Associated Press
Os germes se comunicam? Muitos cientistas acreditam que sim, e estão apostando que a conversa pode trazer a chave para o desenvolvimento da próxima geração de antibióticos. O senso comum afirma, há tempos, que abordagem “arrasa-quarteirão” é a melhor para combater infecções. Mas, à medida que a evidência de ligações entre bactérias se acumula ao longo dos anos, pesquisadores agora focalizam antibióticos que podem quebrar as linhas de comunicação.
“Bactérias são, de certa forma, como um exército a caminho da batalha”, disse o biólogo Paul Williams, da Universidade Nottingham. “Só quando têm a força do número é que mandam as tropas atacar”. A idéia é que, se a comunicação entre as bactérias puder ser interrompida, os micróbios poderão ser incapacitados antes de causar dano ao hospedeiro. Se, se as bactérias não forem mortas, a espécie não terá a oportunidade de evoluir para uma nova forma, imune ao remédio.
Ainda serão necessários anos até que surja uma droga comercialmente viável, criada sob esse princípio. Mas se a estratégia for bem-sucedida, ela poderá abrir caminho para novas armas contra bactérias super-resistentes, que já aprenderam a escapar dos antibióticos tradicionais. Pesquisadores referem-se aos sistemas de comunicação das bactérias como “senso de quórum”. Como numa assembléia de condomínio, é preciso haver um quórum mínimo antes que uma decisão seja tomada.
As bactérias comunicam-se trocando um sinal químico que é captado por receptores especiais. Williams e colegas trabalham na criação de enzimas que destroem as moléculas do sinal.
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