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jul 15

Parafraseando uma frase de uma lenda jurídica: ‘ainda existem juízes em Sydney’.

Em decisão para lá de acertada, o Tribunal Federal australiano revogou uma lei estadual que previa punições àqueles que ‘causassem aborrecimentos’ aos peregrinos católicos que participassem da Jornada Mundial da Juventude.

Essa ‘jornada’ nada mais é do que um encontro de jovens com o intuito de ‘debater’ sobre a fé católica e ‘rezar juntos’; foi ela iniciada em Roma no início da década de 80, em reuniões com a participação do bispo alemão Paul-Josef Cordes, Vice-presidente do Pontifício Conselho para os Leigos.

A iniciativa começou a crescer e reunir cada vez maior número de jovens, atraídos pela perspectiva de ‘fazerem parte de um grupo’. As Igrejas, sempre peritas em explorar as necessidades e medos humanos, continuam a usar tais expedientes para atrair mais fiéis, sendo exemplos disso:

- ‘Raves religiosas’ = Nestas festas pratica-se a ‘cristodance’, onde músicas no estiplo gospel são intercaladas com momentos de prece e oração (só para se ter idéia, no ano de 2006, um desses eventos reuniu mais de 7 mil pessoas em São Paulo),
- ‘Show da fé’ com o pop-star Padre Marcelo Rossi – show musicais onde referido padre canta, dança, exorta os fiéis (et e all). O último, apresentado na cidade de Trindade – GO reuniu cerca de meio milhão de pessoas!

Bom….prossigamos no tema da postagem: haverá uma reunião como esta em Sydney, Austrália e o legislativo estadual de lá havia criado essa lei absurda (a que proibia ‘aborrecer’ os peregrinos).

Mas, diga lá: só a análise da palavra usada (aborrecer) já dá para perceber o quão subjetiva e inútil seria esta lei, não? Aborrecer pode significar várias coisas…Mas a lei encarregou-se de relacionar algumas delas, como: Distribuir camisinhas (pensaram que a jornada católica ‘anti-camisinha’ seria colocada de lado? Enganou-se!) e usar camisetas com mensagens anti-católicas.

Então entraram em campo os defensores das liberdade civil, que, acertadamente acharam a nova lei revoltante e desnecessária. O grupo No to Pope (Não ao Papa) e ingressaram no Judiciário com as medidas cabíveis. Os juízes então decidiram que a cláusula do aborrecimento era inválida e que a lei restringia o direito de expressão.

Olha, fico feliz que ainda existam pessoas lúcidas como os membros deste grupo (No to Pope) e como os juízes de Berlim…er…quer dizer…da Austrália, pois se dependêssemos dos cristãos, voltaríamos à Idade Média.

Esse Grupo aí estará distribuindo preservativos durante o evento, além de ter enviado cartas de boas-vindas a todos os peregrinos. O porta-voz da ONG, Max Wallace, explicou à Agência Efe que a carta:

cumprimenta todos os jovens católicos e lhes explica que eles têm o direito de tomar suas decisões sobre o comportamento que lhes pareça adequado em matéria de sexualidade…[...] e que a postura da Igreja Católica sobre os preservativos é uma sentença de morte para milhões de africanos”

Iskander lembrou que no final de 2007 havia 33,2 milhões de infectados pelo vírus da aids no mundo, e dessa quantidade dois terços vivem no África Subsaariana.

Ah…só para finalizar:

O papa se unirá aos trabalhos da Jornada Mundial da Juventude na quinta-feira. Até então, descansará em uma residência do Opus Dei nas cercanias de Sydney.

Para serem justos, os legisladores australianos deveriam ter elaborado uma lei que também proibísse os cristãos de ‘chatearem’ os não-religiosos!


Fontes: BBC Brasil , Estadão e Portal Ig

escrito por Fátima

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