Pegar em dinheiro ou até mesmo contemplá-lo pode aliviar dores fÃsicas e o sofrimento da rejeição social, de acordo com um estudo conduzido por psicólogos chineses e norte-americanos. Mas lembrar o dinheiro que a pessoa tenha gasto intensifica ambas as dores.
As constatações sugerem que a simples idéia de ter dinheiro torna as pessoas fisicamente mais fortes e menos dependentes da aprovação alheia para satisfazer suas necessidades. “O dinheiro ativa um senso generalizado de confiança, força e eficácia”, na hipótese formulada pelos pesquisadores.
O estudo sustenta os resultados de experiências anteriores nas quais os participantes que haviam sido induzidos inconscientemente a pensar em dinheiro mostravam menor propensão a solicitar ajuda para realizar tarefas difÃceis.
“Os trabalhos anteriores não chegaram a vincular lembranças de dinheiro a algo em um nÃvel perceptual fÃsico”, explica Kathleen Vols, da Universidade de Minnesota em Minneapolis, que esteve envolvida em pesquisas passadas e no estudo atual, publicado pela revista Psychological Science.
Relaxando a dor
O psicólogo Xinyue Zhou, da Universidade Sun Yat-Sen, em Guangzhou, conduziu meia dúzia de experiências com grupos de entre 72 e 108 universitários, para testar como os pensamentos inconscientes relacionados a ganhar ou perder dinheiro afetavam sua resistência à dor diante da rejeição social ou à dor causa pela imersão de seus dedos em água quente.
Os universitários jogaram um videogame chamado Cybercall, no qual os jogadores acreditam estar brincando de bobinho com três outras pessoas. Na verdade, os demais jogadores são controlados por um computador, que termina por se recusar a passar a bola para o jogador humano. O jogo é normalmente usado por psicólogos para provocar sentimentos de exclusão. Os universitários que tinham manipulado dinheiro antes do jogo, na crença de que estavam realizando um teste de destreza fÃsica, reportaram se sentir menos incomodados, na escala de autoestima social, do que aqueles que manipularam pedaços comuns de papel.
Em outra experiência, os estudantes que contavam dinheiro antes de mergulhar seus dedos em água quente reportavam dor menos intensa do que aqueles que haviam manipulado papel. Os estudantes que mexerem em dinheiro também reportaram se sentir mais fortes que os demais. Os pesquisadores pediram que alguns estudantes anotassem despesas recentes, antes de jogar Cyberball, enquanto outros fizeram anotações sobre o clima. Os que fizeram anotações sobre despesas reportaram mais incômodo ao serem excluÃdos do jogo virtual.
Que a exclusão social e a dor fÃsica rendessem reações paralelas sustenta uma idéia emergente em psicologia, a de que algumas das ferramentas que o cérebro usa para processar interações sociais evoluÃram com a adaptação de sistemas pré-existentes que lidavam com a dor fÃsica.
“Sabemos que a social tem toda sorte de consequências negativas em termos de comportamento”, disse o psicólogo Nathan DeWall, da Universidade do Kentucky em Lexington. Assim, poderia valer a pena considerar, em um estudo futuro, se pensar sobre dinheiro “reduz os efeitos da exclusão sobre a agressividade”, ele diz.
Dan Ariely, economista comportamental da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, sugere que o dinheiro também pode ser um modo de as pessoas retomarem uma sensação de controle. “Teria sido interessante testar a mudança desse sentimento ao longo do tempo”, à medida que a economia caÃa em recessão, ele diz. Um estudo como esse poderia revelar uma relação flutuante entre o valor calmante do dinheiro e sua conexão com o comportamento social.
Fonte: Terra Ciencia
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