Antes de chegarmos ao plano do Dr. Ray Kurzweil para atualizar e melhorar o software “abaixo do padrão” que rege o cérebro, permitam-me transmitir algumas das notícias animadoras que ele levou ao Festival Mundial da Ciência, em Nova York, encerrado no dia 1º de junho.
Você tem problemas para seguir uma dieta? Tenha paciência. Dentro de 10 anos, explicou Kurzweil, existirá um remédio que permitirá que você coma o que desejar sem ganhar peso.
Preocupado com os gases responsáveis pelo efeito estufa? Tenha fé. A energia solar pode parecer muito pouco econômica no momento, mas com o progresso exponencial que vem sendo conquistado na nano-engenharia, Kurzweil calcula que ela terá custo/benefício semelhante ao dos combustíveis fósseis dentro de cinco anos, e daqui a duas décadas toda a nossa energia provirá de fontes limpas.
Você está deprimido com a perspectiva da morte próxima? Bem, se você conseguir sobreviver por mais 15 anos, sua expectativa de vida continuará a crescer mais rápido do que o seu envelhecimento, a cada ano. E então, antes que a metade do século se aproxime, você poderá estar presente para testemunhar a Singularidade, a transição revolucionária sob a qual seres humanos e máquinas começarão a evoluir em direção da imortalidade, com software cada vez melhor.
Pelo menos é isso que calcula Kurzweil. O que ele prevê talvez seja bom demais para ser verdade, mas mesmo seus críticos reconhecem que ele não é um propagador de fantasias à maneira da ficção científica. Kurzweil é um futurista com um histórico notável e credibilidade suficiente para que a Academia Nacional de Engenharia norte-americana tenha publicado sua previsão rósea quanto à energia solar.
Ele faz suas previsões utilizando o que ele chama de Lei de Aceleração dos Retornos, um conceito que ele ilustrou no festival com uma história de seus próprios inventos para ajudar os cegos. Em 1976, quando ele foi o pioneiro no desenvolvimento de um aparelho que conseguia registrar páginas de livros e “lê-las” em voz alta, o dispositivo tinha o tamanho de uma máquina de lavar.
Duas décadas atrás, ele previu que “no começo do século 21″ os cegos seriam capazes de ler qualquer coisa, em qualquer lugar, usando um aparelho portátil. Em 2002, ele precisou sua previsão, dizendo que isso aconteceria até 2008. Na noite de quinta-feira, no festival, ele exibiu um aparelho do tamanho de um celular e, quando apontou com ele para um panfleto sobre o festival de ciência, o texto foi lido em voz alta sem qualquer dificuldade, pela máquina.
A invenção que ele apresentou, diz Kurzweil, não era mais difícil de antecipar do que algumas das previsões que ele fez no final dos anos 80, como o crescimento explosivo da Internet nos anos 90, e que um computador se tornaria campeão mundial de xadrez até 1998. (Ele estava quase certo: a vitória do Deep Blue em duelo de xadrez contra um campeão humano aconteceu em 1997.)
“Certos aspectos da tecnologia seguem trajetórias notavelmente previsíveis”, ele disse, e mostrou um gráfico sobre poder de computação que começa com as primeiras máquinas eletromecânicas, mais de um século atrás. Inicialmente, a potência das máquinas dobrava a cada três anos, e depois, a partir da metade do século, a duplicação começou a acontecer em intervalos de dois anos (o ritmo de avanço que inspirou a chamada Lei de Moore). Agora, a potência das máquinas dobra a cada ano.
Kurzweil dispõe de outros gráficos que mostram um século de crescimento exponencial no número de patentes concedidas, na difusão da telefonia, das verbas dedicadas à educação. Um gráfico de mudança tecnológica recua milhões de anos, e começa com as ferramentas de pedra, mostrando a aceleração ao longo do desenvolvimento da agricultura, da escrita, da Revolução Industrial e dos computadores (veja mais detalhes em inglês no http://www.nytimes.com/tierneylab.)
Essa serena confiança não é compartilhada por neurocientistas como o Dr. Vilayanur Ramachandran, que discutiu os cérebros do futuro com Kurzweil durante o festival. Talvez possa ser possível criar uma máquina de pensar que seja mais empática, afirmou Ramachandran, mas seria difícil reproduzir os circuitos cerebrais por engenharia reversa, porque eles evoluíram de maneira quase aleatória.
“Meu colega Francis Crick costumava dizer que Deus é hacker, não engenheiro”, disse Ramachandran. “E ainda que se possa realizar engenharia reversa, não há como criar um hack reverso”.
As previsões de Kurzweil são submetidas a intenso escrutínio na revista “IEEE Spectrum”, de engenharia, que dedica sua atual edição à Singularidade. Alguns dos especialistas que escreveram para a edição atual endossam a crença de Kurzweil em que seria possível criar seres conscientes e inteligentes, mas a maioria dos observadores acredita que o processo demorará mais que algumas poucas décadas.
Ele está acostumado a essa espécie de pessimismo, e reconhece que o cérebro é muito complicado. Mas se especialistas em neurologia e inteligência artificial (ou energia solar e medicina) não aceitam essas previsões otimistas, ele afirma, é porque as curvas exponenciais de cresci mento são enganosamente modestas, em seus primeiros estágios.
“Os cientistas imaginam que continuarão trabalhando ao ritmo atual”, ele me disse depois do discurso. “Eles fazem extrapolações lineares com base no passado. Quando foram precisos alguns anos para seqüenciar o 1% anual do genoma humano, eles se preocupavam com a possibilidade de que o projeto não fosse concluído, mas na verdade o ritmo de trabalho era o correto para uma curva exponencial. Caso você atinja 1% e continue dobrando seu crescimento a cada ano, chegará aos 100% em apenas sete anos”.
Kurzweil confia tanto nessas curvas que apostou US$ 10 mil com Mitch Kapor, o criador do software Lotus, em que, até 2029, um computador conseguirá passar pelo Teste de Turing, e conduzir uma conversação com um ser humano que não perceberá que seu interlocutor é uma máquina.
Eu mesmo não confio em que esses gráficos se sustentem em campos que não a ciência da computação, de modo que hesitaria em apostar quanto a uma data específica. Mas se eu tivesse de escolher um lado na aposta quanto a 2029, eu me alinharia Kurzweil. Ele pode estar certo uma vez mais sobre a chegada de uma revolução em data anterior à esperada. E eu odiaria apostar contra a chance de estar presente, desta vez.
14 respostas para "Ciência: futuro está mais perto do que se imagina"
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junho 11th, 2008 em 12:12
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Enquanto a Ciencia trabalha incansavelmente em inumeros campos do conhecimento humano, com milhoes de cientistas pelo mundo todo, com a colaboracao de engenheiros, matematicos, industriais, quimicos, investidores, patrocinadores, universidades, laboratorios de C&T, etc… produzindo inovacoes que mudam o nosso dia a dia, com novos remedios, novas invencoes, novas tecnologias, novos meios de energia, novos meios de transporte, novas solucoes para os problemas, etc… para melhorar a vida dos seres humanos que vivem na Terra.
E os religiosos fazem o que ?
Esperam a morte em vida, sentados, vendo a vida passar diante de seus olhos, sem se mexerem ou fazerem algo para melhorar o mundo, fazer a sua contribuicao para as geracoes futuras, tentar tranformar o lugar onde vivem em um lugar melhor.
Nada disso. So esperam um amigo imaginario voltar, baseados num livrinho vagabundissimo chamado Biblia e Apocalipse.
junho 11th, 2008 em 13:50
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Esta é a comodidade em viver uma fantasia. Estar imerso em uma ilusão que não exige nada além de obediência e ignorância.
Ótima postagem e abertura. Pode não fazer estes estúpidos refletirem sobre a causalidade de suas respectivas sobrevivências, mas eles se beneficiando, nós nos beneficiamos também, e o nosso duro trabalho melhorando a nossa civilização é recompensado. Com perseverança.
junho 11th, 2008 em 16:44
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Tenho minhas dúvidas quanto a “imortalidade”. Mas nos outros campos eu também estou bastante otimista.
junho 11th, 2008 em 23:41
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Muito interessante isso tudo. Estou tão mal informado que nem o conhecia, mas achei muito fascinantes às perspectivas dele e a maneira como ele chega à elas (exponenciais, já dito pela lei de Moore, como você citou). Quanto à imortalidade, parece uma previsão forçada, pois de fato a ciência conseguiu prolongar muito nossa expectativa de vida, mas talvez exista um limite assintótico (de inclinação nula) que não possa ser superado. Mas ainda assim, um aumento na expectativa de vida, associado à boa saúde, para poder aproveitar bem o tempo extra, será (como já é hoje, em relação ao passado) algo excelente.
Enquanto isso, como você já disse, a religião fica esperando o retorno de G-zuis, e não faz nada que melhore realmente as nossas vidas. Engraçado como eles que criticam tanto a ciência não percebem que sem ela uma enorme porcentagem da população mundial já teria morrido. É só fazer o mesmo teste que o Carl Sagan fez, perguntando para um grupo de pessoas, quantas delas permanecem vivas hoje sem nenhuma intervenção científica. Eu mesmo que nasci de cesariana, teria morrido no parto, ou a minha mão teria. Eu agradeço à ciência, em especial à medicina. Já não posso dizer o mesmo da religião. Na verdade o que de principal consegui dela foi perder muito tempo.
junho 12th, 2008 em 14:33
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O nível de críticas aos cristãos e demais religiosos é muito baixo. O fato de sempre existirem bizarrices religiosas não justifica as baixezas e vilipêndios verbais que se lêm neste blog. O dono do blog poderia até ser condenado por isto, em processo judicial (digo poderia, porque a justiça neste país quase sempre é injusta e a impunidade campeia).
Se não respeitam as religiões, respeitem os simples. Não vilipendiem suas crenças. Critiquem e defendam sua tese, sem usar pejorativos tão baixos. Isto demonstra o quanto de intolerância está encravado na mentalidade que rege este blog.
junho 12th, 2008 às 16:12
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Infelizmente para vc, as religioes do mundo inteiro estao cometendo atrocidades, crimes, peculatos, estelionatos, homicidios, preconceitos, homofobias, suicidios, assassinatos, lesoes dolosas e culposas, desrespeito, intolerancia, disseminacao de ignorancia, combate à razao e conhecimento.
Sem contar a longa historia dos crimes das religioes, com centenas de milhoes de vitimas mortas.
E isso acontece todos os dias, em todos os lugares do mundo.
E vc quer que eu respeite ? Tem certeza mesmo ????
Nos respeitamos o INDIVIDUO, desde que nao venha com ignorancia, intolerancia, pregacao, falacias, etc… no qual nos reservamos o direito à resposta.
Nao respeitamos as religioes como instituicoes, e elas estao ai para serem ridicularizadas e terem as suas feridas apontadas por nossos dedos, e serem desmontadas em suas frageis alegacoes.
Ha inumeras crencas que agridem o bom senso. Por exemplo: a mutilacao do clitoris em inumeras regioes africanas. Da para respeitar essa crença ? VC respeitaria ? E se fizessem com a sua mae ? Ou sua namorada ?
E a invasao de um terreiro por 4 evangelicos ensandecidos, ocorrida na semana passada ? Da para respeitar a crenca deles, ja que prejudicaram centenas de pessoas ?
Ponha a mao em sua conciencia e pense em todo o mal que as religioes trouxeram para a Humanidade, antes de nos criticar. O que fazemos aqui, é a nossa critica contra elas.
Se ha maldade em nos, ela é so um atomo comparado à uma montanha de maldade perpetrada pelas religioes.
Entao responda-nos:
Quem tem mesmo o nivel baixo…..??
junho 12th, 2008 às 17:00
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O nível de críticas aos cristãos e demais religiosos é muito baixo.
Críticas do tamanho da qualidade dos religiosos.
O fato de sempre existirem bizarrices religiosas não justifica as baixezas e vilipêndios verbais que se lêm neste blog.
Então vc adimite que existem bizarrices, mas estas devem ser esquecidas? Isso não é desonestidade?
O dono do blog poderia até ser condenado por isto, em processo judicial (digo poderia, porque a justiça neste país quase sempre é injusta e a impunidade campeia).
Que nem quando os crentes vagabundos foram destruir um templo Kardecista e saíram sem mais nem menos? Isso vc não fala, não é?
Se não respeitam as religiões, respeitem os simples. Não vilipendiem suas crenças.
Elas são o retrato de pessoas atrasadas, idiotas e de QI abaixo de zero.
Critiquem e defendam sua tese, sem usar pejorativos tão baixos.
Então, tá. Dessa vez não vou te mandar à merda junto com seu livrinho.
Isto demonstra o quanto de intolerância está encravado na mentalidade que rege este blog.
Quem é vc para dizer isso? Seu livro defende mortem, assassinato e escravidão. Quem é vc para dar lição de moral em alguém, crentinho?
CaioMarques respondeu:
junho 17th, 2008 às 17:15
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Religião é a maior farsa que existe na história humana.
Religião sempre foi uma desculpa pros fracassados aceitarem
pacificamente sua condição. Desde os nossos primórdios isso existe.
Vou dar um exemplo, na Era Feudal pro exemplo, os padres não sabiam
latim e davam missas, inventavam coisas para os aldeões, servos,
camponenses e vilões.
Isso existe até hoje, aquele cara que não corre atrás não estuda
quer ganhar a vida de forma fácil e sempre se fode, recorre à igreja
e acha, tolamente, que esse ‘deus’ vai dar alguma coisa de graça pra eles.
Meu caro, te dou uma idéia…acredita na ciência, aproveite a vida,
imagino como deve ser decepcionante descobrir 3 segundos antes da
morte que esse ‘deus’ não existe, que vc ficou a vida inteira perdendo
horas que somadas deram meses, que somados deram anos para igreja
essa farça, e vc morreu, perdeu anos de vida por uma coisa que nunca
existiu.
Eu tenho apenas 16 anos, e já fui sábio o suficiente para perceber
que ‘deus’ não existe.
junho 17th, 2008 em 15:08
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Acredito no Dr. Kurzweil… A humanidade deu um salto em ‘quisito evolução’ da década de 90 para cá.
Comecei a reparar isso quando eu estava jogando video game. Lembrei que até 1998 não existia video game com gráficos 3D, e 10 anos depois já temos jogos no qual todos os movimentos que você faz, o seu personagem virtual imita perfeitamente.
Tenho outro exemplo, em 1994 a tecnologia do microondas era praticamente impossível, e em 1997 você já encontrava microondas em algumas casas.
Assim como o Video Game e o Microondas, temos muitos outros exemplos…
E mais…ainda acho que o Dr. Kurzweil deu um prazo muito longo para essas previsões.
Carlos R. respondeu:
junho 17th, 2008 às 19:02
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Em 1994 já havia microondas nas casas. Era mais caro, mas tinha. Desde a década de 1980 que os lares mais abastados já tinham um.
CaioMarques respondeu:
junho 17th, 2008 às 20:14
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Será que não era forno elétrico? Se não, desculpem o meu equivoco.
Carlos R. respondeu:
junho 18th, 2008 às 18:12
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O primeiro forno microondas foi construído em 1947, mas ele era gigantesco. Não vale. Em uma música do Dire Straits de 1985 já aparece uma referência do objeto como bem de consumo de classe média, na música Money for Nothing. Eis parte da letra
“We gotta install microwave ovens
Custom kitchen delivery
We gotta move these refrigerators
We gotta move these color TVs.”
julho 4th, 2008 em 10:12
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abbadon, me passa seu email? tenho um amigo cristao que eu iria adorar se vc ajudasse a botar juizo na cabeca dele…
julho 4th, 2008 às 13:55
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O email é este:
extincao2001@hotmail.com