidade do “Designer”.
setembro 28th, 2009 em 13:52
Me desculpem se deixei de sintetizar, algo, mas se deixei, por favor, me falem o ponto de vista de vocês
setembro 28th, 2009 às 14:15
Diz a verdade: vc tá doido pra ser banido daqui, né?
setembro 28th, 2009 em 13:53
A minha opinião não importa no momento, mas se quizerem depois falamos sobre minha opinão.
podem ir pro meu blogue me fazer perguntas e ler os textos
http://www.arthworld.wordpress.com
setembro 28th, 2009 às 14:15
Sua opinião é apenas isso: opinião. E não, de minha parte não estou interessado em opiniões sem embasamento.
Joseph K respondeu:
setembro 28th, 2009 às 15:18
@Arthgar,
Você não me disse nada.
Disse, não tenho culpa, se você não entendeu.
mas me mostrem a implausibilidade do D.I.,
Já está respondido, mas para entender, você precisará ler (e entender) sobre o método científico.
eu não concluí nada apenas,
Tem razão, me equivoquei, para concluir algo, seria necessário que tive exposto algum argumento, como não fez isso, não é conclusão, o que você apresentou, mas pré-conceito, está melhor assim?
segui o raciocínio da pressuposição do argumento ontológico.
Eu sei que crias fingem que não entendem, mas aqui vai, grátis: “argumento ontológico” se resume a “algo existe na minha cabeça, logo é real”, um truquezinho de prestidigitação lógica, realmente estúpido (ver Immanuel Kant, Crítica da Razão Pura).
Outra coisa ridícula, de seu “argumento”, é que você diz que o “designer” não é experimentável, logo a outra proposição é verdadeira. Qual a relação causal, nisso tudo, fora o desejo que seja verdade? Nenhuma, não é mesmo?
para se acetar uma conclusão ou explicação é necessário que seja plausível e acreditar,
Não apenas que seja plausível, mas falseável, também, o que torna sua frase irônica, uma vez que você usa o “argumento do parquinho” para “concluir” um designer, sem qualquer comprovação.
me falem o ponto de vista de vocês
Essa foi engraçada, como se tivesse alguma importância, para você, que acredita em truques baratos, para concluir seu designer.
mas se quizerem depois falamos sobre minha opinão.
Antes que você fique animadinho, é bom lembrar que, provavelmente, ninguém está interessado, em sua opinião, pré concebida e sem evidências, mas sinta-se à vontade.
Icarus respondeu:
setembro 28th, 2009 às 15:46
@Joseph K,
Eu nem gastaria meu teclado com este cara hahahaha.
Olha que comentário interessante tem no blog dele:
“Um ótimo exemplo de matéria que faz a lavagem-cerebrel evolucionista…”.
Joseph K respondeu:
setembro 28th, 2009 às 17:37
@Icarus,
Engraçado, não?
Um cara que nem “entende”, como o “argumento do parquinho” já está refutado há tempos, falar de lavangem cerebral, isso, sim, é ironia das boas.
Eu ainda gasto meu teclado, pois esse aprendiz de troll, por enquanto, está lá embaixo, na escala de trollzice.
Quanto ao blog dele, apenas acessei, para ver o que era, mas vou até remover do histórico, não acho que ele deva ganhar hits, nem comentários lá, de graça.
setembro 29th, 2009 em 10:36
Falseabilidade[1] – toda hipótese tem que ser falseável ou refutável. Isso não quer dizer que o experimento seja falso; mas sim que ele pode ser verificado, contestado. Ou seja, se ele realmente for falso, deve ser possível prová-lo.
Ok, Então um problema que você aponta no D. I. é a falta de uma falseabilidade para sua conclusão hipotética. certo?
Se possível, me fale de outros problemas.
setembro 29th, 2009 às 11:36
Só isso você acha pouco? Qual a premissa que torna o “designer” falseável? Nenhuma! Ademais, temos a testabilidade. Na boa, cara, vc não vai sair bem dessa sem argumentação e não vou ficar fazendo seu joguinho. Insistência = Banimento. Ou posta alguma prova ou simples evidência do DI ou cale-se pra sempre.
E, por favor, não cometa o erro de citar Behe.
setembro 29th, 2009 em 10:37
Mais tarde, poderei argumentar, em princípio estou interessado nas suas críticas.
setembro 29th, 2009 às 11:37
Quando vc estiver no seu site, vc poderá estabelecer as regras. Aqui tem que mande e… SURPRESA! não é vc. Ou posta a sua defesa ou abstenha-se de postar.
Joseph K respondeu:
setembro 29th, 2009 às 15:22
@Arthgar,
Quanta humildade!
Mais tarde, você pode ir cuidar do seu site de 2 acessos/dia, pois por aqui, ninguém está interessado, nesses seus joguinhos bestas.
Você é um cara divertido, eu vi algumas de suas “defesas” do criacionismo, em outros blogs, em particular, sua visão da “tectônica das placas”, não entendo, porque você se recusa, em nos brindar com aquelas belas pérolas, você poderia até conseguir um lugar, na “Voz…”.
Aproveita e manda um abraço, pro Sabino.
outubro 8th, 2009 em 13:58
Desculpe a demora, tava sem internet.
mais é isso, eu separei um texto aqui e estou lendo sobre Popper Kuhn o círculo de Viena o método indutivo e tal, estou agradecido,…