Uma proposta feita pelo Brasil de permitir que a orientação sexual seja tratada em fóruns das Nações Unidas está gerando polêmica e protesto de países islâmicos. O Brasil tentou inscrever uma organização não-governamental de defesa dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais na ONU para que a entidade possa participar dos debates sobre discriminação, racismo e intolerância. Mas Irã, Egito, Líbia e Argélia lideraram os países islâmicos para tentar impedir a inscrição da ONG.
“O que vocês (brasileiros) chamam de direito, em nossos países é crime e punido duramente. Essa é uma questão religiosa”, afirmou na ONU um diplomata do Irã, que pediu para não ser identificado. Márcia Adorno, chefe da divisão de Direitos Humanos do Itamaraty, confirma que o problema existe e que o Brasil tenta negociar uma saída. “Já esperávamos que haveria resistência. Mas vamos tentar chegar a um acordo.”
Uma das soluções seria a organização, a ABGLT, ser inscrita, mas não falar do assunto dos direitos de gays e lésbicas, o que a entidade rejeita. Existem cinco organizações que trabalham com a defesa dos direitos homossexuais inscritas na ONU — são da Alemanha, Canadá e Holanda.
O principal temor dos países islâmicos é que o tema entre nos debates da conferência sobre racismo e discriminação que ocorrerá na Suíça em 2009. Eles preferem que o encontro se transforme em uma declaração forte contra a blasfêmia, alegando que muçulmanos em todo o mundo ocidental estão sendo atacados por sua religião.
Para a delegação do Irã, não há o que discutir. “Isso é um tema religioso para nós. Não é natural do ser humano essa opção. Quem pratica isso é punido severamente em nossos países. O Corão (o livro sagrado do islamismo) não prevê essa opção”, disse o negociador iraniano. Em nenhum momento da entrevista concedida ao Estado o representante de Teerã mencionou o termo homossexualismo ou gays.
Hoje, 86 países criminalizam a homossexualidade, 7 deles punindo-a com pena de morte. Na ONU, além do apoio dos Estados Unidos — para barrar a inclusão das entidades em defesa dos direitos homossexuais –, esses países têm a colaboração do Vaticano, que mesmo sem direito a voto por não fazer parte do órgão, mantém um delegado em Genebra.
A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) foi criada em 1995 e hoje é uma rede nacional de 203 organizações, sendo 141 grupos de gays, lésbicas, travestis e transexuais e mais 62 voltados aos direitos humanos e aids. É a maior rede do tipo da América Latina. “Há cinco anos começamos um trabalho na ONU para defender a retomada das discussões. Fizemos uma declaração contra a homofobia, que foi apoiada por 54 países, como França e Holanda. E vamos continuar levando a proposta de reconhecimento da entidade pela ONU”, diz Beto de Jesus, secretário para América Latina e Caribe da Associação Internacional de Gays e Lésbias e diretor internacional da ABGLT. “Estamos no meio do processo, enfrentando reuniões e respondendo a perguntas. Mas é difícil, porque os países islâmicos são extremamente violentos em suas posições.”
Em janeiro, na próxima reunião da ONU em que a questão será debatida, a questão pode gerar uma saia-justa para o Brasil. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou os últimos anos tentando uma aproximação com os países islâmicos e africanos. Há quatro anos, devido à pressão desses países, chegou a desistir de proposta que estava fazendo à ONU para que ninguém fosse discriminado por sua opção sexual. Os islâmicos ameaçaram não apoiar Lula se a ofensiva fosse mantida.
Princípios de Yogyakarta (novembro de 2006): Todas as pessoas têm o direito de desfrutar de todos os direitos humanos livres de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero. A lei deve proibir essas discriminações e garantir proteção igual e eficaz contra qualquer uma dessas discriminações
Resolução do Parlamento Europeu (janeiro de 2006): Condena firmemente discriminação em razão da orientação sexual; convida estados-membros a assegurarem que pessoas LGBT sejam protegidas de discursos de ódio e da violência homófoba e que parceiros do mesmo sexo gozem do mesmo respeito, dignidade e proteção.
Fonte: O Estado de São Paulo (16/10/2008)
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outubro 21st, 2008 em 02:22
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outubro 21st, 2008 em 03:11
É por estas e outras que religião está condenada ao ridículo sempre.
Valeu por ter postado esta matéria.
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outubro 21st, 2008 em 03:32
Ambos teocratas lutando pela mesma causa: homofobia!
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Bruno Caxito Respondeu:
outubro 21st, 2008 às 16:39
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outubro 21st, 2008 em 08:19
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outubro 21st, 2008 em 08:23
Se o Islã é contra o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, é bom eles aprenderem a valorizar as mulheres, porque do jeito que está, tá paracendo que são um bando de bichas enrustidas…
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Stephanos Respondeu:
outubro 21st, 2008 às 11:18
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outubro 21st, 2008 em 08:36
Aqui é crime discriminar pessoas por causa de sua opção sexual, assim como discriminar mulheres e assassinatos a sangue frio, como apedrejamentos, também é punido por lei. Mas, eu nunca esperei lógica vindo de crentes.
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outubro 21st, 2008 em 08:37
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outubro 21st, 2008 em 10:42
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outubro 21st, 2008 em 11:25
http://www.knowledgerush.com/kr/encyclopedia/Ustase/
http://www.srpska-mreza.com/library/facts/hanjar-book.html
A Ustasha católica e a divisão Hanjar e Handschar (islâmicas) tiveram membros na SS e ajuram a massacrar sérvios (ortodoxos),judeus , ciganos e dissidentes.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Usta%C5%A1e
Para os Ustaše, os bósnios muçulmanos são considerados croatas muçulmanos. Estes não eram formalmente perseguidos pelos Ustaše; inclusive, alguns alistaram-se em divisões das Waffen-SS nazistas (como a divisão Handschar, comandada pelo infame Amin al-Husayni, e a Kama, chefiada por Edmund Glaise von Horstenau, então adido militar do Terceiro Reich na Croácia e pelo Coronel Viktor Pavicic).
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novembro 3rd, 2008 em 21:18
Vamos lá ver se se percebe o que está em jogo. Eles NÃO pretendem uma declaração forte. Eles pretendem modificar a “declaração universal dos direitos do homem” de modo a permitir a perseguição religiosa e tornar crime qualquer crítica à religião (aquilo que chamam blasfémia).
Em breve não se poderá ser ateu sem violar a “declaração universal dos direitos do homem”. Leram bem.
A resposta tem de se concentrar na defesa da liberdade de expressão e difusão de ideias. Sem isso não há evidentemente qualquer outra liberdade.
A ideia de meter os direitos dos gays aqui vai apenas criar anti-corpos em fracções mais moderadas e no fim nada de contructivo vai ficar.
Podem escrever o que eu digo.
José Simões
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novembro 5th, 2008 em 01:04
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Abbadon Respondeu:
novembro 5th, 2008 às 08:49
E vc ? E se tiver um filho querido que admitir que é homossexual ? Vc vai deserta-lo ou vai ama-lo ?
Queria ver a sua reacao.
Ah, a tempo: este post nao sera apagado. Servira como prova de discriminacao e preconceito, qdo a lei anti-homofobia for aprovada no Congresso, e vc sera penalizada por isso, quem sabe com multa ou cadeia.
Sugiro que pense bem antes de escrever de novo por aqui…
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carlosrb Respondeu:
novembro 5th, 2008 às 09:11
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André Respondeu:
novembro 5th, 2008 às 09:25
lucenacristina@hotmail.com | 71.56.148.25
Só para fins de registro.
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