jan 26

Mutação genética produz madrugadores

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Ciência, Comportamento, Genética, Medicina, Neurologia
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Por Rafel Garcia

As pessoas que gostam de acordar extremamente cedo e antecipar a hora de dormir podem fazer isso por influência de seu DNA, revela um estudo de cientistas dos EUA. Ao estudar famílias em que quase todas as pessoas possuem a chamada “síndrome da fase avançada do sono”, os pesquisadores identificaram uma mutação como a causa do comportamento.

Os portadores de uma forma anômala de um gene chamado Per2, mostrou o estudo, têm o costume de ir para a cama entre 17h e 19h e acordar entre 2h e 4h, mesmo em fins de semana – e sem ajuda do despertador.

A fim de mostrar que o problema estava no DNA, cientistas da Universidade da Califórnia em San Francisco produziram roedores transgênicos com a mesma mutação dos humanos madrugadores e realizaram um experimento. O papel da alteração genética ficou claro quando compararam os animais alterados aos normais.

“Colocamos os dois grupos em caixas com iluminação artificial, alternando períodos claros e escuros a cada 12 horas, para simular o dia”, explicou Ying-Hui Fu, pesquisadora que liderou o teste. “Na natureza, os camundongos são animais noturnos, então os animais normais acordavam assim que desligávamos a luz, começavam a andar na roda e ficavam ativos o tempo todo, até que a luz se acendesse.”

Os transgênicos, porém, iniciavam suas atividades de três a quatro horas antes de a luz se acender e iam dormir mais cedo também. “Foi exatamente como acontece nos humanos com a síndrome, que vão para a cama entre 18h e 19h e se levantam às 3h ou 4h”, disse Fu.

A cientista está agora testando várias drogas nos roedores transgênicos. “Nossa meta final, claro, é encontrar uma forma de intervenção terapêutica para regular o ritmo circadiano humano, e esse estudo foi apenas um passo nessa direção.” Os resultados dos pesquisadores foram publicados na revista “Cell” no dia 11 de janeiro.

Boemia genética

O trabalho do grupo californiano é semelhante a outro que um grupo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) está desenvolvendo. Os pesquisadores brasileiros, porém, estudam uma outra alteração hereditária, no gene Per3, que causa o problema inverso. Aparentemente, quem possui a mutação contrai a síndrome da fase atrasada do sono, uma espécie de boemia genética.

“O grupo da Califórnia fez mais ou menos a mesma coisa que nós estamos planejando para um outro gene, o “, diz Mário Pedrazzoli, coordenador dos trabalhos na Unifesp. Em colaboração com cientistas britânicos, os brasileiros devem fazer experimentos com roedores portadores dessa outra mutação.

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