Uma equipe de cientistas trabalhando na República do Congo acredita ter conseguido o explicar o mistério do sucesso da “pesca” de cupins realizada pelos chipanzés.
Os macacos usam varas com pontas modificadas, transformadas em “escovas” pelos próprios animais para tornar a ferramenta mais eficiente na coleta de cupins. Os cientistas filmaram primatas selvagens usando os dentes para desgastar as pontas das varas, feitas de ramos ou caules de plantas.
Em artigo na revista Biology Letters da Royal Society britânica, os pesquisadores disseram que a ponta desgastada das varas ajudou os chimpanzés a recolher um número maior de cupins. O chefe da pesquisa, Crickette Sanz, do Instituto de Antropologia Evolucionária do Instituto Max Planck, em Leipzig, na Alemanha, disse: “Eles inventaram uma forma de aperfeiçoar sua técnica de ‘pescar’ cupins.” Estudos anteriores sugeriram que chimpanzés selvagens usam ferramentas com pontas que formam “escovas” para “pescar” cupins.
Mas até agora não se sabia se a vara foi especialmente moldada ou se a ponta virava uma escova por causa do desgaste natural do material. A dúvida foi resolvida através do uso de câmeras com controle remoto para filmar os chimpanzés que procuravam os insetos para comer.
Sanz disse à BBC: “Nós descobrimos que no Triângulo Goualougo, na República do Congo, os chimpanzés estavam modificando suas ferramentas para ‘pescar’ cupins com uma ponta especial na forma de ‘escova’.” Para fazer as varas, os chimpanzés primeiro colheram alguns caules de uma planta e tiraram as folhas.
“Aí eles puxaram os caules com os dentes, que estavam fechados parcialmente, para formar a ‘escova’ e às vezes formaram a ‘escova’ separando as fibras para que fossem melhores para recolher os cupins”, acrescentou Sanz. Uma observação mais atenta revelou que uma vara com a ponta desgastada recolhia dez vezes mais cupins do que com a ponta intacta.
Sanz disse que “parece que os chimpanzés entendem a função da ferramenta e sua importância na coleta de cupins”.
Até agora a equipe só deparou com esse tipo de comportamento em chimpanzés no Triângulo Goualougo. A aparente ausência deste comportamento em populações de animais no leste e oeste da África sugere que esta não é uma habilidade inata em todos os chimpanzés.
Parece que os primatas de Goualougo estão aprendendo técnicas artesanais de outros chimpanzés.
Agora os pesquisadores querem descobrir se os chimpanzés na região estão criando algum outro tipo de ferramenta.
Sanz disse: “Vastas áreas da África central não estão sendo muito estudadas e então há muitas populações que podem ter exemplos do uso de ferramentas complexas sobre as quais não sabemos.” Ela lamentou, contudo, que os animais estejam ameaçados. “Justo quando nós estamos aprendendo sobre este comportamento novo e complexo com ferramentas, os chimpanzés que estão nos mostrando este comportamento estão em perigo por causa de desmatamento, caça e do vírus Ebola”, afirmou Sanz. “Há muito o que fazer para preservar os chimpanzés da Bacia do Congo.”
Fonte: BBC Brasil
11 respostas para "Chimpanzés criam varas especiais para ‘pesca’ de cupins"
Deixe um comentário
Mas, antes, leia a nossa Política de Comentários. Obrigado por sua participação. 
Você precisa estar logado para deixar um comentário.




abril 14th, 2009 em 23:44
Só torço para nossos “colegas” não desenvolverem crenças religiosas…
abril 15th, 2009 em 00:08
Vejam só, demos mais um passo em direção ao Planeta dos Macacos (o original da década de 60, não aquela coisa do Tim Burton, malditos sejam!)
Guilherme Portões respondeu:
abril 15th, 2009 às 19:45
Hehe, pensei nisso também.
Deve ser interessante uma segunda espécie inteligente convivendo conosco.
Isso não deve demorar milhões de anos pois a aprendizagem do tipo “imitação” aconteceria rápido, mesmo eles não tendo o desenvolvimento biológico para abrigar tanto potencial como nós.
O legal é que influenciaríamos negativamente eles (nossa sociedade preconceituosa), e eles com raciocínio menos desenvolvido se tornariam um problema social.
abril 15th, 2009 às 20:06
Guilherme Portões? Vc é amigo do Estêves Trabalho?
Vieira respondeu:
abril 15th, 2009 às 22:18
e
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=22949&op=all
tem até ilustração.
Pelo que li, as duas espécies nunca se confrontaram.
Imagine se isso tivesse acontecido.
abril 15th, 2009 às 22:29
O que isso tem a ver com o presente artigo?
Vieira respondeu:
abril 15th, 2009 às 22:54
@André,
Nada.
Na verdade só estava mostrando ao Guilherme* que conviver com uma segunda espécie inteligente não seria novidade.
* “Deve ser interessante uma segunda espécie inteligente convivendo conosco.”
(Peço) desculpas pelo comentário off-topic.
abril 15th, 2009 às 23:00
Alguém já ouviu falar de golfinhos?
Guilherme Portões respondeu:
abril 16th, 2009 às 17:56
@André, não me misturo com marginais.
@Vieira, tá, mas nosso parentesco é direto. Como não fomos “criados a partir do nada”, é de se esperar que duas ou mais espécies do mesmo gênero vivendo juntas no período em que surge a mutação que as distingue.
Cetáceos, primatas, canídeos e pentecostais tem bastante potencial social, linguagem simples e até rituais, eles são razoavelmente inteligentes, mas carecem de raciocínio. Devo me corrigir acima, dizendo inteligência me refiro ao raciocínio.
Criar ferramentas com um propósito e projetar ações futuras é um privilégio de poucos.
Tenho medo de chimpanzés amarrando pedras lascadas na ponta de galhos e entrando por nossas janelas para roubar comida, videocassete, estéreo…
Vieira respondeu:
abril 15th, 2009 às 22:11
@Guilherme Portões,
“Deve ser interessante uma segunda espécie inteligente convivendo conosco.”
E já existem diversas convivendo com a gente. O problema é o ser humano que se acha superior ao resto.
Brincadeiras a parte.
http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/reuters/2007/08/08/ult4296u316.jhtm
Fósseis revelam que dois tipos de ancestrais do homem coabitaram, o Homo erectus e o Homo habilis. O Homo sapiens, espécie a qual nos pertencemos, evoluiu do Homo erectus. Ou seja, um dia nossos ancestrais conviveram com outro hominídeo inteligente.
Bruno Caxito respondeu:
abril 16th, 2009 às 20:37
@Guilherme Portões,
Mesmo que existisse uma espécie inteligente convivendo conosco, isso so ia gerar mais preconceito e racismo por parte de nos humanos (ou especismo “sei lá
”
)
Pelo menos agora a igreja não ia precisar falar que “esses humanos não tem alma portando podemos escravizá-los”, eles já afirmam que outros animais não tem alma a bastante tempo.