Um estudo de um instituto de tratamento do câncer nos Estados Unidos sugere que pessoas com fortes crenças religiosas lutam com mais intensidade contra a morte. Pesquisadores do Instituto do Câncer Dana-Faber, de Boston, Massachusetts, acompanharam 345 pacientes com câncer em fase terminal até a hora de sua morte.
Eles afirmam que aqueles que rezavam regularmente pareciam querer que os médicos prolongassem suas vidas o máximo possível. De acordo com a pesquisa, pacientes com fortes traços religiosos tendiam a receber tratamentos intensivos para prolongar a vida três vezes mais do que aqueles que não eram tão religiosos.
A pesquisa também sugere que este tipo de cuidado intensivo, incluindo técnicas de ressuscitação, podem fazer com que a morte seja mais difícil.
“Estas descobertas precisam ser mais discutidas dentro das comunidades religiosas, e podem gerar mais reflexão daqueles que fornecem aconselhamento pastoral para pacientes com câncer em fase terminal”, disse Holly Prigerson, que liderou a pesquisa.
O relatório dos pesquisadores americanos foi publicado na revista especializada Journal of the American Medical Association.
Entre os consultados, pouco mais de 30% concordaram com a afirmação de que a fé é “a coisa mais importante que faz você continuar”.
Segundo os pesquisadores, era menor nesse grupo o número de pessoas que assinaram uma ordem proibindo os médicos o uso de técnicas de ressuscitação.
Outras pesquisas realizadas nos Estados Unidos mostraram que pessoas religiosas tendiam a apoiar o uso de cuidados intensivos nos últimos dias de vida. Entretanto, poucos estudos foram feitos para saber se estas pessoas recebiam estes cuidados.
Outros estudos afirmam que intervenções como cuidados intensivos nas últimas semanas e dias antes da morte podem reduzir a qualidade de vida do paciente.
Estudiosos da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh descobriram que tratamentos como a respiração com ajuda de aparelhos e ressuscitação, alimentação com o uso de tubos e quimioterapia não paliativa estavam associados a mais sofrimento físico e psicológico.
Opinião de Abbadon
A partir do estudo aqui publicado na Ceticismo, podemos ver que mais um mito religioso foi derrubado.
Quem já não ouviu da boca de um crente as seguintes palavras “Quando você estiver no leito de um hospital, você irá gritar por Jesus ou Deus e se arrepender pelos seus pecados, se não aceitar Jesus como seu único salvador agora antes que seja tarde!”
Então, podemos observar que o estudo prova justamente o contrário. Os mais religiosos são os que mais se apegam à vida, recorrem a todos os tipos de tratamentos disponíveis para prolongarem as suas vidas, pedem que equipes de médicos e enfermeiros recorram às técnicas de ressucitamento, etc..
É de se perguntar o porquê!
Suponhamos que seja devido à convicção dos religiosos em suas crenças sobre o Inferno, Purgatório, Paraíso, etc.. de que são lugares reais, de que existem de fato. E também, de que há um deus que os punirá eternamente (isso mesmo, eternamente, e não por um período de uns dias, semanas ou anos, mas para sempre !) com torturas tenebrosas e terríveis no Inferno, com a ajuda de um ser chamado Satanás.
A crença desses religiosos parte do pressuposto de que o deus judeu-cristão é um ser supostamente amoroso, mas que é punitivo também. Ou seja, é um deus que valoriza muito mais a crença ortodoxa e supostamente “correta” do que o caráter do ser humano. E para completar, não importa como tenha sido a sua vida, por mais bom que tenha sido, por mais honesto e ético que tenha sido, UMA ÚNICA FALHA irá pôr tudo a perder. Não importa a natureza dessa falha, a duração da falha, as conseqüências dela… mesmo assim, o amoroso deus judeu-cristão, junto com o misericordioso Jesus, irão puní-lo com uma passagem só de ida para o inferno para ser torturado eternamente.
Quantas vezes já lemos sobre isso, em diversas biografias de personalidades históricas e religiosas, que se afligiam em grande angústia no fim de suas vidas, tentando relembrar exaustivamente onde foi que erraram, se cometeram algum pecado, se fizeram algo que tivesse desagradado os deuses imaginários, e por ai vai. Até mesmo o homem mais pio se preocupava com isso !
Não importa o que digam os religiosos de correntes evangélicas e pentecostais, que alegam que basta aceitar um Jesus qualquer, que a ficha está limpa. Mesmo assim, se atormentarão em mil dúvidas dentro de suas mentes, porque no fundo não possuem certeza de nada, não possuem em suas mãos uma garantia verídica de que estão “salvos”, e quanto mais próximos do fim de suas vidas, caem em desespero mental, e as dúvidas se avolumam cada vez mais e não podem expressá-las em alto e bom som, com medo de piorar a sua situação em frente aos seus ídolos imaginários.
Uma pergunta é interessante:
Porque os mais religiosos, que possuem a crença de que existe uma vida após a morte e que são os “eleitos” para ganhá-la, são os que mais se apegam à vida que possuem, com desespero e terror, em vez de deixar a natureza seguir o seu curso para que a morte lhes venha?
Pois bem, espero que os religiosos que estejam visitando a Ceticismo, pensem muito bem nisso.
Em relação aos não-religiosos (ou seja, os ateus, agnósticos, não-deístas, não-praticantes, espirituais, etc), a aceitação da morte é mais fácil, pois os mesmos possuem uma visão bem diferente das coisas. Possuem crenças bem diferentes, e uma aceitação mais natural da morte como fato da natureza que inevitavelmente chega a todos nós.
Essas pessoas, as não-religiosas, preferem cuidar de suas próprias vidas, trabalhar para melhorar o mundo em que vivem, ajudar-se uns aos outros, fazer a sua parte para contribuir com a sociedade, preocupar-se com a família, o meio ambiente, nas condições sociais, etc.. e eles fazem isso pensando no presente, pensando no futuro para as gerações que virão depois. Ou seja, em poucas palavras, estão mais preocupados em tentar construir aqui mesmo na Terra onde todos nós vivemos, um Paraíso construído pelas nossas próprias mãos, em vez de se preocuparem com um suposto Paraíso Celestial após a morte, do qual não há evidências e nem provas de que exista de fato.
E para os que possuem a crença em uma divindade ou um poder superior, estas pessoas preferem também acreditar que serão valorizados pelo seu caráter, pelo mérito pessoal, pela vida que tiveram, pelas atitudes que tomaram em relação aos outros e ao mundo em que vivem. Enfim, acreditam que essa divindade não os punirá baseado em critérios de crenças não-ortodoxas ou pecados (que são mera invenção humana, mutáveis com os tempos e sociedades) de uma suposta “verdade”, e que o sistema de crenças sobre o Inferno é muito injusto.
Resumindo, qual o sentido de um Inferno para torturar eternamente as pessoas por causa de uma falha limitada de curta duração ? Uma pena excessivamente enorme para um delito de menor gravidade mostra um deus perverso e injusto, do qual o diabo que se encarrega da punição, não é oponente desse deus e sim um auxiliar direto !
Até o pior sistema prisional humano é muito mais justo que isso!
Concluindo… já não esta na hora de abandonar essas crenças obsoletas da Idade do Ferro, e começarem a viver de verdade, trabalhar para melhorar o mundo, curtir a vida sem peso na consciência devido a ameaças vindas de doutrinas e dogmas religiosos, valorizar as pessoas que estão próximas de vocês e sem discriminá-las por causa de crenças diferentes?
Fonte: G1
2 Pings to "Religiosos lutam contra a morte com mais intensidade, diz estudo"
29 respostas para "Religiosos lutam contra a morte com mais intensidade, diz estudo"
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1. Dra1nyou disse:
março 18th, 2009 em 23:26que engraçado, eu pensava que crente não precisava de tratamento médico , não é só ajoelhar, rezar e ‘ShAzaM’ ‘tá curado em nome de Jesus ‘?
muito bem Abbadon ,

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2. Robson Fernando disse:
março 18th, 2009 em 23:54Palmas e mais palmas pra você, Abbadon!
Vou postar no CE essa notícia, e com o seu comentário. Sempre é bom gritar pras pessoas ao redor: ACORDEM!
Robson Fernando respondeu:
março 19th, 2009 às 01:23Aliás, como é que eu posto aqui um ping/trackback linkando ao CE, já que eu postei lá?
André respondeu:
março 19th, 2009 às 10:08Colocando o link já seria o suficiente, mas se não der, coloque /trackback , exemplo:
.
http://ceticismo.net/2009/03/18/religiosos-lutam-contra-a-morte-com-mais-intensidade-diz-estudo/trackback -
3. Rodrigo Souza, a.k.a. Sargento disse:
março 19th, 2009 em 00:19Excelente postagem, Abbadon. Clara, bem pesada e bem analisada. Aprecio muito textos com esse grau de erudição e ponderação. Gostaria de ter sua autorização para poder republicá-lo em meu blog com todos os créditos cabíveis. Grato!
Abbadon respondeu:
março 19th, 2009 às 01:23@Rodrigo Souza, a.k.a. Sargento,
Ok, pode republica-lo, desde que citada a fonte e a autoria !
Um abraco !
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4. Blog Mallmal disse:
março 19th, 2009 em 09:41O pior é que do jeito que gostam de racionalizações vazias intermináveis, os chatólicos vão se justificar dizendo que se apegam à vida devido à sua “santidade” ou porque a vida é “obra de deus” ou alguma outra pieguice insensata que eles tanto gostam…
ZzXx respondeu:
março 19th, 2009 às 17:36@Blog Mallmal, ou eles iriam usar a discução para atacar os não-religiosos chamando-os de suicidas e que não dão valor a vida.
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5. mirtes disse:
março 19th, 2009 em 10:53Gostei muito da conclusão do Abbadon! Mas gostaria de colocar outro ponto de vista além :
Acho, que realmente falta em algumas doutrinas a compreenção, de que a morte é realmente a única certeza, dete mundo, o resto, é pura especulação.
Eu também posso acrescentar que, a crença em uma vida futura, em outros planos, faz, com que de certa forma a vida terrena soe fútil, falsa, desnecessária afinal, todo mundo está almejando ir “pro céu”.
Quando a efemeridade da vida, se torna uma realidade, vem o desespero, não só por que estão com medo do julgamento, por terem cometido um erro, mas por que não tiveram tempo de desfrutar de certas coisas da vida, com medo de dogmas, e punições.
O apego, vem do arrependimento, também, quantos casos, de pesssoas em seu leito de morte, não olham para trás e dizem “deveria ter feito isso”, ou ‘não deveria”?
Acho, que deveriam, ser mudados os pontos de vista, e deixar de fixar somente a apenas a “vida espiritual”.
Acho que, deveria ser mostrado, que se você viver intensamente, amar, trabalhar, comer, dançar, trepar, rir, passear, se divertir, assistir televisão, usar perfume, tudo isso, é futilidade, que não interfere, na “ida aos céus”, caso, se acredite nisso, e nem castra as necessidades psicológicas do ser humano.
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6. AC/DC disse:
março 19th, 2009 em 12:13Como já dizia a canção:todo mundo quer ir pro céu mas ninguém quer morrer…

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7. Nascimento disse:
março 19th, 2009 em 12:57Essa é mais uma prova da covardia crental ! Os crentes se apegam à vida porque morrem de mêdo do desaparecimento natural que é a morte . Esses malucos mitomaniacos não conseguem encarar a realidade, e no terror que a morte lhes causa ficam a espera de milagres ilusórios. Eu pergunto aos meus botões; será que o mêdo da morte é a unica causa da imbecilidade religiosa dos homens ? “O CRENTE É UM MANÍACO COVARDE”
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8. Lilian Berta disse:
março 19th, 2009 em 15:57Eu acredito que o que querem é um “milagre” pra poder testemunhar perante a igreja que são dignos de ter recebido uma bênção de Deus, por serem muito fiéis. Dai ficam sonhando com o dia do testemunho perante todos os irmãos… ainda não vão esquecer de dizer que “todos os médicos não acreditaram, e disseram que a cura só pode ter sido obra de Deus”. É por ai…
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9. ZzXx disse:
março 19th, 2009 em 17:16Os crentes vivem como parasitas o tempo que precisarem, pois são parasitas de fato, e nunca colocam a sua inexistente dignidade acima de nada.
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10. Robson Fernando disse:
março 19th, 2009 em 23:23 -
11. Robson Fernando disse:
março 19th, 2009 em 23:24É assim mesmo como tá acima?
Robson Fernando respondeu:
março 19th, 2009 às 23:31Link limado por filtro de spam… =|
Mas é pra postar no CE o link com /trackback ou aqui o link da minha postagem do CE seguido de /trackback?
André respondeu:
março 19th, 2009 às 23:58Qdo vc for postar no CE.
Robson Fernando respondeu:
março 20th, 2009 às 00:04Mudei o link no CE agora mas não apareceu aqui ainda.
André respondeu:
março 20th, 2009 às 00:32Pronto. O Askimet tinha bloqueado. Mas agora tá beleza.
Robson Fernando respondeu:
março 20th, 2009 às 00:48Não, postei no CE mesmo o link daqui com trackback. Mas (sem vírgula) nào apareceu aqui ainda

Robson Fernando respondeu:
março 21st, 2009 às 21:26Nada até agora. Não mostrou meu trackback lá em cima.
Robson Fernando respondeu:
março 21st, 2009 às 21:34Botei sim o trackback daqui lá. Dá uma olhada:
conscienciaefervescente.blogspot.com/2009/03/acorda-parte-9-porque-o-sono-nao-e-tao.html
André respondeu:
março 21st, 2009 às 22:06Última tentativa. ao invés de /trackback , coloca /pingback
Se não funcionar, então não sei.
Robson Fernando respondeu:
março 21st, 2009 às 22:28/pingback não funciona. Clico no link e dá 404.
Será que aqui só permite trackback de blogs do Wordpress?
Robson Fernando respondeu:
março 21st, 2009 às 22:34Sim, só Wordpress. O blogger não é compatível
Grrrrrrrrrr
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12. Hellboy disse:
março 20th, 2009 em 09:24Era o medo que sempre tive, quando eu era burro de doer (religioso, crente, etc), sempre me atormentava com isso, pois segua à risca a ética religiosa e achava que por qualquer deslize ínfimo Jesuis me castigaria. Que nojo daquela época.
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13. Dant Frank disse:
março 22nd, 2009 em 15:38A mente não sobrevive ao corpo. Não é preciso muito de nossa razão para deduzir isso. É uma asserção simples, direta, coerente. Se não se exige muito do trabalho lógico, muito se exige da coragem, afinal, estamos pressupondo que somos finitos, seres de paixões efêmeras para os quais a vida é um momento único, singular, um lampejo iridescente na treva. Sabemos que a certeza capital de nossa existência, por mais amarga e tétrica que nos pareça, é a eternidade no nada. É exatamente como propôs Heidegger:”vida - a travessia entre nadas”. Mesmo óbvia, a fugacidade da vida tem sido contestada e repelida; a religião se sustém na negação daquilo que nos é imanente! Como causas dessa não-admissão de um fato, o medo, a fraqueza. Engana-se quem pensa que os defensores da vida após a morte, ao afirmar suas certezas inextirpáveis, estão privados do horror da morte, da inexistência. A própria religião é a acentuação do medo e da apatia espirituais que resultam nas famigeradas crenças estapafúrdias de um deus concessor de uma vida perene. Sim, o homem teme seu destino e constrói mundos de eterna felicidade controlados por um deus sempiterno que, como condição para tal benefício, exige a fé. Como resultado, o homem deprecia esta realidade, insultando-a com quimeras e crendices sórdidas. Nós, os livres-pensadores, louvamos a vida sem a pretensão de vivenciá-la para sempre; os outros, os fundamentalistas, desejam - pobres criaturas ínfimas! - a vida infinita, pois essa existência terrena, pensam eles, não é suficiente, satisfatória, prazerosa.
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14. Marcello disse:
março 22nd, 2009 em 21:27O Wood Alen citou uma vez: Eu não tenho medo de morrer, só não quero estar lá quando isso acontecer.
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março 18th, 2009 em 23:12
[...] somos Religiosos lutam contra a morte com mais intensidade, diz estudo mar [...]
setembro 3rd, 2009 em 18:11
[...] sério. Já publicamos aqui um artigo que falava sobre o “poder das orações” e também sobre o comportamento dos religiosos em enfrentar a morte em seus estados [...]