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fev 25

biblical_errancy.jpg C. Dennis McKinsey
(extraído do livro “The Encyclopedia of Biblical Errancy”)

Qualquer filosofia, teoria ou ideologia que se baseia essencialmente na fé, irracionalidade e obediência cega a alegações, propostas e promessas não comprovadas é altamente vulnerável a críticas e ataques. As afirmações de gente que se baseia mais na fé que na razão, mais na crença que em provas, mais na obediência que no livre exame e mais na superstição que na ciência estarão sempre sujeitas à contestação e à refutação.

A estratégia básica do Novo Testamento em resposta a estes problemas consiste na solificação e no isolamento. Os adeptos são levados a se tornarem tão firmes em sua fé que nenhuma evidência em contrário será capaz de abalar sua decisão. A atitude que o Novo Testamento procura criar é “Eu não me importo com nenhuma evidência que possa existir que prove que vários fenômenos ou preceitos no Novo Testamento são fraudulentos e que o livro é basicamente uma ferramenta de doutrinação usada por um grupo dominante. Se está na Bíblia, então é verdade”. Depois que este ponto de vista foi gravado na mente, a porta se fecha para qualquer outro diálogo. A razão não é mais necessária, Jesus está no controle.

A solidificação funciona melhor através do isolamento. Os crentes são advertidos a não discutir nem argumentar com críticos e descrentes. Descrentes estão no caminho errado e não se fala mais nisto. A mensagem de Col. 02:04 é “Não os ouça” (”Digo isto para que ninguém os engane com belos discursos”); 1 Tim. 06:20-21: “Evite o palavreado irreverente e as objeções dessa falsa ciência, pois alguns a professaram e se desviaram da fé”; 2 Tim. 02:23-24: “Mas afaste-se de discussões tolas e ignorantes; você sabe que elas acabam em brigas”; Tito 03:09-10: “Evite controvérsias inúteis, genealogias, discussões e debates sobre a Lei, porque para nada servem e são vazias. Depois de um primeiro e um segundo aviso, deixe para lá os hereges”.

Mesmo os debates mais racionais, lógicos, pacíficos e bem fundamentados devem ser evitados porque eles, supostamente, só vão gerar brigas e conflitos. Este tem sido o método tradicionalmente usado por demagogos durante séculos - doutrinar e isolar, isolar e doutrinar. O verdadeiro motivo pelo qual debates devem ser evitados é que os ensinamentos cristãos não resistem à análise lógica e os crentes poderiam se deixar influenciar por eles.

É estritamente tabu para os crentes criticar ou testar o que lhes é dito, de acordo com Mat. 04:07 (”Não tente o Senhor seu Deus”) e Rom. 09:20 (”Mas quem é você, meu amigo, para questionar Deus? Um jarro de barro não pergunta ao homem que o fez ‘Por que você me fez assim?’ “).

Marcos 11:27-33 conta uma história em que perguntam a Jesus, “Que direito você tem de fazer estas coisas? Quem lhe deu tal direito?”. Jesus retruca que, se eles responderem à sua pergunta, ele responderá à deles. Mas eles não respondem, com medo da multidão que o segue, portanto Jesus conclui com a frase: “Eu também não lhes direi com que direito faço tais coisas”. Ou seja, não questione a autoridade de Jesus. Ele não é obrigado a responder. Aliás, neste caso, era melhor para a saúde não questionar…

Testes não são necessários já que, por meio de algum processo misterioso, a alegada verdade do cristianismo será mostrada ao crente. Lucas 07:35 diz, “A sabedoria de Deus, entretanto, mostra-se verdadeira aos que o aceitam” e, em 1 João 02:27, “Enquanto seu Espírito permanecer em vocês, vocês não precisam de que ninguém os ensine. Pois seu Espírito lhes ensina sobre todas as coisas e o que ele ensina é verdadeiro, não falso”.

Quando se trata dos ensinamentos das Escrituras, é virtualmente impossível que um crítico, analista ou observador seja visto como honesto, sincero e bem-intencionado. O Novo Testamento o apresenta como um hipócrita, um enganador cheio de truques que, consciente ou inconscientemente, guia os cristãos desavisados para o inferno por uma estrada florida. Tentar provar o contrário é proibido. Neste particular, mais do que nos outros, o Novo Testamento oferece o máximo em fechamento da mente. Também procura manter os crentes longe do “perigo da verdade” ao pintar como falsos profetas e enganadores todos aqueles que lançam dúvidas sobre a exatidão da Bíblia. Embora não o diga abertamente, o NT dá aos fiéis a impressão de que todo e qualquer crítico é um charlatão tentando enganar os otários.

Podemos ver isto em Mateus 07:15 (”Cuidado com os falsos profetas. Eles se vestem com peles de carneiro por fora mas por dentro são na verdade como lobos ferozes”); Mateus 24:11 (”Porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Eu sou o Messias’. E enganarão muita gente”); Mateus 24:24-26 (”Falsos messias e falsos profetas surgirão, eles realizarão grandes milagres e prodígios para enganar até mesmo o povo eleito de Deus, se possível”); 2 Pedro 02:01 (”Falsos profetas surgiram no passado entre o povo de Israel e, do mesmo modo, falsos mestres aparecerão entre vocês. Eles trarão heresias e serão destruídos”); e Tim. 06:03-04 (”Quem quer que ensine uma doutrina diferente e discorde das palavras verdadeiras de Nosso Senhor Jesus Cristo e dos ensinamentos de nossa religião, está cheio de orgulho e não sabe nada. É doente à procura de discussões e brigas de palavras”).

Quando o acúmulo de fatos, dados e evidências que invalidam a fé cristã se tornam incontestáveis, a técnica definitiva de isolamento é aplicada. Os crentes são convencidos de que possuem uma verdade secreta incompreensível a quem está de fora. Ainda que exista uma montanha de evidências que mostram que seguir Jesus é uma forma masoquista e auto-enganadora de tortura, que só beneficia quem está no comando, os biblicistas são instruídos a ignorar a realidade e ver os críticos como agentes do diabo , irrecuperáveis, incapazes de entender a “verdade” superior. Em resumo, o que o NT diz é “Esqueçam o que diz a realidade, ouçam o que eu digo. Vocês vão acreditar em mim ou nas mentiras que seus olhos lhes mostram?”.

Alguns trechos relevantes: 1 Cor. 02:06-07 (”Na realidade, é aos maduros na fé que falamos de uma sabedoria que não foi dada por este mundo, nem pelas autoridades passageiras deste mundo. Ensinamos uma coisa misteriosa e escondida: a sabedoria de Deus, aquela que ele projetou desde o princípio do mundo para nos levar à sua glória”); 1 Cor. 02:13-14 (”Para falar desses dons, não usamos a linguagem ensinada pela sabedoria humana, mas a linguagem que o Espírito ensina, falando de realidades espirituais em termos espirituais. Fechado em si mesmo, o homem não aceita o que vem do Espírito de Deus. É uma loucura para ele, e não pode compreender, porque são coisas que devem ser avaliadas espiritualmente”); 1 Cor. 01:20-21 (”Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o argumentador deste mundo? Por acaso, Deus não tornou louca a sabedoria deste mundo? De fato, quando Deus mostrou a sua sabedoria, o mundo não reconheceu a Deus através da sabedoria. Por isso através da loucura que pregamos, Deus quis salvar os que acreditam”); 1 Cor. 01:27 ( “Mas, Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte”); 1 Cor. 03: 18-20 (”Ninguém se iluda. Se alguém de vocês pensa que é sábio segundo os critérios deste mundo, torne-se louco para chegar a ser sábio; pois a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. De fato, a Escritura diz: “Deus apanha os sábios na própria esperteza deles”); e, em 1 Cor. 04: 10, falando dos cristãos acomodados: “Nós somos loucos por causa de Cristo; e vocês, como são prudentes em Cristo! Nós somos fracos, vocês são fortes! Vocês são bem considerados, nós somos desprezados!”.

Mais uma vez, o NT consegue transformar uma derrota vergonhosa em vitória parcial. Dados contraditórios são apresentados como um modo de testar a fé do crente. Quanto mais fora da realidade o cristianismo se torna, maior o teste e maior a recompensa. Ensinar a alguém a “tornar-se um louco de modo a se tornar um sábio” é lavagem cerebral. Se isto não é radicalismo, então o que é? É espantoso a que ponto se chega quando se trata de dominar as massas.

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escrito por André

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