Recente estudo que investiga o motivo do ar em volta das nuvens ser mais brilhante sugere que modelos climáticos talvez precisem ser revistos. Meteorologistas já explicam o ar mais brilhante próximo das nuvens, graças a um estudo de 2007 de Ilan Koren e seus colegas no Instituto de Ciência Weizmann, em Rehvot, Israel. A equipe demonstrou que as gotÃculas das nuvens, associadas a poeira e partÃculas de fumaça, flutuam em um halo de quilômetros de extensão ao redor das nuvens, dispersando a luz solar pela atmosfera. Visto de um satélite, isso significa que o ar próximo das nuvens parece mais brilhante. Mas Tamas Varnai e Alexander Marshak, do Centro de Vôo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, descobriram que um fator relacionado foi deixado de fora da atual geração de algoritmos usados para interpretar imagens de satélite.
A partir de observações de dois satélites da NASA, os pesquisadores identificaram evidências de um efeito chamado interação radioativa tridimensional, na qual a luz solar é refletida horizontalmente pelas nuvens e dispersada a partir das moléculas de ar próximas de volta para a atmosfera.
Questão Nebulosa
O efeito era uma possibilidade teórica, mas ninguém sabia se era relevante o bastante para ser inserido nos algoritmos de processamento de imagem de satélites.
“Demonstramos que esse efeito não pode ser negligenciado e corresponde a uma fração importante do realce da radiação” próxima das nuvens, afirma Marshak.
Acredita-se que as temperaturas locais sejam afetadas por aerossóis - pequenas partÃculas no ar que são uma das partes menos compreendidas dos modelos climáticos. Eles podem surgir de processos naturais, como vulcões ou incêndios florestais, mas também da poluição humana. Eles podem ter um efeito de resfriamento ao “dispersar a luz solar de volta ao espaço”, explica Koren. Mas eles também “absorvem calor e podem, portanto, esquentar o ar local e mudar sua circulação”.
Para detectar aerossóis, meteorologistas medem a luminosidade dos pixels sem nuvem de suas imagens de satélite e subtraem a quantidade de luz refletida da superfÃcie da Terra, atribuindo boa parte do restante aos aerossóis.
As descobertas de Koren fizeram pesquisadores tratarem a região ao redor das nuvens como suas extensões, com luminosidade declinante se alongando em distâncias de muitos quilômetros. Ainda assim, boa parte da luminosidade era atribuÃda à presença de aerossóis, com o restante explicado pelo aumento de umidade e alguns erros de equipamento.
Abordagem do céu azul
Mas Vanei e Marshak descobriram que as moléculas de ar na verdade têm uma influência muito maior. Eles descobriam que a luz refletida a partir do halo da nuvem tinha a tonalidade de azul encontrada nos casos em que a luz solar estava sendo refletida igualmente. O tom azulado indica que apenas pequenas moléculas atmosféricas, e não as maiores de aerossóis, são responsáveis pela luz refletida de volta à atmosfera.
“Eles demonstraram que as ondas de luz curtas têm muito mais efeitos tridimensionais que as ondas longas”, acrescenta Koren.
A exclusão dessas interações radioativas tridimensionais da equação pode significar que os cientistas estão superestimando a quantidade de aerossóis no céu, descartando seus modelos de previsão.
Varnai e Marshak “estão tratando de um assunto no qual estamos atolados há muitos anos”, diz Olivier Boucher, pesquisador do Gabinete de Meteorologia do Reino Unido. As descobertas “terão impacto direto nos estudos dos efeitos indiretos dos aerossóis” nos modelos climáticos, acrescenta. A suposição de que a interação radioativa tridimensional era irrelevante “foi dada como certa por todos e não foi questionada o suficiente”.
Fonte: Terra Ciência
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