out 20

Arabes e os EUA unidos contra os homossexuais

16 Comentários
Escrito por .
Ceticismo, Comportamento, Cristianismo, Evangélicos, Filosofia, História, Idiocracia, Islamismo, Mídia, Mitos Desmascarados, Polí­tica, Psicologia, Religião

Uma proposta feita pelo Brasil de permitir que a orientação sexual seja tratada em fóruns das Nações Unidas está gerando polêmica e protesto de países islâmicos. O Brasil tentou inscrever uma organização não-governamental de defesa dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais na ONU para que a entidade possa participar dos debates sobre discriminação, racismo e intolerância. Mas Irã, Egito, Líbia e Argélia lideraram os países islâmicos para tentar impedir a inscrição da ONG.

“O que vocês (brasileiros) chamam de direito, em nossos países é crime e punido duramente. Essa é uma questão religiosa”, afirmou na ONU um diplomata do Irã, que pediu para não ser identificado. Márcia Adorno, chefe da divisão de Direitos Humanos do Itamaraty, confirma que o problema existe e que o Brasil tenta negociar uma saída. “Já esperávamos que haveria resistência. Mas vamos tentar chegar a um acordo.”

Uma das soluções seria a organização, a ABGLT, ser inscrita, mas não falar do assunto dos direitos de gays e lésbicas, o que a entidade rejeita. Existem cinco organizações que trabalham com a defesa dos direitos homossexuais inscritas na ONU — são da Alemanha, Canadá e Holanda.

O principal temor dos países islâmicos é que o tema entre nos debates da conferência sobre racismo e discriminação que ocorrerá na Suíça em 2009. Eles preferem que o encontro se transforme em uma declaração forte contra a blasfêmia, alegando que muçulmanos em todo o mundo ocidental estão sendo atacados por sua religião.

Para a delegação do Irã, não há o que discutir. “Isso é um tema religioso para nós. Não é natural do ser humano essa opção. Quem pratica isso é punido severamente em nossos países. O Corão (o livro sagrado do islamismo) não prevê essa opção”, disse o negociador iraniano. Em nenhum momento da entrevista concedida ao Estado o representante de Teerã mencionou o termo homossexualismo ou gays.

Hoje, 86 países criminalizam a homossexualidade, 7 deles punindo-a com pena de morte. Na ONU, além do apoio dos Estados Unidos — para barrar a inclusão das entidades em defesa dos direitos homossexuais –, esses países têm a colaboração do Vaticano, que mesmo sem direito a voto por não fazer parte do órgão, mantém um delegado em Genebra.

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) foi criada em 1995 e hoje é uma rede nacional de 203 organizações, sendo 141 grupos de gays, lésbicas, travestis e transexuais e mais 62 voltados aos direitos humanos e aids. É a maior rede do tipo da América Latina. “Há cinco anos começamos um trabalho na ONU para defender a retomada das discussões. Fizemos uma declaração contra a homofobia, que foi apoiada por 54 países, como França e Holanda. E vamos continuar levando a proposta de reconhecimento da entidade pela ONU”, diz Beto de Jesus, secretário para América Latina e Caribe da Associação Internacional de Gays e Lésbias e diretor internacional da ABGLT. “Estamos no meio do processo, enfrentando reuniões e respondendo a perguntas. Mas é difícil, porque os países islâmicos são extremamente violentos em suas posições.”

Em janeiro, na próxima reunião da ONU em que a questão será debatida, a questão pode gerar uma saia-justa para o Brasil. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou os últimos anos tentando uma aproximação com os países islâmicos e africanos. Há quatro anos, devido à pressão desses países, chegou a desistir de proposta que estava fazendo à ONU para que ninguém fosse discriminado por sua opção sexual. Os islâmicos ameaçaram não apoiar Lula se a ofensiva fosse mantida.

Princípios de Yogyakarta (novembro de 2006): Todas as pessoas têm o direito de desfrutar de todos os direitos humanos livres de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero. A lei deve proibir essas discriminações e garantir proteção igual e eficaz contra qualquer uma dessas discriminações

Resolução do Parlamento Europeu (janeiro de 2006): Condena firmemente discriminação em razão da orientação sexual; convida estados-membros a assegurarem que pessoas LGBT sejam protegidas de discursos de ódio e da violência homófoba e que parceiros do mesmo sexo gozem do mesmo respeito, dignidade e proteção.

Fonte: O Estado de São Paulo (16/10/2008)

Artigos relacionados:

  1. Plano do governo defende adoção e direitos civis para casais homossexuais
  2. Projeto de lei em Uganda decreta pena de morte para homossexuais
  3. Justiça aceita denúncia contra Igreja Universal
  4. Cardeal diz que homossexuais ‘não vão para o céu’
  5. Irlandeses querem instituir Lei contra a Blasfêmia


16 respostas para "Arabes e os EUA unidos contra os homossexuais"

  1. 1. Fabiane disse:

    Esses árabes vivem falando que sofrem preconceito, que a religião deles não é respeitada, mas pelo visto, respeito para eles é uma via de mão única.

  2. 2. DeathVult disse:

    As pessoas tem o direito de fazerem o que quiserem com seu corpo.
    É por estas e outras que religião está condenada ao ridículo sempre.
    Valeu por ter postado esta matéria.
    :twisted:

  3. 3. Stephanos disse:

    Qm diria…. os gays conseguiram “unir” cristãos e islâmicos.
    Ambos teocratas lutando pela mesma causa: homofobia!

    Bruno Caxito respondeu:

    Só assim mesmo pra eles ficarem do mesmo lado, quando o assunto é o direito a ser preconceituoso :shock:

  4. 4. Rodrigo Souza a.k.a. Sargento disse:

    Li em algum lugar que a ABGLT conseguiu, sim, se inscrever na ONU, apesar das pressões externas. Quando tiver confirmação eu posto aqui.

  5. 5. AmadeusXIII disse:

    Até quando crenças individuais castrarão direitos garantidos em lei?

    Se o Islã é contra o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, é bom eles aprenderem a valorizar as mulheres, porque do jeito que está, tá paracendo que são um bando de bichas enrustidas… :mrgreen:

    Stephanos respondeu:

    No fundo,no fundo… eles se sentam…

  6. 6. AdministradorAndré disse:

    “O que vocês (brasileiros) chamam de direito, em nossos países é crime e punido duramente. Essa é uma questão religiosa”

    Aqui é crime discriminar pessoas por causa de sua opção sexual, assim como discriminar mulheres e assassinatos a sangue frio, como apedrejamentos, também é punido por lei. Mas, eu nunca esperei lógica vindo de crentes.

  7. 7. AC/DC disse:

    Os islâmicos são um povo ultrapassado já produziram ciência de qualidade mas hoje é só religião e nada mais,é uma pena…

  8. 8. João Paulo Hammes disse:

    Quando os muçulmanos apoiarem leis a favor dos gays, vai ser a maior festa da purpurina já vista! Saliento que não tenho nada contra os gays! :mrgreen:

  9. 9. Stephanos disse:

    leiam esta!!! foi 1 momento histórico de comunhão entre católicos e islâmicos
    http://www.knowledgerush.com/kr/encyclopedia/Ustase/
    http://www.srpska-mreza.com/library/facts/hanjar-book.html

    A Ustasha católica e a divisão Hanjar e Handschar (islâmicas) tiveram membros na SS e ajuram a massacrar sérvios (ortodoxos),judeus , ciganos e dissidentes.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Usta%C5%A1e
    Para os Ustaše, os bósnios muçulmanos são considerados croatas muçulmanos. Estes não eram formalmente perseguidos pelos Ustaše; inclusive, alguns alistaram-se em divisões das Waffen-SS nazistas (como a divisão Handschar, comandada pelo infame Amin al-Husayni, e a Kama, chefiada por Edmund Glaise von Horstenau, então adido militar do Terceiro Reich na Croácia e pelo Coronel Viktor Pavicic).

  10. 10. Jose Simoes disse:

    “Eles preferem que o encontro se transforme em uma declaração forte contra a blasfêmia, alegando que muçulmanos em todo o mundo ocidental estão sendo atacados por sua religião”

    Vamos lá ver se se percebe o que está em jogo. Eles NÃO pretendem uma declaração forte. Eles pretendem modificar a “declaração universal dos direitos do homem” de modo a permitir a perseguição religiosa e tornar crime qualquer crítica à religião (aquilo que chamam blasfémia).

    Em breve não se poderá ser ateu sem violar a “declaração universal dos direitos do homem”. Leram bem.

    A resposta tem de se concentrar na defesa da liberdade de expressão e difusão de ideias. Sem isso não há evidentemente qualquer outra liberdade.

    A ideia de meter os direitos dos gays aqui vai apenas criar anti-corpos em fracções mais moderadas e no fim nada de contructivo vai ficar.

    Podem escrever o que eu digo.

    José Simões

  11. 11. cris disse:

    As pessoas que se dizem a favor do homossexualismo sao um bando de hipocritas que so dizem ser a favor porque nao tem nenhuma bichina na familia , queria ver a reacao de cada um se o filhinho querido chegasse dizendo :mamae , papai eu gosto de sentar no toco .

    Administrador Abbadon respondeu:

    As pessoas que se dizem contra o homossexualismo sao um bando de hipocritas, porque nao sentem na pele o que é ser discriminado, ser alvo de preconceitos, ser perseguido, ser odiado, ser vitima de crimes de odio.

    E vc ? E se tiver um filho querido que admitir que é homossexual ? Vc vai deserta-lo ou vai ama-lo ?

    Queria ver a sua reacao.

    Ah, a tempo: este post nao sera apagado. Servira como prova de discriminacao e preconceito, qdo a lei anti-homofobia for aprovada no Congresso, e vc sera penalizada por isso, quem sabe com multa ou cadeia.

    Sugiro que pense bem antes de escrever de novo por aqui…

    carlosrb respondeu:

    Infelizmente a lei penal não retroage para prejudicar, mas é revoltante ver a ignorância das pessoas. Deus tenha misericórdia (OOOps! Ele não existe).

    Administrador André respondeu:

    cris
    lucenacristina@hotmail.com | 71.56.148.25

    Só para fins de registro. ;-)

Deixe um comentário

Mas, antes, leia a nossa Política de Comentários. Obrigado por sua participação.

Você precisa estar logado para deixar um comentário.