Caríssimos leitores!
Pouco entendo de ‘regionalismos’, mas aqui, em Sampa, ‘Faz-Tudo’ é aquela pessoa que, estando desempregada ou não tendo profissão, vive de ‘bicos’ (pequenos trabalhos de consertos, como trocar o chuveiro, arrumar encanamentos, et e all). Pois parece que surgiu uma ‘variação do tema’, made in Igreja “Deus é Amor”, apresento aos senhores, o inédito ‘JESUS FAZ-TUDO’.
Como diria a Chiquinha: ‘Pois sim, pois sim, pois sim!’. Recebi, nas dependências de uma unidade da Secretaria do Tribunal de Justiça, um panfleto (clique nas imagens para vê-las em tamanho maior) que anuncia a nova função do Sinhô G-zuis.
O que achei curioso no panfleto é que ele seguiu a mesma linha da IURD, coisa que não havia observado anteriormente (ao menos aqui em Sampa). Isso me fez pensar que Davi Miranda resolveu ‘jogar pesado’ e torpedear os fiéis com as mesmas armas do cunhadinho ‘Pedágio’ (não conhecem a piada? ‘G-zuis é o caminho, Edir Macedo é o pedágio).
Se não bastasse a ‘teologia da prosperidade’, que leva muitos vendidos fiéis a ingressarem nas Igrejas em busca de coisas materiais (ué…não são os ricos que NÃO irão para o céu?), Davi Miranda resolveu agora aderir ao charlatanismo! É o fim do picadinho!
Vejamos o que diz o panfleto:
Incrível ele faz tudo: ele faz paralítico andar, mudo falar e todo tipo de milagre! Ele é Jesus.Estas são algumas das milhares de muletas, cadeiras de rodas, e aparelhos ortopédicos de pessoas que foram curadas por Jesus, através do Missionário David Miranda’
Esse texto, da forma como elaborado, induz os leitores a crerem que serão curados pela intervenção do Missionário, que intervém perante Jesus, que….ah…sei lá onde isso vai dar!
Isso é charlatanismo, que significa:
Charlatanismo é a prática do charlatão, palavra que deriva do italiano ciarlatano, que seria, segundo alguns, corruptela de cerretano (ou seja, natural de ou oriundo de Cerreto, vila situada na Umbria, Itália), e segundo a maioria, derivada de ciarla, ciarlare (de “falar”, “conversar”, neste caso seria equivalente, em português, a “parlapatão” – pois denota o uso da palavra para ludibriar outrem. Em outros idiomas o charlatanismo adquire a acepção de exercício ilegal da medicina, ao passo que em português tem significado comum de vendedor de substâncias pretensamente medicinais, curativas, que apregoa com vantagens. Em sentido geral e vulgar, portanto, o charlatanismo pode ser definido como toda prática pseudo-científica, apregoada por alguém com vantagens para si, pecuniárias ou não, ludibriando a outros.
Traduzindo para o juridiquês:
Estelionato. Artigo 171 CPenal: Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. Pena, reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.Parágrafo 1º – Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no artigo 155, parágrafo 2º….
Charlatanismo Artigo 283 do CPenal.Inculcar ou anunciar cura por eio secreto e infalível. Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
Exercício Ilegal de Profissão ou Atividade Art. 47 das Leis das Contravenções Penais: Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício.Pena. prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa.
A conduta do agente (David Miranda) encaixa-se no tipo legal? Sim, pois ele promete a cura de pessoas doentes e essa atividade é inerente ao exercício da medicina. E promete isso com o intuito de obter as vantagens que virão do ingresso de dita pessoa no rol de contribuintes do dízimo. Salientando que o crime previsto no 283 é crime de mera conduta (similar à invasão de propriedade, que se consuma com a invasão, o crime de charlatanismo se consuma somente com o anúncio de cura, não é preciso que alguém use os serviços do charlatão).
Só uma informação complementar: as penas não se somariam. Em Direito Penal há um ditadinho ‘peixe maior engole o peixe menor’, usado para explicar como uma conduta penal (crime), se usado para a persecução de outra conduta (também tipificada como crime), prevalece a de pena maior (neste caso específico, o de estelionato)¹.
Como diria meu Amigo Capitão Nascimento do Ceticismo (André): safadeza da grossa!
Ou não? Até hoje não vi uma única prova (e olha que eles dizem que os milagres se somam às centenas) de uma genuína cura pela fé: nunca vi nenhum periódico científico que publicasse tal feito (que seria mui digno de nota).
Mas certamente ainda haverão aqueles que dirão que a religião está fora do alcance da punição, a estes eu colaciono, como resposta, uma jurisprudência contrária. Ei-la:
…Previstos nos artigos 283 e 284 do Código Penal, o charlatanismo e o curandeirismo, punidos pelo só fato de o agente anunciar curas ou prescrever substâncias – independentemente de ‘morder’ dinheiro – atuam como verdadeiros crimes-meios, através dele (posicionando-se pois, como verdadeiro ardil tipificador de ilícito mais grave) se chegando ao delito-fim do artigo 171, configurado pela ‘mordida’ efetivamente havida. Havendo delito mais grave, nele ficarão absorvidos” (RT 698/357).
…Responde por estelionato o agente que, mediante remuneração, se propõe a ‘tirar mal do corpo’, valendo-se de passes, gestos cabalísticos e palavras rituais. Eventual curandeirismo decorrente é de se ter, na espécie, por absorvido pelo delito contra o patrimônio” (JTACRIM 44/359).
…Curandeirismo. Delito caracterizado. Acusados que prescreviam medicamentos e passes aos que os procuravam em seu centro espírita para consultas. Recebimento de dinheiro em pagamento destas. Defesa consistente em caráter religioso de tais atos, essenciais ao culto que exerciam. Improcedência. Condenação mantida. Inteligência do art.284 do Código Penal. A ratio essendi da punição dos curandeiros está justamente na repressão ao perigo que representa o desvio, por eles propiciado, daqueles que deveriam buscar um médico, para uma consulta regular, entravando o processo de cura, pelo retardamento e tornando impossível, às vezes, a recuperação da saúde” (RT 368/354).
….Fraude no recebimento de vantagem indevida por atividades místicas. JTACRIM: Tipifica estelionato pedido e recebimento de vantagem como contraprestação de serviços de macumba para neutralizar trabalho que teria sido providenciado por desafeto com o objetivo de ser a vítima atropelada ” (JTACRIM 56/339)
Considerando que o Ceticismo.net prima pela acuária, informamos que existem posições contrárias: RT 534/405, JTACrim 54/312 JTACrim 2/48, entre outras.
Neste ponto tenho de concordar com Richard Dawkins que em seu livro “Deus, um delírio” questiona quais os motivos a religião possui tamanho respeito por nossa Sociedade. Parafraseando-o, pergunto quais seriam os motivos que levam uma conduta típica como essa sujeitar todas as pessoas à pena, exceto os religiosos?
Estamos ou não num Estado laico? Um exemplo disso foi o que ocorreu num caso aqui também relatado, das meninas que eram mantidas em cárcere privado para fins libidinosos por uma denominação religiosa. Oras! No momento daquela postagem pensei: se a poligamia nos EUA é prática proibida por lei, porquê então basta que o cara faça parte de uma religião (que pregue a poligamina) e está ele isento de pena? Se isso for correto, então se alguém desejar cometer um crime, basta que antes crie uma religião, estabeleça o comportamento (tipificado como crime pela lei) como dogma e pronto! Estará autorizado à praticar a conduta à vontade! Absurdo! Como entendo absurdos os argumentos de ‘objeção de consciência’ quando utilizados para escapar ao cumprimento da lei!
Só para finalizar: os panfletos foram colocados num balcão de atendimento de uma unidade da Secretaria do Tribunal de Justiça, sendo certo que quaisquer manifestações religiosas e/ou políticas nestes recintos são proibidas.
Claro que os seguranças não perceberam quem foi o ‘pai’ da proeza (se o público ou se algum funcionário) e a conduta não surtirá quaisquer efeitos para o ‘delinqüente’. Enfim, como diz um amigo: nosso Estado não é laico, é laika.
Notícias co-relacionadas:
Religiosos Aproveitadores e o crime contra a saúde
Fiel exige que a IURD devolva grana por milagre não ocorrido
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¹ Se ainda não ficou clara ao leitor, oferto um outro exemplo: imagine que eu o soque (lesão corporal dolosa), o amordace (privação de liberdade), tudo isso com o intuito de te roubar (roubo) e matar (homicídio).O operador de direito verá, de todos os crimes, aquele que tem a maior pena e aplicará somente a pena de homicídio. Pois todos os demais foram ‘crimes-meio’ para se chegar ao ‘delito fim’ => que era a minha intenção.
* Postagem atualizada para correção de erros
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20 respostas para "Jesus ‘faz-tudo’"
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1. Alessandro Luis disse:
julho 22nd, 2008 em 11:35Bem, isso é um absurdo, oq essas “igreja” estao fz, outro dia eu recebi um panfleto da IURD onde era relatado a cura de um menino Aidético. Cada coisa q somos obrigados a aguentar
abbadon respondeu:
julho 22nd, 2008 às 16:17Pois é, é facil relatar a “cura” de um aidetico, mas mostrar os exames ANTES da “cura” cade ? Tem que PROVAR que era soropositivo, e depois apresentar exames apos a “cura” para mostrar que os virus nao existem mais no organismo, 6 meses a 2 anos depois. Com o coquetel de que dispomos atualmente, ate 90% da carga viral pode diminuir no organismo.
É muito perigoso esse tipo de “cura”, pois a pessoa que se julga curada pode vir a infectar mais pessoas depois. Esses pastores deveriam ser denunciados por crime contra a saude publica.
Fatima respondeu:
julho 22nd, 2008 às 18:38Esses pastores deveriam ser denunciados por crime contra a saude publica.
Exato. É exatamente esse perigo que o legislador teve em mente quando da elaboração do artigo 283 CPenal. Pena que, infelizmente, todos são iguais perante a lei, mas uns são mais ‘iguais’ ¹que os outros!
__________
¹ No sentido de que a maioria é obrigada ao cumprimento das normas, outros são ‘autorizados’ ao descumprimento sob a desculpa dos ‘sentimentos religiosos’. -
2. Rafael T.M disse:
julho 22nd, 2008 em 16:29“Mas certamente ainda haverão aqueles que dirão que a religião está fora do alcance da punição”
Só se for mesmo… será que chegaria a tal nível a coragem da crentalhada?
Baseado em que eles argumentariam isso? Eu queria olhar bem no olho do safado que ia inventar algo assim.
Engraçado mas uma vez eu estava em uma audiência e o o adv do meu lado disse que a cliente dele prometeria deixar de cobrar algo, se fosse pago uma pensão, coisa e tal – enfim o outro causídico disse: – promete baseado em que, na palavra de jesus? – ele estava zuando com o outro, claro, e este respondeu bem sério: — pode ser!
Claro que ele era crente, e a idéia bem que passou pela cabeça dele como algo plausível – pra vc ver até que nível chega realmente – fazer uma promessa em nome de jesus numa audiência de separação de família.
O último apague a luz, que este mundo com estes crentes está condenado.
Fatima respondeu:
julho 22nd, 2008 às 18:44Só se for mesmo… será que chegaria a tal nível a coragem da crentalhada?
Pode ter certeza! A religião é o meio de vida deste pessoal.
Baseado em que eles argumentariam isso? Eu queria olhar bem no olho do safado que ia inventar algo assim.
Pessoalmente, já ouvi toda sorte de ‘argumentos’ possíveis: desde que ‘existem coisas que só Deus explica’ até ‘você vai para o inferno por não acreditar’.
Mas, quer saber do pior argumento? Existe uma corrente no Direito chamada jusnaturalista, que defende a existência de um direito natural, cuja origem poderia ser sobrenatural. Alguns adeptos desta corrente afirmam que a origem seria ‘Deus’ e que ‘Deus’, enquanto legislador máximo, estaria acima de toda e qualquer lei humana. Seus fiéis (seguidores de Deus) estariam sob o manto protetor d’Ele e igualmente protegidos do alcance das leis humanas.
Ainda existe uma corrente que defende o argumento da objeção de consciência, que, na minha opinião nada mais é do que desculpa esfarrapada para escapar ao cumprimento impostas a todos.
Enfim…existem idiotas que usam terno e gravata, e não são só os crentinhos!
Rafael T.M respondeu:
julho 22nd, 2008 às 22:09Opa!
Muito bom, eu sei da história do jusnaturalismo porque sou Adv. também (presumo que você seja).
Uma coisa é esta corrente existir, outra coisa é ter força, com o positivismo acho que muita coisa do jusnaturalismo perde, apesar de que, claro, ainda há espaço para argumentações.
Entretanto, somente um juiz católico/crente/universal para admitir tal estapafúrdia jurídica, na minha opinião.
A objeção de consciência pode ter origens filosóficas, ainda que culturalmente não seja muito bem aceita (um pacifista teria problemas para se esquivar das obrig. militares, ao passo que um padre ou seminarista não teria), e eu acho que em suas origens tem sua razão de ser. Como sempre os exageros fazem que com seja mal utilizada.
Mas bom ponto. Boa discussão jurídica.
Abraços.
Abraços.
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3. Fatima disse:
julho 22nd, 2008 em 23:07Rafael,
Olá!Ante à dicotomia jusnaturalismo/juspositivismo, adoto a posição de Sidarta (o meio-termo)¹, pois não posso ignorar os ensinos de Leon L.Fuller (em ‘O caso dos denunciantes invejosos) e Ronald Dworkin (em “O Império do Direito”), que bem demonstram que no embate entre direito (representado pela lei posta) e justiça, o mais adequado é que se mude a lei (não são os homens que devem servir a lei: é a lei que serve como instrumento para manter a coesão da vida social).
Mas observo que essas correntes jus-naturalistas são facilmente percebíveis em quaisquer ramos do Direito; notório, p.ex, que a doutrina situa como uma das origens dos Direitos Humanos o cristianismo; coisa que sempre me deixou ‘pastel’, dado que apesar de pregar filosoficamente a fraternidade universal (conforme se vê em Fábio Konder Coparato in Ética: Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno), no campo prático agiam de modo totalmente diverso: sejamos fraternos, mas apenas com aqueles que partilham de nossas convicções religiosas.Blegh! (haja hipocrisia!).
Também me deixa furiosa o fato de que renomados juristas defendem o constante na bíblia como verdades incontestes = isso podemos observar (também e infelizmente) no livro de Comparato, bem como num livro de um jurista antiguérrimo (Jayme Altavilla in ‘Origem do Direito dos Povos’): ambos mencionam Moisés como se fosse certo que ele existe.
Altavilla ainda poderia ser ‘desculpável’ – isso sendo muito condescendente, pois, à época da edição do livro dele, já existia o texto de Freud: Moisés e o Monoteísmo, que meio que ‘refutava’ a existência real de Moisés, além de outros textos que faziam o mesmo….quanto ao Comparato: imperdoável! E isso pq, eqto renomado jurista, deveria primar pela acuária e não mencionar personagens (cuja existência não foi comprovada) como se fossem reais…esse comportamento pode induzir outros a erros.
Quanto à objeção de consciência, seu comment me lembrou também o livro de Dawkins que mencionei na postagem: um filósofo que possuísse rígidos princípios contrários à guerra provavelmente não conseguiria a dispensa, eqto (como vc bem mencionou), um religioso conseguiria mais facilmente. Pq essa prerrogativa?
Mas, vá-la! Melhor pararmos com nossa pequena ‘troca de idéias’, senão derivaremos excessivamente da postagem e esse sítio não tem finalidade jurídica, né?
Quanto à postagem, acho que concordamos que num estado verdadeiramente laico qualquer um (religioso ou não) cuja conduta se encaixasse perfeitamente no tipo penal deveria ser apenado, certo?
Bom encontrar um operador de direito com mais de dois neurônios na cabeça. Abraços. Agradeço a visita e comentário!
_______________
¹ Geralmente associava o meio-termo à Aristóteles, até que o Cap.Nascimento do Ceticismo (André) partilhou comigo a seguinte historieta:Diz-se que Sidarta Gautama estava morando com monges ascetas. Passava fome e coisa e tal. Ele se desfez de todos os bens e vivia de mendicância.
Certo dia, qdo tava com muita fome, ele ouviu um pai conversar com o filho sobre como tocar cítara:
Se vc apertar a corda demais, ela arrebenta. Se afrouxar demais, ela não toca.
Gautama entendeu que o segredo da iluminação era o meio-termo. E assim conseguiu adentrar o Nirvana e se tornar um Iluminado (em sânscrito, Buddah).
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4. Rafael T.M disse:
julho 23rd, 2008 em 08:52Ow… que post enorme!
O cristianismo permeia os livros de Direito por vezes e são raros aqueles em que não encontramos nenhuma influência – isso acontece justamente porque vivem os juristas em sociedade e acabam por vezes incorporando aquelas idéias em conjunto da família – etc e tal, uma vez ainda que juristas tendem a ser conservadores – há exceções – e disso todos sabemos.
Ainda ontem tive uma aula onde o professor expôs idéias cristãs – com fundamentos no platonismo e o próprio platonismo – entre outras idéias para expor a introdução do estudo do direito internacional, da política e da relação entre os países. Na verdade a introdução se fez cabível, vez que de fato, as idéias e conceitos “cristãos” impregnaram a história e o um certo período de tempo, foi por assim um paradigma que orientou alguns sentidos. E isso não é novidade também.
Não entendi porque desculpastes o Altavilla e não Comparato (e obrigado por cita-lo vez que eu não o conhecia).
O comentário sobre a alegação de consciência filosófica foi justamente para prestigiar o Dawkins, claro dentro do nosso assunto. Pq a prerrogativa? É uma droga, mas ainda se entende a religião como uma convicção filosófica acima das outras.
Não acredito entretanto como que tal entendimento cultural teria força jurídica de libertar uma pessoa que incorresse nos tipos penais. Claro, concordo que todos devam ser iguais perante a lei. Aliás não só religiosos, mas todos – políticos, e demais – todos deveriam segundo minha ótica ser tratados segundo a igualdade jurídica penal tal e qual se dá muito bem com o Fisco (que cobra o IR de quem for, até de gente morta).
“Bom encontrar um operador de direito com mais de dois neurônios na cabeça. Abraços. ”
Não sei se isso foi um elogio, mas eu agradeço!… rsrs
Não sabia que você e (principalmente) o André tivessem algum apreço pelas idéias de Sidarta. Enfim…
Obrigado e até a próxima (bom texto, bom texto…)
Pedro respondeu:
agosto 1st, 2008 às 15:32Como qe um cético acredita em buda? Isso não é meio incoerente?
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5. Fatima disse:
julho 23rd, 2008 em 19:43Rafael:
Olá!O fato das idéias cristãs – em longo período de tempo – terem tido supremacia sobre quaisquer outras (isto pq impostas à força) e exercido muita influência não autoriza que hodiernamente se distorça os fatos ocorridos (a diferença entre a teoria cristã, de fraternidade universal e a prática, de intolerância de desumanidade) colocando a cristandade como se tivesse realmente colaborado com, p.ex, a origem dos Direitos Humanos. É isso que me incomoda: o hábito de jogar a sujeira embaixo do tapete.
Desculpei Altavilla pq na época dele (nascimento 1895, morte 1970) não estavam avançados os estudos relativos à arqueologia bíblica (note que disse que o desculpava e isso era um ato de grande condescendência, rs). Quanto à Fabio Konder Comparato, não partilha ele do mesmo ‘benefício’: como poderia, p.ex, justificar o fato dele mencionar Moisés como se fosse uma figura que realmente tivesse existido (sem que existam provas neste sentido?).
Pq situar a convicção religiosa como uma convicção filosófica acima das outras? Sem quaisquer explicações plausíveis, não poderia concordar com isso.
Quanto à força do entendimento cultural (e sua possível capacidade de conduzir a uma não-penalização), para mim, isso já existe. Veja os entendimentos jurisprudenciais (contrários à penalização) que postei; além disso, veja o critério ‘político’ estatudinense no que se refere aos SUDs (leia o post ‘estupro na Igreja Mórmon): apesar da poligamia ser proibida por lei, os praticantes religiosos não são apenados…entendo que isso se dá por questões políticas.
Considerando a crescente força política dos evangélicos, não duvido que possamos chegar a tal ponto.Lembre-se: leis podem ser mudadas, tudo depende dos legisladores.
Quanto ao ‘mais de dois neurônios’, por óbvio que foi um elogio. Não sei quanto aí, mas aqui as faculdades de Direito estão formando enchendo o mercado de pessoas absolutamente incapacitadas.
Abraços!
-
6. NIETZSCHE disse:
julho 24th, 2008 em 09:27AE PARA TODOS…..ESTÁ NA NOSSA CONSTITUIÇÃO!!
artigo:5:4 DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS!!
É LIVRE A MANIFESTAÇÃO DE PENSAMENTOS, E IDEOLOGIAS…..artigo5:6 É INVIOLÁVEL A LIBERDADE DE CONSCIÊCIA..
artigo5:8 NINGUÉM SERÁ PRIVADO DE CRENÇA RELIGIOSA….
É ISSO AÍ!!!! ESTOU PROTEGIDO PELA LEI MÁXIMA DESTE PAIS!!
SOU O PAI NIETZSCHE…!!!!
-Faço cego enchergar em 1 hora
-Tiro viadágem de GAY’S
-Trago a pessoa amada em 3 horas
-Você politico te dou a vitória…EU SOU O ÚNICO E VERDADEIRO, recebo a visita de Chico Xavier todos os dias, não acreditem em nada por aí são TODOS vigaristas!!!!!!!
TAMBÉM QUERO TIRAR A MINHA PARTE e ser como a “rede BOBO” FATURAR EM TORNO DE 8 MILHÕES EM CADA PAREDÃO!!!!! c/ ligaçòes a 0,30 centavos+impostos de CADA ANALFA COISA ”TUPINIKIN”
E USAR CARTÕES CORPORATIVOS SEM LIMITES PAGO POR OTÁRIO QUE NEM EU….!!!!!!!
VIVA AO CHARLATARISMO!!!!!! e a educação brasileira!!!!!!!!!
- -
7. ariel wollinger disse:
julho 30th, 2008 em 00:57porra, esses caras nao vao pra cadeia?? essa lei sobre charlatanismo ja condenou alguem no Brasil? parece piada!!
Fatima respondeu:
julho 31st, 2008 às 18:28Ariel,
A lei existe, é válida e aplicável; mas vc sabe como é o Brasil, né…. -
8. Fernando Silva disse:
julho 30th, 2008 em 09:01Do jornal “O Globo” de 10-05-07
Sogra mata nora e é absolvida porque “Deus aprova matar pecadores”
Mulher acusada do assassinato da ex-nora já está em liberdade
Advogado de defesa afirma que a morte foi um ato divinoMarcelo Gomes e Carlos Brito
A absolvição, na segunda-feira, de Solange Reinaldo Viana, de 52 anos, acusada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público estadual de ser a mandante do assassinato da ex-nora, a professora Lia Gomes da Silva, de 26, no dia 1o de agosto do ano passado, está causando polêmica. Ela deixou ontem de manhã o Presídio Nelson Hungria, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. Como o alvará de soltura de Solange chegou ao Fórum de Bangu depois das 18h de terça-feira, ela só pôde ser libertada um dia depois.
[...]
Nenhum parente de Solange a aguardava do lado de fora do presídio, nem mesmo seu filho, Emerson Reinaldo Viana, ex-marido de Lia.
Família: advogado recorreu a citações bíblicas
Para o advogado Natã da Silva Rozeira, não há dúvidas: a morte de Lia foi um ato divino executado diretamente pelas mãos de Deus. Segundo ele — cuja performance no Fórum de Queimados garantiu a absolvição de Solange — a morte da professora seria um castigo por ela se relacionar com homens casados.
— Se Deus não desse um basta, quantos outros lares não seriam destruídos por ela? Se olharmos a Bíblia, veremos que ela tinha uma conduta que não era correta, que se relacionou com homens casados.
E, para esse tipo de situação, Deus permite até a morte — disse o advogado.
Segundo a família da professora e o assistente da Promotoria Jorge Luiz Souza, durante todo o tempo que teve de defesa, o advogado usou argumentos baseados em preceitos cristãos — inclusive fazendo citações bíblicas — para sensibilizar os jurados e fazer com que eles decidissem em favor de sua cliente.
‘A minha filha estava sendo assassinada outra vez’ A estratégia teria funcionado porque, de acordo co o inspetor Joel Nobre — chefe do Núcleo de Homicídios da 64a DP (Vilar dos Teles), responsável pela investigação do crime — cinco dos sete jurados seriam evangélicos. Natã Rozeira rebateu as afirmações.
— Eu não conhecia os jurados.
Não tive acesso a nenhum deles. Logo, não havia como ter idéia de qual era a religião de cada um — disse o advogado.Ele disse que o uso de argumentos cristãos durante o julgamento foi baseado em convicções pessoais. Natã Rozeira afirmou ter sido batizado na Igreja Batista: — Eu tenho intimidade com Deus e pedi para que ele me desse a honra dessa vitória.
Para a família de Lia, o que aconteceu no tribunal do júri representou mais um capítulo de sofrimento na história que começou no dia 1o de agosto do ano passado, quando a professora foi encontrada morta, com dois tiros na cabeça, em Queimados.
— Durante aquele julgamento, tive apenas uma sensação: a de que a minha filha estava sendo assassinada outra vez.
O advogado de defesa denegriu toda a moral da Lia. Ele passou para o júri a imagem de uma pessoa que ela nunca foi — disse a mãe de Lia, Eunice Gomes da Silva.
Fatima respondeu:
julho 31st, 2008 às 18:31Fernando,
Olá.Infelizmente, ‘desqualificar a vítima’ é técnica muito utilizada por advogados de defesa em júris, como meio para minimizar (na consciência dos jurados) o juízo de reprovação que emitirão contra o acusado.
Por tal motivo é que tenho ainda minhas dúvidas concernentemente à eficácia do júri em se fazer justiça e aplicar a lei .
Agradeço a visita e comentário.
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9. Chico Sá disse:
julho 30th, 2008 em 21:33Aqui no Nordeste o “faz-tudo” chama-se biscateiro.
Fatima respondeu:
julho 31st, 2008 às 18:31Chico,
Olá.Ouw! Biscate aqui tem outra conotação!
André respondeu:
julho 31st, 2008 às 18:32Jesus é um profissional multi-facetado, Chico. Atende em residência, hotel, motel e em qualquer lugar onde a imaginação perversa de alguém levar.
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10. AmadeusXIII disse:
agosto 5th, 2008 em 14:44A religião proporciona aos políticos muitos votos do rebanho do senhor… seria um suicídio político, por exemplo, mandar fiscalizar essas seitas que promovem sessões de curandeirismo. Ou alguém se lembra de algum candidato popular no Brasil que tenha declarado abertamente ser ateu ( e tenha tido uma carreira política promissora após a declaração)? Pra falar a verdade, essa discussão toda me lembra quando li pela primeira vez Contato… o livro destruiu a base sobre a qual eu havia construído a minha fé em um deus – a crença de que sem fé, não é possível admirar e compreender todo o maravilhoso universo que nos cerca. Carl Sagan descreve muito bem a tensão que envolve o debate entre a fé e a Razão.
Confesso que desanimo toda vez que ouço uma figura pública dizer que governará com a ajuda de deus… é um lobby fortíssimo, infelizmente!
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setembro 8th, 2008 em 07:10
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