O problema já foi a perseguição da extinta Delegacia de Costumes, no século passado. Atualmente, aos cem anos de sua fundação, comemorada ontem, as acusações de charlatanismo e curandeirismo fazem parte do passado da umbanda. Uma história de obstáculos e desconfianças para se consolidar como a primeira religião criada no Brasil. Porém, se a polícia já não incomoda mais, a intolerância de outras crenças continua presente na vida de pais, mães e filhos-de-santo no Brasil.
Nem mesmo a proteção das entidades e orixás parece ter sido capaz de conter os ataques a centros de umbanda e candomblé. Os casos se acumularam nos últimos anos na mesma velocidade com que a demonização das religiões de matrizes africanas avançou nos veículos de comunicação controlados por evangélicos radicais.
Há quem acredite que a repetição dos casos de intolerância afasta os fiéis e impede a afirmação da crença. De acordo com o censo de 2000 do IBGE, 432 mil brasileiros se declaram umbandistas. Em 1991, eram 542 mil. “Hoje, existem pessoas se escondendo de sua fé por causa da intolerância religiosa”, lamenta pai Guimarães de Ogum, presidente da Associação Brasileira dos Templos de Umbanda e Candomblé (Abratu) e coordenador-geral do Movimento Chega! - organização contra a perseguição religiosa dos terreiros de umbanda.
Segundo o sociólogo Flávio Pierucci, livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), o discurso agressivo contra a umbanda e o candomblé surte efeito. “O número de adeptos de religiões afro-brasileiras está caindo vertiginosamente, o que significa que a contrapropaganda está funcionando. Essa demonização dos orixás funciona, porque as pessoas têm medo. Com pastores sistematicamente na televisão ou no rádio dizendo que aquilo é o demônio, realmente as pessoas começam a achar que existem religiões demoníacas no Brasil”, afirma.
A outra face da intolerância se revela na vergonha dos perseguidos. “Não temos dados consolidados do número de ataques nos últimos anos porque muitas pessoas acabam se escondendo com medo de novas retaliações”, diz pai Guimarães. “Existem casos de templos que são invadidos por evangélicos e quando ele (o umbandista) vai à delegacia, acaba sendo alvo de gozações.”
Alguns ataques, porém, acabaram na Justiça. Uma decisão do Tribunal Regional Federal de São Paulo concedeu ao Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo (Souesp) o direito de resposta por ofensa e difamação de um programa (Sessão de Descarrego) da Rede Record de Televisão. O direito de resposta foi proposto em Ação Civil Pública interposta pelo Ministério Público Federal em novembro de 2004. A resposta deveria ser veiculada pela emissora durante uma semana, por uma hora, em horário nobre. “Não temos problemas com os evangélicos. Nosso problema se chama Edir Macedo (bispo e fundador da Igreja Universal)”, reclama Antônio Basílio Filho, diretor jurídico e ex-presidente do Souesp.
Em sua sentença, a juíza federal Marisa Cláudia Gonçalves Cucio, da 5ª Vara Federal Cível de São Paulo, escreve: “entendo que é possível a identificação dos ataques à religião com o intuito de menosprezar quem as pratica, referidos como bruxos, feiticeiros, pais de encosto.”
A emissora recorreu e o caso aguarda uma definição do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Procurada pela reportagem, a Rede Record não se manifestou. “Eles induzem a sociedade a se voltar contra, ou pelo menos ter medo, das casas de caridade de umbanda”, diz Basílio.
Para Pierucci, há um limite jurídico para essas iniciativas. “Esse movimento todo que teve até a participação do Ministério Público de responsabilizar a Rede Record por estar veiculando que os orixás são demônios pecou por querer que o Estado resolvesse questões teológicas. Os juristas brasileiros têm aquele raciocínio lógico-formal, pensam: ‘não é da nossa competência dizer ao Edir Macedo que ele está ofendendo um orixá chamando-o de demônio, isso é um discurso religioso, e o que o Estado tem a dizer sobre um discurso religioso?’”
Para os seguidores da religião, a primeira manifestação da umbanda sem vínculos com o kardecismo ou com o candomblé ocorreu em São Gonçalo, no Rio, em 15 de novembro de 1908. Nesse dia, na Tenda Nossa Senhora da Piedade, o médium Zélio Fernandino de Moraes, então com 17 anos, recebeu o Caboclo Sete Encruzilhadas. Estava fundada a religião e o primeiro terreiro de umbanda, oficialmente reconhecidos dali em diante.
Hoje, terreiros se espalham por todo o País, além de Portugal, Argentina e Inglaterra. Em São Paulo, são dezenas de templos, congregados pela Souesp.
Na avaliação de Pierucci, as religiões afro-brasileiras não estão sabendo reagir aos ataques, especialmente por carecer de foros de discussão. “O que estamos vendo é que essas religiões são muito frágeis, não têm organização nem muita unidade. De repente eles recebem um bombardeio de uma igreja que é gigantesca, que é a Igreja Universal.” Em um contexto de acirrada concorrência por clientela, diz o sociólogo, a diversidade religiosa não tem crescido com a liberdade religiosa. “Essa liberdade religiosa deu origem a uma concorrência livre no sentido de que o Estado não regula mais o campo religioso, ele deixa as feras lutarem entre si. Ele se isenta, se ausenta.”
Fonte: Estado de São Paulo
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42 respostas para “Aos cem anos, umbanda ainda sofre preconceito”
Inspiração
Não acho que os ateus devam ser considerados cidadãos ou que devam ser considerados patriotas. Esta é uma nação temente a Deus.—





novembro 16th, 2008 em 23:43
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AC/DC Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 12:07
Roma antiga até os dias atuais se intitulando de “mártires”pura palhaçada
isso sim…estão infiltrados em todas as partes da sociedade e lucram
os tubos com isso…
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Steven Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 12:31
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Renato Kistner Respondeu:
novembro 20th, 2008 às 17:36
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novembro 17th, 2008 em 11:35
O sacrifício de aves e animais que se encontra no velho testamento foi uma evolução da cultura afro-religiosa, o que a constituição mosaica acrescenta é uma regra de saneamento comunitário, os sacrifícios e oferendas só poderiam ocorrer dentro de um “Terreiro preparado numa tenda com véus e um altar para recolher a sangria do animal e colocar as oferendas e incensos.”
E também a cantoria recitada em ladainha do coro do ritual.
A única coisa que é mesmo incômoda dos cultos afros é o despacho em encruzilhadas, pois é poluente no ambiente, fica estragando ao ar livre, atraindo moscas, insetos, animais, isto é que não é bom para o espírito de comunidade. De resto, a mitologia destes cultos é muito interessante nos arquétipos criados pela intuição.
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Ezra Floid Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 11:41
Porque na África isto tem cem milhares ou talvez milhões de anos.
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novembro 17th, 2008 em 12:27
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novembro 17th, 2008 em 14:16
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Fátima Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 16:14
Abraços!
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mirtes Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 16:33
Boba, feia!!!
Mas, falando sério esse uso da regra de ouro, cai por terra, assim que um cristão, é confrontado, com algo que desminta, ou que contrarie essas crenças (um cristão, pregando para um hare krishna, poderia ouvri a mesma coisa, como resposta, para essa tentativa de conversão).
O que resta, é somente orgulho, necessidade de massagear, o ego, próprio, aquela coisa de “eu estou certo, você errado, eu sigo o caminho correto, você não, eu sou iluminado, você não, eu serei salvo (portanto sou mais importante, e especial, que você), você não será (portanto, você é menos do que eu, mas como eu sou bonzinho, por que sou especial e iluminado, eu tento te salvar, mesmo assim)”.
Eu ainda acho que a tal regra de ouro, sempre é esquecida, deixada de lado, em pról do orgulho, ganância, poder político, ego, dogmas, etc, etc.
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Ezra Floid Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 17:06
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mirtes Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 17:41
Infelizmente o que deveria ser na teroria “puro e edificante”, acaba sendo usado justamente para fermentar desavenças, pois é colocado acima de valores de morais, por isso, que em nome da fé, vemos preconceito, com quem pensa difrente, crê diferente, vemos preconceito e atrocidade, contra outras culturas, contra mulheres e crianças, etc, etc.
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Renato Kistner Respondeu:
novembro 20th, 2008 às 17:38
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mirtes Respondeu:
novembro 20th, 2008 às 18:38
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Renato Kistner Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 10:33
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mirtes Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 13:06
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Renato Kistner Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 14:27
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novembro 17th, 2008 em 16:18
“É chuva de glória, é chuva de vitória”, é um estribilho cacofônico, será que tem mensagem subliminar que nem os roqueiros que venderam a alma?
“Exu vade glória, exu vade vitória”
Será que o letrista se distraiu ou fez de proposito?
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mirtes Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 17:43
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Ezra Floid Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 18:04
Coisas que escapam como “essa tamanha Graça”, quando parece que cantam “é satã manha graça., pela minha fedeu me o seu perdão, e outras do tipo.
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mirtes Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 18:14
A tentativa de “popularizar’, as letras e criar refrões simples, de fácil assimilação, e chicletes, gera este tipo de situação.
Afinal, se for para criar uma letra com cuidados, de gramática, fonética e conteúdo, certamente a criação não será para um intérprete do gabarito do Latino!
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mirtes Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 18:16
Infelizmente eu nunca tive um LP do joelho de porco, para estraga… ops… comprovar
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Ezra Floid Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 18:56
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Steven Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 19:41
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Ezra Floid Respondeu:
novembro 22nd, 2008 às 12:39
E é óbvio que sei um monte deles, Capital Inicial numa música mickey mouse, o Pink Floid num disco em inglês “parabéns voce achou uma mensagem oculta, passe um email para nós”, e um monte de outros conjuntos que fazem de sarro mesmo. E que estas coisas surgiram dos “cacos” de gravação que ficavamm como sujeiras sonoras na mixagem final das faixas. Por isso quando comecei a falar no assunto eu disse “cacofonia”.
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Ezra Floid Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 18:23
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mirtes Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 19:02
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Marcello Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 14:42
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mirtes Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 18:59
Pena, como disse, não ter a oportunidade de estrag… ops testar, pessoalmente.
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Ezra Floid Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 19:25
Quem fez isso foi o Engenheiros do Haway, numa música chamada “Ilusão de Ótica”.
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Ezra Floid Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 19:29
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mirtes Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 21:20
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novembro 17th, 2008 em 18:56
Eram presos e se faziam de vitimas,”ohhh estão nos perseguindo……”,e depois Nero não gostava muito deles mesmo e dava eles para os leões..hahahhahah!!
O Cristianismo não se “acha” mais uma religião…ele se acha “A RELIGIÃO”,a verdade absoluta,em que tudo gira em torno deles..e se acham no direito de zuar a quebrar a religião dos outros…
O cristianismo trata a religião dos outros como mais uma crença entre tantas,mas o Cristianismo se “acha” a verdade e a vida,em que tudo giram em torno dele….
Comportamento tipico de Fundamentalistas…:)
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André Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 19:18
E como disse Carl Sagan, Hipátia foi dilacerada (com conchas), estuprada, morta e Cirilo foi canonizado.
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Arnold Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 19:40
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Steven Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 19:40
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Ezra Floid Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 20:53
Todas estas coisas são defeitos de caráter do ser humano, são defeitos naturais, não há nada de sobrenatural neles.
O que existe é uma obsessão preconceituosa recorrente o tempo todo na bílbia; a culpa sempre é dos outros, nunca da propria pessoa, ou da propria religião. São os outros que pecaram, ou corromperam, ou que nos amaldiçoaram e nos fizeram errar. Ninguém olha o proprio rabo.
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Arnold Respondeu:
novembro 17th, 2008 às 20:59
outra fé são sempre os “maus”…
Por falar em Gênesis… gosto deste Gênesis!!! veja vídeo
http://www.youtube.com/watch?v=hGHnuri0dF8
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novembro 17th, 2008 em 20:23
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novembro 21st, 2008 em 00:37
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Abbadon Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 11:34
Depois vcs vem falar “de que a verdade liberta..”
Para mim, nao passam de escravos de uma ilusao religiosa.
E o conhecimento é a verdadeira luz do mundo. Jesus nao, porque ele nunca existiu.
E quem me ama de verdade é a minha familia, meus amigos e a minha namorada. Eles sao reais, presentes, dizem na minha frente para eu ouvir, e sao eles quem mudam a vida de verdade.
É isso que esta acontecendo.
Hora de vc cair na real.
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mirtes Respondeu:
novembro 21st, 2008 às 19:03
Jesus Cristo (levando em conta que ninguém sabe mesmo se o cara existiu e tra-lá-lá) ensinou que deveríamos amar uns aos outros, de forma fraternal, como amamos a nós mesmos, será que ele poderia amar um hare krishna, mesmo se esse Hare, não quiser se converter, ou o esse amor Cristão que ele prega (pregou) é condicionado, somente a quem o reverenciar, e não universal, como todo mundo pensa?
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