Alfred Nobel foi um químico de talento. Entre suas invenções está a dinamite, um explosivo com alto poder explosivo, extremamente estável. Entretanto, dada o uso para fins bélicos, ele ficou desgostoso e deixou a sua fortuna para uma fundação para que todos os anos, cientistas que mais se destacarem em suas pesquisas que visem o bem da humanidade ganhem um prêmio. O famoso Prêmio Nobel.
Mas, nem sempre as pesquisas adquirem um caráter altamente… hã… necessário. Algumas até são bem infames. Estes brilhantes cientistas, autores de pesquisas não tão brilhantes ganham o chamado Prêmio IgNobel, um prêmio criado pela revista de humor científico Annals of Improbable Research (Anais da Pesquisa Improvável), cujos prêmios são entregues em na famosa Universidade Harvard. Apesar do nome, as pesquisas premiadas são sérias. Para concorrer ao prêmio, não vale qualquer coisa, portanto, desista de mostrar aquela engenhoca que você criou na feira de Ciências de seu colégio! Nas categorias de ciências, por exemplo, os trabalhos têm que passar pelo rigoroso exame de outros cientistas especialistas no tema. Ou seja, até mesmo para ganhar o IgNobel a pesquisa tem que passar por peer review. Ou seja, nem mesmo ao IgNobel os defensores do Design Intelijumento podem concorrer. A vida é dura, pessoal.
Este ano o Brasil ganhou não um, mas DOIS prêmios IgNobel. É a Ciência Brasileira alavancando o conhecimento humano. Vejamos quem foram os laureados deste ano. Envelope por favor… And the IgNobel goes to…
Os brasileiros Astolfo Mello e José Carlos Marcelino, da Universidade de São Paulo, foram os grandes vencedores da categoria Arqueologia, por seu amplo trabalho sobre o impacto dos tatus nas escavações arqueológicas.
Em entrevista ao pessoal do G1, Astolfo (eu juro que não farei piadinhas com o nome dele) disse: “Deve ter gente que fica constrangida com o prêmio, mas eu achei muito legal”. Astolfo é brasileiro. Só isso é o maior mico que alguém pode pagar. O primeiro IgNobel vencido por um brasileiro é fruto do trabalho de dois arqueólogos, vários tatus e uma multidão de crianças empolgadas. Nosso blog é um blog-família, eu não farei aquela pergunta capciosa sobre o fato de tatus caminharem em caminhos de paca.
O experimento de Araújo e de seu colega José Carlos Marcelino, do Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo, aconteceu em pleno Zoológico de São Paulo, à luz do dia e em dia de visitas. A dupla simplesmente enterrou pedras lascadas e pedaços de cerâmica no recinto ocupado pelos tatupebas (Euphractus sexcinctus) e esperou 50 dias para reescavar o local e ver o resultado. “As crianças não paravam de gritar ‘Tio, o que é isso?’ enquanto a gente escavava. Foi uma bagunça”, recorda Araújo, que acaba de passar em concurso para integrar a equipe do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP.
O resultado da… hã… pesquisa foi conclusivo: os arqueólogos deveriam fugir dos tatus como o diabo da cruz. Isso porque aparentemente os mamíferos escavadores bagunçam totalmente a estratigrafia, ou seja, a sucessão de camadas que constituem um sítio arqueológico. Isso é uma potencial dor de cabeça porque a estratigrafia ajuda os arqueólogos a estimar a idade relativa dos artefatos encontrados num dado local. As garrinhas do tatupeba podem muito bem fazer com que uma ponta de flecha de 200 anos pareça ter 2.000 anos, digamos. Como viveríamos sem saber isso? Sorte do Indiana Jones que não existem tatus no Egito, e nem as pacas.
Um dos festejos do nosso amigo professor doutor Astolfo (eu juro que está difícil não fazer piada, mas eu conseguirei) é o fato do ineditismo do prêmio. “Não existe prêmio Nobel para arqueologia, então o IgNobel é uma coisa boa”, afirmou nosso fabuloso cientista.
Vamos ver as outras imensas contribuições científicas:
Paz: O Comitê Federal de Ética da Suíça sobre Biotecnologia Não-Humana e os suíços por aprovarem em abril o princípio legal de que as plantas têm dignidade. Não as ofendam, hein?
Literatura: O britânico David Sims, da Cass Business School de Londres, por seu estudo, apaixonadamente escrito, You Bastard: A Narrative Exploration of the Experience of Indignation within Organizations (Você, seu bastardo: Uma Exploração Narrativa da Experiência da Indignação dentro das Organizações).
Medicina: O americano Dan Ariely, por demonstrar que a medicina falsa, porém cara, funciona melhor que a medicina falsa e barata. Publicou seu estudo no Journal of American Medical Association. Tal coisa é de pleno conhecimento dos balconistas de farmácia.
Ciências cognitivas: Os japoneses Toshiyuki Nakagaki, Hiroyasu Yamada, Ryo Kobayashi, Atsushi Tero e Akio Ishiguro, e o húngaro Agota Toth, por demonstrarem na Nature que o mofo mucilaginoso pode resolver quebra-cabeças.
Nutrição: Maximiliano Zampini (Universidade de Trento) e Charles Spencer (Universidade de Oxford), por demonstrarem que a comida é melhor se é crocante, em um estudo publicado no Journal of Sensory Studies. Nada muito novo. Pergunte a qualquer lanchonete de fast-food.
Biologia: Marie-Christine Cadiergues, Christel Joubert e Michel Franc, da Escola de Veterinária de Toulouse (França), por demonstrarem que as pulgas saltam mais sobre os cachorros do que sobre os gatos, em artigo na Veterinary Parasitology. Isso sim! Eu nunca imaginaria uma coisa dessas.
Química: Este é o mais curioso, pois o prêmio foi dividido entre duas equipes. Isso até não teria nada demais, excetuando o caso em questão onde as duas pesquisas são antagônicas.
Sharee Umpierre, da Universidade de Porto Rico, e Joseph Hill, de Harvard, foram recompensados por demonstrar que “a Coca Cola é um espermicida eficaz”. Entretanto, Chuang-Ye Hong, da Escola de Medicina de Taipé e outros pesquisadores de Taiwan receberam a mesma recompensa por mostrar exatamente o contrário.
E eu nem faço idéia de COMO a coca-cola agiria como espermicida. Se ingerindo-a normalmente ou se enfiando… bem, é melhor não saber mesmo.
Física: Os americanos Dorian Raymer e Douglas Smith, por provarem que um montão de cordas e cabelos acabam se embaraçando e formando nós, na Proceedings of the National Academy of Sciences.
Economia: Geoffrey Miller, Joshua Tyber e Brent Jordan, da Universidade do Novo México (Estados Unidos), por descobrirem que os lucros de uma dançarina de striptease dependem de seu ciclo menstrual. A pesquisa foi publicada na Evolution and Human Behavior. Será que eu conseguiria uma bolsa do CNPq afim de aprimorar esse estudo em boites brasileiras?
Vocês podem achar esse prêmio meio bizarro, mas não passa de uma brincadeira. Só para terem uma idéia, o prêmio deste ano foi entregue por dois verdadeiros Prêmios Nobel, William Lipscomb (Química, 1976) e Frank Wilczec (Física, 2004), na irônica cerimônia, em que o mote recorrente de muitas das brincadeiras foi “a redundância”; como parte do espetáculo, a ópera “Redundância, outra vez” contou a história de dois empresários que demitem cada funcionário que tenha feito o mesmo trabalho que outro.
A divertida festa terminou, como de costume, com as palavras do organizador, Marc Abrahams, que desejou “melhor sorte” para o ano que vem aos pesquisadores que saíram de mãos vazias e, em especial, aos que, efetivamente, ganharam um dos prêmios “IgNobel”.
A primeira intenção dos prêmios IgNobel é a de se divertir, respeitando os prêmios Nobel “importantes e solenes”, que também são entregues nessa época, começando na próxima segunda-feira, com o de Medicina. “Pesquisas que primeiro fazem rir, e depois pensar”, dizem eles. Portanto, se você é daqueles chatos que acha que cientista não tem fim de semana, só fica em laboratório e nem possui vida social, é melhor mudar seus conceitos. Alguns até mantém blogs.
Redação final: André
Um Ping to "Brasileiros ganham o Prêmio IgNobel 2008"
7 respostas para "Brasileiros ganham o Prêmio IgNobel 2008"
-
1. Álvaro Guedes disse:
outubro 4th, 2008 em 20:11Aprovar ou reprovar:
0
0Hã…”Parabens” por tão “laureado” prêmio!
-
2. Irmão Luciano disse:
outubro 4th, 2008 em 22:39Aprovar ou reprovar:
0
0Parabéns também ao Padre Adelir Antonio de Carli por ter recebido o merecido Double Darwin Awards.
Infelizmente ele não poderá receber seu prêmio, mas nós ficamos agradecidos pelo sucesso que estamos fazendo no exterior. -
3. *glauuu* disse:
outubro 4th, 2008 em 22:41Aprovar ou reprovar:
0
0Então algumas vezes vou poder dizer q meu irmão é literalmente mais burro q uma ameba!!!!!!! huahua
chingamento com fundamento científico! haha adorei -
4. Rodrigo Souza a.k.a. Sargento disse:
outubro 5th, 2008 em 02:45Aprovar ou reprovar:
0
0clap! clap! clap! clap! clap! clap! clap! clap! clap!
-
5. ZzXx disse:
outubro 5th, 2008 em 10:45Aprovar ou reprovar:
0
0Esperem minha presença na próxima premiação onde provarei que um crente possui mais neurônios que um ateu (pelo fato de o primeiro nunca ter usado nenhum)
-
6. João Paulo Hammes disse:
outubro 7th, 2008 em 11:38Aprovar ou reprovar:
0
0
Eita nóiz! Minha barriga dói de tanto rir!
-
7. Mente et malleo disse:
outubro 9th, 2008 em 09:58Aprovar ou reprovar:
0
0Realmente a experiência deles não faz diferença nenhuma.. se voce encontra uma bateria de celular junto com uma ponta de flecha, é óbvio que os neandertais usavam celular. Por que perder tempo fazendo essas experiências, né????? A ordem dos fatores não altera o produto, não é mesmo?
Deixe um comentário
Mas, antes, leia a nossa Política de Comentários. Obrigado por sua participação.
Você precisa estar logado para deixar um comentário.
.



outubro 2nd, 2010 em 12:01
Aprovar ou reprovar:
0
0
[...] ao filo Mycetozoa. Em resumo, quando você estiver preso num trânsito, culpe os fungos! Aliás, os pesquisadores já tinham ganho o prêmio em 2008, por mostrar que mofos sabem solucionar [...]