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jun 16

Laser dirá em segundos há quanto tempo a pessoa morreu

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Escrito por Abbadon.
Biologia, Ciência, Fí­sica, História, Matemática, Medicina, Mídia, Tecnologia

A definição do tempo de morte de um corpo em avançado estado de decomposição, uma das grandes dificuldades encontradas pelos legistas, poderá, no futuro, ser feita em poucos segundos com o uso de laser. Esta é a expectativa final de um estudo desenvolvido pelo Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos. A primeira etapa de testes foi realizada com ratos.

Na prática, o sistema funciona da seguinte maneira: em uma maleta com um notebook acoplado é ligado um sistema com dois cabos. Um é o laser e o outro a fibra ótica. Os dois se unem e, ao se encostar o laser no tecido morto, dados são transmitidos ao computador em forma de gráficos. O trabalho do aluno de mestrado Everton Sérgio Estrakanholli, autor da pesquisa, é codificar o sinal da luz num processamento matemático físico-químico e revelar o tempo exato da morte.

A técnica tem princípios precisos, e, de acordo com o professor Vanderlei Bagnato, coordenador da pesquisa, quanto mais tempo decorre entre a morte e a investigação, mais fácil é definir há quanto tempo ocorreu o óbito. O laudo, no estágio atual da pesquisa, é emitido assim: “Faz 70 horas da morte com precisão de 80%.” Os pesquisadores querem chegar à precisão de 100%.

Por enquanto, o cálculo final de há quanto tempo o tecido morreu é feito manualmente mediante uma série de tabelas, fórmulas e contas. Mas, durante a pesquisa, eles desenvolveram um sistema que fará essa análise em tempo real. “Isso é muito importante para a medicina legal e para a polícia científica, por isso vamos tentar nos associar a um grupo de medicina e dar um novo passo”, diz Estrakanholli.

Bagnato explica que o Instituto vem realizando, há cerca de seis anos, o uso do laser em diversos estudos científicos. Entre eles, houve a sugestão de verificar há quanto tempo um tecido está morto. “Entendemos que isso poderia ser utilizado para a medicina legal, para casos de crime ou aqueles em que não existe violência”, afirma.

O projeto, em si, passou a ser desenvolvido há cerca de três anos. Desde então, segundo Estrakanholli, os primeiros testes mostraram que com o uso do laser era possível determinar o tempo de morte em corpos com avançado estado de decomposição. “É rápido e em segundos.”, diz Bagnato

Os pesquisadores trabalharam inicialmente com grupos de aproximadamente 50 ratos. “Geralmente, se testa com animais para mostrar o princípio e, agora, vamos nos voltar para algo diferente, talvez porcos. Só depois, seres humanos”, diz Bagnato.

O delegado Jesus Nazaré Romão, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Araraquara, desconhecia a pesquisa. Ao saber dos detalhes mostrou-se confiante e espera que o modelo seja colocado o quanto antes na rotina policial. “Isso vai ajudar muito nas investigações de assassinatos em que a vítima já está em avançado estado de decomposição. Com a data da morte saberemos quando ela sumiu”, diz o delegado, encarregado da investigação de homicídios.

Fernando Speranza, chefe do Núcleo de Polícia Científica, também não sabia da pesquisa. Ele explica que o trabalho será mais importante para os médicos legistas. “Se isso for ajudar na investigação com provas mais substanciais é bem-vindo porque hoje essa constatação (hora da morte) é feita pela rigidez do cadáver e outros pontos.”

Os pesquisadores querem chegar a realizar o processo em esqueletos, caso haja algum tecido. Para o estudo com tecidos humanos, buscam apoio de instituições como faculdades de medicina que disponham de corpos humanos para estudo, polícia civil e polícia científica (perícia). A intenção é acompanhar os peritos, fazer a análise científica e, depois, comparar com o resultado tradicional. O pedido formal para o trabalho com humanos será feito após a segunda fase de testes com animais.

Se a tecnologia for colocada no mercado, a intenção é criar um banco de dados com um arquivo padrão para facilitar a emissão dos resultados. “Estamos vivendo um momento em que a ciência precisa ajudar o sistema legal com técnicas modernas e inquestionáveis”, afirma Bagnato.


Fonte: Terra

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