A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Igreja Universal do Reino de Deus divergiram sobre a possibilidade de se realizar aborto no caso de fetos com anencefalia.
Radicalmente contra a interrupção da gestação mesmo nos casos de bebês sem cérebro, a CNBB fez um apelo pela preservação da dignidade da pessoa humana, enquanto a Igreja Universal chegou a citar trechos da Bíblia para defender a interrupção da gravidez e preservar a saúde emocional da mãe.
Quero ressaltar aqui um ponto importante. O Brasil, de acordo com a Constituicao Federal de 1988, é um Estado Laico. Por este motivo, em minha opiniao, as instituicoes religiosas nao tem o direito de interferir em questoes legislativas brasileiras.
A posicao da CNBB é de extrema hipocrisia, pois a mesma nao tem feito nada contra o crime da pedofilia, exercido por inumeros padres no Brasil, no qual os acusados sao acobertados pelas igrejas, sendo transferidos para outras paroquias, ou acobertados pelo Vaticano, e as vitimas silenciadas ou denegridas em sua dignidade. Nao vamos nos esquecer que, no passado, as freiras realizavam abortos para se livrarem das criancas indesejadas e os enterravam no subsolo de mosteiros ou em tuneis. E ainda ha o passado da Igreja Catolica, em que esta foi a responsavel pela morte de milhoes de pessoas, crimes pelas quais jamais se desculpou ate hoje e/ou nada fez para compensar as vitimas.
E a posicao da IURD tambem é hipocrita, pois esta recorre à Biblia, que NAO FAZ parte do ordenamento juridico brasileiro e NAO TEM poder ou força sobre o Direito Brasileiro, pois é uma “legislacao” estrangeira, criada por hebreus em uma epoca cujas circunstancias eram absolutamente diversas das nossas. E depois ela diz que quer preservar a “saude emocional” da mae, quando a propria IURD atraves de seus cultos e pastores, aliena e prejudica a saude mental e emocional de seus fieis ?
“A Bíblia diz que, se alguém gerar 100 filhos e viver muitos anos e se sua alma não se fartar do bem e não tiver sepultura, digo que o aborto é melhor para ele. A descriminalização não devia esbarrar nas radicalizações conceituais e religiosas. Descriminalizar o aborto é diferente de torná-lo obrigatório”, observou o bispo Carlos Macedo de Oliveira, representante da Igreja Universal.
Para a nossa sorte, ninguem é louco de gerar 100 filhos (salvo rarissimas excecoes), devido ao elevadissimo custo de se sustentar uma crianca nos dias de hoje, e pela escassez de recursos naturais em nosso planeta, situacao que ira se agravar mais ainda no futuro.
O “bispo” Carlos tem o onus da prova, pois cabe a ele provar a existencia da “alma” ao STJ, pois o Direito exige provas irrefutaveis da existencia de determinadas coisas ou entidades. Alem do mais, como eu ja afirmei antes, a Biblia nao tem valor juridico para ser levada a serio pelo Judiciario Brasileiro.
E o restante do argumento, “a descriminalização não devia esbarrar nas radicalizações conceituais e religiosas. Descriminalizar o aborto é diferente de torná-lo obrigatório“, sou a favor.
“Ter uma anomalia não diminui a dignidade humana. Não somos insensíveis ao sofrimento da mãe, mas ele não justifica o sofrimento do filho”, contestou o representante da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Luiz Antônio Bento, doutor em Bioética. “Uma ciência que mata não é mais uma ciência, é pura tecnologia”, afirmou.
Durante toda a historia de nossa humanidade, as criancas que nasciam com anomalias eram todas mortas ou abandonadas para morrer. So recentemente, no final do seculo XIX e inicio do seculo XX, é que comecamos a aceita-las em nossas sociedades e que tivessem a sua chance de conviverem conosco. Se nao me engano, a Igreja Catolica tratava as criancas deformadas ou anormais, como “seres possuidos por demonios ou fruto da uniao entre a mae e um demonio - chamados de sucubos e incubos”.
Como podemos ver, a Igreja sempre foi insensivel ao sofrimento humano, ate que veio o Iluminismo e o advento do Estado Laico, situacao essa que forçou a Igreja a se adaptar e adquirir uma postura mais humanitaria, como a que vemos hoje.
Entao, eu pergunto ao padre Luiz Antonio: Uma religiao que mata nao é mais uma religiao ?
Nao convem à CNBB tapar o Sol com uma hostia.
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta manhã a primeira de três audiências públicas para discutir a possibilidade de não serem punidos os médicos que fizerem abortos de fetos anencefálicos e de a gestante poder realizar o aborto sem a necessidade de apresentação prévia de autorização judicial ou de qualquer outra forma de permissão do Estado.
Eu sou totalmente a favor da liberalizacao do aborto, pois aqui no Brasil realizamos mais de um milhao de abortos todos os anos, e isso ja é uma pratica social, quase institucionalizada em nossa sociedade, e todos os anos, milhares de mulheres sao internadas nos hospitais por complicacoes de saude por um aborto mal-feito, acarretando um onus à sociedade que paga impostos que sustentam o SUS. Falta apenas legaliza-lo, para que os abortos sejam conduzidos de forma correta e diminuir os custos em internacoes hospitalares.
Atualmente, o Código Penal prevê apenas duas situações em que pode ser realizado o aborto: em caso de estupro ou de claro risco à vida da mulher. A legislação proíbe todas as outras situações, estabelecendo pena de um a três anos de reclusão para a mulher que se submete ao procedimento ou que o provoca em si mesma. Para o profissional de saúde que realizar o aborto, ainda que com o consentimento da gestante, a pena é de um a quatro anos.
Espero que o STJ modifique a legislacao, de forma a favorecer tanto a gestante quanto o profissional de saude. E que mande às favas as opinioes dos religiosos.
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domingo, 31 de agosto de 2008 às 16:20
O fato de terem deixado uma decisão dessas nas mãos da CNBB e de bispos da Universal do Roubo do Dindim é tiro certeiro no meu saco.Depois ainda querem me dizer que o Brasil é um estado laico…
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008 às 20:53
su espírita, e gostaria de dar minha opinião.
sou contra o aborto, mesmo se for comprovado que o feto é anecéfalo.
acredito, que, mesmo que o feto só possa viver, por algumas horas, ou minutos, esse tempo de sobrevivência ainda assim é uma vida. Acredito também, que, mesmo sem o apoio de um cérebro, o espírito aproveita todos os momentos desta vida, pois o espírito, não tem deformidades, quem tem deformidades é a carne.
como eu disse, mesmo que o feto só sobreviva, por alguns minutos, ainda assim, é uma vivência, curta, mas é uma vivência, interromper essa vivência, seria considerar que estamos matando alguém.
Todos tem o direito de viver, mesmo que seja uma vida breve e aparentemente sem proveito algum (embora eu acredite que o espírito se beneficie desta breve encarnação, mas seria um tanto complicado e cansativo transcrever os tratados sobre encarnação e espírito aqui)
também penso que, se é para abortar um feto, sem alguma parte de seu corpo, então deveríamos liberar o aborto de fetos, sem membros desenvolvidos, por exemplo, afinal se estamos numa democracia, os direitos devem ser iguais.
sei que a crença da existência de um espírito imortal, é pessoal, por favor, não me levem a mal, não quero doutrinar ninguém, quero apenas deixar aqui, meu ponto de vista PESSOAL.
obrigada pela oportunidade.
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Tudo bem. Mas, esse deus que mandou um espírito pra um corpo pra ficar vivo 10 minutos tem alguns problemas psicológicos, não acha? Ah, já sei… Deus sabe o que faz e etc e tal…
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Graças ao Monstro do Espaguete
que na época que eu era espírita eu não ficava nessa de pregação. Menos mal.
Hoje vejo como essas crenças soam estúpidas.
Já ouvi cada explicação maluca sobre esse assunto, mas, como de praxe, com nenhum embasamento. “Nenhunsinho”. E isso porque o espiritismo diz ser uma ciência
Acredite se puder. Ou melhor, se quiser.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008 às 22:54
bom, eu não vou aqui, falar sobre “carma” de pais, e do espírito, pois eu acabaria fugindo do contesto (ou contexto, desculpem, sempre confundo, tenho dislexia), do tópico, nem vou discutir sobre Deus, ou o diabo, ou sobre injustiças, o que eu quero dizer, é que mesmo que seja uma vida breve, ela tem o direito de SER uma vida, e o aborto impede isso (lógico deeerrr).
minha opinião não se baseia somente em minha crença PESSOAL, e também na minha moral, de que não sou capaz de atentar contra vida de ninguém ainda mais um filho meu.
Sendo isso algo PESSOAL, não posso, nem quero impor nada á ninguém, só debater, conversar.
e sobre o espiritsmo ser uma ciência, eu conheço como uma doutrina, fazer o que?
Só espero, que sendo liberado o aborto, não vire (vai virar, a capacidade humana de fazer merda é enorme, vide os transplantes por exemplo) um meio de se obter dinheiro fácil, em cima do desequilíbrio alheio.
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