Pesquisa analisou misterioso osso da coxa do hominÃdeo africano Orrorin tugenensis. Conclusão é que criatura andava ereta, tal como australopitecos, bem mais recentes. Uma dupla de pesquisadores americanos pode ter conseguido um feito raro nos estudos sobre a evolução humana: simplificar um pouco as coisas, em vez de complicá-las. Analisando a anatomia de um dos mais antigos ancestrais do homem, o Orrorin tugenensis, de 6 milhões de anos, eles concluÃram que ele era bÃpede, com um andar muito parecido com o dos australopitecos, velhos conhecidos dos antropólogos.
Se a dupla estiver correta, cai por terra a idéia de que o O. tugenensis seria uma criatura “à frente de seu tempo”, mais próxima do nosso próprio gênero (o Homo, do famoso binômio Homo sapiens) do que quase todos os outros hominÃdeos que existiram entre 6 milhões e 2 milhões de anos atrás.
“Acho que podemos descartar essa idéia com bastante segurança”, declarou o paleoantropólogo Brian G. Richmond, da Universidade George Washington. Richmond assina o estudo junto com William L. Jungers, da Universidade Stony Brook, na edição desta semana da revista especializada americana “Science”. “O que nós estamos vendo aqui é uma adaptação muito bem-sucedida para o andar bÃpede – tão bem-sucedida que persistiu durante 4 milhões de anos”, avalia Richmond.
O andar bÃpede é tão importante para os paleoantropólogos porque, em geral, ele é considerado a primeira marca da linhagem que iria desembocar no homem moderno. Os primeiros hominÃdeos (nome mais comum usado para designar a nossa “famÃlia” evolutiva) tinham cérebros praticamente iguais aos de um chimpanzé moderno e eram baixinhos (em torno de 1 m), mas deixaram de lado a vida de quadrúpedes cedo. A pergunta é quão cedo – coisa que o atual estudo tenta responder.
A chave do trabalho de Richmond e Jungers é o fêmur, ou osso da coxa. Desde que o Orrorin tugenensis foi descoberto pelos pesquisadores Brigitte Senut e Martin Pickford (em 2000, no Quênia), não havia sido feita uma análise detalhada desse pedaço do fóssil, justamente uma das pistas cruciais para saber como a criatura andava.
Ao comparar o fêmur do hominÃdeo com o de humanos modernos, chimpanzés de hoje e uma série de outros ancestrais da humanidade, a dupla de paleoantropólogos descobriu que o osso é exatamente igual ao dos australopitecos. Esses hominÃdeos, que viveram entre 4 milhões e 1 milhão de anos atrás, certamente eram bÃpedes, embora fossem ligeiramente de nós nessa caracterÃstica.
“Há um debate sobre como eles andariam na prática”, conta Richmond. “O que é certo, porém, é que o ‘pescoço’ do fêmur deles era mais comprido que o nosso. É uma caracterÃstica que ajudava a dar apoio aos músculos que saÃam do quadril e mantinham a postura deles durante o andar bÃpede”, explica o pesquisador americano.
“Eu realmente me surpreendi ao ver que o Orrorin era igual aos australopitecos nesse aspecto. Já que ele é tão antigo, eu esperava achar uma coisa totalmente diferente”, diz Richmond. OK, isso nos leva a dar adeus à suposta linhagem fantasma que ligaria diretamente o O. tugenensis ao gênero Homo. Alguns paleoantropólogos tendiam a apostar que, na verdade, todos os australopitecos seriam “becos sem saÃda” evolutivos, sem relação direta com os hominÃdeos que vieram antes ou depois deles.
“A nossa análise, em princÃpio, pode ser consistente com as duas visões: uma seqüência evolutiva mais clara ou esse modelo em ‘arbusto’ da evolução humana, no qual há vários becos sem saÃda”, avalia o paleoantropólogo. “É verdade que a gente tende a subestimar a diversidade de espécies no registro fóssil. Mas, no geral, o Orrorin parece bem primitivo. Tem a cara que a gente esperaria de um hominÃdeo dessa época.”
Fonte: G1
5 respostas para "Ancestrais do homem já eram bÃpedes há 6 milhões de anos"
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março 26th, 2008 em 01:18
Parabéns pelo blog antes de tudo. Como leitora posso fazer uma sugestão de tema para próxima matéria? Eu queria que vocês fizessem um especial vendo as farsas da umbanda, candomblé e outras religões afro-brasileiras.
Beijos.
março 26th, 2008 às 17:16
Pedido anotado e em apreciação, Jezabel. Sugestões são sempre bem-vindas.
Assim que recolhermos dados suficientes, pode contar que o Martelo dos Hereges soará alto.
Grande beijo.
março 27th, 2008 em 00:48
Gostei muito do artigo.
Eu acho que as vezes falta uma escala de tempo com os hominÃdeos bem colocados nela. Algo que defina a possivel data do HominÃdeo, com a possivel condição climática da terra, fosseis importantes e etcc..
Um Atlas em linha reta.
Se alguem achar essa preciosidade me avisem por favor.
t+
março 27th, 2008 em 19:31
http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/images/hominids2.jpg
http://www.pandasthumb.org/archives/images/fossil_hominin_cranial_capacity_lg.png
http://cas.bellarmine.edu/tietjen/Human%20Nature%20S%201999/cladogram3.gif
http://neurophilosophy.files.wordpress.com/2006/08/htree.jpg
http://www.talkorigins.org/faqs/comdesc/images/hominids2_big.jpg
http://www.gly.uga.edu/railsback/1121StandardTimeScale.jpeg
Isso te atende, Tora?
março 28th, 2008 em 02:21
Como disse a moça mais acima, eu também tenho a sugestão de um tema, a possessão de espÃritos da doutrina espÃrita e mediunidade, para argumentarmos com mais embasamento contra eles.
O site tá sempre mandando muito bem nos artigos, estou aprendendo muito com ele.Abraços.