Acadêmicos, pesquisadores e até mesmo estudiosos da história do beisebol perceberam recentemente o desaparecimento de alguns arquivos de jornais mais antigos até há pouco disponíveis na web. Os problemas surgiram depois que a PaperofRecord.com, uma coleção de mais de 20 milhões de páginas de jornais que variam do Toronto Star a periódicos de aldeias mexicanas, passando por publicações de Perth, Austrália, se fundiu ao Google News Archive.
O problema, descobriram os pesquisadores, é que o Google encontrou dificuldades para reformatar as imagens dos jornais e adquirir os direitos de exibição do conteúdo de algumas das publicações mais antigas, e por isso bloqueou, ao menos temporariamente, o acesso a alguns dos arquivos.
Existe uma visão idealizada da web como uma espécie de armazém geral do conhecimento humano, e no sentido da amplitude daquilo que se pode descobrir com uma busca aleatória no Google, isso é verdade. Mas apesar de toda essa abertura, a web provou ser um receptáculo ineficiente para a preservação histórica, e boa parte do tesouro que ela abriga fica perdido em um labirinto de páginas de web alteradas, links quebrados e sites eliminados.
O diretor da British Library recentemente alertou em artigo para o jornal Observer que, se essa memória digital não for reparada, corremos o risco de “criar um buraco negro para os futuros historiadores e escritores”.
Os arquivos do Sporting News, conhecido como “a bíblia do beisebol” e fundado em 1886, estão entre as publicações que caíram vítima da transição da PaperofRecord.com ao controle do Google. Alguns jornais mexicanos antigos também estão indisponíveis, se queixam os acadêmicos.
Preservar a História na web é difícil até mesmo para o Google, cuja missão declarada é a de “organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil”. “Estamos fazendo o melhor que podemos para encontrar uma solução que inclua o máximo possível do conteúdo adquirido”, disse um porta-voz do Google sobre a transição do arquivo de jornais.
Mas à medida que proporção cada vez maior de nossa memória coletiva ganha abrigo online, cresce o perigo de que percamos o conteúdo e contexto de eventos acontecidos até mesmo há poucos dias, quanto mais há semanas, meses ou décadas.
Tente recuperar links de escândalos antigos ou imagens inconvenientes na web, por exemplo Enron, Parmalat ou outros nomes corporativos que entraram em colapso. A maior parte deles desapareceu, apesar dos esforços de sites como a Wikipedia ou Smoking Gun ou combinação de forças da blogosfera para a preservação da história.
Onde foi parar o senso de revolta coletiva global com a pilhagem do Museu Nacional do Iraque durante a invasão dos Estados Unidos ao país em 2003? Apesar de ser difícil de medir, creio que é possível apostar que o mundo sofre a perda de um museu cheio de artefatos todos os dias, dependendo de como a wWeb armazena nossas memórias culturais.
O modo como a World Wide Web evoluiu ao longo dos últimos tornou possível deixar obscuro ou mesmo apagar fatos inconvenientes. Isso não era a intenção do inventor da web, Tim Berners-Lee, cujo objetivo era fazer com que cada endereço apontasse para uma página de dados. Em vez disso, os projetistas da web acharam conveniente criar endereços dinâmicos que podem tornar impossível encontrar informações em uma segunda visita a um mesmo site.
Por isso, desfrute dos muitos benefícios da web enquanto eles ainda estão acessíveis em sua tela. Mantenha cópias de tudo que deseja recordar, ou encare o risco de perder essas informações talvez já no próximo momento em que atualizar uma página.
Vivemos em uma época em que a capacidade de registrar e preservar o que fazemos em nossas vidas nunca foi tão grande. Mas usar a web para preservar essas memórias torna mais e mais provável que as gerações futuras vejam os primeiros anos da internet como décadas perdidas.
Fonte: Terra Tecnologia
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7 respostas para "Internet pode virar buraco negro e “devorar” a História"
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março 24th, 2009 em 18:59
já disseram:Quem não conhece a história está condenado a repeti-la…além da perda dessas memórias há quem queira apagá-las por serem “negativas”vão acabar por ressuscita-las….
março 24th, 2009 em 19:29
Sensacionalista e errôneo como a notícia dos “riscos” da internet anônima. A Internet é um acontecimento sem precedentes, e classificar como “buraco negro da história” um fato isolado, é como dizer que o uso da camisinha provoca filhos.
XaparraL respondeu:
março 24th, 2009 às 22:04
@Spy,
Sensacionalista???
Você não captou a essência do artigo.
Este “caso” (que está muito longe de ser isolado) apenas foi citado como forma de exemplificar o que está acontecendo já há um bom tempo. Com a mesma facilidade que a internet oferece, ela tira.
Há um tempo, por conta dos estudos, fui obrigado a comprar um HD externo para salvar os conteúdos de meu interesse, justamente porque alguns dos sites salvos em “meus favoritos”, que eram alvos de minhas pesquisas, simplesmente insistiam em não mais abrir (links quebrados, erro no servidor e outras mensagens de erro). Sem contar que antes tentei fazer um arquivo pessoal digital hospedando o conteúdo em um servidor grátis (maldito cjb.net) para facilitar minha vida, e sem mais nem menos deletaram.
É fácil perceber: seja qual for o assunto, os buscadores sempre mostrarão em seus resultados diversos sites com os seus links quebrados.
spy respondeu:
março 24th, 2009 às 22:47
@XaparraL,
Ouso dizer que não pensou o bastante no tema quando não percebe a falta de perícia no assunto do autor do artigo em usar o termo “Buraco negro” e “devorar a história”.
Todos já tivemos problemas com dead links, se pegar um backup antigo é bem provável que a maioria dos links estejam mortos, mas isso é um coisa óbvia, visto que as pessoas hospedam em servidores grátis, e conforme esses ascendem ou descendem, simplesmente não há espaço, ou não é mais interessante hospedarem tais arquivos, a maioria dos servidores inclusive inclui isso nos termos de uso, é ingenuidade pensar que alguém vá gastar recursos pra hospedar em troca de nada. Experimente ler os termos do orkut e o privacy.
Olhe sites como a wikipedia, apesar da versão brasileira ainda ser um pouco precária, é conhecimento livre e gratuito, porém eles funcionam com doações para se manter.
A internet é supernova, não buraco negro, praticamente qualquer livro ja lançado “recentemente” pode ser encontrado aqui (pirataria é OUTRO assunto), e isso nunca aconteceu antes na história.
spy
março 24th, 2009 às 23:09
@spy,
Você está esquecendo uma coisa: informaçao NÃO É conhecimento.
março 26th, 2009 em 19:42
Não seria melhor voltar ao tempo em que se ia à biblioteca fazer pesquisas e aproveitar para namorar um pouco? Será que não é mais seguro guardar todo o conhecimento humano em caixas fortes feitas especialmente para esse fim? Eu tenho minhas dúvidas .
março 29th, 2009 em 14:47
Caixas fortes? E quem impede que o governo ou entidade responsavel por essas caixas fortes remova coisas de la?
E o acesso a informacao? Se ela nao esta facilmente acessivel, ela realmente existe? Se existe, e util?
A melhor maneira de manter o acesso a informacao inviolavel e fazer um controle distribuido, como o que a internet se propoe. A informacao sempre vai existir enquanto uma ou outra pessoa estiver escrevendo sobre isso num blog ou salvar em um ‘hd externo’.
‘Quem controla o presente controla o passado e quem controla o passado controla o futuro’ (1984 – George Orwell). Com certeza e mais seguro (apesar de nao ser perfeito) deixar a informacao na mao de milhares (milhoes?) de jornalistas-blogueiros-usuarios do que na mao de uma minoria.