Eles são selvagens porque se utilizam de métodos os mais violentos para maltratar seus semelhantes, não demonstram o mínimo de respeito para com o próximo, têm comportamento que nem remotamente indicam a prática de hábitos civilizados e descambam para um tipo de “disputa” sem limites. Mas são debiloides porque praticam atos próprios de débeis mentais, gratuitos, inúteis, numa disputa sem causa alguma, com agressões sem qualquer sentido, em pretensa “comemoração” que não passa de extravasão da própria estupidez. Sim, caros leitores, lamentavelmente estamos tratando aqui de jovens universitários, dedicados à imbecilidade descontrolada dos trotes, praticados contra os “calouros” em seus primeiros dias de aula em alguns cursos superiores.
A cada ano se repetem as cenas revoltantes de jovens humilhando e agredindo outros jovens, a pretexto de festejar o esforço vitorioso de passar em um vestibular e entrar numa faculdade. Já se chegou ao extremo de causar – em circunstâncias não bem esclarecidas – a morte de um colega, há poucos anos, numa faculdade de medicina de São Paulo. Sempre há um estabelecimento de ensino superior (?!) que se destaca nessa prática violenta. Este ano, até o momento, ganha o abjeto troféu a Faculdade de Medicina Veterinária Anhanguera, na cidade de Leme.
Um estudante foi amarrado a um poste e apanhou com chicote. Fizeram-no beber pinga até que entrasse em coma alcoólico. Mas o requinte de crueldade praticada contra os jovens calouros foi além: os veteranos colocaram uma lona no chão com excremento de animais. No meio disso jogaram animais em decomposição, cheios de vermes. Os calouros eram obrigados a rolar nessa fétida lama, além de comer ração de cachorro.
Como se explica tamanha manifestação de maldade gratuita, a título de mera diversão? É claro que a primeira resposta não pode escapar da obviedade da ausência de valores morais, na juventude – e, certamente, depois dela. A falta de regras, de limites ao comportamento transgressor dos jovens, pode resultar em tragédias na comemoração de um dos bons momentos da vida, como o é o sucesso num vestibular. É aí que se configura a quebra do valor fundamental – que alicerça os demais -, qual seja, o do respeito ao próximo. Veem-se, então, as aberrantes cenas de jovens tratando colegas como não se tratam nem os animais peçonhentos.
Por sobre tudo isso está a chaga correlata à ausência de valores, que é a crônica impunidade. Num país em que a maioridade penal – portanto, a responsabilidade criminal – só começa aos 18 anos, o que, no mundo, só ocorre na Venezuela, Colômbia e Guiné, países marcados pela violência civil e política; num país em que os criminosos só têm que cumprir em reclusão um sexto de suas penas (por que não um terço, um sétimo ou um nono?); não há por que os jovens temerem algum tipo de punição pelos atos que pratiquem. Então, tudo lhes é permitido, mesmo porque não há polícia vigiando os trotes, apesar da certeza de que haverá abusos.
É verdade que em algumas faculdades já se tenta substituir o trote abrutalhado e perverso por um trote “sustentável”, ambiental e socialmente correto, que resulte em algum benefício para pessoas que dependem do trabalho voluntário. Mas, infelizmente, há as que não adotam essa prática. De qualquer forma, os órgãos diretores ou as entidades mantenedoras dessas faculdades em que os alunos se tornam verdadeiros torturadores de seus novos colegas têm a obrigação de reprimir essa prática com o maior rigor – inclusive em benefício da imagem da instituição de ensino a que se dedicam.
Nunca se falou tanto em Educação como nos últimos anos. É ponto pacífico que só ela é capaz de incentivar e manter em bom patamar a pesquisa científica, parte indissociável do progresso socioeconômico e cultural do País. Mas também é certo que, sem a consciência que os jovens tenham de sua responsabilidade – na qual se inclui a convivência fraterna e civilizada com os colegas -, valores de espécie alguma poderão ser preservados para as próximas gerações.
Fonte: Estado de SP
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20 respostas para "Os selvagens debiloides"
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fevereiro 15th, 2009 em 19:52
Concordo plenamente com o texto, mas também vale ressaltar que existe por parte dos calouros (sua maioria) aquela necessidade pessoal de se enturmarem com os veteranos, achando que para isso eles devem fazer qualquer tipo de ritual.
Também tem aquele pensamento da grande maioria dos calouros, que serviria como um atenuante da humilhação que passariam hoje: ano que vem “é nóis”.
Calouros também tem culpa nisso.
fevereiro 15th, 2009 em 20:40
Infelizmente eu já estudei um ano nessa faculdade, não nesse curso, mas passei em universidade pública e saí de lá. É realmente lamentável o trote que as faculdades e universidades (tanto públicas como particulares) permitem hoje em dia, e não tenha uma vigilância rigorosa em relação à isso. Não dei trote na faculdade anterior; não darei trote na universidade pública agora. Sou totalmente CONTRA!
(mas pelo que vejo com os meus colegas, sou a minoria da minoria… deprimente mesmo)
fevereiro 16th, 2009 em 14:42
No caso da USP (que é a que eu mais conheço) é simplesmente lamentavel,sem falar que na USP é o lugar que mais se fuma maconha por metro quadrado,mais isso é outra história…
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Os trotes hoje servem para humilhar,castigar,agredir o “calouro” chamado de “bicho”,e porque esses recém chegados topam em participar dessas humilhações?? se todos se recusassem como seria?agrediriam todos ao mesmo tempo?? acho que não……
Mas muitos calouros topam em participar porque querem ser aceitos em um grupo,numa tribo,parecido com aquelas gangues que para você entrar tem que ser “espancado primeiro”.
Aonde os “veteranos” são tratados como autoridades,sendo superior aos calouros.
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Na USP a grande maioria é burguês,playbozinho safado de cabeça oca (existe uma minoria que não é,mas é minoria),que se junta com outros riquinhos retardados para fazer essas merdas de trotes,dai você junta calouros que topam em participar com medo de não serem aceitos na “tribo” e voialá…..temos o trote…(fora que muitos são arrastados e obrigados a participar e até agredidos se não forem)
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Ninguém foi ou é punido na USP sabe porque??porque são filhos de desembargadores,empresários,deputados e etc…..FILHO DE RICO NÃO CUMPRE PENA OU É EXPULSO………filho de pobre? bom ,vocês já sabem,lembremos o caso do estudande japones que morreu na USP,quem foi condenado??ninguém….se fossem uma bando de pobre que tivesse jofado um filho de desembargador na piscina e ele tivesse morrido??estariam todos presos há muito tempo…
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isto é uma VERGONHA!
fevereiro 16th, 2009 em 16:28
Bem, trotes só participei ano passado.
Tinha acabado de passar para o 3° ano; então, inventamos de fazer trote na calourada.
Bem, no 2° ano, ocorreu uma discussão feia entre um professor e um aluno da nossa sala, resolvemos “encenar” esta briga, com a calourada. Pegam um dos aluno mais velhos para encenar o professor, e fizemos um sorteio para ver quem encenaria o tal “aluno”…
Bem, o pseudo-porfessor entrou na sala e começou a encenar. Uns 15 min depois entrou o pseudo-aluno. Então a discussão começou…
Foi hilário a cara dos calouros. Pois reproduzimos a discussão ao pé da letra, até com as palavras de baixo calão.
Após a encenação da briga, foi esclarecido q era um trote e blá blá bla… ninguem saiu sujo, ninguém apanhou, todo mundo saiu dando risada.
SIMPLES!
Isso acho válido. Agora, essa IMBECILIDADES ATUAIS são demais para mim.
fevereiro 16th, 2009 às 17:08
Vocês vão pra faculdade pra estudar e se formar ou pra ficar de palhaçada? Nunca participei de trote e repudio qq forma disso.
fevereiro 16th, 2009 em 17:20
Ou André, nunca quebraram um ovo de galinha em sua cabeça quando passava de ano no ensino médio? Tbm é um forma de “trote”.
fevereiro 16th, 2009 às 17:29
Não. Fui educado no seio de um rigoroso colégio mantido pela Sacro Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana.
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Sem falar que era esperto e sabia de antemão quando ia acontecer a guerra de ovos e fiquei… cof.. cof.. cof.. muito doente no dia.
fevereiro 16th, 2009 em 18:39
Uhauhhaauhauhah
Depois da 2° ovada, inexplicavelmente eu tbm ficava doente, ou no mínimo perdia o dia inteiro de aula por causa de uma unha encravada uhahuauhauh
fevereiro 17th, 2009 em 19:20
o trote, por naturalidade é uma brincadeira de mero objetivo a comemoração!
os atos violentos feitos em universidades de SP são exceções… aqui em SC por exemplo, o trote é apenas um corte no cabelo dos homens e alguma tintura nas mulheres… mais como uma marca, uma festa…
NUNCA ouvi NINGUÉM reclamar de trote por aqui…
e outra, se você não quer… dificilmente alguém que não te conhece te força a algo do genero.. normalmente são amigos que fazem trotes em amigos…
não sei ai em sp, nunca fui em uma universidade ai, então não posso falar
fevereiro 17th, 2009 às 19:23
Pra mim, quem gosta de trote é cavalo. Sim, é um trocadilho horroroso, mas é bem adequado ao tipo de animais que fazem isso.
Juliano respondeu:
fevereiro 17th, 2009 às 22:12
@André, sei lá, cada um, cada um… aqui calouro que não quer não participa, é uma boa idéia pra galera de são paulo, a violência empregada lá é terrivel mesmo!
Paulo Felipe respondeu:
fevereiro 18th, 2009 às 02:37
@Juliano, Sou de SC, ouvi muito esse pretexto de: se não quer, não participa – mas junto com esse pretexto, se escuta: se não participar, vai ser excluído, não vai conseguir ajuda mais tarde com os veteranos, e vai ser mal visto dentro da tuma.
Eu sei disso porque escutei muito isso, eu não ligo, entrei por conta própria, não vou deixar nenhum veterano vir pra cima de mim, me ameaçar ou me ofender, porque uma pessoa assim não é melhor do que eu. Porém, muita gente após escutar tudo isso, e com medo de não fazer parte da “galera” acaba por participar, e depois de alguns anos, a organizar.
É lastimável, mas é assim que funciona com a maioria das pessoas.
Fabiano respondeu:
fevereiro 18th, 2009 às 09:40
@Juliano, quando entrei na faculdade (em SP), fui idiota o suficiente para ir no primeiro dia. Na minha cabeça, achava que o trote fosse apenas cortar o cabelo ou algo do tipo. Pra minha infeliz surpresa, além de obrigarem os bichos a andarem amarrados numa corda, jogaram uma mistura de água, alho e sabe-se lá o quê no rosto das pessoas. Além de arder os olhos, fiquei com aquele cheiro por dias (sim, eu tomo banho).
Não vale à pena ir. Falar que em SC não acontece sempre é perigoso. Ninguém sabe o que se passa na cabeça dos veteranos. Eu mudei para SC há 2 anos e vou ser sincero. Quando cheguei, violência nem passava pela minha cabeça. Mas nos últimos meses, está começando a beirar níveis de cidades maiores. Ou seja, o estado mudando e não parece para melhor.
fevereiro 18th, 2009 em 11:15
Prq a “necessidade” de se fazer parte da “galera”?
Não vejo razão nisso. …ahhh, pros veteranos ajudarem… BALELA!! Se alguém foi AUTOSUFICIENTE para ingressar numa faculdade, é implícito que o MESMO tenha capacidade de realizar os seus estudos, sem q seja necessária a intervenção de NINGUÉM, muito menos veteranos…
Pelo que conheço da minha faculdade. Os únicos que ajudam os outros, são os mesmos que vc vê todo dia na SUA sala de aula, e não o veterano.
fevereiro 20th, 2009 em 16:11
No CEFET-BH fizeram os veteranos fizeram algo bem bacana, se o novato doasse 1kg de alimento, não pagava trote, achei bem legal a idéia.
fevereiro 20th, 2009 às 17:28
Aiunda assium é um abuso. Eu faço uma doação SE eu quiser. Obrigar a fazer isso é arbitrariedade, violando direitos civis.
ZzXx respondeu:
fevereiro 21st, 2009 às 19:15
@Canedo, Isso não eh doação. Pra falar a verdade, tem mais cara de chantagem… >_>
fevereiro 21st, 2009 em 19:16
Me desejem boa sorte esse ano…
não para passar no vestibular, mas para não ser torturado e morto no trote!
eu hein
Paulo Felipe respondeu:
fevereiro 25th, 2009 às 10:02
@ZzXx, Simples, é só não participar, e não deixar que ninguém lhe obrigue.
novembro 22nd, 2011 em 10:19
Pelo menos dessa canalhice agente (Paraenses) escapa… Nunca ouvi falar de trote violentos na UEPA ou UFPA. Por aqui a tem semana do calouro com doação de sangue, alimento etc… e na sexta o forró dos calouros… depois das aulas é claro ¬¬