Acho que o desequilíbrio do sumo-pontífice está contagiando também seus subordinados: não bastasse o esforço hercúleo de Bento XVI em estabelecer uma nova Idade das Trevas, agora até o ‘sagrado sacramento do casamento’ foi sacrificado em prol do ecumenismo (ou da politicagem barata mesmo).
1) A cerimônia
A suntuosa cerimônia, que atraiu três mil novos possíveis ‘fiéis’ para a Igreja, ocorreu na região de Ghanteswara, próxima da Capital do estado de Orissa, no leste de Índia.
Foi um verdadeiro sucesso, capaz de causar inveja à qualquer ‘moçoila casadeira’: o casório atraiu três mil convivas, com direito à banquete de arroz, lentilha, verduras, peixes e doces.A noiva ‘Jhumuri’ ostentava com um longo sari vermelho de cinco metros e foi preparada com pasta de sândalo; enquanto o noivo, ‘Manu’, foi levado ao templo em uma procissão na companhia de centenas de animados espectadores. Dita procissão contou com música, fogos de artifício e danças. Os noivos receberam vários presentes (a noiva ganhou, inclusive, um colar de ouro).
Quem presidiu a ‘missa’ foi padre Daitari Dashu, que de tão emocionado, disse o seguinte:
“Foi uma experiência única para mim”, foi a primeira vez que conduzi um casamento entre dois animais, mas segui todos os rituais como eu faço em casamentos entre humanos”
Epa! Que raios!
O padre chamou os noivos de ‘animais’! Mal-educado! Qual nada, amigos, foram unidos no sagrado sacramento dois…. macacos! Isso mesmo, você não leu errado, eram dois macacos.
Peço licença para interromper o relato, lembrei-me de algo: será que dito padre inspirou-se no filme ‘O Auto da Compadecida’, onde João Grilo convenceu o padre João a celebrar uma missa em latim pela morte da cachorra Dorinha? O argumento que convenceu dito padre, no caso, foi monetário, será houve o padre Daitari teve a mesma motivação? Mistériooooo….
Calma, já vou desfazer o ‘nó’ em vossas lindas cabecinhas. Na religião hindu, os macacos são considerados ‘sagrados’, e por isso, o casamento entre os animais é visto como um evento espiritual que traz benefícios para a comunidade.
2) Hinduísmo e Catolicismo: o que são?
एकम् सत् विप्रा: बहुदा वदन्ति
Transliteração: ekam sat vipraaha bahudaa vadanti
Português: “A verdade é única, embora os sábios a conheçam como muitas.”
— Rig Veda (Livro I, Hino CLXIV, Verso 46)
O hinduísmo é um conjunto de princípios e práticas religiosas surgidos na Índia, a partir do século XV a.C, e é a terceira crença com mais adeptos no mundo, atrás do cristianismo e do islamismo. Segundo o credo, o ser humano está preso a um ciclo de morte e renascimento, as reencarnações são regidas pelo carma, preceito segundo o qual a forma como renascemos na vida atual foi definida pelo estágio espiritual que alcançamos na vida anterior. Como neste conjunto de princípios está contida a idéia de que ‘Deus está em tudo’, os animais também são considerados sagrados.
Não existe mais que um único Deus
Dogma (verdade revelada por Deus) n.º 3 da Igreja Católica
A Igreja Católica é o maior e mais antigo ramo do cristianismo. O termo católico deriva do grego katholikos e significa universal. Estrutura-se em regiões geográficas autônomas, as dioceses, dirigidas por bispos subordinados ao papa, considerado sucessor do apóstolo Pedro. O atual papa é o alemão Joseph Ratzcinger (1927-), que assumiu o cargo no ano de 2005, com o nome de Bento XVI. A sede da Igreja fica no Vaticano.
A principal cerimônia é a missa, Seu ponto culminante é a eucaristia, um dos sete sacramentos (ritos sagrados) da Igreja, no qual, segundo a crença, Jesus Cristo se encontra presente com seu corpo, sangue, alma e divindade, na forma de pão e vinho. O livro sagrado é a Bíblia.
3) Do absurdo da notícia:
Até aqui tudo bem, né? Relatei a notícia, apresentei uma visão geral de ambas as religiões. Mas ainda persiste a pergunta: qual o problema do padre haver celebrado o casório? Esse diálogo entre as religiões não seria louvável?
Por mim os padres podem casar quem eles quiserem, inclusive se arranjarem um belo noivo para minha cachorrinha ‘Grace Kelly’, poderia até pensar no caso, especialmente se houvesse a pré-disposição em enchê-la de presentes, como fizeram à noiva-macaca ‘Jhumuri’ (um belo colar de ouro não cairia mal, pois não?
).
Mas se o caro leitor quiser entender a real dimensão do absurdo, basta que continue a leitura. Vamos?
4) Da sacralidade do casamento:
O problema é que para os católicos, o matrimônio é algo S-A-G-R-A-D-O, efetuado entre homem e mulher, pois é por meio dele que funda a ‘Família’, que na Doutrina Social da Igreja é compreendida como sendo célula vital da sociedade, primeira sociedade natural, santuário da vida, a quem é atribuída uma tarefa educativa que é direito dos filhos, é protagonista da vida social e deve ter a sociedade a seu serviço. Sobre a importância e sacralidade do matrimônio, vejam o que diz o Compêndio da Doutrina Social da Igreja Católica:
“…A família tem o seu fundamento na livre vontade dos cônjuges de unir-se em matrimônio, no respeito dos significados e dos valores próprios deste instituto, que não depende do homem, mas do próprio Deus: « No intuito do bem, seja dos esposos como da prole e da sociedade, esse vínculo sagrado não depende do arbítrio humano. Mas o próprio Deus é o autor do matrimônio, dotado de vários valores e fins». O instituto do matrimônio ― « íntima comunhão de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e dotou com Suas leis»― não é portanto uma criação devida a convenções humanas e a imposições legislativas, mas deve a sua estabilidade ao ordenamento divino.[...]
O sacramento do matrimônio assume a realidade humana do amor conjugal em todas as implicações e «habilita e empenha os cônjuges e os pais cristãos a viver a sua vocação de leigos, e por tanto a “procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus”». Intimamente unida à Igreja em força do vínculo sacramental que a torna Igreja doméstica ou pequena Igreja, a família cristã é chamada «a ser sinal de unidade para o mundo e a exercer deste modo o seu papel profético, testemunhando o Reino e a paz de Cristo, para os quais o mundo inteiro caminha».
A caridade conjugal, que promana da caridade mesma de Cristo, oferecida através do Sacramento, torna os cônjuges cristãos testemunhas de uma sociabilidade nova, inspirada no Evangelho e no Mistério Pascal. A dimensão natural do seu amor é constantemente purificada, consolidada e elevada pela graça sacramental. Deste modo, os cônjuges cristãos, ademais de ajudar-se reciprocamente no caminho de santificação, convertem-se em sinal e instrumento da caridade de Cristo no mundo. Com a sua própria vida eles são chamados a ser testemunhas e anunciadores do significado religioso do matrimônio, que a sociedade atual sente sempre mais dificuldade em reconhecer, especialmente quando acolhe visões que tendem a relativizar até mesmo o fundamento natural do instituto matrimonial….”
Eeeeeepa!
Peraí: a doutrina Católica ensina seus fiéis que o próprio DEUS é o autor do matrimônio! Então a autoria do matrimônio entre os maçados também foi de autoria do Altíssimo? O que será que sua Santidade teria a dizer sobre isso? Ah, ele já disse! Quando esteve no Brasil, Bento XVI se manifestou nos seguintes termos:
“A vida social está atravessando momentos de confusão desnorteadora. Ataca-se impunemente a santidade do matrimônio e da família, iniciando-se por fazer concessões diante de pressões capazes de incidir negativamente sobre os processos legislativos; justificam-se alguns crimes contra a vida em nome dos direitos da liberdade individual; atenta-se contra a dignidade do ser humano; alastra-se a ferida do divórcio e das uniões livres”
Pelo visto ‘Bentinho’ não veria com bons olhos o comportamento do padre Daitari, não é mesmo? Bom, pensando bem…..outros fazem pior, não é mesmo?
5) Do diálogo entre as religiões (ecumenismo)
Enquanto maior Igreja organizada, a Católica, por meio de seus representantes, vive tentando pregar o ecumenismo, que seria um saudável diálogo entre as mais diversas religiões, que permitira a convivência pacífica.
Será mesmo? Do alto de minha ignorância, quando leio as mais diversas notícias relacionadas ao novo Papa, por exemplo, vejo que este incentivo ao ecumenismo é apenas para ‘inglês ver’. Ora Bentinho defende o ecumenismo, ora o ataca de forma veemente, senão vejamos:
“Entre os problemas que afligem a vossa solicitude pastoral está, sem dúvida, a questão dos católicos que abandonam a vida eclesial. Parece claro que a causa principal, dentre outras, deste problema, possa ser atribuída à falta de uma evangelização em que Cristo e a sua Igreja estejam no centro de toda explanação. As pessoas mais vulneráveis ao proselitismo agressivo das seitas - que é motivo de justa preocupação – e incapazes de resistir às investidas do agnosticismo, do relativismo e do laicismo são geralmente os batizados não suficientemente evangelizados, facilmente influenciáveis porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes, confusa, vacilante e ingênua, embora conservem uma religiosidade inata…”
Clique aqui para ler na íntegra.
Ouw! Esta doeu no coração de qualquer evangélico, não? Chamou toda e qualquer doutrina cristã não-católica de ‘seita’. Mas a Ecclesia relatou que o papa pretende promover o ecumenismo:
“Não constituiu surpresa o fato de o Papa Bento XVI ter colocado, logo a partir das suas primeiras intervenções, o ecumenismo, a tarefa da reconstituição da unidade plena e visível entre os cristãos, como uma das prioridades do seu pontificado. A apurada consciência que possui da importância desta tarefa radica, como é sabido, em vários fatores da sua própria história de vida: perito do Concílio, braço direito de João Paulo II nas questões doutrinais, teólogo conhecedor da problemática ecumênica e, não em último lugar, cristão alemão que aprendeu a sentir de perto o problema ecumênico: “Sendo eu mesmo proveniente deste país, conheço bem a situação dolorosa que a ruptura da unidade na profissão da fé causou a tantas pessoas e famílias” (Discurso em Colônia, 19/8/2005). Quase três anos após essa manifestação programática de intenção, é possível apontar alguns aspectos mais salientes nos esforços tendentes à sua concretização…”
Assim não dá! Qual é a tua, Bento?
6) Da idolatria
Considerando que a Igreja Católica Apostólica Romana adota a Bíblia como livro sagrado, defendo sua autoria/inspiração divina, de um deus com os modestos adjetivos de onipotente, onisciente, onipresente, bom justo e perfeito, seria óbvio que o livro teria de ser obedecido à risca, não?
Não, segundo o Cônego Pedro Carlos Cipolini - Doutor em Teologia (Mariologia); professor titular da PUC–Campinas; membro da Academia Marial de Aparecida, as imagens dos santos, por não servirem à finalidade de substituir a adoração ao verdadeiro Deus, não constituiriam idolatria. Veja aqui. Claro que sendo ‘mariano’, iria ‘puxar a sardinha’ pro lado dele, não é mesmo?
Vamos conceituar a idolatria?:
“Idolatria é adorar a criação em vez do Criador, é a exclusão do Deus verdadeiro, substituindo-o por um falso deus”
Mas, e aí? O seguidor da Bíblia fingirá que não vê a manifesta adoração que os ‘santos’ recebem? Se Deus é único (deixemos de lado a confusão da trindade, ta legal?), adorar outras imagens (seja lá de santos, ou de Shiva) não constituiria idolatria?
Até Moisés se aborreceu com a adoração do bezerro de ouro! E o que diz o Livro Sagrado?
Êxodo 20: 2-5:
“ Eu sou o Senhor teu Deus, que te direi da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo da terra, nem nas águas de baixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás: porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”
Êxodo 34:14-17:
“….Porque te não inclinarás diante doutro deus: pois o nome do Senhor é Zeloso: Deus zeloso é ele; para que não faças concerto com os moradores da terra, e não se prostituam após os seus deuses, nem sacrifiquem aos seus deuses, e tu, convidado deles, comas dos seus sacrifícios…”
Olha, não sei não, mas o Deus único realmente não gosta de competição: mais adiante, em Deuteronômio, ele mandou que se destruíssem os cananeus e seus ídolos:
Deuteronômio 7: 1-5:
“…Quando o Senhor teu Deus te tiver introduzido na terra, a qual vais a possuir, e tiver lançado fora muitas gentes de diante de ti, os heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus, sete gentes mais numerosas e mais poderosas do que tu; E o Senhor teu Deus as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás; não farás com elas concerto, nem terás piedade delas; nem te aparentarás com elas: não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderá contra vós, e depressa vos consumiria. Porém assim lhes farei: Derrubareis os seus altares, quebrareis as suas estátuas; e cortareis os seus bosques, e queimareis a fogo as suas imagens de escultura…”
Para não me estender muito, só mais uma: Romanos 1:22-23, consta texto do qual se infere a proibição de idolatria de imagens de animais:
“…Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes e de répteis…”
E então? Como é que fica? Que diferença faz eu acender velas em minha casa diante da imagem de Santo Antonio (se até a macaquinha casou, quem sabe, né?), de Shiva, de Budha ou de Iemanjá? Pensando bem, o hinduísmo e o catolicismo não são TÃO diferentes assim….
Acho que o fiel católico pode ficar tranqüilo, afinal, pode ele escolher qual parte da bíblia seguir!
Fonte da notícia: BBC

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domingo, 2 de março de 2008 às 14:48
Ou seja, a ICAR vive fazendo macaquices para angariar mais fiéis…
[Reply]
Macacos me lembram: CIRCO!!

[Reply]
terça-feira, 13 de maio de 2008 às 20:37
[...] macaquinha que se cuide, vai que o maridão insatisfeito pede também a anulação do casamento!? Fonte: BBC [...]