jun 13

Vida sexual movimentada torna bactéria mais resistente a antibiótico

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A bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, é uma campeã de promiscuidade — e, pelo visto, isso está tornando a vida dela mais fácil e complicando muito a dos humanos que o micróbio infecta. A mania da criatura de fazer sexo — que, em termos bacterianos, se resume a trocar DNA — com espécies diferentes de microrganismo fez com que certas variedades dela tenham se tornado resistentes a quase qualquer tipo de antibiótico.

A má notícia está na revista especializada Science desta semana. Pesquisadores do Reino Unido e da Finlândia, sob a liderança de William Paul Hanage, do Imperial College de Londres, fizeram a descoberta ao examinar o DNA de quase 2.000 amostras diferentes do pneumococo e compará-lo com o de outras espécies bacterianas aparentadas a ele. Os dados são importantes para tentar combater o microrganismo, que causa pneumonia (como diz o nome), meningite e uma série de outros problemas, matando 1 milhão de pessoas no mundo por ano.

O hábito bacteriano de trocar genes a torto e a direito é um velho conhecido dos cientistas. Em geral, essa forma rudimentar de sexo acontece entre membros da mesma espécie de bactéria, mas também pode se dar entre bactérias bem diferentes, o que levou alguns pesquisadores a até questionar a validade do conceito de espécie entre essas criaturas — na prática, todas as bactérias seriam membros de uma gigantesca espécie, com variações.

A pesquisa de Hanage e companhia tentou quantificar o grau desse troca-troca genético interespécies examinando pedaços de sete genes diferentes de pneumococo e de seus parentes, pertencentes ao mesmo gênero, o Streptococcus. Esses fragmentos de genes servem como balizas de classificação, dando uma ideia clara a respeito da origem do DNA de cada cepa de bactéria.

O principal resultado da análise é que, dos 1.930 tipos de pneumococo, 368 possuem material genético que é um grande mosaico, originado de várias espécies diferentes. Pior: esse grupo de micróbios também mostra a presença de genes de resistência a vários tipos importantes de antibiótico, muitas vezes combinados na mesma cepa de bactérias.

O mais provável é que essas características tenham surgido graças uma história de “hiper-recombinação”, como dizem os cientistas — ou seja, de troca constante de genes entre bactérias diferentes.


Fonte: G1

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