mai 19

Associação quer espiritualizar o Judiciário

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Ateí­smo e Agnosticismo, Ceticismo, Comportamento, Idiocracia, Literatura, Mídia, Religião

Quando a gente achava que os crentes já esgotaram o seu estoque de absurdos em nome da fé e da religião, eis que a Folha de São Paulo nos brinda com mais esta pérola! Uma associaçã; de crentes espíritas quer mexer no Judiciário, e se conseguirem, amanha virão os evangélicos defender o apedrejamento ate à morte aos homossexuais, adúlteros, ladrões, etc… e os islâmicos; a condenação pela forca a quem for acusado de apostasia; os cristãos a condenação à fogueira todos os hereges e ateus.

Eles defendem um Judiciário mais sensível às questões humanitárias, dizem que a maior lei é a de Deus, vêem na condenação penal e na própria função uma missão de vida, defendem o uso de cartas psicografadas nos tribunais e estimulam, nas audiências, a fraternidade entre vítimas e criminosos.

O nosso Judiciário é mais humanitário que a “lei de deus”, mais do que a maioria dos paises do Terceiro Mundo, e temos uma pena máxima que não chega a 30 anos, temos vários recursos que permitem diminuir a pena, alem de varias vantagens e indultos. Lá nos EUA, as penas chegam à perpétua e também, à pena capital. E para completar, inúmeras condenações de penas longas por crimes pequenos (aqui consideraríamos absurdo e extremamente vingativo).

E cartas psicografadas? Para que? Ate hoje nunca se provaram que eram verídicas. As livrarias estão cheias de “cartas psicografadas” que na pratica, não servem para nada! Se resolvessem, saberíamos quem matou e sumiu com o corpo de Jimmy Hoffa! Ou quem foi Jack, o Estripador! Ou quem matou Kennedy..! No Brasil, mais de 30 mil são assassinados todos os anos. Alguma vez, alguma misera carta “psicografadinha” resolveu pelo menos 0,001% dos casos não-resolvidos de assassinatos no Brasil ? E olhe lá que não faltam vitimas e oportunidades….!!!

Fraternidade entre vitimas e criminosos…?? Poupe-me dessa monumental bobagem ! Conseguem imaginar Nardoni brincando alegremente com a Isabella, o menino João Helio que foi arrastado no asfalto por três marginais abraçando-os ? Conseguem ?? E você, caro leitor, você sorriria para um bandido que o assaltou e dar um abraço afetuoso e tapinhas nas costas ?

Discutir temas polêmicos, como o aborto, a eutanásia, o casamento gay, a pena de morte e as pesquisas de células-tronco, condenados pelas religiões cristãs, são alguns dos objetivos da recém-criada AJE (Associação Jurídico-Espírita) de São Paulo, que teve anteontem a primeira reunião deliberativa, e já existe no RS e no ES.

Como sempre, os crentes são sempre contra tudo que beneficia a sociedade como um todo e combatem com todas as armas a modernidade, as mudanças de costumes sociais e comportamentais. Quero só ver um crente tendo um filho gay que vai se casar por amor com outro homem, ou sofrer de dores atrozes por causa de uma doença incurável (nenhum Jesus vai descer de um elevador expresso do céu e aparecer para curá-lo, todos sabemos disso) e pedir para morrer logo, ou sofrer de uma doença que poderia ter sido curada com a ajuda de células-tronco cuja cura foi impedida pela fé ! Quero só ver, hein… Ah, para piorar as coisas, 80% dos abortos no Brasil são feitos por mulheres cristãs.

“O Estado é laico, mas as pessoas não. Não tem como dissociar e dizer: vou usar a minha fé só dentro do centro espírita”, afirma o promotor Tiago Essado, um dos fundadores da AJE.

Claro que o Estado é laico, e as pessoas não ! E de preferência, os espíritas que fiquem com a sua fé DENTRO do Centrinho Gasparzinho Camarada e NAO LEVEM para fora e se meter no Judiciário !

Embalada na esteira do crescimento da Abrame (Associação Brasileira de Magistrados Espíritas), que hoje reúne 700 juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores, e que aceita apenas togados como membros, a AJE surge com uma proposta de abranger todos os operadores do direito e já conta com 200 associados ou interessados, entre promotores, delegados de polícia e advogados, além de juízes.

Embora juristas não vejam ilegalidade no fato de juízes se reunirem em associações religiosas, a questão levanta discussões como:

1) O laicismo, princípio que prega o distanciamento do Estado da religião;

Um principio importantíssimo que permitiu às nações que o adotaram, avançar muitíssimo mais em todos os campos sociais, econômicos, tecnológicos, educacionais, saúde, etc.. em apenas 150 anos, contra mais de 1500 anos de obscurantismo religioso ! Conhecem algum pais com o mesmo nível de avanço debaixo de uma teocracia…….??

2) A contaminação de decisões por valores ou crenças de caráter religioso ou pessoal;

Gravíssima, por sinal. Crenças religiosas JAMAIS devem interferir em decisões importantes.

3) E o caráter científico do direito positivo, que deve se basear em verdades comprovadas, e não, como a religião, em verdades reveladas.

Exato, falou tudo…! Alguma religião gostaria de se submeter aos critérios científicos para testar as suas alegações, e ver se comprovam…? Ah, claro que não… elas tem medo de que seu castelinho de cartas desmorone a um simples exame critico….

Além dos tribunais superiores (entre outros, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Francisco César Açor Rocha, é um dos integrantes da diretoria da Abrame), a convicção espírita permeou também o Conselho Nacional de Justiça, o órgão de controle externo do Judiciário.

Esqueceram de avisar da Constituição Federal de 1988, que não permite que o Estado favoreça uma determinada religião, e que tem de permanecer laico em TODAS as suas instancias e poderes. Isso inclui o Judiciário, que DEVERIA defender a separação entre o Estado e Igreja..!! O lugar das convicções espíritas é na porta da rua…!

“Não enxergaria nenhuma diferença entre uma declaração feita por mim ou por você e uma declaração mediúnica, que foi psicografada por alguém”, diz Alexandre Azevedo, juiz-auxiliar da presidência do CNJ, designado pelo conselho para falar a respeito das associações.

Claro que não enxerga…! Quem é crente religioso, não enxerga as contradições de sua fé e rejeita toda e qualquer evidencia em contrario…!! E também, jamais testam as “declarações mediúnicas” para ver se alcançam o alegado resultado, ou se correspondem à verdade..! Pessoas que não vêem diferença entre bobagens psicografadas e declarações pessoais não deveriam exercer o oficio da magistratura, já que declarou a sua inaptidão para verificar e examinar as provas apresentadas aos tribunais…!

Segundo Zalmino Zimmermann, juiz federal aposentado e presidente da Abrame, o propósito da associação “é questionar os poderes constituídos para que o direito e a Justiça sofram mais de perto a influência de espiritualizar”. “O objetivo geral é a espiritualização e a humanização do direito e da Justiça”, diz.

Se o objetivo é humanizar, que reformem as leis, os processos penais eliminem-se a burocracia, diminuam o papel dos cartórios, formem melhor os advogados e juizes, ampliem o numero de juizes, adotem maciçamente a Sumula Vinculante, eliminem os ritos processuais desnecessários e a frescura com mínimos detalhes, dêem mais agilidade ao andamento dos processos, e abandonem os recursos que permitem postergar indefinidamente a sentença e o julgamento, etc… tudo isso é muito melhor do que “espiritualizar”. Zalmino deveria ser mais realista e defender medidas praticas para desafogar o Judiciário.

Para o juiz de direito Jaime Martins Filho, a escolha de sua profissão não foi uma casualidade e, por isso, a exerce como uma missão de vida. “Não acredito em acaso, mas numa ordem que rege o universo, acredito em leis universais.” E ele explica “a finalidade religiosa da associação”.

Não vejo nenhuma finalidade útil nesta associação. Não vejo diferença entre espíritas, candidatas a Mãe Dinah, babalorixas, pajés, adivinhos, médiuns, ciganas que lêem as mãos, ou leitores de bolas de cristal….

“Dentro da liberdade de religião, são os juízes aplicando princípios religiosos no seu dia-a-dia. Temos um foco que é a magistratura, procurar trabalhar esses valores espirituais que estão relacionados com a própria religião dentro da magistratura”, diz Martins Filho.

Vamos chamar um juiz islâmico para aplicar os seus princípios religiosos, e os marginais que se preparem para serem açoitados em praça publica, enforcados, esmagados por tabuas de pedra em seus peitos, apedrejados por uma multidão, as mãos sendo decepadas por espadas, etc… são belíssimos valores espirituais… ou um cristão, evangélico adotando os maravilhosos princípios religiosos do Velho Testamento…


Fonte: Folha Uol


20 respostas para "Associação quer espiritualizar o Judiciário"

  1. 1. stbjuliano disse:

    cara
    O QUE É ISSO?
    não, não…
    isso NÃO PODE acontecer de jeito nenhum!
    Já imaginou um estado “temente a deus”?
    Já pensou se cartas psicografadas fossem aceitas? Qual quer um pode acusar qual quer um de qual quer coisa!
    Seria ai, o fim do Brasil.

    Fatima respondeu:

    Juliano:

    SE forem?

    JÁ foi, meu caro…infelizmente, ‘já foi’:
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u122179.shtml

    :cry:

    observer respondeu:

    @stbjuliano, Bom, chegou o dia das cartas psicografadas…..bobagem do UOl

    http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2014/03/21/mg-carta-psicografada-absolve-acusado-por-assassinato.htm

  2. 2. Mauro Paz disse:

    A tal carta psicofrafada não inocentou o reu, as provas contra ele é que eram fracas em relação a defesa, a comunidade espirita está usando esse episódio para lardear a aceitação juridica de tal carta psicografada, todos nós, pessoas conscientes, estudadas e esclarecidas sabemos que tal carta é fruto da mente dos tais medius e outros tantos charlatães, então um jurista letrado, informado, intelectualizado não pode se deixar levar por tamanha bobagem mistica.

    Se forem levados por estas bobagens, nosso pais está perdido, não teremos mais um pais de direito civil, e sim de direito religioso, deixaremos de ser um pais laico para sermos a filial das igrejotas e das assembleias espalhadas por esse pais, onde todo o tipo de bobagem e besteirol é dito e feito, e estaremos a própria sorte das mais térrivel das miséiras humanas, a ignorância.

  3. 3. KaFkA disse:

    Todos sabemos que num estado democrático laico, exigi-se a separação entre Estado e igrejas, governo civil e religião, e também institui a liberdade religiosa e proclamou que todos os cultos tenham igual tratamento por parte do estado. Tudo bem bacana na prática, mas isto parte de uma mentalidade das pessoas que constituem a sociedade e vejo com pessimismo que estamos muito longe de algum dia chegarmos numa postura e educação laicos.

    Tenho um ponto de vista que defendo que junto com o referço do ensino de ciências, o laicismo também deveria ser aprendido na escola. Todos os valores que uma república conquistou e os direitos individuais que os cidadãos têm foram conquistados por gente que nunca misturou sua fé pessoal com o pluralismo de crenças de caráter íntimo.

    A separação assegura que as opções espirituais ou religiosas não envolvam o estado e que o estado não se envolva com com as questões religiosas, ela demanda também que o estado cuide das condições de possibilidade da expressão religiosa, assim como a renúncia, por parte das religiões, à sua dimensão política. A questão é que as religiões e o epiritismo querem que suas práticas sejam a regra para todos. Isto é uma miopia sobre a diferenciação entre verdade científica e esta “verdade revelada”. Mas não me surpreende muito uma vez que no brasil a distinção entre o público e o privado é tarefa difícil pra maioria.
    Mas também esperar que cidadãos votem em legisladores não religiosos é querer demais e para o político se se declarar não religioso é voto perdido na certa. Conforme mostrava a revista VEJA em: “Como a fé resiste à descrença” “84% dos brasileiros votariam em um negro para presidente da República, 57% dariam o voto a uma mulher, 32% aceitariam votar em um homossexual, mas – perdendo de capote – apenas 13% votariam em um candidato ateu”
    Quando muitos conseguem chegar nas universidades, que teoricamente formam futuros líderes, estas universidades aceitem monografias como estas abaixo?
    http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/a00009.htm
    Saber entre a diferenciação de provas cientícas que prima o direito positivo é achar que os eleitores dos políticos que irão legislar de modo geral, façam idéia do que seja isto. Os brasileiros são péssimos em ciências http://cienciahoje.uol.com.br/115393 (Obs: se houver uma mensagem de erro no servidor proxy, clique em GET /115393 que aparece na tela)

    O que está em jogo é a liberdade de um sujeito independente se este indivíduo algum dia frequentou centro espírita ou se vai à missa todo domingo.
    embora os praticantes da doutrina de Hippolite Rivail (Nem na frança, país onde seu fundador nasceu a doutrina deu certo), reforçam que seja uma doutrina, aproveitam da imensa diversidade de crença no brasil para se fazer valer de influências em setores importantes da sociedade. Fazem como a igreja a qual nunca engoliu ter que ficar em seu canto de culto quando a constituição da república no século XIX o estado se declarou laico.

    O estado laico pede uma conciliação dos valores religiosos com as leis. Significa que as leis devem valer para todos tendo profissão de fé ou não. Diferente dos estados teocráticos que fazem suas leis tendo como substrato livros sagrados. Curiosamente estes estados são tiranos. Os estados teocráticos não reconhecem valores individuais uma vez que as leis independe das aspirações de liberdade de um povo. Se tivermos leis que se baseiam em atos de extremismo de fé dos prosélitos, acho que abrirá margens pra vários tipos de arbitrariedades além das que já estamos cansados de ver. Seria bem capaz ver os defensores desta espiritualização do judiciário interpretariam atitudes ilegais suas como influências de um espirito ruim.

  4. 4. AdministradorLealcy disse:

    “Não enxergaria nenhuma diferença entre uma declaração feita por mim ou por você e uma declaração mediúnica, que foi psicografada por alguém”, diz Alexandre Azevedo, juiz-auxiliar da presidência do CNJ, designado pelo conselho para falar a respeito das associações.

    Se essa afirmação é ética dentro do judiciário, então eu sinto muito medo.

    Fatima respondeu:

    No momento em que monsieur Lealcy mostrou-me a notícia, já havia eu tomado contato pela intranet do local onde trabalho, só que o veículo que dispunha foi mais eficaz no sentido de mostrar a correta e justa indignação de verdadeiros e sérios juristas, profundamente comprometidos com a Justiça e com o Direito, bem como deveras preocupados com os rumos tortuosos que nosso Estado de Direito vem tomando:

    Abaixo transcrevo algumas destas opiniões:

    - Dalmo de Abreu Dallari, professor aposentado da USP/SP, renomado jurista, autor de incontáveis livros que ainda hoje são utilizados nas academias:

    a) sobre o uso de cartas psicografadas nos Tribunais:

    …o uso de psicografia é claramente ilegal.Não há o reconhecimento disso no sistema jurídico brasileiro. Se isso for a prova, o julgamento é nulo. Não pode. [...] Não existe amparo legal na utilização do sobrenatural”"

    b) sobre o laicismo do Estado Brasileiro:

    Os juízes têm plena liberdade religiosa como todos os demais cidadãos, como têm o direito de associação, mas, se isso interferir no desempenho da função jurisdicional, aí, sim, se torna ilegal e ofende a laicidade”

    - Marcelo Neves, um dos maiores teóricos do direito brasileiro, professor de teoria do Estado da USP e de teoria do direito do doutorado da PUC:

    a) sobre o uso de cartas psicografadas nos Tribunais:

    Há uma descaracterização dos princípios do Estado constitucional moderno [...] na aplicação de valores espíritas no dia-a-dia do Poder Judiciário [...] o uso de psicografia nos tribunais é um perigo e só tem significado nos campos religioso e pessoal. Isso não pode passar para o plano jurídico porque realmente é uma interferência destrutiva da consistência do Estado democrático de Direito”

    b) sobre o laicismo do Estado Brasileiro:

    Não se podem definir posições sobre casos jurídicos a partir de uma percepção religiosa do mundo. A partir do momento em que esses magistrados não conseguem se desvincular é um problema gravíssimo para o Estado de Direito, que parte do princípio de ser um Estado laico e que posições religiosas diversas não podem ser determinantes no processo de decisão jurisdicional [...] A constituição do Estado democrático de Direito fica totalmente prejudicada, principalmente pela pluralidade religiosa. Num mundo de pluralidade religiosa cada vez maior hoje é que tem que haver maior distância do Estado constitucional em relação aos particularismos religiosos”"

    - Walter Nunes da Silva Júnior, presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) – sobre o uso de cartas psicografadas nos Tribunais:

    Escorar uma decisão com base numa prova psicografada não tem ressonância no mundo jurídico. É indevida uma decisão que se embasa na psicografia, que cientificamente não é comprovada”

    Conclusão: como em todo ramo do conhecimento, existem pessoas sérias e pessoas não tão sérias, infelizmente os dados que estas últimas podem causar são imensuráveis. Por tal motivo, há de se combater de forma ferrenha ditos comportamentos.

    :::::::::::::::::::

    Sobre o uso de tais ‘documentos’ nas provas, o que tenho a dizer que o conjunto de leis que formam o direito, geralmente é dividido em direito material (que são aqueles que estão diretamente ligados aos bens juridicamente tutelados) e processual (que são aqueles ligados aos meios de prova de eventuais violações aos bens tutelados). As provas referem-se ao direito processual.

    Como elemento do direito processual, é ela a coluna cervical de todo o processo. A ausência ou insuficiência de provas pode ser elemento ensejador da não-punição à conduta lesiva expurgada pelo direito material.

    Em direito civil, as provas buscam comprovar a verdade formal (que surge e decorre de uma mera convenção entre as partes e que tem valor presumido como verdade), enquanto que no direito penal buscam elas comprovar a verdade material (aquela que independe da vontade dos agentes), assim, a forma de apreciação de cada prova em cada ‘ramo’ do direito (civil ou penal) é diferente. No direito penal o magistrado procura elementos que evidenciem a ocorrência do fato (ilícito penal) e a autoria. Neste aspecto, constitui verdadeira aberração jurídica o uso de cartas psicografadas. :twisted:

    Espero ter colaborado com a excelente postagem do Sr. Abbadon.

    Abraços! :razz:

  5. 5. Chico Sá disse:

    Caramba!!! Quando a gente pensa que já viu tudo em matéria de estupidez, eis que aparece isso, e ainda por cima, de homens que deveriam ser neutros quando no exercício de suas profissões. Essa notícia dá enjôo. Eu imagino o comportamento desses “cristãos” julgando ou acusando um cético, um ateu etc.

    KaFkA respondeu:

    Se a repercussão já é maior quando alguns crimes têm como vítima algum religioso imagine se algum crime partir de alguém declaradamente não religioso! Nisto os tribunais já usam da influência de seus magistrados para agirem mais rápido. Num júri popular por exemplo onde pode-se dizer que a grande maioria dos jurados têm uma crença, os advogados podem usar do recurso de rebaixar a moral do suposto acusado levantando a questão da falta de fé do criminoso, daí para a condenação é mais um passo. Tudo isto no meu ponto de vista leigo é válido mas muita coisa é feita por brechas na lei. Sei que temos leis com vários ‘buracos’ e a gente já pode deduzir o que seria se agora viesse mais um destes ‘recursos’ tão arbitrários. Teríamos mais um ator nas varas de execução criminal além do advogado criminalista. Teríamos um médium como peça de autos. Quanto mais fingidor o médium, mais teria renome e reputação. As pessoas se impressionam muito. O teatro já estaria formado. Todos nós poderíamos ser réus amanhã, dependendo de nossos desafetos e os contatos com “bons médiuns” destes desafetos. Por isso eu também me preocupo com este tipo de coisa.

  6. 6. abbadon disse:

    O espiritismo nos tribunais

    Sob a justificativa de tornar a Justiça “mais sensível às questões humanitárias” e discutir questões morais como aborto, eutanásia, pena de morte e pesquisas de células-tronco, um grupo de delegados de polícia, advogados, promotores, procuradores e juízes acaba de criar a Associação Jurídico-Espírita de São Paulo (AJE), com cerca de 200 filiados. Entidades semelhantes já existem no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo e a maior delas é a Associação Brasileira de Magistrados Espíritas (Abrame), que reúne 700 juízes, desembargadores e até mesmo ministros de tribunais superiores.

    Para essas entidades, aplicar o direito é “missão de vida” e nada impediria os juízes de embasar suas decisões em princípios religiosos. “O Estado é laico, mas as pessoas não. Não tem como dissociar e dizer: vou usar a minha fé só dentro do centro espírita”, diz o promotor Tiago Essado, um dos fundadores da AJE. “Não enxergaria nenhuma diferença entre uma declaração feita por mim e uma declaração mediúnica, que foi psicografada por alguém”, afirma Alexandre Azevedo, juiz-auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça. “Não acredito em acaso, mas numa ordem que rege o universo, acredito em leis universais”, endossa o juiz Jaime Marins Filho. É preciso “questionar os poderes constituídos para que o direito e a Justiça sofram mais de perto a influência de espiritualizar”, conclui o juiz federal Zalmino Zimmermann, presidente da Abrame.

    Entre as propostas defendidas por essas entidades está a utilização de declarações e cartas psicografadas por médiuns espíritas nos tribunais como prova material ou documental inclusive em casos de homicídio. O problema é que, além de essas medidas não terem qualquer comprovação científica, elas comprometem a certeza jurídica e a própria objetividade das decisões judiciais. Acima de tudo, essas medidas colidem com o princípio do Estado laico, que enfatiza a separação entre o poder público e a religião e o prevalecimento do rigor lógico-formal do ordenamento jurídico e o caráter científico do direito positivo sobre crenças de natureza moral e pessoal, critérios sobrenaturais, valores religiosos e as chamadas “verdades reveladas”.

    A discussão não é nova. Além das entidades de juízes espíritas, há muito tempo existem associações de juristas católicos que foram criadas com o objetivo de “contribuir para a presença da ética católica na ciência jurídica”. Um dos integrantes dessas associações, o ministro Carlos Alberto Direito, do Supremo Tribunal Federal (STF), envolveu-se recentemente numa acirrada polêmica com colegas de Corte e com entidades médicas, ao pedir vista da Ação Direta de Inconstitucionalidade que contesta as pesquisas com células-tronco embrionárias. Com isso, apesar da tendência da Corte de rejeitar o recurso, ele sustou o julgamento no dia 4 de março, o que levou a ministra Ellen Gracie a criticá-lo publicamente. Embora o regimento do STF fixe em 30 dias o prazo para vista, até hoje Direito não devolveu os autos ao plenário.

    Em vários Estados, advogados vêm apresentando aos Tribunais do Júri declarações psicografadas como estratégia de defesa. Nesse tipo de julgamento, como é sabido, os jurados não precisam fundamentar seus votos. Os juristas espíritas alegam que a psicografia pode ser levada em consideração desde que esteja em “harmonia” com as demais provas. Como não há garantia nem de autenticidade nem de cientificidade de documentos psicografados, muitos promotores pedem a sua impugnação sumária. “Escorar uma decisão com base numa prova psicografada não tem ressonância no mundo jurídico”, diz Walter da Silva, presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe).

    Com o objetivo de fechar brechas legais que desvirtuam julgamentos e abrem caminho para as mais absurdas decisões judiciais, a Câmara dos Deputados está discutindo um projeto que altera o Código de Processo Penal, proibindo expressamente o uso de cartas psicografadas por prova criminal. O projeto, que já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, não poderia ter sido apresentado em melhor hora. Além de preservar a segurança jurídica, ele é uma resposta objetiva àqueles que, sob a justificativa de “espiritualizar” o Judiciário, confundem razão jurídica com crença religiosa.

  7. 7. Ary M T Ferreira disse:

    :!: :???: :?:
    Mas que porra….Idéia de girico
    Esses magistrados são doidos.

    Sou espírita, mas o estado e isso inclui todas as suas instituições, devem ser laicos para garantir direitos iguais a todos e uma melhor funcionalidade.

    Já ouvi falar de casos em que o Chico Xavier psicografou uma carta em que a vítima assassinada informou onde estava uma prova importante do crime.
    Parece que essa informação foi averiguada e a prova testada para constatar autenticidade e ligação com o crime e com o réu. Aparentemente o resultado foi positivo.
    Então creio que vez ou outra, um material de origem mediúnica que ajude a desvendar fatos e provas 100% concretas e confirmadas pela perícia(isso é essencial)possa ser válido…

    Mas sistematizar esse tipo de coisa é imoral, nem o espiritismo, nem o poder judiciário deve se prestar a isso.

    Religião e estado não devem se misturar.
    Obsviamente que exessões do tipo em que barcos da marinha levam oferendas para Yemanjá, cedidas por marinheiros ou caminhões de bombeiros levem imagens sacras em procissões, ou que cultos à padroeiros de policiais ou enfermeiros possa ser realizados nas dependências de quartéis e hospitais publicos, etc….mas nada além disso, nada que envolva o funcionamento das corporações e instituições governamentais.

    O estado brasileiro deve se tornar laico de fato!!!

    abbadon respondeu:

    Ary,

    Lamento, mas mesmo que Xavier tenha psicografado uma carta, ainda assim nao podemos leva-lo a serio, por absoluta ausencia de evidencias que comprovem a autencidade e validade das mesmas.

    “Ouvir falar”, mas sem citar datas, nomes, locais, ocorrencia, etc.. nao prova nada.

    Se cartas psicografadas fossem verdadeiras e validas, porque nao estao sendo utilizadas para solucionar os mais de 20.000 assassinatos anuais que ocorrem no Brasil ?

    Essa simples pergunta ja depoe contra o uso de cartas psicografadas.

    Administrador Lealcy respondeu:

    Ou, ainda, porque as caras são boas para inocentar pessoas mas não para salvar vítimas?

  8. 8. Ary M T Ferreira disse:

    Oi.
    Então , espondendo aos dois colegas:
    Exatamente, eu ouvi falar, não tenho certeza, mas como disse anteriormente, o uso desse tipo de recurso, mesmo numa situação hipotética, só seria válido se ajudasse a encontrar provas que pudessem ser verificadas pela perícia criminalísta como reais e ligadas ao crime em questão, fora isso é achologia.
    E mesmo que já possa ter havido casos de sucesso com a utilização deste material , sou contra a sistematização do seu uso , pois isso com certeza afetaria a qualidade e geraria excesso de trabalho de perícia criminal, sem um benefício porcentual que valesse a pena, em outras palavras,na enorme maioria dos casos iria atrasar o processo sem dar resultados conclusivos, bagunçando ainda mais o já “organizado” judiciário brasileiro. Infelizmente grande parte dos médiuns age mais por vaidade do que por um impulso divino, gerando muitas dúvidas sobre a veracidade ou qualidade do material produzido.

    Quanto a outra questão de cartas para salvar vítimas, até há relatos e um caso ou outro pode vir a ser confirmado, isso é mais uma questão de pesquisa para verificar uma estatística. Assim do nada eu não saberei te responder se sim ou não ou em que porcentagem.
    Pessoalmente eu fiquei um pouco intrigado quanto aquele médium Urandir que apareceu algumas vezes na tv depois do acidente do avião da gol. Na época ele trazia cartas registradas em cartório que teria enviado à gol avisando sobre o problema. Não dei muita bola, mas ele alertou que poderia ocorrer um caso parecido em poucos meses na zona norte de sp, eu fui testemunha ocular dessa transmissão, foi num programa vespertino da tv aberta, estava assistindo junto com minha esposa. Infelizmente foi confirmada essa previsão com o caso do jatinho que caiu no bairro da casa verde. Não tenho todos os detalhes, mas é um caso interessante para estudo.
    Aparentemente esse Urandir escreve cartas avisando as pessoas e empresas sobre problemas que elas possam vir a enfrentar, as cartas são , segundo ele, registradas em cartório com data e tudo. Até aí é uma questão de investigação para saber se isso funciona mesmo. Pelo menos no caso do jatinho da casa verde ele acertou , ou deu um chute muito bem dado. Creio que uma pesquisa estatística dos erros e acertos das previsões dele possam esclarecer o assunto.

    abbadon respondeu:

    Amigo,

    Quem garante que as cartas marcadas com as datas em cartorio sao autenticas ? Juscelino fez a mesma coisa a respeito dos acidentes de aviao, e apos uma investigacao mais aprofundada das cartas que escreveu, descobriu-se que na verdade foram adulteradas com a ajuda de um conhecido no cartorio, para dar-lhes um ar de veracidade. E ele so exibe as cartas APOS os fatos ocorridos, para ganhar fama e notoriedade. Um pouco de pesquisa no Google ira revelar isso para vc.

    E engracado como os mediuns so “preveem” acidentes que ganham manchetes, nao e ?

    Qualquer idiota pode prever um terremoto com numero X de vitimas, e esta se confirmar. Basta ser vago nos detalhes, e a interpretacao alheia cuida de lhe dar credibilidade.

    Fatima respondeu:

    Acrescento à informação supra do Abbadon o seguinte:

    Para escapar à obrigatoriedade de indenizar uma vítima, os proprietários de determinada empresa alienaram todos os bens que possuíam.

    Ocorre que há um instituto chamado ‘fraude à execução’: comprovando-se que as alienações ocorreram após o ingresso da ação de execução de título judicial, todas elas são anuladas (a fim de evitar este tipo de comportamento).

    Os devedores-proprietários da empresa eram de Santo André/SP, os compradores dos imóveis da mesma cidade. Mas a escritura de compra foi lavrada num cartório lá nos cafundó de MG!!!!

    Ficou comprovada que a venda era ANTERIOR à data da propositura da ação de execução (isso conforme escritura lavrada em cartório de notas, mas não registrada em cartório de imóveis).

    Como isso ocorreu?

    Simples: os registros em cartórios seguem uma ordem crescente de data. Os safados procuraram um cartório onde não havia sido registrada nenhuma venda há tempos.

    Exemplo: quero lavrar uma escritura de compra e venda com data retroativa. (março de 2001).Procuro um cartório onde não tenha havido nenhum registro desde esta data, ‘molho’ a mão do Oficial de Registro e buemba! Meu nefasto intuito foi alcançado. :twisted:

    Feita a lei, feita a fraude.

  9. 9. Ary M T ferreira disse:

    Repito o que eu disse.
    Tudo necessita de averiguação.
    No caso do Urandir, já na verificação sobre os registros de cartório , o colega nos informou que houve problema, o que já desqualifica o material produzido pelo Urandir.
    E avião cair na zona norte , uma região que é rota de 2 aeroportos(campo de marte e guarulhos), em plena época de crise aérea é uma previsão que qualquer um poderia fazer. Se ele ainda dissese que um avião fosse cair em embu das artes, até poderia ser algo mais interessante, mas ali na casa verde foi só questão de tempo , oportunidade e desleixo das autoridades .

    Com relação aos médiuns , vale aquilo que já mencionei, a vaidade é o calcanhar de aquiles dessas pessoas. Se alguém quiser realizar uma pesquisa séria sobre o assunto, primeiro tem que descartar esses médiuns estrelas , na verdade terá que pesquisar bem quais serão os médiuns utilizados no estudo.

    O maior problema é que os pesquisadores em geral se sentem constrangidos de pesquisarem nessa área, deixando isso nas mãos de pesquisadores espíritas, o que , por mais surpreendentes que possam ser os resultados, não terão o devido credito pelo fato dos pesquisadores estarem de alguma forma ligados ao espiritismo. Fica parecendo tedensioso ou suspeito.

  10. 10. Cordeiro disse:

    :lol:

    A idéia de um órgão do Estado como o poder judiciário espiritualizado, se fosse no sentido humanizado é interessante, na melhoria das relações humanas.

    Mas não cabe à esta ou determinada fé, seita, religião, como no caso o espiritismo, este encargo.

    Trabalhos para aperfeiçoamento no relacionamento interpessoal, com auxílio de psicólogos, assistentes sociais, incentivo financeiro para os que colaboram auxiliando creches, centros de reabilitação, postos de saúde, melhor espiritualizariam o judiciário do que quaisquer literatura do tipo espiritual, palavras e mais palavras sem atos são estéreis, vide a questão dos abortos pelas mães cristãs, frequentadoras de igrejas, passivas, mas quando deviam agir em prol do ser nascente, lá vão resolver da pior forma imaginável.

    Espero que as coisas ultrapassem, e acrescento que muitas destas associações de ajuda são cristãs, espíritas, umbandistas, nada mau se a espiritualização fosse mais prática, de modo contrário, incentivando os funcionários no sentido de ajudo a tais associações, pois o laicismo não significa repelir ajudar ao próximo, seja sob qual denominação receba a instituição.

  11. 11. mirtes disse:

    Dããããã, COMO vão provar que a carta foi escrita mesmo pelo finado?

    Vão instituir quem, pra psicografar as cartas? Haverá treinamento? Junta de fiscais? Como será o método de recolhimento de testemunho do defunto?

    Onde essas cartas serão psicografasdas? qual estabelecimento kardecista estará autorisado a receber os médiuns autorisados, a fazer a psicografia?

    O que fazer, quando uma das partes acredita nelas e a outra não?

    Se cartas psicografadas forem aceitas, como prova, por que não uma incorporação de preto velho, ou uma mensagem telepática de uma entidade exta-terrena?

    quais os critérios, para aceitação de um, e negação de outro?

    Aff tem horas que religião vira circo, e olha que eu sou kardecista (agora me deêm licença, vou esconder minha cabeça dentro de um saquinho de papel! :wink:

  12. 12. Wilhelm disse:

    È … a religião realmente precisa divulgar a miséria física e intelectual necessária para a sua existência e crescimento

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