jun 22

Khamenei empurra Irã para teocracia

3 Comentários
Escrito por .
Bibliografias, Biografias, Ceticismo, Ciência, Comportamento, Cultura, Economia, Filosofia, História, Idiocracia, Islamismo, Literatura, Polí­tica, Religião
Tags: , , ,

O comprometimento do líder espiritual Ali Khamenei com o resultado da eleição presidencial do dia 12/6 alterou a face do regime iraniano. Khamenei vinculou não só os fundamentos da Revolução Islâmica mas a autoridade divina à vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Com isso, dizem analistas em Teerã ouvidos pelo Estado, ruíram as bases da “democracia islâmica”, sobre as quais se assentava o regime. O Irã rompeu a frágil fronteira entre religião e governo, e submergiu – ou explicitou sua submersão – numa teocracia.

No Ocidente, é comum qualificar o regime iraniano de teocrático, dado o papel central ocupado pelo clero nas decisões de governo, e a fundamentação do poder sobre a crença e sobre os valores islâmicos. No Irã, essa classificação não é – ou não era, até a semana que passou – trivial. A Revolução de 1979 – ou a sua ideologia – dava ao regime uma legitimação popular. O Irã era uma República Islâmica, no sentido de res publica, coisa pública, e democrática, porque resultava da vontade do povo. A imposição da autoridade religiosa e do código de conduta islâmico era expressão do desejo de uma maioria fiel a esses valores, contra uma minoria infiel, segundo essa ideologia.

A reação popular contra a vitória oficial de Ahmadinejad e o caminho trilhado por Khamenei para respaldar o presidente podem ter tornado essa ideologia insustentável. O líder espiritual começou seu movimento em direção à política cotidiana no dia 13/6, sábado. Enquanto milhares de manifestantes enfrentavam a polícia nas ruas, denunciando o que chamavam de “fraude”, um comunicado de Khamenei era lido na TV e rádio estatais, no qual ele associava o contestado resultado à vontade divina e aos fundamentos da Revolução Islâmica.

Em tese, o líder espiritual do Irã não é um dirigente político. Um pouco como um rei numa monarquia democrática, ele deve supostamente manter-se acima das disputas políticas, para proteger o Estado islâmico. É com esse espírito que o Conselho dos Guardiães, subordinado ao líder, tem o poder de vetar candidatos à presidência e ao Parlamento. Seu critério não deve ser o favorecimento de uma corrente política, mas a defesa dos princípios da Revolução.

Até os acontecimentos da semana passada, Khamenei utilizava as instituições sob seu controle para interferir na política – expurgando candidatos, fechando jornais, prendendo críticos e reprimindo protestos. Mas nunca se envolvera pessoalmente.

Três correntes ideológicas convivem no regime islâmico e revezam-se no governo desde a Revolução: os conservadores, representados atualmente por Ahmadinejad; os pragmáticos, liderados pelo ex-presidente Ali Akbar Rafsanjani (1989-97); e os reformistas, que chegaram à presidência com Mohammed Khatami (1997-2005). Tanto Rafsanjani quanto Khatami pertencem ao clero e suas correntes partilham o poder político e econômico com os conservadores mesmo quando não exercem o governo.

Rafsanjani preside a Assembleia dos Especialistas, composta de 86 teólogos, que nomeia, supervisiona e pode destituir o líder espiritual; e o Conselho de Discernimento, que verifica se leis aprovadas pelo Parlamento e sancionadas ou vetadas pelo Conselho de Guardiães estão ou não de acordo com os mandamentos do Islã.

RUPTURA

Rafsanjani, derrotado por Ahmadinejad em 2005, apoiou o candidato moderado Mir Hossein Mousavi. Acusado de corrupção por Ahmadinejad, escreveu, três dias antes da eleição, uma dura carta a Khamenei, condenando seu silêncio diante da atitude do presidente. A carta representou a ruptura de um pacto entre Rafsanjani – que respaldou a escolha do líder espiritual, em 1989 – e Khamenei.

Na semana passada, circulou em Teerã a informação de que Rafsanjani estava na cidade sagrada de Qom, consultando os membros da Assembleia dos Especialistas sobre os próximos passos em relação a Khamenei. A TV estatal noticiou na quinta-feira o respaldo de 50 dos 86 clérigos ao líder espiritual.

O envolvimento de Khamenei no resultado da eleição aprofundou-se na sexta-feira, quando ele fez uma rara aparição na pregação semanal na Mesquita da Universidade de Teerã, assistida por dezenas de milhares de fiéis e transmitida em cadeia de rádio e TV. O líder espiritual zombou da denúncia de fraude: “Talvez 100 mil ou 500 mil, mas como pode alguém manipular 11 milhões de votos?” Advertiu que protestos contra os resultados não seriam mais tolerados. Abandonando sua posição acima das disputas políticas, referiu-se à oposição como “eles”: “O problema deles é que eles não conhecem ainda esta grande nação.”

No sermão de Khamenei transpareceu uma preocupação: “Se houver derramamento de sangue, os líderes dos protestos serão diretamente responsabilizados.” Pela versão oficial, a repressão às manifestações de segunda-feira – quando, de acordo com o prefeito de Teerã, o conservador Mohammad Bagher Ghalibaf , 3 milhões de pessoas saíram às ruas – deixou 7 mortos. Em Teerã, circula a versão de 32 mortos. “O martírio é um valor central para os xiitas”, diz um analista em Teerã. “Essas mortes dão legitimidade aos oposicionistas.”

De um lado, as articulações políticas de Rafsanjani; de outro, milhões de iranianos dispostos a enfrentar a repressão – e a tornar-se mártires – para recusar a vitória de Ahmadinejad. Encurralado, o líder espiritual aumentou drasticamente sua aposta. “Khamenei atrelou o resultado da eleição à infalibilidade da Revolução Islâmica e aumentou a carga religiosa dentro do sistema político”, observa o analista. “Deu um passo sem volta.”

Comentário de Abbadon: Allah não gosta de eleições limpas e justas, tanto que precisa inspirar divinamente o Conselho dos Guardiões e Ahmadinejad a fraudarem os resultados e estabelecerem uma teocracia repressora. Allah é grande ! Allah é “justo” e “respeita” a vontade do povo iraniano !

Fonte: Estado de Sao Paulo

Artigos relacionados:

  1. Grupo somali convida estrangeiros para guerra santa
  2. Entre condenadas à morte e presidentes desinformados
  3. Presidente do Irã ataca o polvo vidente
  4. Papa diz que Ciência precisa da fé para compreender realidade
  5. Vaticano cria site ligado ao Facebook para se aproximar de jovens


3 respostas para "Khamenei empurra Irã para teocracia"

  1. 1. Robson Fernando disse:

    Vocês também estão olhando esses anúncios escrotos de “sagrado coração de G-zuis” e “Amor cristão verdadeiro”?

    Pega mal, hein, André? :razz:

  2. 2. AdministradorAndré disse:

    Pois é. É UM SINAL! É UM SINAL!!!

  3. 3. Rafael \m/Ò.Ó\m/ disse:

    é mesmo ! logosofia…. namoro evangelico….amor cristão .. que porra é essa?.
    a despeito da matéria.. até mesmo nas chamadas demogracias livres…. tente ver se um presidente declaradamente ateu naum terá dificuldades em um pleito… os EUA são uma teocracia…

Deixe um comentário

Mas, antes, leia a nossa Política de Comentários. Obrigado por sua participação.

Você precisa estar logado para deixar um comentário.